sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O EXISTENCIALISMO (Professor José Antônio Brazão.)

A filosofia existencialista, como o próprio nome aponta, empenha-se por refletir sobre a existência humana, sua razão de ser, num esforço por apreender a profundidade de seu significado. O existencialismo teve duas vertentes principais: uma cristã e uma ateia. A primeira buscou uma compreensão do existir humano apontando para um destino eterno, defendendo a imortalidade da vida espiritual. A segunda, ateia, da qual Sartre foi um dos representantes, deixa de lado a possibilidade de uma existência futura, eterna, não aceitando a existência de Deus nem do espírito (alma), e ocupa-se exclusivamente desta existência especificamente humana, "demasiadamente humana”, como dizia Nietzsche no século XIX, pensador cujas ideias influenciaram o existencialismo e outras correntes filosóficas do século XX e que ainda é muito estudado.
Um dos filósofos existencialistas de destaque, no século XX, foi o argelino Albert Camus, que, além de obras filosóficas propriamente ditas, escreveu também romances existencialistas. Em seu livro A Peste fala da invasão de ratos em uma cidade, trazendo doenças e males que mataram muitas pessoas. Inicialmente muitos habitantes não se davam conta da progressiva invasão, porém esta, de fato, acabou tornando-se uma peste, um mal terrível que se abateu sobre todos. Um médico, Dr. Rieu, junto com uma equipe que a ele se uniu, decidiu levar adiante o combate à peste que se abatera sobre a população, outras equipes foram surgindo e, paulatina e eficazmente, conseguiram combater aquele mal, até debelá-lo, mas foram necessários muita união e esforço coletivos.
Na verdade, A Peste faz referência direta à invasão nazista, durante a II Guerra Mundial (1939 - 1945), que provocou a morte de muitas pessoas na França, Argélia e em muitos outros lugares da Europa, da Ásia, da África e do mundo. Aliados aos países que combatiam o nazi-fascismo, grupos de resistência surgiram, de fato, em muitos lugares, com destaque particular para a França e a Argélia.
Ao longo de seu livro, Camus faz uma verdadeira avaliação da existência humana, buscando demonstrar a sua importância, bem como os valores mais preciosos que a permeiam, como a amizade, a união, a coragem de doar a vida em prol de outras pessoas (como aqueles combatentes que se empenharam por debelar a praga ou peste que assolava a cidade), a liberdade pela qual merece haver luta e resistência sobre-humanas, a responsabilidade por si e pelos outros, dentre outros valores.
Outro filósofo destacado foi Jean-Paul Sartre, francês, que também pertenceu à corrente existencialista. Sartre, em seus livros, trata de questões gerais, específicas e cotidianas da vida humana, tendo foco a busca de uma compreensão mais profunda do existir. Em seu livro O Existencialismo é um Humanismo e em vários outros, Sartre apresenta e defende incisivamente o existencialismo ateu. Aí afirma que “a existência precede a essência”. O que ele quer dizer com isto? Que é preciso, primeiramente, existir, a fim de que se possa refletir sobre o que é o ser humano, sobre sua essência, aquilo que o define como tal, diferentemente de outros seres.
De acordo com Sartre, não existe uma essência (um fundamento) prévia(o) que defina o ser humano antes que ele se sinta como ser existente. O ser humano é aquilo que ele se faz, nada além disto. Perceber-se como ser existente é o primeiro princípio para que o ser humano possa refletir a respeito de si mesmo e, sem dúvida, sobre o mundo que o rodeia.
Ademais, o ser humano encontra-se só, não dispondo, acima dele, de nenhum criador, de nenhuma divindade (nem Deus nem o diabo), não podendo culpar a ninguém mais, além de si mesmo, por tudo o que venha a ocorrer-lhe, suceder-lhe. O ser humano é responsável por tudo o que faz, sendo responsável, portanto, por sua existência.
Quanto às determinações históricas e sociais, Sartre defende a ideia de que importa não simplesmente o que foi feito do ser humano (as determinações propriamente ditas), mas principalmente o que este faz de sua vida a partir daí. Cada ser humano dispõe de imensa responsabilidade sobre aquilo que se torna. Ninguém está isento dessa responsabilidade sobre o seu existir. É claro, já que a existência implica a presença de outras pessoas, com as quais se compartilha o existir, então faz-se necessária uma preocupação também com estas, com a busca de seu bem-estar, além do próprio.
Vale notar que a frase de Sartre “a existência precede a essência” faz um contraponto em relação à frase teológica medieval que dizia que, no caso das criaturas, dentre as quais o próprio ser humano, “a essência precede a existência”. De acordo com esta última afirmação, aquilo que os seres criados são ou viriam a ser, isto é, sua essência característica, já se encontrava previamente na mente de Deus antes da criação. Quanto a Deus, por sua vez, os teólogos cristãos medievais, particularmente a partir da escolástica, afirmavam que nele a essência e a existência se confundem, não havendo como separá-las.
Ora, quando Sartre defende a precedência da existência sobre a essência, na verdade, está renegando a ideia de criação realizada por Deus e até nega a existência deste. Não há uma existência de Deus e uma da criatura. O mundo, simplesmente, existe e está aí, assim como o ser humano, que precisa primeiramente existir e sentir-se como ser existente para, então, poder refletir sobre si mesmo. E cabe ao ser humano dar conta de sua existência efêmera, única, devendo viver intensamente o presente. Para Sartre, o ser humano é um “projeto”, termo usado pelo filósofo para referir-se ao fato de que os seres humanos são capazes de projetar-se (lançar-se), a partir do presente, em direção ao futuro. De fato, o ser humano é um ser capaz de, fazendo uso de sua racionalidade, imaginar o seu futuro, planejá-lo e até mesmo torná-lo melhor.
A liberdade humana, para Sartre, é acompanhada de perto, passo a passo, pela responsabilidade. O bem e o mal não existem fora do ser humano. Este os carrega dentro de si, tendo a possibilidade de tornar o mundo melhor ou até mesmo de destruí-lo, de tornar-se um ser melhor ou pior para si e para seus semelhantes, dependendo de suas decisões e ações concretas. Portanto, sua responsabilidade é imensa.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A ESCOLA DE FRANKFURT (Professor José Antônio Brazão.)

