domingo, 3 de dezembro de 2017

QUARTA QUESTÃO DE FILOSOFIA DO ENEM 2017 ANALISADA: (Prof. José Antônio Brazão.)


Questão 71 do Caderno 3, Branco, do primeiro dia.
QUESTÃO 71: Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros  desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá. (KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo, Abril Cultural, 1980.)
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto
(A) assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa.
(B) garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade de vida futura na terra.
(C) opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.
(D) materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios.
(E) permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas.
RESPOSTA: letra (C).
Em resumo, Immanuel Kant, filósofo iluminista alemão que viveu entre o século dezoito e princípio do dezenove, no texto citado, imagina a possibilidade de uma pessoa mentir para poder receber um dinheiro emprestado e resolver a necessidade que a levou a isto, sabendo que não poderá pagar. Vamos analisar cada alternativa. A falsa promessa de pagamento representada no texto:
Alternativa (A) “assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa” (grifo meu). Em sã consciência, ninguém aceitaria que alguém pudesse fazer uma falsa promessa de pagamento. Por quê? Porque essa falsa promessa representa o prejuízo de outra pessoa, aquela que emprestou o dinheiro. E mesmo que alguém admitisse essa possibilidade, nem todos a aceitariam, com certeza.
Alternativa (B) “garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade de vida futura na terra” (grifo meu). Qual seria(m) o(s) efeito(s) da aceitação de que as pessoas podem ou poderiam prometer e não cumprir o que foi prometido?  O principal efeito seria o de que ninguém viria a confiar nas promessas de ninguém. Ora, a confiança é fundamental à vida coletiva. Para a vida coletiva, de fato, isto seria um desastre, ainda que, de fato, não eliminasse a possibilidade de vida futura na terra. Não haveria confiança e, sem ela, não haveria respeito, sabendo-se que não se deve dar crédito a ninguém.
Alternativa (D) “materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios” (grifo meu). No caso, qual seria o fim da mentira (falsa promessa)? Livrar-se de apuros financeiros. E qual seria o meio para obter o dinheiro emprestado? O uso de uma falsa promessa mentirosa, sem cumprimento da palavra dada. Kant jamais defendeu a ideia de que os fins justificam os meios. Essa ideia aparece em outro filósofo, bem anterior ao tempo de Kant, o italiano Nicolau Maquiavel, e, mesmo assim, deve ser interpretada com muito cuidado, tendo em vista que Maquiavel não tinha intenção de prejudicar súditos dos príncipes, mas fortalecer o poder destes, resguardando sua posição e os fortalecendo.
Alternativa (E) “permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas” (grifo meu). No caso, qual ação individual? A falsa promessa, o uso da mentira (prometer pagar sabendo que, na verdade, não pagará) para obter um benefício pessoal (obtenção de dinheiro emprestado). Que pessoas envolvidas? No caso do texto kantiano: quem quer o dinheiro emprestado e seu credor (pessoa que emprestou). E a felicidade? De quem? Certamente, de quem terá pegado o dinheiro emprestado. E do credor? Nenhuma felicidade, muitíssimo certamente. Então, a ideia de que a ação produziria “a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas” vai por água abaixo.
Alternativa (C) [A falsa promessa de pagamento representada no texto] “opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal”. Immanuel Kant, em seus livros sobre ética, diz claramente que é um grande princípio o de que “toda ação do homem possa valer como norma universal”. Explicando melhor: de acordo com Kant, toda ação humana dever ser pautada na reflexão de que a ação de cada um(a) deve ser tão boa e tão ética de modo que ela possa valer, como princípio e prática, para todos os seres humanos. E por que Kant parte do indivíduo para o todo? Porque é em cada pessoa que residem valores e normas. O que uma pessoa não quer para si ela também não deve querer para os outros. O que ela não quer que pratiquem contra ela, também ela não deve praticar contra quem quer que seja. E o que quer para si (o bem) ela deve querer e praticar em relação a todos os outros. Portanto, a ação de cada pessoa deve ser tal que possa valer como norma (regra) universal (comum a todos). Se cada pessoa, no todo, fizer sua parte, a vida comum, pautada na ética, trará enormes benefícios a todos. O bem comum (o bem de todos) depende de cada um(a) agir de modo ético. Isto não quer dizer que as pessoas são perfeitinhas. Não. Kant sabia muito bem dos defeitos humanos, das fraquezas. Porém, sabia bem que cada pessoa guarda dentro de si a RAZÃO e é ela que define a prática, por meio de princípios éticos, dentre os quais um princípio fundamental é o de que as ações humanas devem “valer como normas universais”. A razão prática é a razão que se aplica à ética! Daí se vê que a alternativa (C) é a correta.
Alguns pontos:
1)      Bons livros didáticos trazem um bom esclarecimento da ética kantiana. Observe bem que esta questão exige o conhecimento de princípios fundamentais da ética kantiana, encontráveis em livros do filósofo (Immanuel Kant) e, de modo geral, em linguagem adaptada, nos livros didáticos escolares de Filosofia. Também nas aulas da professora e do professor a respeito do assunto.
2)      Essa questão, como outras, exigiu estudos (leituras e releituras) da moral kantiana. Todo livro didático costuma ter uma parte que se chama Ética, na qual fala também da ética de Kant.
3)      Além de bons livros didáticos, que são importantíssimos, o pensamento kantiano pode ser encontrado em bons sites da internet.
4)      Quanto aos livros sobre Kant e demais filósofos e filósofas:
a)      O livro didático de Filosofia em uso na sua escola.
b)      Outros livros didáticos de Filosofia disponíveis na biblioteca da escola.
c)      Livros de filosofia na biblioteca escolar. Via empréstimo.
d)      Livros de filosofia em alguma biblioteca municipal (da cidade). Via empréstimo.
e)      Livros de filosofia nalguma biblioteca de bairro. Via empréstimo.
f)       Bancas de revistas (revistarias) costumam dispor, de tempos em tempos, de livros de filosofia bem baratos.
g)      Possível aquisição em livrarias.


