domingo, 6 de janeiro de 2019

FILOSOFIA NO IN OUR TIME DA BBC (Prof. José Antônio Brazão.)


Um material muito interessante e valioso para o aprendizado de Filosofia e Língua Inglesa, em áudio, é o programa In Our Time, conduzido pelo repórter Melvyn Bragg, da BBC.. É um programa de rádio que reúne professores e professoras de universidades, principalmente da Inglaterra. Bragg é o mediador dos debates.
Há várias áreas de debate, com destaque para Filosofia, História, Ciências e Arte, envolvendo descobertas e outros estudos e realizações da humanidade no transcurso de milênios da história desta. As discussões podem envolver das ideias e descobertas de um(a) pensador (filósofo ou filósofa, cientista, artista, matemático/matemática, etc.) até temas determinados (ex.: Bóson de Higgs, ondas gravitacionais, liberdade, bem/mal, etc.) e acontecimentos históricos que exerceram influência(s) no transcurso dos séculos.
Os programas são passados via rádio e internet (Rádio 4 da BBC), gravados e postos como downloads gratuitos para quem os desejar ouvir e estudar. Para quem ensina Filosofia, História, Ciências, Arte e outras áreas afins (Matemática, por exemplo) e estuda a língua inglesa é um material, sem margem de dúvida, muitíssimo rico.
Dentro da Filosofia podem ser citados, além de muitos outros:
Al-Ghazali. – Referência: Filosofia árabe (de língua árabe) medieval.
Al-Kindi. – Idem.
Alchemy. Discussão sobre a Alquimia.
Archimedes. Discussão sobre o matemático e cientista grego antigo Arquimedes de Siracura.
Artificial Inteligence. Discussão a respeito da Inteligência Artificial – computadores e outras máquinas.
Averroes. – Referência: Filosofia árabe medieval.
Avicenna. – Ref.: Filosofia árabe medieval.
Chemical Elements. Além da tabela periódica, faz uma passagem histórica que vai até os quatro elementos de Empédocles e Aristóteles.
Cogito Ergo Sum. Discussão sobre o pensamento de René Descartes e sua famosa frase “Penso, logo existo” (Cogito Ergo Sum).
Cynicism. Discussão sobre o pensamento helenístico dos filósofos cínicos, da antiguidade.
Empiricism. Discussão sobre o Empirismo, filosofia que fundamenta o conhecimento na experiência sensorial e na formação de ideias a partir daí.
Hannah Arendt. Discussão sobre a filósofa judia Hannah Arendt e suas reflexões sobre temas como o totalitalismo, o poder, entre outros.
Ibn Khaldun. – Referência: Filosofia árabe medieval.
Johannes Kepler. Discussão sobre as ideias e descobertas do astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler.
Karl Marx. Discussão sobre as ideias e descobertas do pensador alemão Karl Marx e sobre a repercussão de seu pensamento.
Logic. Discussão sobre Lógica, desde a lógica formal aristotélica até a lógica contemporânea.
Logical Positivism. Discussão sobre as ideias de filósofos do positivismo lógico, de suas reflexões sobre a ciência, a política e outras.
Machiavelli and the Italian City States. Discussão sobre o pensamento do filósofo italiano Nicolau Maquiavel.
Maxwell (James C. Maxwell). Discussão sobre as ideias do cientista, matemático e pensador escocês James Clerk Maxwell. (Tema interessante para Filosofia da Ciência.)
Moses Ben Maimonides. Discussão sobre o filósofo judeu medieval Moisés Ben Maimônides.