Na primeira metade do século XX, um grupo de intelectuais (filósofos e pensadores de outras áreas) alemães resolveram formar um grupo de estudos e discussão de temas e ideias diversos. Era formado, em boa parte, por intelectuais de origem judaica. Dentre eles, destacaram-se Theodor Adorno (1903 – 1969), Max Horkheimer (1895 – 1973), Walter Benjamin (1892 – 1940), Herbert Marcuse (1898 – 1979), Jürgen Habermas (1929...) dentre outros. Estavam ligados ao Instituto de Pesquisas Sociais, da Universidade de Frankfurt.
Os membros vivenciaram na pele os problemas advindos da dominação nazista na Alemanha e em outras partes da Europa, bem como suas consequências, como a perseguição implacável contra os judeus, o extermínio de muitos destes e a II Guerra Mundial. Sendo judeus, boa parte deles conseguiu fugir para outros países, principalmente os Estados Unidos da América, vindo a tornar-se, neste último, professores em grandes universidades. Sem dúvida, os E.U.A. beneficiaram-se muitíssimo da fuga ou deportação de intelectuais judeus da Europa. Walter Benjamin, desesperado num momento de sua tentativa de fuga, acabou por cometer suicídio.
Esses intelectuais foram fortemente influenciados pelo pensamento marxista, pelos estudos de Freud e outros pensadores anteriores e de seu tempo, bem como pelos acontecimentos que vivenciaram ao longo das décadas. Dentre os temas estudados por eles encontram-se a indústria cultural, o nazismo, a música, capitalismo, socialismo, economia e outros temas sócio-históricos e filosóficos.
O trabalho teórico da Escola de Frankfurt tomou o nome de Teoria Crítica. James Bohman (In: http://plato.stanford.edu/entries/critical-theory/) assim define:
“Teoria Crítica” em sentido restrito designa várias gerações de filósofos e teóricos sociais, na tradição marxista europeia ocidental, conhecidos como Escola de Frankfurt. De acordo com esses teóricos, uma teoria ‘crítica’ pode ser distinguida de uma teoria ‘tradicional’ de acordo com um propósito prático: uma teoria é crítica pela extensão com que procura a emancipação humana, ‘liberar os seres humanos das circunstâncias que os escravizam’ (Horkheimer 1982, 244). Porque tais teorias objetivam explicar e transformar todas as circunstâncias que escravizam o os seres humanos, muitas ‘teorias críticas, em um sentido amplo, têm sido desenvolvidas. Elas têm emergido em conexão com muitos movimentos sociais que identificam variadas dimensões da dominação dos seres humanos nas modernas sociedades.” (In: http://plato.stanford.edu/entries/critical-theory/) (Tradução minha, um tanto grosseira e literal.)
Pode-se ver, no comentário feito por Bohman, o acento fortemente marxista da teoria crítica, da Escola de Frankfurt, ainda que não se ativesse exclusivamente ao marxismo. Vale lembrar que Marx e Engels, como outros seguidores de suas ideias o farão, de fato, propuseram a luta pela libertação, pela emancipação, da classe trabalhadora, opondo-se radicalmente à exploração capitalista. A Teoria Crítica, portanto, retoma a tradição marxista, fazendo uma análise crítica (problematizadora, questionadora, radical e minuciosa) dos fundamentos do capitalismo, tendo como ponto de partida, sem dúvida, as descobertas e as análises feitas por Marx e Engels, principalmente, e por outros teóricos da linha marxista. Eles também fizeram intensas e profundas análises do capitalismo, dispondo de bons conhecimentos da história do capitalismo e observando bem os acontecimentos de seu tempo, vários dos quais foram, de forma mais detida e minuciosa, investigados e tratados por eles em suas obras. Dois pequenos exemplos disto foram a indústria cultural e o nazi-fascismo.