sábado, 2 de dezembro de 2017

TERCEIRA QUESTÃO ANALISADA DO ENEM 2017: (Prof. José Antônio Brazão.)

Questão 70 do Caderno 3 Branco, do primeiro dia.
QUESTÃO 70: O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é constituído a partir de uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação. A legitimidade democrática exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão pública, para somente então decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão. [VITALE, D. Jurgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa. Cadernos do CRH (UFBA), V. 19, 2006. (adaptado)]
O conceito de democracia proposto por Jurgen Habermas pode favorecer processos de inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para que isso aconteça o(a)
(A) participação direta periódica do cidadão.
(B) debate livre e racional entre cidadãos e Estado.
(C) interlocução entre os poderes governamentais.
(D) eleição de lideranças políticas com mandatos temporários.
(E) controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos.
RESPOSTA: alternativa (B).
Jurgen Habermas foi um filósofo do século 20 que fez parte da Escola de Frankfurt, um grupo de estudiosos de diferentes áreas, além de filósofos, que estudou, discutiu e analisou uma série de questões, tanto econômicas, políticas, como culturais e outras. Ela exerceu influência forte sobre diversas ciências, como economia, sociologia, filosofia, história e outras.
Para responder a esta do ENEM é preciso estar atento a o que o enunciado da questão diz: “(...)De acordo com o texto...” Então, onde estará(ão) a(s) chave(s) da resposta? No pequeno texto que antecede o enunciado propriamente dito. Vejamos parte por parte.
“O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é constituído a partir de uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação. (...)” Conceito é aquilo que é concebido, gerado, na mente – a maneira como se concebe, ou melhor, como se entende, como se compreende algo. Aqui, o modo como é entendida a democracia pelo filósofo Habermas. E a democracia, aparece claramente no texto, é calcada (baseada, fundamentada) “no discurso e na deliberação”. Discurso é fala, exposição por meio da fala (e\ou da escrita). Deliberação é decisão. Ora, ninguém decide, neste caso, sozinho(a). Por quê? Porque é necessário o uso da palavra, ideia bem presente em “discurso”. Então, deliberação, neste caso, é uma decisão conjunta, na qual todos podem fazer uso da palavra. Deliberação pode ser também uma discussão, a partir da qual se toma uma decisão. Marquemos bem estas duas palavras “discurso” e “deliberação”. Vejamos a sequência.
“(...)A legitimidade democrática exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão pública, para somente então decidir.(...)” Dar legitimidade é tornar legítimo, isto é, verdadeiro. Uma democracia verdadeira exige que quem toma as decisões as tome “a partir de uma ampla discussão pública, para somente então decidir”, ou seja, é preciso DISCUSSÃO pública, discussão do povo (público é o que é do povo), discussão ampla (geral, aberta, portanto livre) entre as pessoas que fazem parte da população de uma cidade, de um estado, de um país. Discussão significa DEBATE, Então, o que o segundo trecho do texto quer dizer? Que as decisões políticas, para serem verdadeiras, demandam (exigem) DEBATE amplo, no qual todas as pessoas da sociedade possam participar. Habermas não está negando a representação popular na política através de pessoas votadas (políticas e políticos). É preciso algo mais: que o povo tenha direito de opinar através da palavra, da discussão, do debate, das opiniões.
Enfim, “(...)Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão.” Caráter é aquilo que marca. Aquilo que marca ou deve marcar as deliberações, as decisões, precisa corresponder a um processo (modo de conduzir) coletivo, conjunto, grupal (que envolva a sociedade toda), no qual qualquer decisão deve ser precedida pelo discurso, aqui entendido como uso da palavra de modo coletivo – isto é, no qual todas as pessoas possam dar sua palavra a respeito da temática que envolve a decisão.
Então, em que alternativa aparece a ideia de discurso, de discussão, de debate? Claramente na alternativa (B)debate livre e racional entre cidadãos e Estado. O Estado precisa abrir-se à discussão (ao debate) coletiva(o) público (do povo). O povo tem direito a manifestar sobre o que pensa sobre questões e decisões, a fim de que tais decisões tenham validade (legitimidade).
Cara(o) estudante, preste bastante a atenção nos enunciados das questões do ENEM e de vestibulares em que a Filosofia e também a Sociologia estão presentes. NO caso de análise textual, atente para palavras-chaves que poderão ajudar você a descobrir a alternativa certa. Outro ponto: ao estudar para o ENEM, seja Filosofia ou qualquer outra matéria escolar, tenha junto de si um dicionário de língua portuguesa, a fim de poder entender bem os textos estudados e, para além deles, as questões do ENEM e seus enunciados (exposições, declarações, apresentações). Filosofia e Língua Portuguesa andam muitíssimo juntas. Aliás, a Língua Portuguesa anda junta com todas as matérias (componentes curriculares) da escola e até mesmo da universidade. Empenhe-se por conhece-la bem, por domina-la. Portanto, leia crie o hábito de ler muito e de maneira diversificada.
Fica aí a dica: reforce bem o conhecimento da Língua Portuguesa! Poderá te ajudar muitíssimo na interpretação de textos, não só do ENEM. Sobretudo, textos e contextos da VIDA. Não veja a Língua Portuguesa como uma matéria chata, mas como um conhecimento extremamente importante para a vida como um todo. Conhecendo-a bem e tendo estudado igualmente bastante todas as matérias, com certeza, você poderá sair-se bem no ENEM e, principalmente, na vida, lembrando, como o texto sobre Habermas chama à atenção, o fato de que ela é coletiva!
Aprenda muito e aprenda sempre!
