sexta-feira, 29 de setembro de 2017

CORREÇÃO DE PROVAS E EXAMES COMO RECURSO DE ENSINO-APRENDIZADO DE FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)

CORREÇÃO DE PROVAS E EXAMES COMO RECURSO DE ENSINO-APRENDIZADO DE FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)
Uma boa oportunidade de ensino-aprendizagem de Filosofia, no ensino médio e no Fundamental, pode ser a correção de provas e outros tipos de exames filosóficos como recurso de aprendizado.
Dois exemplos, a seguir, envolvendo o uso de textos filosóficos em exames:
PROVA BIMESTRAL – PRIMEIROS ANOS DO ENSINO MÉDIO.
(Filosofia – Prof. José Antônio Brazão.)
LEIA O TEXTO A SEGUIR ATENTAMENTE E RESPONDA AS QUESTÕES:
LEIA ATENTAMENTE O TEXTO A SEGUIR: A TEORIA DAS QUATRO CAUSAS DE ARISTÓTELES.
“…temos que examinar as causas, quais e quantas são. Dado que o objeto desta investigação é o conhecer e não acreditamos conhecer algo se antes não estabelecemos em cada caso o “por quê” (que significa captar a causa primeira), é evidente que teremos que examinar tudo que se  refere à geração e à destruição e a toda mudança natural, a fim de que, conhecendo seus princípios, possamos tentar fazer referência a eles em cada uma de nossas investigações. Neste sentido se diz que é causa (1) aquele constitutivo interno de que algo é feito, como por exemplo o bronze a respeito da estátua ou a prata a respeito da taça, e os gêneros do bronze ou da prata. [É a causa material.] Em outro sentido (2) é a forma ou o modelo, isto é, a definição da essência e seus gêneros (…) e as partes da definição. [É a causa formal.] Em outro sentido (3) é o princípio primeiro de onde vem a mudança ou o repouso, como o que quer algo é causa, como é também o pai é causa de seu filho, e de modo geral o que faz algo é causa do que é feito, e o que faz mudar é causa do que é mudado. [É a causa eficiente.] E em outro sentido (4) causa é o fim, isto é, aquilo para o qual é algo, por exemplo: o caminhar é a causa da saúde. Pois por que caminhamos? Ao que respondemos: para ficar saudáveis, e ao dizer isso cremos ter indicado a causa. E também qualquer coisa que, sendo movida por outra coisa, chega a ser um meio para obter um fim, como os medicamentos e os instrumentos cirúrgicos são meios para obter a saúde. Todas essas coisas são para um fim, e se diferenciam entre si em que umas são atividades e outras, instrumentos. [É a causa final.] Tais são, portanto, os sentidos em que diz que algo é causa. Mas, como se diz causa em vários sentidos, ocorre também que uma mesma coisa tem várias causas, e não por acaso. Assim, no caso de uma estátua, tanto a arte do escultor [a causa eficiente] quanto o bronze [a causa material] são causas dela, e causas da estátua enquanto estátua e não causas de outra coisa; pois não são do mesmo modo: um é a causa como matéria, outra aquilo de onde provêm o movimento. Há também coisas que são reciprocamente causas; assim, o exercício é causa do bom estado do corpo, e este é causa do exercício, ainda que não do mesmo modo: o bem estar do corpo é causa como fim, o exercício é causa como princípio do movimento [causa eficiente].” (ARISTÓTELES. A teoria das quatro causas. In: Física. Disponível em: http://oficinadefilosofia.com/2012/11/16/a-teoria-das-quatro-causas-de-aristoteles/ Acesso em 15 de setembro de 2017. )
CADA QUESTÃO DE 1 A 5,  A SEGUIR, VALE 1,5 (UM PONTO E MEIO):
QUESTÃO 1: Aristóteles, filósofo grego de origem macedônica, do século IV a.C., buscou entender as causas do movimento e acabou criando uma teoria que, por muito tempo, foi aceita. Dentre as causas não se encontra a:
(a)(     ) Causa eficiente.
(b)(     ) Causa formal.
(c)(     ) Causa divina.
(d)(     ) Causa final.
(e)(     ) Causa material.
QUESTÃO 2: O objeto da investigação contida no texto de Aristóteles é:
(a)(     ) O duvidar.
(b)(     ) A curiosidade.
(c)(     ) O intuir.
(d)(     ) O concluir.
(e)(     ) O conhecer.
QUESTÃO 3: Uma mesma coisa, como uma estátua, por exemplo:
(a)(     ) Tem apenas uma causa.    
(b)(     ) Tem várias causas.    
(c)(     ) Tem duas causas.   
(d)(     ) Tem cinco causas.         
(e)(     ) Tem três causas.
QUESTÃO 4: O exercício físico e o bom estado do corpo são:
(a)(     ) Causas análogas.          
(b)(     ) Causas recíprocas.         
(c)(     ) Causas materiais.
(d)(     ) Causas superficiais.         
(e)(     ) Causas conjunturais.
QUESTÃO 5: Cada causa tem um número no texto. Coloque o número correspondente de causa: (1,0 cada)
(a)(     ) Arte do escultor.   
(b)(     ) Bronze.   
(c)(     )Estátua para honrar Zeus.   
(d)(     )Forma da estátua.
“A SABEDORIA É A COISA PRINCIPAL, PORTANTO ADQUIRA A SABEDORIA”. (Provérbios 4:7)
A prova acima é uma prova objetiva (com questões objetivas). Prova básica, bem simples, de leitura e interpretação básica de texto filosófico, no caso, de Aristóteles, filósofo grego que viveu no século 4 antes de Cristo e que foi discípulo de Platão, na escola chamada Academia, em Atenas. Posteriormente, fundou uma escola própria, o Liceu. Também escreveu muitos livros, sobre assuntos diversos pelos quais se interessou, dentre os quais a física (estudo da physis, palavra grega que se traduz por natureza). O texto da prova versa a respeito das quatro causas do movimento, segundo Aristóteles.
PROVA BIMESTRAL – SEGUNDOS ANOS DO ENSINO MÉDIO
(Filosofia – Prof. José Antônio Brazão.)
LEIA O TEXTO A SEGUIR ATENTAMENTE E RESPONDA AS QUESTÕES:
Trecho de David Hume sobre o conhecimento:
“Cada um admitirá prontamente que há uma diferença considerável entre as percepções do espírito, quando uma pessoa sente a dor do calor excessivo ou o prazer do calor moderado, e quando depois recorda em sua memória esta sensação ou a antecipa por meio de sua imaginação. Estas faculdades podem imitar ou copiar as percepções dos sentidos, porém nunca podem alcançar integralmente a força e a vivacidade da sensação original. (...) Todas as cores da poesia, apesar de esplêndidas, nunca podem pintar os objetos naturais de tal modo que se tome a descrição pela paisagem real. O pensamento mais vivo é sempre inferior à sensação mais embaçada. (...) Quando refletimos sobre nossas sensações e impressões passadas, nosso pensamento é um reflexo fiel e copia seus objetos com veracidade, porém as cores que emprega são fracas e embaçadas em comparação com aquelas que revestiam nossas percepções originais. (...) Podemos, por conseguinte, dividir todas as percepções do espírito em duas classes ou espécies, que se distinguem por seus diferentes graus de força e de vivacidade. As menos fortes e menos vivas são geralmente denominadas pensamentos ou ideias. A outra espécie não possui um nome em nosso idioma e na maioria dos outros, porque, suponho, somente com fins filosóficos era necessário compreendê-las sob um termo ou nomenclatura geral. Deixe-nos, portanto, usar um pouco de liberdade e denominá-las impressões, sempre usando esta palavra num sentido de algum modo diferente do usual. Pelo termo impressão entendo, pois, todas as nossas percepções mais vivas, quando ouvimos, vemos, sentimos, amamos, odiamos, desejamos ou que temos. E as impressões diferenciam-se das ideias, que são as percepções menos vivas, das quais temos consciência, quando refletimos sobre quais quer das sensações ou dos movimentos acima mencionados.” (Início da Seção II do Ensaio Sobre o Entendimento Humano, de David Hume, intitulada Da Origem das Ideias.) [Grifos do Prof. José Antônio.]
