domingo, 5 de outubro de 2014

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (Prof. José Antônio Brazão.)


Inteligência é uma capacidade mental que o ser humano dispõe e que lhe permite entender, interligar ideias e informações, analisar, avaliar, calcular, interpretar o mundo que o rodeia, refletir sobre este e explica-lo, além de muitas outras, conforme cada aspecto que a psicologia, a filosofia e outras ciências tomem como próprio dela. Artificial é tudo o que é feito ou criado pelo ser humano. Inteligência artificial, portanto, é um tipo de inteligência criada pelos seres humanos, na forma de máquinas que realizam funções similares às da inteligência humana. Dentre essas máquinas destaca-se o computador.

Desde a mais remota antiguidade, os seres humanos vêm buscando formas de tornar sua vida mais fácil e de melhor enfrentar os desafios impostos pela natureza. Ao longo do tempo, aprenderam a criar ferramentas e instrumentos que ampliaram o poder de seus braços, de suas mãos, enfim, de seu corpo: pedras talhadas e pontiagudas, flechas, a agulha, a alavanca, a roda, o arado e tantos outros. Também em termos mentais, com a finalidade de ampliar sua memória, gravar informações da produção material, bem como facilitar seu entendimento do mundo e da vida material:  desenhos nas cavernas e rochas, pedrinhas (literalmente: cálculos) para contar e registrar a quantidade de animais, o ábaco, sistemas de medição com auxílio de réguas de madeira resistente, a escrita em suas diferentes formas (hieroglífica, cuneiforme, alfabética e outras). Armas permitiram aos seres humanos caçarem animais, se protegerem de forma mais eficiente, mas também atacarem e até mesmo escravizarem outros.

No mundo antigo, instrumentos de cálculo, como a régua, o compasso, o esquadro, etc., foram fundamentais no aperfeiçoamento e na aceleração do trabalho e da ciência antiga, permitindo que homens como Euclides e Arquimedes pudessem contribuir para o evoluir da matemática. Arquimedes, inclusive, inventou máquinas fantásticas e valiosas para seu tempo: o parafuso de Arquimedes, o uso da alavanca, instrumentos de guerra para proteger Siracusa e outros mais. Além destes dois, vale a pena citar o mecanismo de Anticítera, que, dispondo de peças e mecanismos engenhosamente elaborados e dispostos, permitia calcular e oferecer informações acerca do movimento dos astros em diferentes tempos da história passada, presente e até mesmo futura, um verdadeiro trunfo da capacidade dos antigos. Tal mecanismo era, dito de forma geral, como um computador!

À medida que a produção da vida material e novas necessidades foram surgindo, ferramentas novas foram sendo criadas, aparelhos, instrumentos e meios diversos de melhoria da capacidade corporal humana. Necessidades materiais novas, postas por cada modo de produzir ou até mesmo responsáveis por estes, juntamente com a capacidade humana de imaginar e de criar, puseram em ação, cada vez mais, novas forças e, com estas, mais novidades. Descobertas foram sendo feitas, desafiando antigas ideias e até mesmo o poder que sobre estas se sustentava: o telescópio de Galileu permitiu-lhe ver que a tradição científico-religiosa de seu tempo não conseguia mais explicar o mundo, o universo, como este devia ser, observações, estudos e cálculos matemáticos permitiram que Kepler e Newton dessem passos fundamentais adiante na compreensão do cosmos: órbitas elípticas e suas leis, no caso do primeiro; lei da gravidade, estudos sobre o movimento, estudos e descobertas sobre a luz, etc., do outro.

No campo dos cálculos, os filósofos e matemáticos Pascal e Leibniz desenvolveram máquinas de calcular cheias de mecanismos e pequenas peças que efetuavam cálculos rápidos e precisos, tornando-se, com o tempo e com aprimoramentos posteriores, instrumentos muito úteis no comércio e, inclusive, no dia a dia de muita gente. Elas demonstram o quanto a necessidade de ampliar o poder da mente foi se pondo como necessidade, até mesmo na ciência, tornando-o mais célere e exato.