Uma última dica: mesmo que você não conheça o significado de todas as palavras de um texto, preste bastante atenção naquelas que você conhece. Por meio delas é possível encontrar o caminho de cada resposta. Por exemplo, no texto da questão, a palavra DISCUSSÃO é uma palavra chave. Outras: DISCURSO e DECISÃO. Toda decisão político-democrática, para ser verdadeiramente democrática, deve basear-se na discussão pública (do povo, da coletividade) para ser decidida. Outra palavra: COLETIVO (“processo coletivo...”). Na alternativa certa: DEBATE racional. Debate é uma discussão que acontece com o uso do discurso, ou seja, das palavras. E uma curiosidade: na língua grega, logos (de onde provém lógica) significa palavra, discurso, razão (racional é aquilo que faz uso da razão ou que é baseado na razão, no logos).. A filosofia é constituída pelo logos. Habermas foi um grande filósofo.

sábado, 25 de novembro de 2017

UMA SEGUNDA QUESTÃO DE FILOSOFIA ENEM 2017 COMENTADA: (Prof. José Antônio Brazão.)

Questão número 50 do Caderno 3 Branco, do primeiro dia de provas.
QUESTÃO 50: Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum: os temperamentais, como Alcibíades, sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que são capazes, mas fogem porque receiam essa influência poderosa, que os leva a se censurarem. É sobretudo a esses jovens, muitos quase crianças, que ele tenta imprimir sua orientação. (BRÉHIER, E. História da Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1977.)
O texto evidencia características do modo de vida socrático, que se baseava na
(A) contemplação da tradição mítica.
(B)  sustentação do método dialético.
(C)  relativização do saber verdadeiro.
(D) valorização da argumentação retórica.
(E)  investigação dos fundamentos da natureza.
RESPOSTA: Letra (B).
Duas pistas são claramente dadas para a resposta exata da questão, bem presentes no texto: as palavras conversação e ouvinte. Conversação é a ação de conversar, dialogar, bater papo. Ouvinte é quem ouve. Se ouve é porque tem alguém que fala e, geralmente, numa conversação, quem ouve fala também, trocando ideias com a(s) outra(s) pessoa. E nas alternativas, o que há de similar? Duas palavras das alternativas são possíveis, por envolverem ouvintes: dialético(da alternativa B) e retórica (da alternativa D). E o que significam?
Dialético é uma palavra que provém de dialética. Dialético, ao pé da letra (literalmente), aquele que pratica a dialética, ao nos referirmos a pessoas; pode ser também um método que envolve a contradição. Dialética, por sua vez, tem sua raiz em diálogo. Em seu significado primário, dialética é a arte do diálogo. E o que é diálogo? Diálogo é uma conversa, uma troca de ideias entre pessoas por meio das palavras, um bate papo, enfim, uma conversação!
Retórica é a arte de falar bem em público, oratória, segundo os dicionários de língua portuguesa. A retórica é usada por políticos, pessoas que fazem discursos, por advogadas e advogados e outras tantas pessoas que precisam falar bem em público. Porém, é diferente de conversação. Geralmente, a retórica é usada para se pronunciar discursos inflamados, calorosos, como os dos políticos e das políticas, para defender clientes, como os das advogadas e dos advogados, e assim por diante.
Nos significados destas duas palavras podemos ver o quanto o conhecimento da significação das palavras presentes na língua portuguesa é fundamental! A língua portuguesa é uma imensa parceira no aprendizado de qualquer matéria escolar e, particularmente, de Filosofia. Estudante, quando você for estudar livros, apostilas e outros materiais escolares, de quaisquer matérias, especialmente, neste caso, de Filosofia, tenha sempre do lado um dicionário de língua portuguesa. Pode ser um bom dicionário básico. Dicionários não são luxo e nem são caros. Outros livros também. Caro é você não conseguir a pontuação do ENEM! Lembre-se sempre disto. Muitos estudantes têm celulares caros e não têm o costume de comprar sequer um bom dicionário. Outros bons livros (e os ler) também. Estou ou não estou certo disto?!
Então, diante das duas definições que apontei a respeito de dialético e retórica, qual das duas encaixaria melhor em CONVERSAÇÃO? Dialético, é claro! Então, por aí você já praticamente teria a resposta da questão: letra B.
Outras palavrinhas que aparecem nas alternativas e que você pode, de hoje em diante, buscar o significado no dicionário de língua portuguesa: contemplação (palavra da qual, comumente, temos alguma ideia do significado), tradição, mítica, sustentação, método, relativização (!), argumentação, investigação, além de dialético e retórica. Dê uma olhada nos diferentes significados destas palavras no dicionário e, tendo um caderninho, vá anotando os significados destas e de outras palavras filosóficas, científicas e comuns não tão bem conhecidas que aparecerem nas aulas de Filosofia, na escola, bem como nos livros, com destaque para o de Filosofia. Ok?
Duas palavras que aparecem na letra B, antes de dialético: sustentação e método. O que significam? Sustentação é a ação de sustentar, suportar, manter firme, mas também significa defesa, ação de defender, sentido este que marca o significado de sustentação na questão. E método? Método, em sua etimologia (significado original da palavra, raiz da palavra), é caminho, ou seja, o caminho que alguém percorre. Então Sócrates sustentou (defendeu, manteve firme) o caminho (método) do diálogo (dialético) com seus ouvintes e, diversos deles, igualmente debatedores, dialogadores. Ora, ninguém conversa sozinho.
Quanto à alternativa (A)contemplação da tradição mítica. Tradição é aquilo que é transmitido, passado adiante pelas sociedades às pessoas, ao longo da história e da vida. Mítica é dos mitos. Transmissão dos mitos, relatos fantásticos e de fé (muitas pessoas acreditavam piamente neles) a respeito das deusas, dos deuses e de outros seres que viveram nos primórdios dos tempos e, a seguir, da história humana. No caso da Grécia antiga: Zeus, Diana, Hélios (Apolo), Dioniso e muitos(as) outros(as). Essa tradição era passada, através da educação, dos sacerdotes e das sacerdotisas, de poetas (aedos e rapsodos) e por outros meios às pessoas, desde a infância. Sócrates não foi um contemplador da tradição dos mitos, com certeza. É claro, ele tinha fé, como comenta bem em livros de Platão chamados Defesa de Sócrates, Fédon, etc.