No que diz respeito à indústria cultural, por exemplo, Adorno e Horkheimer falam de uma indústria elaborada, ao longo do tempo, pelo próprio sistema capitalista cuja finalidade é produzir e vender produtos culturais, como a música, o cinema, etc. Uma indústria com forte acento sobre o consumismo e cujos produtos têm pouca duração, porém constantemente renováveis, contribuindo para o aumento do capital dos grandes empresários e levando muitos à alienação e até à perda da própria identidade. No campo da música industrializada, Adorno percebeu o quanto ela é repetitiva, sem riqueza polifônica e feita para atrair multidões, ganhando sua adesão, como os demais produtos da indústria cultural.
Curiosamente, até hoje, em pleno século XXI, persiste firmemente essa indústria cultural, ainda mais aperfeiçoada e bem montada, vendendo produtos diversos, com destaque para as músicas e os filmes hollywoodianos, dentre outros, até mesmo livros, como os de auto-ajuda, de culinária, etc.! Juntamente com filmes e desenhos animados, outras indústrias se adaptam às ideias, mensagens e heróis que divulgam, aproveitando-se para também vender seus respectivos produtos: alimentos, brinquedos, roupas, etc. A indústria da moda é outro grande exemplo, sempre renovando o seu perfil e seus visuais, buscando atrair mais e mais consumidores. De fato, o consumismo é extremamente incentivado, principalmente com o auxílio dos meios de comunicação social (televisão, rádio, revistas, etc.), aumentando o capital e enriquecendo, cada vez mais, os capitalistas. A análise de Adorno e Horkheimer, como se vê, continua ainda muito atual ao adaptar-se aos tempos presentes.
O nazismo e o fascismo também foram muito estudados pelos membros da Escola de Frankfurt. Fascistas e nazistas conseguiram obter muitos membros e alcançar a aceitação de muitas pessoas, de grandes massas, em suas respectivas nações – Alemanha e Itália. Contudo, foram também cercados de horrores, como os da II Guerra Mundial e até mesmo anteriores a ela, como a Guerra Espanhola. As barbaridades e atrocidades cometidas pelos fasci-nazistas foram objeto de muitos debates entre os membros do Instituto de Pesquisas, que viam aí desfigurada a humanidade das pessoas.
O fascismo e o nazismo souberam articular propaganda intensa, conflitos sociais e outros. A ideologia do partido forte, capaz de dirigir a nação e resolver seus problemas, mexia na mente das pessoas, levando-as à aceitação, muitas vezes passiva, de valores e ideais determinados (como o ideal da raça pura, ariana), conforme os interesses dos grupos econômicos e políticos que se encontravam por trás dos bastidores do poder e que apoiavam os partidos fascista e nazista.
Ao longo dos anos que se seguiram ao final da II Guerra Mundial (1945), houve retorno de membros da Escola de Frankfurt, mas também houve os que preferiram ficar no exílio. Algumas décadas depois, com os falecimentos desses mesmos membros, a Escola acabou por fechar-se. No entanto, deixou sua marca e suas valiosíssimas e riquíssimas contribuições por meio dos estudos e das discussões que realizou.
Para aprender mais sobre a Escola de Frankfurt:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Frankfurt
http://educacao.uol.com.br/filosofia/escola-de-frankfurt.jhtm
http://pessoal.portoweb.com.br/jzago/frankfurt.htm
http://www.ccba.com.br/asp/cultura_texto.asp?idtexto=41
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2006/04/18/002.htm
http://plato.stanford.edu/entries/critical-theory/
http://plato.stanford.edu/entries/adorno/
http://plato.stanford.edu/entries/horkheimer/
http://plato.stanford.edu/entries/habermas/
http://plato.stanford.edu/entries/benjamin/