Neoplatonism. Discussão sobre o pensamento dos filósofos neoplatônicos, com destaque para Plotino, além de outros. Também sobre a influência posterior do neoplatonismo.
Nietzsche. Discussão sobre o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e seus questionamentos aos valores predominantes na moral ocidental.
Nihilism. Retoma o debate sobre Nietzsche, enfocando o tema Niilismo.
Phenomenology. Discussão sobre as ideias de Edmund Husserl e da Fenomenologia.
Popper. Discussão sobre o filósofo austríaco de cidadania britânica Karl Popper, suas reflexões sobre ciência, sociedade, política e outros temas.
Ptolemy. Discussão sobre o astrônomo e matemático Cláudio Ptolomeu, do século II (2) da era cristã, que condensou e fundamentou o geocentrismo. (Filosofia da Ciência.)
Saint Thomas Aquinas. Discussão sobre as ideias de São Tomás de Aquino, teólogo e filósofo medieval que, com seu mestre Alberto Magno, adequou a filosofia aristotélica ao pensamento cristão (católico) medieval.
Science in the 20th century. Discussão sobre a presença e o impacto da ciência e de suas descobertas ao longo do século XX (20).
Simone Weil. Discussão sobre as ideias e a pessoa da filósofa francesa Simone Weil, suas reflexões éticas e políticas.
Socrates. Discussão sobre o filósofo grego Sócrates, que foi mestre de Platão, na antiguidade.
Spinoza. Discussão sobre o filósofo judeu luso-holandês Baruch Spinoza (Benedito Espinosa).
The Calendar. Discussão interessante sobre a origem e a formação dos calendários. Temas como o tempo e a temporalidade aí aparecem.
The Continental Analitic Split. Discussão sobre o modo de pensar analítico da filosofia continental europeia (francesa, alemã, etc.).
The Frankfurt School. Discussão sobre as ideias e os pensadores da Escola de Frankfurt, surgida na primeira metade do século XX (20).
The Greek Myths. Discussão interessante sobre os mitos e a mitologia (conjunto de mitos) gregos e seu impacto no pensamento ocidental.
The Medieval University. Discussão sobre o surgimento e a estruturação das universidades no mundo medieval europeu.
The Scientific Method. Discussão sobre o método científico.
The Translation Movement. Discussão sobre o movimento de tradução, surgido no mundo árabe medieval, que traduziu muitíssimas obras de pensadores antigos e outros.
Wittgenstein. Discussão sobre a vida e, principalmente, sobre as ideias do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein.
Há muitos e muitos outros programas, com temas riquíssimos, utilíssimos a professoras e professores de Filosofia no ensino médio, os quais podem enriquecer a compreensão da Filosofia e até, de repente, servir de modelo(s) para discussões em sala de aula (Quem sabe?!). Para outros professores e professoras, de outras áreas, também! O importante é garimpar bem o que há de interessante nesse site e saber usar bem todo esse material. Como diz o dito: “Professor é aquele que, de repente, aprende.” Professor(a): aprenda sempre! Aprenda todos os dias! Ao longo da vida toda.
ONDE ENCONTRAR:
IN OUR TIME PODCASTS:
IN OUR TIME DOWNLOADS:
Podem ser acessados através de computador comum (PC), notebook, telefones celulares e outros (ex.: tablets).