Quanto à alternativa (C)relativização do saber verdadeiro. Relativização é a ação de relativizar. Relativizar é tornar relativo. Neste caso da questão, relativo é aquilo que depende de cada um, da opinião e das concepções de cada um. O saber deixaria de ser verdadeiro universalmente (para todos, do mesmo modo) e passaria a depender de cada um. E quem ensinava a relativização do saber verdadeiro? Os sofistas! Quem eram estes? Professores-filósofos ou filósofos-professores que vendiam seus conhecimentos em troca de dinheiro. Ensinavam, principalmente, àqueles que queriam seguir alguma carreira, especialmente a de político. Cobravam bem.
Quanto à alternativa (D)valorização da argumentação retórica. De retórica já vimos os significados básicos, fundamentais à sua compreensão. E o que é argumentação? É a ação de usar argumentos, instrumentos linguísticos (de uso da língua) do discurso que têm por finalidade defender posições (os argumentos dos políticos, por exemplo), convencer pessoas (políticos, advogados, etc.), derrubar posições contrárias, etc. Novamente, foram os sofistas os que, em suas aulas, ensinaram a seus estudantes a fazer bom uso da argumentação retórica. Sócrates não queria ensinar pessoas a falarem bem em público, ainda que tivesse uma preocupação grande com as palavras e seu uso.
Quanto à alternativa (E)investigação dos fundamentos da natureza. Vale lembrar que os que estiveram preocupados com buscar os fundamentos da natureza, isto é, seus princípios originários e fundantes foram os filósofos pré-socráticos (veja o comentário sobre Demócrito – nele aparecem outros filósofos pré-socráticos).
Então, o que sobra? A letra (B)sustentação do método dialético.
Cara estudante, caro estudante, ficam as dicas para o ENEM:
(1)   Preste muita atenção às aulas.
(2)   Tenha em mãos o livro didático de Filosofia. Estude-o sempre. Adquira o hábito de ler diariamente, desenvolva-o.
(3)   Tenha em mãos um bom dicionário de língua portuguesa. Ele é uma ferramenta extremamente importante em seu aprendizado. Vital.
(4)   Leia sempre com um dicionário de língua portuguesa do lado. Por quê? Porque ajuda a entender melhor as palavras do texto em leitura, enriquecendo, consequentemente, o seu próprio vocabulário e ajudando você a compreender melhor o que lê, estuda.
(5)   Tire dúvidas com sua professora ou seu professor de Filosofia diante de qualquer incompreensão de termos e ideias  em sala de aula
(6)   Adquira e leia bons livros
(7)   E assim por diante.
(8)   E mais: lembre-se sempre que CARO É VOCÊ TIRAR NOTA RUIM NO ENEM por conta de descuidos de atenção nos textos, de desconhecimento de palavras-chaves e outras, por falta de mais dedicação aos estudos (leituras e outros recursos escolares e extra-escolares), por falta de conhecimentos filosóficos básicos, adquiríveis em aulas, boas leituras e por outros meios (são muitos – descubra!).
(9) E o essencial, que todos podem aprender com Sócrates: Filosofia não é para passar no ENEM, ainda que ajude muitos(as) nesse sentido. Ela, com outras matérias, não sozinha, é para ajudar você a desenvolver habilidades de leitura crítica (problematizadora, questionadora, analítica) do mundo, da realidade, e aprender, também com outras matérias (interdisciplinarmente), a ser um(a) cidadão(ã) consciente, agente transformador(a) da história! O ENEM é só um momento, ainda de grande importância em sua vida. A história continua, incluindo a de sua vida. Aprenda muito e aprenda conscientemente, afim de ser pleno(a) cidadão(ã), com outros(as) cidadãos(ãs).
E para você, professor(a) de Filosofia, fica a dica, de diálogo com a Língua Portuguesa: o Dicionário de Filosofia e Língua Portuguesa. Um caderno só para palavras de filosofia e de língua portuguesa desconhecidas ou pouco conhecidas por estudantes. Neste blog você encontrará um modelo. Vá em Postagens Antigas. Uma delas é a proposta desse dicionário. Use outros recursos também: o diálogo, a problematização e o questionamento foram muito usados por Sócrates. Há outros - busque fazer uso dos três propostos por Sócrates, descubra e até crie os seus. Dê asas à imaginação e ao conhecimento. Há bons livros de recursos didáticos de Filosofia - um deles, por exemplo, é o da Professora Lídia Maria Rodrigo, além de outros tantos. Neste site você encontrará também sugestões.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

COMENTÁRIO SOBRE UMA QUESTÃO DE FILOSOFIA DO ENEM 2017: (Prof. José Antônio Brazão.)

COMENTÁRIO SOBRE UMA QUESTÃO DE FILOSOFIA DO ENEM 2017: (Prof. José Antônio Brazão.)
Fonte das questões: Caderno 3 Branco – Primeiro dia.
QUESTÃO 49: A representação de Demócrito é semelhante à de Anaxágoras, na medida em que o infinitamente múltiplo é a origem; mas nele a determinação dos princípios fundamentais aparece de maneira tal que aquilo que para o que foi formado não é, absolutamente, o aspecto simples para si. Por exemplo, partículas de carne e de ouro seriam princípios que, através de sua concentração, formam aquilo que aparece como figura. (HEGEL, G. W.F. Crítica moderna. In: SOUZA, J.C. (Org.) Os pré-socráticos: vida e obra. São Paulo: Nova Cultural, 2000 (adaptado).
O texto faz uma apresentação crítica acerca do pensamento de Demócrito, segundo o qual o “princípio constitutivo das coisas” estava representado pelo(a)
(A) número, que fundamenta a criação dos deuses.
(B) devir, que simboliza o constante movimento dos objetos.
(C) água, que expressa a causa material da origem do universo.
(D) imobilidade, que sustenta a existência do ser atemporal.
(E) átomo, que explica o surgimento dos entes.
RESPOSTA: Letra E – átomo, que explica o surgimento dos entes.