O texto citado de Hume encontra-se em:
HUME, David. Seção II: Da Origem das Ideias. In: _____________________. Ensaio Sobre o Entendimento Humano. [Investigação Acerca do Entendimento Humano] Trad. Anoir Aiex. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000027.pdf Acesso em 28 de agosto de 2017.
QUESTÃO 1: Dentre os significados da palavra percepção estão os seguintes, exceto:
(a)(     ) Qualidade de perceber (sentir, notar, enxergar, captar).
(b)(     ) Absorção.
(c)(     ) Sentidos.
(d)(     ) Lesão física.
(e)(     ) Ação de captar informações pelos cinco sentidos.
QUESTÃO 2: Sensação tem vários significados, dos quais o texto de Hume não permite inferir (concluir, afirmar...):
(a)(     ) Toda impressão gravada pelos sentidos.
(b)(     ) Tudo que é assimilado de forma inata pela razão humana.
(c)(     ) Ação de sentir (perceber por meio dos sentidos, captar por meio dos sentidos).
(d)(     ) Observação do mundo através dos sentidos.
(e)(     ) Aquilo que é percebido (captado) por meio da experiência sensorial.
QUESTÃO 3: “Cada um admitirá prontamente que há uma diferença considerável entre as percepções do espírito, quando uma pessoa sente a dor do calor excessivo ou o prazer do calor moderado, e quando depois recorda em sua memória esta sensação ou a antecipa por meio de sua imaginação. (...)” (David Hume) Um bom exemplo desta afirmação é:
(a)(     ) Quando uma criança queima o dedo em um dia e fica esperta para não queimar em outro.
(b)(     ) O caso das ideias inatas, como a ideia de Deus.
(c)(     ) O Cogito (Cogito ergo sum. = Penso, logo existo.).
(d)(     ) Quando, por divino aviso, uma pessoa foge do perigo iminente a que pode vir a estar sujeita.
(e)(     ) Quando a alma lembra do que já contemplou no mundo inteligível e sabe fazer o reconhecimento da diferença entre o bem e o mal.
QUESTÃO 4: Por espírito, no trecho citado na questão 3, Hume não quer dizer, necessariamente:
(a)(     ) A parte interna do homem, capaz de perceber sensações-percepções-impressões, formar ideias e refletir sobre elas, pensar.
(b)(     ) A mente humana unida às habilidades de percepção.
(c)(     ) A parte eterna do homem, que carrega consigo informações advindas mesmo antes do nascimento.
(d)(     ) A racionalidade humana.
(e)(     ) A capacidade humana de juntar imagens sensoriais (imaginar), pensar, refletir, criar conhecimentos.
QUESTÃO 5: “Estas faculdades [percepções do espírito] podem imitar ou copiar as percepções dos sentidos, porém nunca podem alcançar integralmente a força e a vivacidade da sensação original. (...)” (David Hume) Hume quer dizer, basicamente, que:
(a)(     ) Aquilo que você lembra é mais intenso que aquilo que você capta pelos sentidos no momento da sensação.
(b)(     ) Aquilo que é percebido diretamente pelos cinco sentidos é mais intenso que aquilo que é gravado na memória e, tempos depois, lembrado. Exemplo: Você vai à praia, sente a força do mar, das ondas, o gosto da água salgada. Quando volta para casa, as lembranças (memórias) e reflexões, por mais forte que sejam, não chegam nem perto daquilo que você sentiu naquela hora, lá no mar, próximo à praia.
(c)(     ) Aquilo que as faculdades (habilidades, capacidades) da mente carregam dentro delas tem mais valor que aquilo que é sentido pela experiência sensível.
(d)(     ) A intensidade da memória e da reflexão sobrepõe-se a qualquer experiência por meio dos cinco sentidos.