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O HELENISMO E NÓS (Prof. José Antônio Brazão.)


O helenismo varre um período de tempo de, pelo menos, oito a nove séculos, que vão aproximadamente do século IV (4) antes de Cristo ao V (5) da era cristã. Vai da dominação da Grécia e de outras partes do mundo antigo pela Macedônia, com a formação do Império Macedônico, até o Império Romano e sua queda, talvez um pouco mais. Nesse tempo, a influência da cultura grega (helênica vem de helenos, os gregos antigos) se estendeu a vastas regiões dos impérios macedônico e romano. Adentrou, inclusive, profundamente, na língua latina (latim era a língua do Império Romano) e desta nas línguas neolatinas posteriores, ou seja, aquelas línguas originadas do latim: português, francês, romeno, italiano, espanhol, catalão e outras, inclusive em parte do inglês).
Muitas palavras usadas hoje derivam do grego: quilo (kilo, gr. = mil) [quilograma = mil gramas], quilômetro (mil metros), grama (unidade de peso), metro, biologia (estudo da vida – bíos + logia), lógica (do grego logos = palavra, discurso, razão), física (physis é comumente traduzida por natureza, sendo física o estudo da natureza), geologia (estudo da terra), geomorfologia (estudo das formas da Terra), morfologia (lit.: estudo das formas), otorrinolaringologia (estudo e medicina referente ao ouvido, nariz e garganta), ortopédico, ortopedia, ortografia, caligrafia, gráfico (literalmente: aquilo que é escrito), espermatozoide (lit.: o que tem forma [oide, eidos] de semente [esperma]), energia, filosofia, astronomia, além de muitas outras palavras que, verificadas em dicionários, gramáticas e/ou na internet, poderão ser encontradas e descobertas. Vale a pena fazer um levantamento maior.
Além disto, as ciências atuais fazem uso frequente da língua grega e da língua latina, com suas raízes na antiguidade greco-romana. Muitos termos da Filosofia, da Biologia, da Química, da Física, da Medicina e de outras ciências têm suas origens naquelas línguas, especialmente no grego.
Em termos religiosos, a religião predominante no mundo ocidental é o cristianismo. Curiosamente, todos os textos do Novo Testamento foram escritos em grego! Com certeza, porque muita gente convertida e pertencente às comunidades cristãs, no Império Romano, falava grego. O cristianismo marcou e marca a cultura ocidental.
Vasculhando um dicionário de filosofia, poder-se-á encontrar muitos termos advindos do grego antigo, dos períodos pré-socrático, clássico e, especialmente, do helenístico: logos, lógica, átomo, utopia, microcosmos, cosmos, além de muitos outros.
A mitologia grega, que antecede em muito o período helenístico, também faz sua presença em filmes e outros programas, na televisão e no cinema, com muitos filmes a elas relacionados. Essa mesma mitologia está presente até na psicologia: Sigmund Freud e C. G. Jung fizeram uso de termos gregos e da própria mitologia. No caso de Freud, uma citação breve ao complexo de Édipo.
Os islamitas, a partir dos séculos VI e VII e, especialmente, do VIII, com o movimento de tradução, contribuíram para o ressurgimento e a preservação de uma série de textos da antiguidade. Influenciaram fortemente o pensamento posterior, na Europa  cristã, por conta de contatos pacíficos (ex.: comércio) ou não pacíficos (ex.: as Cruzadas de cristãos contra islamitas). Uma vez na Europa medieval, com as escolas catedrais e as universidades (séc. XII, XIII em diante.
O átomo dos pré-socráticos Leucipo e Demócrito (as homeomerias de Anaxágoras, enquanto partículas formadoras da matéria,  também podem ser citadas), por volta dos séculos VI e V a.C., e do helenístico Epicuro de Samos (341 a 270 a.C., aproximadamente) antecede as descobertas posteriores da Química e da Física contemporâneas em torno da estrutura da matéria. Vale dizer que acreditavam na existência dos átomos e do vazio!
Com tudo isto pode-se ver que a ligação entre este tempo (século XXI) e a antiguidade, o passado histórico, é muito mais profunda do que se poderia pensar. Ao estudar a antiguidade resgatamos também muito de nossa história e podemos ver o quanto ela está presente, direta e indiretamente, na vida das pessoas.
Para quem trabalha com o ensino de Filosofia:
1) Solicite às turmas um levantamento maior de termos, prefixos e sufixos gregos na língua portuguesa. Isto possibilita um trabalho interdisciplinar com a Língua Portuguesa.
2) Solicite também um levantamento maior de termos, prefixos e sufixos gregos utilizáveis comumente pela filosofia ocidental.
3) Poder-se há dividir em grupos e cada qual apresentará para a turma toda o seu trabalho.
4) Solicite uma comparação entre o atomismo antigo e as teorias atômicas contemporâneas. Trabalho interdisciplinar com a Física e a Química.
5) Faça, com as turmas, um levantamento da influência do neoplatonismo no pensamento cristão. Curiosidade: Amônio e Plotino e o neoplatonismo antigo falam do Uno, ora, o Deus cristão é Trino e Uno!
6) Proponha, para alguns grupos, o levantamento de  termos gregos (e até latinos, se for o caso) usados nos livros didáticos de Biologia, Física e Química. Comparem com os da Filosofia.
7) Outras atividades poderão ser possíveis. Professor(a), imagine e proponha. Traga também para a sala de aula.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

COSMOS, DE CARL SAGAN, E COSMOS, DE NEIL DEGRASSE TYSON (Prof. José Antônio Brazão.)