Um primeiro ponto de destaque a respeito da estrutura da questão, que pode permitir encontrar a resposta diretamente: depois do texto de Hegel, o enunciado da questão possibilita o encontro da resposta, com ou sem o texto. Quando diz “..., segundo o qual [segundo Demócrito] o ‘princípio constitutivo das coisas’ estava representado pelo(a)”. Ora, aqueles que prestam o ENEM costumam ter contado e leituras de livros didáticos, apostilas e outros materiais, incluindo de Filosofia. A maioria desses materiais traz informações sobre os filósofos pré-socráticos (filósofos que antecederam o filósofo grego Sócrates, que viveu entre aproximadamente 468 e 399 antes de Cristo). Os pré-socráticos estenderam-se do período aproximado entre os séculos 7 e 6 e o século 4 antes de Cristo. Demócrito foi um dos últimos deles.
Ao falarem daqueles filósofos, aqueles materiais geralmente apontam, resumidamente, o que cada pré-socrático tinha como princípio primordial de tudo. Pitágoras acreditava que tudo era constituído pelos números. Heráclito acreditava que tudo surgiu do fogo primordial e que tudo encontra-se em devir (palavra que aparece na questão), ou seja, tudo está em movimento, transformação (devir ou vir-a-ser). Segundo Tales de Mileto, o primeiro filósofo grego (pré-socrático), tudo proveio da água e é composto por ela. E, segundo Parmênides, o Ser é imóvel, porque é perfeito, completo e pleno em si mesmo. Parmênides, portanto, não aceitava, ao pé da letra, o devir de Heráclito de Éfeso. Demócrito cria, com Leucipo, seu mestre, que tudo é feito de átomos, partículas minúsculas e indivisíveis que formam todos os seres. Então, sabendo disto, seria possível ir direto à resposta.
Outro ponto, que aparece no texto claramente: a palavra “partículas”. Ora, o que é o átomo? Uma partícula! Partícula indivisível, segundo Demócrito.
Tendo estudado bastante e prestando atenção a pontos como os apresentados, é possível ter certeza, clareza e rapidez na resposta. Para quem vier a prestar outros ENENs, fica aí dica. Isto não quer dizer que toda questão expõe claramente os pontos que permitem clara e rapidamente encontrar a resposta, para quem está preparado(a). Em outro texto comentarei outra questão do ENEM 2017.
Agora, tomando o texto de Georg Wilhelm Friedrich HEGEL: “A representação de Demócrito é semelhante à de Anaxágoras, na medida em que o infinitamente múltiplo é a origem; mas nele a determinação dos princípios fundamentais aparece de maneira tal que aquilo que para o que foi formado não é, absolutamente, o aspecto simples para si. Por exemplo, partículas de carne e de ouro seriam princípios que, através de sua concentração, formam aquilo que aparece como figura.” (HEGEL, G. W.F. Crítica moderna. In: SOUZA, J.C. (Org.) Os pré-socráticos: vida e obra. São Paulo: Nova Cultural, 2000 (adaptado).
Hegel é um filósofo alemão que viveu entre 1770 e 1831. Vamos toma-lo por partes, a fim de buscar descomplica-lo.
Primeiro trecho do texto: “A representação de Demócrito é semelhante à de Anaxágoras, na medida em que o infinitamente múltiplo é a origem (...)”. Demócrito e Anaxágoras, dois filósofos pré-socráticos, acreditavam que tudo é feito de partículas imensamente pequenas e invisíveis. Anaxágoras as chamava HOMEOMERIAS, da raiz homo, o mesmo, o igual. Por quê? Porque os corpos formados por essas partículas tinham características semelhantes aos corpos formados – o osso é branco e duro porque suas homeomerias são brancas e duras. Demócrito, por sua vez, com Leucipo, chamava as partículas originais ÁTOMOS, de A-, prefixo que quer dizer não, e TOMO, divisão, divisível (para dar um exemplo: os tomos de uma enciclopédia comum são livros que correspondem às suas divisões por letras ou números). Homeomerias e átomos são infinitos e múltiplos, isto é, de acordo com aqueles filósofos, são de muitos tipos e formas – se fossem partículas totalmente iguais o cosmos teria uma única aparência, certamente, e não haveria diversidade de seres.
Segundo trecho do texto de Hegel: “(...)mas nele a determinação dos princípios fundamentais aparece de maneira tal que aquilo que para o que foi formado não é, absolutamente, o aspecto simples para si.” (grifo meu). Este trecho continua o anterior, o segue. Nele, Hegel fala da determinação de Demócrito a respeito das partículas. Determinação significa definição, apresentação, delimitação, precisão, aqui a determinação dos princípios fundamentais (princípios originários de tudo e que estão presentes em todos os seres). Essa determinação é diferente em Anaxágoras e em Demócrito. Para Anaxágoras, que antecedeu Demócrito, a matéria é infinitamente divisível, portanto, também as homeomerias que a compõem. Para Demócrito, o átomo é uma partícula imensamente pequena, como as homeomerias, porém é INDIVISÍVEL. Cada átomo é um ponto limite na divisão da matéria.
Terceiro trecho do texto hegeliano: “(...)Por exemplo, partículas de carne e de ouro seriam princípios que, através de sua concentração, formam aquilo que aparece como figura.”. (grifo e negritado meus). Um outro texto, do autor Rodolfo César, pode esclarecer bem. Eis o que diz César:
“Para o filósofo pré-socrático Anaxágoras de Clazomene uma coisa é composta de partículas desta mesma coisa em menor escala. ‘Como os atomistas que ele precedeu e influenciou, Anaxágoras supõe que a matéria existe na forma de um número infinito de partículas; mas suas partículas diferem dos átomos pois têm substância heterogênea; ele acreditava na infinita divisibilidade da matéria e negava a existência do átomo. O termo homeomeria, que significa ‘similaridade das partes’, provavelmente não foi usado pelo próprio Anaxágoras (M.F. Smith tr.intr., Lucretius – De Rerum Natura, 1975, p. 75). Lucrécio comentando sobre Anaxágoras: ‘...Ele claramente sustenta que ossos são feitos de pequenos ossos menores, a carne é feita de pequenas partículas de carne, o sangue de pequenas gotas de sangue...’.” (CÉSAR, Rodolfo. Círculos Ceifados. São Paulo, FAPESP/7 Letras, 2008. P. 32.) (grifos e negritado meus)
Não entrarei em detalhes do texto de Rodolfo César. Apenas comparar o terceiro trecho de Hegel e o texto sublinhado de César, que cita o escritor e filósofo antigo Lucrécio, que expressou, como outros, opiniões sobre filósofos antigos e suas ideias.