(e)(     ) Mais vale pensar no gosto do docinho da padaria ou da confeitaria que experimentar (sentir, degustar) o tal docinho.
QUESTÃO 6: Todas as percepções do espírito podem ser divididas em duas espécies, a saber:
(a)(     ) Pensamentos e ideias.
(b)(     ) Ideias adventícias e ideias inatas.
(c)(     ) Reflexões e meditações.
(d)(     ) Espírito e matéria.
(e)(     ) Ideias e impressões.
QUESTÃO 7: De acordo com Hume, pode-se afirmar que:
(a)(     ) A poesia não tem valor algum, por ser um reflexo esmaecido da realidade.
(b)(     ) A poesia e o pensamento descrevem a realidade com uma imensa vivacidade, mais forte que as sensações e percepções.
(c)(     ) A poesia é tudo aquilo que é percebido diretamente pelos cinco sentidos.
(d)(     ) A poesia e o pensamento mais vivo não têm a força da impressão sensorial mais viva.
(e)(     ) Ser poeta é criar e recriar o mundo por meio de ideias inatas e vivas impressões.
BOA PROVA!
ENTREGA E CORREÇÃO DAS PROVAS (ref.: terceiro bimestre de 2017.):
ATIVIDADE DE CORREÇÃO – Valor complementar de 2,0 (dois pontos):
(1)Colar a prova no caderno. Faça uma dobrazinha na beirada, passe cola e cole no caderno. [A razão de pedir para colar a prova no caderno é que ela será usada em outra aula, com a leitura do texto do respectivo filósofo e a discussão sobre o mesmo, parte por parte. Isto possibilita uma compreensão maior do texto e de cada parte que o compõe. Ademais, o caderno é um objeto de estudo que as e os estudantes costumam levar para casa e trazer, dia a dia, para a escola. Colado, o texto não é esquecido.]
(2)Passar TODAS as respostas certas a limpo no caderno, anotando o anunciado de cada questão e somente a resposta respectiva.
(3)Marcar, NO TEXTO, o local onde se encontra a resposta de cada questão. Quando não tiver no texto, explique a razão da resposta ou opine sobre ela.
(4)Tirar DO TEXTO, anotando, os períodos textuais (trechos\partes do texto) correspondentes às respostas.
(5)Deixar no caderno. Quando estiver pronto, levar ao professor para visto e registro da nota complementar.
Observação: Este trabalho [simples] pode ser feito com um(a) colega, cada um(a) em seu caderno, a limpo.
Os números (3) e (4) darão uma pontuação extra de dois pontos.
Observações complementares:
*Para os primeiros anos: Na questão 5 (cinco) transcreva, ao passar a limpo:
(1)Causa material: ______________________________,
(2)Causa formal: ________________________________.
(3)Causa eficiente: ______________________________.
(4)Causa final: _________________________________.
*Para os segundos anos: Filosofia – Gabarito: 1d, 2b, 3ª, 4c, 5b, 6e, 7d.
Ao estudar as quatro causas do movimento, segundo Aristóteles, a dica: complemente o entendimento do texto com um trecho inicial do livro O QUE É IDEOLOGIA, de Marilena Chauí, da Coleção Primeiros Passos, da Editora Brasiliense (ou outra que o tenha publicado recentemente). Partindo daí, uma discussão sobre se a ideologia contida nas quatro causas do movimento aristotélicas continua hoje ainda ou não. Se sim, como será? E o que ela tem haver com o poder no mundo capitalista?
No caso de Hume, uma dica: o vídeo Ser ou Não Ser, de Viviane Mosé, sobre David Hume. Discussões poderão surgir a partir daí. E poder-se-á fazer uma comparação entre o vídeo e o texto, no momento da correção. Este vídeo encontra-se no YOUTUBE.
Discussões, trocas de ideias, questionamentos, problematizações e uma boa conversa podem enriquecer bastante a correção de cada prova, de cada exame.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