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SIGMUND FREUD (1856 - 1939) (Prof. José Antônio Brazão.)

Desde a mais remota antiguidade, com os filósofos gregos, paulatinamente, passou-se a valorizar, no mundo ocidental, grandemente a razão humana como condutora das ações humanas, do aprendizado do mundo e do conhecimento da realidade. A razão (logos, em grego) carrega consigo algumas habilidades e capacidades fundamentais, como duvidar, raciocinar, criar e ligar ideias, formar redes de pensamentos, refletir sobre o mundo, etc. Aristóteles, inclusive, em seu Órganon, livro em que trata de lógica formal, estuda os raciocínios que a razão é capaz de criar e de fazer uso na expressão de ideias. Curiosamente, na língua grega, a palavra logos significa, ao mesmo tempo, razão e palavra. A razão, com efeito, expressa-se por meio das palavras e dos raciocínios que com ela são construídos. É lógico!
Os filósofos iluministas, no seu tempo (século XVIII d.C.), trataram a razão como uma luz que pode conduzir as pessoas, sendo capaz de levá-las ao seu aprimoramento humanístico, ao progresso econômico, social e científico. Por outro lado, criticavam como irracional o autoritarismo, a intolerância e a ignorância. Immanuel Kant (filósofo alemão que viveu nesse tempo) chegou a fazer uma crítica da razão pura, buscando compreender a capacidade humana de usar a razão na elaboração dos conhecimentos e na determinação da moral e, ao mesmo tempo, procurando enxergar os limites dessa mesma razão.
Contudo, no século XIX, apareceu um médico e psicoterapeuta austríaco chamado Sigmund Freud que, com base em uma série de estudos e observações, chegou a afirmar a existência de algo a mais na mente humana, capaz de interferir, decisivamente, na vida das pessoas e em suas ações: o inconsciente. Este seria aquela parte da mente que se encontra bem escondida e que não se manifesta diretamente, que guarda consigo lembranças boas e negativas, traumas, recalques, pulsões e desejos e outras informações, advindos principalmente da infância. Mas Freud viu algo mais, junto com o inconsciente: um mecanismo que filtra e dá ordens ao consciente e ao inconsciente, dizendo o que pode e o que não pode ser feito, o que é e o que não é permitido, o que é licito e o que é ilícito, porém, por outro lado, tornando possível a convivência entre as pessoas da sociedade: o superego. E há ainda a parte consciente propriamente dita, com a qual as pessoas realizam muitas ações das quais têm consciência e percepção diretas.
Ao inconsciente Freud chamou Id, ao consciente chamou Ego e, juntamente com ambos, pondo freio às forças inconscientes, não permitindo que descontrolassem, vinha o superego. No entanto, o inconsciente (o Id) tem mecanismos de manifestação, sendo o principal deles os sonhos. Muitas das lembranças e desejos contidos no inconsciente vêm desde a infância e têm conteúdo sexual. E vale lembrar que Freud descobriu que as crianças também têm desejos, como a atração da menina pelo pai e do menino pela mãe, que Freud definiu como complexo de Édipo, personagem da mitologia grega que, ao tornar-se maior e tendo sido criado por um outro homem que não o pai (pois este queria matá-lo, em razão de uma profecia que afirmava vir o filho a ser assassino do pai), acabou matando este em uma luta, sem saber que este era seu verdadeiro pai, e casou-se com sua mãe. Entretanto, os desejos são reprimidos por força do superego, que se forma a partir das normas, dos valores morais e leis que regem as sociedades. Freud, inclusive, viu no superego uma das bases da construção da chamada civilização.
Além dos sonhos, Freud descobriu outras formas de manifestação do inconsciente, como os atos falhos – lapsos mentais que deixam transparecer, aqui e ali, em alguns momentos em que as pessoas se expressam por palavras e, particularmente, durante tratamento, desejos e vontades inconscientes. Outra forma ainda dessa manifestação são os traumas, que provocam, inclusive, doenças e sofrimentos às pessoas que por eles passaram em algum momento da vida, seja na infância e/ou depois. Freud trabalhou com muitos pacientes e, de suas observações e anotações, foram surgindo essas descobertas. Freud criou ainda, como forma de tratamento, a psicanálise, que usa, principalmente, do diálogo com o(a) paciente uma forma de levá-lo(a) à descoberta das razões profundas e inconscientes de suas ações, de seus traumas, permitindo-lhe efetuar um maior conhecimento de si mesmo(a), contribuindo assim para que se compreenda, se liberte daquilo que o(a) oprime interiormente e viva muito melhor. Até então, Freud havia usado, principalmente, a hipnose como meio de tratamento, mas percebeu que, dialogando diretamente com a pessoa, poderia obter melhores resultados. Sem dúvida, não desistiu de todo da hipnose, mas optou pelo novo método psicanalítico no tratamento das neuroses.