Observe os dois trechos grifados em negrito. Eles falam da carne, citada por Hegel e citada por Lucrécio, filósofos bem distantes um do outro. Hegel, com certeza, leu o livro de Lucrécio, como dá a perceber no uso do mesmo termo. Se “a carne é feita de pequenas partículas de carne”, na citação de Lucrécio, segundo Anaxágoras, como os ossos e o sangue com suas características, em Demócrito, voltando ao texto de Hegel, os átomos afiguram (compõem a figura, a forma, de) cada ser por meio da concentração. É claro, não é uma concentração caótica, desorganizada. É uma concentração estruturada – a palavra figura significa imagem, algo que representa (torna presente) um ser de modo determinado – não porque são partes similares (semelhantes, iguais) a um corpo ou objeto simplesmente. Os átomos têm formas (estruturas) diferentes, que os permitem combinar-se e recombinar-se, formando corpos dos mais diversos tipos e, ao desintegrarem-se estes, formam outros seres, como as homeomerias. Contudo, os átomos não são divisíveis infinitamente como estas mesmas homeomerias. Os átomos de Demócrito convivem com o vazio, parte integrante, com a matéria, do cosmos (universo ordenado, organizado). Anaxágoras não aceitava o vazio (o vácuo). (Grifos meus em meu próprio texto, para chamar a atenção.)

Para entender melhor o exposto na segunda parte deste estudo, leitor(a), releia todo o texto, discuta com colegas, leia sobre os filósofos citados! Leia textos deles!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

CORREÇÃO DE PROVAS E EXAMES COMO RECURSO DE ENSINO-APRENDIZADO DE FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)

CORREÇÃO DE PROVAS E EXAMES COMO RECURSO DE ENSINO-APRENDIZADO DE FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)
Uma boa oportunidade de ensino-aprendizagem de Filosofia, no ensino médio e no Fundamental, pode ser a correção de provas e outros tipos de exames filosóficos como recurso de aprendizado.
Dois exemplos, a seguir, envolvendo o uso de textos filosóficos em exames:
PROVA BIMESTRAL – PRIMEIROS ANOS DO ENSINO MÉDIO.
(Filosofia – Prof. José Antônio Brazão.)
LEIA O TEXTO A SEGUIR ATENTAMENTE E RESPONDA AS QUESTÕES:
LEIA ATENTAMENTE O TEXTO A SEGUIR: A TEORIA DAS QUATRO CAUSAS DE ARISTÓTELES.
“…temos que examinar as causas, quais e quantas são. Dado que o objeto desta investigação é o conhecer e não acreditamos conhecer algo se antes não estabelecemos em cada caso o “por quê” (que significa captar a causa primeira), é evidente que teremos que examinar tudo que se  refere à geração e à destruição e a toda mudança natural, a fim de que, conhecendo seus princípios, possamos tentar fazer referência a eles em cada uma de nossas investigações. Neste sentido se diz que é causa (1) aquele constitutivo interno de que algo é feito, como por exemplo o bronze a respeito da estátua ou a prata a respeito da taça, e os gêneros do bronze ou da prata. [É a causa material.] Em outro sentido (2) é a forma ou o modelo, isto é, a definição da essência e seus gêneros (…) e as partes da definição. [É a causa formal.] Em outro sentido (3) é o princípio primeiro de onde vem a mudança ou o repouso, como o que quer algo é causa, como é também o pai é causa de seu filho, e de modo geral o que faz algo é causa do que é feito, e o que faz mudar é causa do que é mudado. [É a causa eficiente.] E em outro sentido (4) causa é o fim, isto é, aquilo para o qual é algo, por exemplo: o caminhar é a causa da saúde. Pois por que caminhamos? Ao que respondemos: para ficar saudáveis, e ao dizer isso cremos ter indicado a causa. E também qualquer coisa que, sendo movida por outra coisa, chega a ser um meio para obter um fim, como os medicamentos e os instrumentos cirúrgicos são meios para obter a saúde. Todas essas coisas são para um fim, e se diferenciam entre si em que umas são atividades e outras, instrumentos. [É a causa final.] Tais são, portanto, os sentidos em que diz que algo é causa. Mas, como se diz causa em vários sentidos, ocorre também que uma mesma coisa tem várias causas, e não por acaso. Assim, no caso de uma estátua, tanto a arte do escultor [a causa eficiente] quanto o bronze [a causa material] são causas dela, e causas da estátua enquanto estátua e não causas de outra coisa; pois não são do mesmo modo: um é a causa como matéria, outra aquilo de onde provêm o movimento. Há também coisas que são reciprocamente causas; assim, o exercício é causa do bom estado do corpo, e este é causa do exercício, ainda que não do mesmo modo: o bem estar do corpo é causa como fim, o exercício é causa como princípio do movimento [causa eficiente].” (ARISTÓTELES. A teoria das quatro causas. In: Física. Disponível em: http://oficinadefilosofia.com/2012/11/16/a-teoria-das-quatro-causas-de-aristoteles/ Acesso em 15 de setembro de 2017. )
CADA QUESTÃO DE 1 A 5,  A SEGUIR, VALE 1,5 (UM PONTO E MEIO):
QUESTÃO 1: Aristóteles, filósofo grego de origem macedônica, do século IV a.C., buscou entender as causas do movimento e acabou criando uma teoria que, por muito tempo, foi aceita. Dentre as causas não se encontra a:
(a)(     ) Causa eficiente.