FILOSOFIA EM POESIA: BARUCH SPINOZA (ESPINOSA). (Prof. José Antônio Brazão.)

FILOSOFIA EM POESIA: BARUCH SPINOZA (ESPINOSA):
(Prof. José Antônio Brazão.)

Jovem filósofo e religioso judeu
De portuguesa família
Na mente e nos valores dotado de excelência,
Na Holanda nasceu e viveu.

Desde pequeno, teve preparação
Para vir a tornar-se rabino
O inteligente menino,
Mantendo familiar judaica tradição.

Da língua sagrada tinha conhecimento,
Do latim e de outras tantas,
Para bem interpretar as Escrituras
E transmitir à comunidade o divino ensinamento.

Extremamente culto homem se tornou:
Com ideias religiosas e teológicas,
Mas também filosóficas e científicas
O jovem se defrontou.

De René Descartes ao pensar
Veio a ter acesso,
Leituras e reflexões fez com sucesso
E muito alto resolveu voar.

Voou na compreensão do mundo,
Do qual muita descoberta e invenção,
Com a científica moderna revolução,
Vinha-se, há algum tempo, se fazendo.

Copérnico descobriu um mundo heliocêntrico,
Galileu usou o telescópio e nesse cosmos
Similitudes grandes entre os Céus e a Terra viu com os olhos,
Comprovando pitagórico universo matemático.

Descartes meditou e acabou assumindo
Dois elementos básicos da realidade:
Pensamento e materialidade. [Res Cogitans e Res Extensa]
Por Espinosa, porém, um foi definindo.

Espinosa em Deus e na Natureza viu uma unidade,
O que veio ante a Sinagoga trazer-lhe problemas,
Pois ao fugir da tradição em seus sagrados temas,
Acabou expulso da judaica holandesa comunidade.

Pois separado de sua criação seria Deus
Como ensinava a hebraica Bíblia,
Mas, como na natura o divino mesclado insistia,
Logo foi Espinosa chamado de ateu.

Não podendo mais ser da sinagoga membro,
Pois desta fora excomungado,
Como polidor de lentes foi empregado,
Jamais deixando a busca do vero conhecimento.

Mas Espinosa não foi o único no religioso condenar.
Antes dele, Galileu, por contestação das antigas crenças
De Aristóteles, Ptolomeu e da medieval ciência,
Fora posto em prisão perpétua domiciliar.

Uma grande Ética havia escrito,
Demonstrada à Maneira dos Geômetras
Imitando dos Elementos de Euclides
A ciência, a estrutura e o espírito.

O rigor matemático na exposição,
Cientificamente a alegria e a universalidade
Dos juízos éticos procurou repensar a verdade,
Jamais uma rigorosa imposição.

Ética que tem a alegria por base,
Superando do mal a tristeza e a desarmonia,
Alegria capaz de fazer com que do cosmos à harmonia
Cada ser humano, a ética vivendo, se integrasse.

Como em cada lente por ele polida,
Que tinha o poder de ampliar a visão,
As pessoas deveriam melhorar a compreensão
Do universo, dos humanos valores e da vida.

A visão, por ideologias acobertada,
Pela ignorância e a intolerância,
Por conta de princípios e escusos interesses a observância,
Precisa ser pela lente da verdade ser libertada.

A ÉTICA carrega consigo as positivas energias,
De contagiante e profunda alegria,
Das virtudes e da boa convivência,
Tão necessárias também em nossos dias.

A verdadeira ética traz humanização,
Ajuda a superar a injustiça desigual.
Opondo-se à violência e sendo universal,
Rompe com o radicalismo e a desumanização.


*Baruch Spinoza ou Benedito Espinosa viveu entre 1632 e 1677 (século 17 [XVII]). Além da Ética Demonstrada à Maneira dos Geômetras, escreveu também Tratado Teológico-Político, Princípios da Filosofia Cartesiana, entre outras obras.

domingo, 2 de julho de 2017

RELÓGIO FILOSÓFICO: ATIVIDADE DIDÁTICO-EDUCATIVA EM FILOSOFIA. (Prof. José Antônio Brazão.)

RELÓGIO FILOSÓFICO (Prof. José Antônio Brazão.)
Em uma visita a um familiar em um hospital de Goiânia, em junho de 2017, notei um relógio que há nas paredes dos quartos. O mostrador do relógio contém, de duas em duas horas, um desenho e uma pequena informação sobre modos de deitar pacientes e as pessoas em geral. Seis informações básicas e prestativas, com certeza. Logo imaginei que o mesmo poderia ser feito como atividade no ensino-aprendizado de Filosofia nos ensinos médio e fundamental: relógios com mostradores filosóficos.
Os relógios com mostradores filosóficos poderão ter, a cada hora, por exemplo, a imagem de um(a) filósofo(a) com um trecho fundamental das ideias de cada um(a). Uma atividade que, além de educativa, é também lúdica [de brincadeira, de jogo].
Um exemplo, com trechos escritos, sem imagens, abaixo.