Mas como os sonhos manifestam mensagens do inconsciente? O inconsciente, para burlar a vigilância do superego e se manifestar na consciência, usa imagens diversas, palavras e frases com aparência de não oposição às imposições das normas incutidas no interior das pessoas, e apresenta, através daquelas, desejos e até traumas escondidos. De fato, os sonhos, em sua grande parte, são fruto de imagens, juntadas aqui e ali, e que formam uma espécie de filme inconsciente, mas intenso, na mente. Portanto, através de um estudo detalhado de tais imagens e das falas que, muitas vezes, as acompanham, é possível investigar e descobrir o que há no fundo da mente, do inconsciente, permitindo, deste jeito, uma melhor compreensão da pessoa em tratamento e a libertação, progressiva, de suas neuroses.
Com suas descobertas dos mecanismos de funcionamento da psiqué (alma, em grego) humana, Freud pôs abaixo a pretensão humana de ser uma espécie que dispõe, por excelência, da razão consciente. Na verdade, esta é apenas uma pequena parte do todo, sendo apenas a pontinha do iceberg, cuja parte maior encontra-se nas profundezas do inconsciente humano.
Posteriormente, um dos discípulos de Freud, Carl Gustav Jung (1875 – 1961), descobriu no inconsciente a existência de algo mais no inconsciente humano, para além dos desejos sexuais: percebeu nele uma força criadora, capaz de impulsionar o ser humano na criação de obras de arte, de cultura, de ciência, dentre outras. Jung descobriu também a existência de uma forma mais ampla do inconsciente, além do inconsciente pessoal, que se manifesta, de formas semelhantes, nas culturas humanas: o inconsciente coletivo. Com isto, conseguiu escapar da percepção e da explicação de conotação fortemente sexual de Freud em relação ao inconsciente.
Freud, sem dúvida, foi um cientista admirável, um grande estudioso, observador, detentor de vasta cultura, paciente e meticuloso em seu trabalho de investigação. As anotações das informações extraídas durante as sessões com seus pacientes, por meio da psicanálise e por outros meios médico-psicológicos, devidamente interpretadas e compreendidas, tornaram-lhe possível escrever uma vasta obra, deixada para a posteridade. Suas ideias e descobertas a respeito da mente e da psicologia humanas renderam-lhe, em seu tempo, muitas críticas por parte de médicos e psicólogos tradicionais, mas, pouco a pouco, foram-se firmando e hoje constituem patrimônio valioso da cultura humana. E ainda hoje persististe a psicanálise como uma das formas e de tratamento psicológico das pessoas.
O conhecimento das ideias de Freud pode contribuir muito para o conhecimento próprio das pessoas, de seus desejos, impulsos e traumas, de sua personalidade. Quanto aos traumas, o tratamento. Porém, vale lembrar que há traumas que só podem ser tratados clinicamente. Outros, leves, podem ser confrontados, trabalhados e superados mais facilmente, com melhora para as pessoas. No tratamento clínico, sem dúvida, essa melhora é ainda mais sensível. O conhecimento de nossa psicologia pessoal e coletiva pode contribuir muito para uma compreensão daquilo que cada um(a) é.
O auto-conhecimento é necessário para que possamos viver melhor, sabendo que somos seres complexos e que carregamos conosco vivências, valores, traumas e lembranças conscientes e inconscientes (maioria) que interferem, direta e/ou indiretamente, em nossa vida e em nossas ações, em nosso viver diário. O conhecimento disto pode ajudar nossas vidas a se transformarem, a se tornarem melhores.
Como dizia o Oráculo de Delfos, e depois Sócrates: “CONHECE-TE A TI MESMO.”
Inclusive na educação dos próprios filhos e filhas o conhecimento das idéias de Freud têm valor: podem ajudar pais e mães a melhor conviverem com eles e elas, a entender que valores são primordiais, sem criar ou reduzindo ao mínimo os possíveis traumas, e ajudá-los em sua formação humana e psicológica, na convivência consigo mesmos e com outras pessoas.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