(b)(     ) Causa formal.
(c)(     ) Causa divina.
(d)(     ) Causa final.
(e)(     ) Causa material.
QUESTÃO 2: O objeto da investigação contida no texto de Aristóteles é:
(a)(     ) O duvidar.
(b)(     ) A curiosidade.
(c)(     ) O intuir.
(d)(     ) O concluir.
(e)(     ) O conhecer.
QUESTÃO 3: Uma mesma coisa, como uma estátua, por exemplo:
(a)(     ) Tem apenas uma causa.    
(b)(     ) Tem várias causas.    
(c)(     ) Tem duas causas.   
(d)(     ) Tem cinco causas.         
(e)(     ) Tem três causas.
QUESTÃO 4: O exercício físico e o bom estado do corpo são:
(a)(     ) Causas análogas.          
(b)(     ) Causas recíprocas.         
(c)(     ) Causas materiais.
(d)(     ) Causas superficiais.         
(e)(     ) Causas conjunturais.
QUESTÃO 5: Cada causa tem um número no texto. Coloque o número correspondente de causa: (1,0 cada)
(a)(     ) Arte do escultor.   
(b)(     ) Bronze.   
(c)(     )Estátua para honrar Zeus.   
(d)(     )Forma da estátua.
“A SABEDORIA É A COISA PRINCIPAL, PORTANTO ADQUIRA A SABEDORIA”. (Provérbios 4:7)
A prova acima é uma prova objetiva (com questões objetivas). Prova básica, bem simples, de leitura e interpretação básica de texto filosófico, no caso, de Aristóteles, filósofo grego que viveu no século 4 antes de Cristo e que foi discípulo de Platão, na escola chamada Academia, em Atenas. Posteriormente, fundou uma escola própria, o Liceu. Também escreveu muitos livros, sobre assuntos diversos pelos quais se interessou, dentre os quais a física (estudo da physis, palavra grega que se traduz por natureza). O texto da prova versa a respeito das quatro causas do movimento, segundo Aristóteles.
PROVA BIMESTRAL – SEGUNDOS ANOS DO ENSINO MÉDIO
(Filosofia – Prof. José Antônio Brazão.)
LEIA O TEXTO A SEGUIR ATENTAMENTE E RESPONDA AS QUESTÕES:
Trecho de David Hume sobre o conhecimento:
“Cada um admitirá prontamente que há uma diferença considerável entre as percepções do espírito, quando uma pessoa sente a dor do calor excessivo ou o prazer do calor moderado, e quando depois recorda em sua memória esta sensação ou a antecipa por meio de sua imaginação. Estas faculdades podem imitar ou copiar as percepções dos sentidos, porém nunca podem alcançar integralmente a força e a vivacidade da sensação original. (...) Todas as cores da poesia, apesar de esplêndidas, nunca podem pintar os objetos naturais de tal modo que se tome a descrição pela paisagem real. O pensamento mais vivo é sempre inferior à sensação mais embaçada. (...) Quando refletimos sobre nossas sensações e impressões passadas, nosso pensamento é um reflexo fiel e copia seus objetos com veracidade, porém as cores que emprega são fracas e embaçadas em comparação com aquelas que revestiam nossas percepções originais. (...) Podemos, por conseguinte, dividir todas as percepções do espírito em duas classes ou espécies, que se distinguem por seus diferentes graus de força e de vivacidade. As menos fortes e menos vivas são geralmente denominadas pensamentos ou ideias. A outra espécie não possui um nome em nosso idioma e na maioria dos outros, porque, suponho, somente com fins filosóficos era necessário compreendê-las sob um termo ou nomenclatura geral. Deixe-nos, portanto, usar um pouco de liberdade e denominá-las impressões, sempre usando esta palavra num sentido de algum modo diferente do usual. Pelo termo impressão entendo, pois, todas as nossas percepções mais vivas, quando ouvimos, vemos, sentimos, amamos, odiamos, desejamos ou que temos. E as impressões diferenciam-se das ideias, que são as percepções menos vivas, das quais temos consciência, quando refletimos sobre quais quer das sensações ou dos movimentos acima mencionados.” (Início da Seção II do Ensaio Sobre o Entendimento Humano, de David Hume, intitulada Da Origem das Ideias.) [Grifos do Prof. José Antônio.]
O texto citado de Hume encontra-se em:
HUME, David. Seção II: Da Origem das Ideias. In: _____________________. Ensaio Sobre o Entendimento Humano. [Investigação Acerca do Entendimento Humano] Trad. Anoir Aiex. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000027.pdf Acesso em 28 de agosto de 2017.
QUESTÃO 1: Dentre os significados da palavra percepção estão os seguintes, exceto:
(a)(     ) Qualidade de perceber (sentir, notar, enxergar, captar).
(b)(     ) Absorção.
(c)(     ) Sentidos.
(d)(     ) Lesão física.
(e)(     ) Ação de captar informações pelos cinco sentidos.
QUESTÃO 2: Sensação tem vários significados, dos quais o texto de Hume não permite inferir (concluir, afirmar...):
(a)(     ) Toda impressão gravada pelos sentidos.
(b)(     ) Tudo que é assimilado de forma inata pela razão humana.
(c)(     ) Ação de sentir (perceber por meio dos sentidos, captar por meio dos sentidos).
(d)(     ) Observação do mundo através dos sentidos.
(e)(     ) Aquilo que é percebido (captado) por meio da experiência sensorial.
QUESTÃO 3: “Cada um admitirá prontamente que há uma diferença considerável entre as percepções do espírito, quando uma pessoa sente a dor do calor excessivo ou o prazer do calor moderado, e quando depois recorda em sua memória esta sensação ou a antecipa por meio de sua imaginação. (...)” (David Hume) Um bom exemplo desta afirmação é:
(a)(     ) Quando uma criança queima o dedo em um dia e fica esperta para não queimar em outro.