12
“Penso, logo existo.”
(René Descartes)


11
Ciências contemporâneas



1
Mitologia e
Pré-socráticos

10
Filosofia Contemporânea


2
Sofistas
9
Filosofia Moderna

o

3
Grandes filósofos de Atenas


8
Revolução Científica

4
Filosofia helenística

7
Filosofia Escolástica

5
Filosofia Patrística


6
Filosofia Islâmica

O relógio filosófico acima traz a divisão comum da história da filosofia ocidental, com alguns elementos acrescidos em separado (por exemplo, a Filosofia Antiga foi subdividida dos filósofos pré-socráticos à filosofia helenística. O relógio acima não está rigorosamente disposto, tendo em vista ser apenas um exemplo simples do que pode ser feito com o relógio em termos didáticos. Professor(a), imagine e crie!
O relógio filosófico pode ser uma tarefa, pode ser uma atividade avaliativa simples, sem grande pontuação mas com grande valor educativo, sem dúvida. O material para que seja feito pode ser simples, como cartolinas, canetinhas hidrográficas, um compasso, talvez uma moeda para fazer o fundo dos números das horas, entre outros materiais possíveis e até mesmo materiais recicláveis, como o papelão, etc. Pode ser feito individualmente ou em duplas e apresentado, cada um depois de pronto, para a(s) turma(s). Os números poderão ser também em algarismos romanos. Trechos de filósofos de um dado período da história da filosofia poderão ser postos, em vez de divisões históricas, como o trecho de Descartes (“Penso, logo existo.”). Os ponteiros poderão variar, em formas de linhas sinuosas ou linhas com semirretas e pontas, etc.


12
Aristóteles
(Séc. 4 a.C.)
“O homem é um animal político.”



11
Mundo supralunar: composto de éter (substância pura e cristalina, imutável).

1
Opôs-se ao idealismo de Platão.
Criou a lógica formal.

10
Mundo sublunar: feito de ar, água, terra e fogo.



2
Os seres são feitos de matéria e forma.
9
No cosmos: mundo sublunar (Terra) e mundo supralunar (astros e planetas).

3
Substância(s) [ex.: racionalidade] e acidentes [ser negro ou branco].


o


8
Geocentrismo: a Terra no Centro do cosmos (universo).




4
A causa material é uma das causas do movimento: matéria.

7
A causa final é a finalidade ou objetivo do movimento.

5
A causa formal é outra das causas do movimento: forma.



6
A causa eficiente é a causa que provoca o movimento (faz).


A ciência aristotélica manteve-se firme por dois milênios, até o século 17, quando veio a ser contestada pelas descobertas, experimentos e observações de Galileu Galilei.
O relógio é uma brincadeira didática interessante. As informações podem ser tiradas de textos explicativos e textos citados de filósofos(as) que aparecem no(s) livro didático de Filosofia (ensino médio), material comum nas escolas. Podem ser citados: Filosofando, Introdução à Filosofia (de Maria Helena Pires Martins e Maria Lúcia de Arruda Aranha), Introdução à Filosofia (de Marilena Chauí), Convite à Filosofia (de Marilena Chauí), Fundamentos de Filosofia (de Gilberto Cotrim e Mirna Fernandes), entre vários outros de também muito boa qualidade, a partir dos quais foram feitos os resumos postos nos relógios citados como exemplos.

Atividades lúdico-educativas como esta podem ser aplicadas de vez em quando. E valerá sempre solicitar apresentação de cada grupo e um debate coletivo das ideias contidas nos relógios. As explicações do professor e da professora de Filosofia também ajudam, reforçam e enriquecem o aprendizado contido nesses trabalhos. O relógio é um trabalho muito simples. Pode ser feito interdisciplinarmente com Arte, Matemática, Física (ou Ciência) e outros componentes curriculares afins.
É uma atividade didático-educativa sem fins lucrativos. Pode ser útil no aprendizado escolar de Filosofia.