PLANO DE AULA

ATIVIDADE 4 do MÓDULO II

PLANO DE AULA:

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DE GOIÁS

SUBSECRETARIA METROPOLITANA DE EDUCAÇÃO

COLÉGIO ESTADUAL DEPUTADO JOSÉ DE ASSIS

FILOSOFIA – Professor José Antônio Brazão.

PLANO DE AULA:

TEMA: NAZISMO.

OBJETIVO GERAL:

Apresentar e discutir, em linhas gerais, os valores e as ideias que permearam a ideologia nazista, ao longo das décadas de 1920, 30, 40, bem como alertar para o perigo dos grupos neonazistas atualmente ainda existentes no Brasil e no mundo.

TURMAS: TERCEIROS ANOS DO ENSINO MÉDIO.

PERÍODO: AO LONGO DE SETEMBRO DE 2011.

CONTEÚDO E PASSO A PASSO:

1) Abrir o texto NAZISMO, presente na Wikipedia – em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nazismo

2) Seguir o índice, passo a passo, e ir comentando e discutindo com a respectiva turma

Índice

3) Ao longo das aulas, ir apresentando os tópicos (três ou quatro por vez) e apresentando as imagens.

4) Aproveitar as imagens contidas nos links de outras línguas que ficam no lado esquerdo do texto da Wikipedia, lembrando que eles contém imagens que não se encontram no de língua portuguesa. NÃO SE ESQUECER DE SEMPRE VOLTAR AO TEXTO ORIGINAL, INICIAL, a fim de não se perder nas imagens e poder atingir o objetivo proposto.

RECURSOS:

  • Laboratório de Informática Escolar – CEDJA.
  • Data show.

AVALIAÇÃO:

1) A participação nos debates, ao longo da apresentação do tema.

2) Elaboração de um conjunto de slides, a serem feitos em grupos pequenos (de três a quatro estudantes), utilizando o software Power Point ou equivalente da plataforma Linux.

3) Os slides poderão ser feitos pelos grupos, reunidos ao redor de um ou dois computadores do LIE-CEDJA, na própria escola. Imagens poderão ser tiradas da Wikipedia, usando os links das diferentes línguas, a partir do de língua portuguesa, realizando uma navegação em hipertexto, e também através do Google Imagens.

LIVROS REFERENCIAIS COMPLEMENTARES:

FILOSOFANDO – Introdução à Filosofia, de Maria L. de A. Aranha e Maria H.P. Martins.

CONVITE À FILOSOFIA, de Marilena Chauí.

domingo, 11 de setembro de 2011

Quebra-cabeças como recursos didáticos para o ensino de Filosofia. (Prof. José Antônio Brazão.)

Quebra-cabeças são jogos em que a pessoa tem que montar uma figura a partir de pedaços separados. A aplicação de quebra-cabeças pode ser interessante no ensino de Filosofia, dando-lhe um bom uso didático.

Exemplos:

1) A face de um filósofo, de uma universidade em que o filósofo tenha estudado ou trabalhado, uma figura com um tema tratado por esse filósofo ou por uma dada corrente filosófica, etc. Recortar a figura em pedaços médios ou partes pequenas e solicitar que seja remontada pelos estudantes, em sala de aula.