(b)(     ) O caso das ideias inatas, como a ideia de Deus.
(c)(     ) O Cogito (Cogito ergo sum. = Penso, logo existo.).
(d)(     ) Quando, por divino aviso, uma pessoa foge do perigo iminente a que pode vir a estar sujeita.
(e)(     ) Quando a alma lembra do que já contemplou no mundo inteligível e sabe fazer o reconhecimento da diferença entre o bem e o mal.
QUESTÃO 4: Por espírito, no trecho citado na questão 3, Hume não quer dizer, necessariamente:
(a)(     ) A parte interna do homem, capaz de perceber sensações-percepções-impressões, formar ideias e refletir sobre elas, pensar.
(b)(     ) A mente humana unida às habilidades de percepção.
(c)(     ) A parte eterna do homem, que carrega consigo informações advindas mesmo antes do nascimento.
(d)(     ) A racionalidade humana.
(e)(     ) A capacidade humana de juntar imagens sensoriais (imaginar), pensar, refletir, criar conhecimentos.
QUESTÃO 5: “Estas faculdades [percepções do espírito] podem imitar ou copiar as percepções dos sentidos, porém nunca podem alcançar integralmente a força e a vivacidade da sensação original. (...)” (David Hume) Hume quer dizer, basicamente, que:
(a)(     ) Aquilo que você lembra é mais intenso que aquilo que você capta pelos sentidos no momento da sensação.
(b)(     ) Aquilo que é percebido diretamente pelos cinco sentidos é mais intenso que aquilo que é gravado na memória e, tempos depois, lembrado. Exemplo: Você vai à praia, sente a força do mar, das ondas, o gosto da água salgada. Quando volta para casa, as lembranças (memórias) e reflexões, por mais forte que sejam, não chegam nem perto daquilo que você sentiu naquela hora, lá no mar, próximo à praia.
(c)(     ) Aquilo que as faculdades (habilidades, capacidades) da mente carregam dentro delas tem mais valor que aquilo que é sentido pela experiência sensível.
(d)(     ) A intensidade da memória e da reflexão sobrepõe-se a qualquer experiência por meio dos cinco sentidos.
(e)(     ) Mais vale pensar no gosto do docinho da padaria ou da confeitaria que experimentar (sentir, degustar) o tal docinho.
QUESTÃO 6: Todas as percepções do espírito podem ser divididas em duas espécies, a saber:
(a)(     ) Pensamentos e ideias.
(b)(     ) Ideias adventícias e ideias inatas.
(c)(     ) Reflexões e meditações.
(d)(     ) Espírito e matéria.
(e)(     ) Ideias e impressões.
QUESTÃO 7: De acordo com Hume, pode-se afirmar que:
(a)(     ) A poesia não tem valor algum, por ser um reflexo esmaecido da realidade.
(b)(     ) A poesia e o pensamento descrevem a realidade com uma imensa vivacidade, mais forte que as sensações e percepções.
(c)(     ) A poesia é tudo aquilo que é percebido diretamente pelos cinco sentidos.
(d)(     ) A poesia e o pensamento mais vivo não têm a força da impressão sensorial mais viva.
(e)(     ) Ser poeta é criar e recriar o mundo por meio de ideias inatas e vivas impressões.
BOA PROVA!
ENTREGA E CORREÇÃO DAS PROVAS (ref.: terceiro bimestre de 2017.):
ATIVIDADE DE CORREÇÃO – Valor complementar de 2,0 (dois pontos):
(1)Colar a prova no caderno. Faça uma dobrazinha na beirada, passe cola e cole no caderno. [A razão de pedir para colar a prova no caderno é que ela será usada em outra aula, com a leitura do texto do respectivo filósofo e a discussão sobre o mesmo, parte por parte. Isto possibilita uma compreensão maior do texto e de cada parte que o compõe. Ademais, o caderno é um objeto de estudo que as e os estudantes costumam levar para casa e trazer, dia a dia, para a escola. Colado, o texto não é esquecido.]
(2)Passar TODAS as respostas certas a limpo no caderno, anotando o anunciado de cada questão e somente a resposta respectiva.
(3)Marcar, NO TEXTO, o local onde se encontra a resposta de cada questão. Quando não tiver no texto, explique a razão da resposta ou opine sobre ela.
(4)Tirar DO TEXTO, anotando, os períodos textuais (trechos\partes do texto) correspondentes às respostas.
(5)Deixar no caderno. Quando estiver pronto, levar ao professor para visto e registro da nota complementar.
Observação: Este trabalho [simples] pode ser feito com um(a) colega, cada um(a) em seu caderno, a limpo.
Os números (3) e (4) darão uma pontuação extra de dois pontos.
Observações complementares:
*Para os primeiros anos: Na questão 5 (cinco) transcreva, ao passar a limpo:
(1)Causa material: ______________________________,
(2)Causa formal: ________________________________.
(3)Causa eficiente: ______________________________.
(4)Causa final: _________________________________.
*Para os segundos anos: Filosofia – Gabarito: 1d, 2b, 3ª, 4c, 5b, 6e, 7d.
Ao estudar as quatro causas do movimento, segundo Aristóteles, a dica: complemente o entendimento do texto com um trecho inicial do livro O QUE É IDEOLOGIA, de Marilena Chauí, da Coleção Primeiros Passos, da Editora Brasiliense (ou outra que o tenha publicado recentemente). Partindo daí, uma discussão sobre se a ideologia contida nas quatro causas do movimento aristotélicas continua hoje ainda ou não. Se sim, como será? E o que ela tem haver com o poder no mundo capitalista?
No caso de Hume, uma dica: o vídeo Ser ou Não Ser, de Viviane Mosé, sobre David Hume. Discussões poderão surgir a partir daí. E poder-se-á fazer uma comparação entre o vídeo e o texto, no momento da correção. Este vídeo encontra-se no YOUTUBE.
Discussões, trocas de ideias, questionamentos, problematizações e uma boa conversa podem enriquecer bastante a correção de cada prova, de cada exame.