A série-documentário COSMOS, de Carl Sagan, astrônomo e cientista estadunidense, é uma série composta de 13 (treze) episódios que tratam de temas astronômicos e científicos em geral. Foi composta no intuito de divulgar, para o público geral, amplo, conhecimentos sobre conteúdos e ideias das ciências, com ênfase especial sobre a astronomia. Uma grande vantagem dessa série foi o uso de tecnologias de comunicação e informação gerais, contando com o apoio de efeitos de computação e de estúdios na criação e no tratamento de imagens. E cada episódio vai muito além dos estúdios: grande parte das cenas da série é constituída de cenas em locais diversos do mundo. Sagan procurou mostrar a natureza, os céus, construções humanas que vão de escolas e centros de estudos (ex.: a Universidade de Cambridge) atuais a ruínas de lugares da antiguidade, templos antigos, construções modernas, entre outros locais que marcaram e marcam profundamente a história das ciências.
A revisão da série COSMOS, com Neil Degrasse Tyson, um astrônomo e amigo de Sagan (este já falecido), também norte-americano, acrescenta, além dos elementos mencionados, também desenhos animados sobre biografias e descobertas de cientistas. Também tem 13 (treze) episódios. E tanto esta atualização quanto a série antiga de Sagan podem ser encontradas no YOUTUBE. Vale a pena ver. Inclusive são citados filósofos. Por exemplo, na série de Sagan, o episódio 7, há uma exposição muito interessante sobre os primeiros filósofos gregos (os filósofos pré-socráticos), tomados pelo estadunidense como os primeiros cientistas do mundo ocidental. Cita ainda Copérnico, Galileu, Newton, entre outros, cujas ideias foram profundamente influenciadas pelo pensamento filosófico. Tyson cita Lucrécio, Giordano Bruno, Galileu e um punhado de outros filósofos e cientistas.
Ambas as séries podem ser muito úteis em sala de aula. Além de mostrados vários episódios escolhidos (ou, talvez, todos, um por vez), em certas épocas do ano, poderão ser estudados, discutidos, revistos por estudantes, professoras e professores. Um diálogo interdisciplinar muito rico com as ciências naturais e exatas poderá ser muitíssimo bem vido, aprofundando o enriquecimento do aprendizado.

Para mais informações sobre Cosmos, de Carl Sagan:
Todos os episódios da série-documentário Cosmos de Carl Sagan, com resumos: http://textosparareflexao.blogspot.com/2009/06/todo-o-cosmos-de-sagan.html

domingo, 29 de abril de 2018

TABELA DOS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS (Prof. José Antônio Brazão.)



As tabelas acima nasceram como uma brincadeira com a tabela periódica dos elementos, que é estudada na(o) matéria (componente curricular) Química, ao entrar em uma sala de aula cuja aula anterior foi, justamente, Química.

Ela pode ser passada no quadro, ficando bem visível para as turmas de estudantes. 

Ela é fácil de ser entendida.

Não é difícil de ser feita. No computador, professor(a), use o software de escrita, recurso Tabela. Defina o número de colunas e de linhas e elabore. As informações podem ser resumidas a partir dos livros didáticos de Filosofia dos quais você disponha ou que possam ser encontrados na biblioteca da escola. Bons livros de filosofia e da história desta serão de muita utilidade. Você pode criar outras, corrigir as acima expostas, aprimorar.

Ao passar no quadro, professor(a), use canetões ou gizes coloridos, de preferência, para realçar as informações e trazer variações na apresentação. Leve uma tabela periódica dos elementos químicos, daquelas que você pode encontrar na biblioteca da escola. Uma comparação pode ser extremamente enriquecedora do aprendizado, mostrando um pedacinho dos caminhos que levaram ao entendimento da formação do universo a partir de elementos fundamentais. No caso dos pré-socráticos: princípios. Princípio é arqué (arché, arkhé), em grego.

Para quem quer fazer uma revisão rápida para o ENEM, as tabelas acima poderão ser úteis. Para quem gosta de estudar filosofia, são também um bom material.

As três tabelas acima são variações no modo de apresentação do mesmo tema (filosofia pré-socrática).

Elas não substituem o texto original. Professor(a), traga para as turmas trechos selecionados de fragmentos e comentários doxográficos referentes aos primeiros filósofos gregos (pré-socráticos).

As ideias dos primeiros filósofos gregos - chamados pré-socráticos ou físicos (estudiosos da natureza) - levaram a uma abordagem do mundo e da natureza diferente daquela que era apresentada pelos mitos e pelas mitologias. O rompimento com estes não se deu de forma abrupta (de uma vez), mas que foi realizado esse rompimento, de fato, foi. Com isto, surgiu a filosofia.

Quanto ao trabalho com textos dos pré-socráticos, abaixo vão algumas possibilidades didáticas. Há muitas outras, com certeza. O importante é fazer uma ponte entre o passado e o presente, contribuindo para a reflexão filosófica.