2) As faces de um grupo de filósofos de determinada época. Recorte e remontagem. Também ajuda na visualização desses filósofos, valendo como boa ilustração e introdução do conteúdo.

3) Um desenho ou figura contendo conteúdo relacionado à filosofia. Ex: (a) A figura de uma pessoa com braços abertos correndo livre pela praia ou pelo campo e a figura de uma outra escravizada. Podem servir como material introdutório para a discussão de temas como liberdade, escravidão e determinações sociais, relações de poder, etc. Recorte, remontagem, discussão. (b) A figura de soldados em guerra. Podem ser discutidos, a partir dela, questões éticas como a guerra, conflitos humanos, morte em escala, nazismo (caso a figura esteja relacionada ao nazismo e à II Guerra Mundial), etc. (c) Outras, conforme os conteúdos planejados e interesses em assuntos para discussões em sala de aula.

De preferência, retirar as imagens tiradas da internet ou cópias xerox, a fim de não danificar livros e revistas.

Colocar as cópias em envelopes e entregá-los a grupos de dois a dois estudantes. Após a (re)montagem dos grupos, solicitar que seja feito um círculo e, a partir dele, o debate, pedindo que cada estudante da sala participe, dando sua opinião. Feito isto, caberá ao(à) professor(a) fazer as considerações gerais e finais.

Tais figuras, de preferência de tamanhos grandes ou médios, para que possam ser bem visualizadas, podem servir como introdução e/ou até conclusão dos conteúdos estudados.

É uma atividade que contém caráter educativo e lúdico, ao mesmo tempo. A (re)montagem da figura recortada pode ajudar até mesmo na memorização dos conteúdos estudados.

É importante acompanhar essa atividade de leituras prévias dos conteúdos discutidos a partir daquelas figuras.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O trabalho com vídeos montados pelos estudantes como meio didático de ensino de Filosofia. Arte nas ruas - um trabalho interdisciplinar.







O vídeo acima, trabalhado no Windows Movie Maker, no Laboratório de Infomática do Col. Est. Dep. José de Assis, é fruto de um trabalho interdisciplinar entre os conteúdos Filosofia e Arte. É um trabalho simples, mas que demandou boas horas de elaboração de um grupo de estudantes da terceira série do Ensino Médio. Este trabalho foi feito no mês de junho de 2011.




Trabalhar interdisciplinarmente, sem dúvida, enriquece o aprendizado dos estudantes e possibilita-lhes perceber que o conhecimento não é algo estanque, mas fruto de empreitada coletiva.




Acompanhou a elaboração deste vídeo uma apresentação para a turma toda e debate de ideias em torno do tema em desenvolvimento. Por exemplo: Por que o ser humano tem necessidade de arte, a ponto de utilizá-la e expressá-la até mesmo nas ruas, além de museus, quadros, músicas, nos mais diversos ambientes? Sem arte como, talvez, seria a vida humana? Que relação existe entre as artes de rua e as demais formas de arte, como as pinturas em muros e as pinturas contemporâneas, os quadros renascentistas, a pintura japonesa e outras, de outros povos? Como as diferentes formas de arte se integram, possibilitando uma expressão mais ampla (e própria da arte) da vida humana?




O tema "Arte nas Ruas" foi escolhido em razão de sua atualidade e do desejo do grupo de estudantes em conhecer mais a respeito do mundo social em que vivem.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O POSITIVISMO DE AUGUSTO COMTE (1798 - 1857) (Prof. José Antônio Brazão.)

Que relação existe entre a bandeira nacional e a filosofia? Uma relação muito forte, pois é uma bandeira que tem traços marcantes da filosofia chamada POSITIVISMO, desenvolvida pelo filósofo francês Auguste(Augusto) Comte (1798 – 1857). Dentre os militares brasileiros que proclamaram a República encontravam-se muitos que foram fortemente influenciados pelas novas ideias do positivismo.
Mas o que afirmava o positivismo? O positivismo afirmava que todo conhecimento humano, para ser digno de veracidade, precisa ser fundamentado cientificamente, isto é, ter comprovação, poder ser demonstrado empiricamente (experimentalmente). Positivo, portanto, é o que pode ser mensurado, pesado, calculado, experimentado, comprovado e demonstrado cientificamente. Daí uma grande valorização das ciências físicas, naturais e matemáticas por Augusto Comte.
Curiosamente, a bandeira nacional brasileira carrega consigo figuras matemáticas claras: o retângulo, o losango, o círculo e linhas curvas dentro das quais encontra-se escrita a frase “Ordem e Progresso”. Este foi um lema positivista por excelência adotado por Augusto Comte. A ordem social é necessária ao progresso e o desenvolvimento da sociedade. O progresso é possível pelo desenvolvimento e o uso adequado das ciências, das quais se destacam as citadas acima, bem como pela formação de bons cidadãos.
De acordo com a Enciclopédia Encarta, Comte
“Afirmava que do estudo empírico do processo histórico dependia uma lei que denominou dos três estágios, ou fases, pelas quais deve passar cada ramo do saber. Estas fases são:
– o teológico ou fictício, em que os fatos se explicam de modo elementar místico-religioso
– o metafísico ou abstrato, em que se invocam teorias filosóficas
– o científico ou positivo, que busca causas ou leis científicas.
Este método deve ser aplicado a todas as atividades humanas, especialmente às ciências sociais, uma vez que o positivismo só considera como fonte de conhecimento o saber empírico. Seu pensamento está estruturado no Curso de filosofia positiva (1839-1842) e O sistema da política positiva (1852-1854).” (Enciclopédia Microsoft® Encarta®. © 1993-2001 Microsoft Corporation.)
De acordo com Comte, a história da humanidade passou por esses três estágios – o teológico ou fictício, o metafísico ou abstrato e, finalmente, o científico ou positivo. No teológico, o apelo humano ao transcendente, a busca de uma explicação da natureza e do mundo partindo do sobrenatural e pela interação, intervenção, de elementos divinos. No estágio metafísico, ainda que não tenham sido liquidadas as explicações sobrenaturalísticas, novos conceitos adentram, como ser, substância e outros relacionados, principalmente, à filosofia. No estágio positivo, a humanidade alcança, enfim, uma etapa de grande evolução na compreensão do universo e da realidade natural e até mesmo social, pois o modo de explicar o mundo passa a basear-se fortemente nas explicações dadas pelas ciências físicas, matemáticas, e naturais, fundadas na demonstração e na comprovação das ideias levantadas e nas leis naturais descobertas.
No entanto, apesar da crítica dura à metafísica, tida como sendo destituída de fundamentos objetivos e de demonstrações precisas, Comte fundou uma religião positivista, cultuando a Humanidade e os grandes nomes da ciência e da cultura humanas. Elaborou até mesmo um Catecismo Positivista.
Sem dúvida nenhuma, Comte é filho de seu tempo, da Revolução Industrial e das grandes descobertas científicas que vinham ocorrendo havia alguns séculos. Tais descobertas demonstraram o quanto os seres humanos são capazes de descobrir e compreender as leis que regem a natureza, utilizando-as a seu favor. Esse mesmo ser humano como ser capaz de transformar a natureza e o mundo que o rodeia, abrindo sua compreensão também a respeito do universo, do qual faz parte, que é regido por leis matematicamente precisas. Pelo menos desde o Renascimento Científico, com destaque para os séculos XVI e XVII, vinham, de fato, se abrindo os horizontes do entendimento humano a respeito do mundo e inclusive de si mesmo. Tudo isto, com certeza, fez criar na mente de Comte a ideia de um progresso constante na humanidade, pautado pelas definições ou determinações das ciências.
No Brasil, como foi dito logo no começo, a influência do positivismo comteano foi marcante, com destaque para representantes políticos e militares do final do século XIX e ao longo do XX. E se a bandeira nacional brasileira é marcadamente positivista, também o hino nacional, com sua exaltação das grandezas do país e do povo. No Brasil, inclusive, há templos positivistas, fundados entre fins do século XIX e no decorrer do século XX.
Para saber mais:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_Comte
http://www.oocities.org/doutrinapositivista/vidaeobr.htm
http://www.culturabrasil.pro.br/comte.htm
http://cac-php.unioeste.br/projetos/gpps/midia/seminario2/trabalhos/educacao/medu32.pdf
http://www.augustecomte.org/site/index.php?id=33
http://www.augustecomte.org/