Num momento avançado da Revolução Industrial europeia, que se deu entre os séculos XVIII e XIX, foram inventados cartões, com código binário (0 ou 1), que permitiam às máquinas de tecelagem tecerem padrões os mais diversos de tecidos. As descobertas e o uso mais e mais presente da energia elétrica permitiram, por seu turno, a criação de aparelhos, como o telégrafo a fio e sem fio, o telefone e muitos mais.

No século XX, as duas grandes guerras de sua primeira metade (1914 – 1918; 1939 – 1945) puseram em ação forças descomunais, com armas extremamente letais e com aparelhos e instrumentos que ampliavam, mais ainda, a capacidade humana de cálculo, envio e decifração de mensagens codificadas, como foi o caso da máquina alemã chamada Enigma, bem complexa em seus mecanismos. Tendo-a descoberto em um submarino alemão capturado, os aliados, através de seus cientistas, puseram-se a estuda-la e decifrá-la. Mais ainda, com o cientista inglês Turing e outros, inventaram um protótipo muito grande de computador, que funcionava a base de energia elétrica, com válvulas, tubos, mecanismos diversos, junto com cartões similares àqueles das máquinas de tecelagem. Com este, gradativa e mais rapidamente, foram conseguindo decifrar códigos dos diversos inimigos, agindo com mais presteza no ataque a eles e na própria defesa contra os ataques por eles desfechados. Ampliava-se, então, o desenvolvimento da hoje chamada inteligência artificial: a inteligência presente em máquinas, constituída por meio de mecanismos cada vez mais complexos e, progressivamente, menores.

Do computador a válvulas e mecanismos, gigante e melhorado no decurso das décadas que se seguiram, até os computadores pessoais, a passagem foi progressiva, dada, principalmente, nas décadas de 1970 e 1980, pelos trabalhos de Steve Jobs e Bill Gates, com suas respectivas equipes. Novos computadores, usando placas, microcircuitos e microprocessadores, foram sendo inventados e melhorados, ano após ano, até hoje! Estes, atualmente, encontram-se em casas, escolas, bancos, fábricas, centros de pesquisa científica e em muitos outros lugares, por todo o mundo. Eles, como outros mais antigos, são fruto do entendimento do funcionamento da mente humana (um neurônio liga-se a outros, formando teias de bilhões de células, que necessitam de alimento e energia), bem como de descobertas levadas adiante, anteriormente, nos campos da eletricidade, da química, da física, da eletrônica e outros.

Robôs foram criados e, atualmente, carregam dentro deles verdadeiros computadores que, programados, permitem que aqueles realizem tarefas diversas. Há robôs que já foram enviados até para o planeta Marte! Tais robôs são uma demonstração clara de até que ponto a inteligência artificial é capaz. Há ainda os supercomputadores, capazes de processar milhões de informações em poucos segundos.

A inteligência dos computadores e de outras máquinas que a eles se assimilam, como os celulares, os tablets e os ipads, tem como base o código binário. Cada um desses inventos é capaz de ler e decifrar sequências de 0 e\ou 1, aprimoradas por softwares (programas) cada vez mais perfeitos, permitindo a assimilação de várias descobertas humanas e uma única. Com efeito, cada computador tem softwares de textos, de internet, de vídeo e áudio, de imagens, de cálculos, de memória e uma grande gama de outros. Ampliou-se o poder da mente humana!

Mas um computador é capaz de substituir a mente humana? Em parte, sim, naquilo que a mente humana levaria muito tempo para efetuar, para calcular, realizar. Porém, em outra parte, não, pois a inteligência humana é inventiva, intuitiva, convive com sentimentos e valores, dos quais depende e os quais, por sua vez, com seu auxílio, podem ser entendidos e melhor expressos. Da inteligência humana depende a manutenção daquelas máquinas fantásticas!

Os computadores são capazes de resolver os problemas humanos? São capazes de ajudar na sua solução, porém, sozinhos, por mais capazes, poderosos, que sejam, não podem fazer nada: agir contra a fome, a miséria, contra catástrofes ambientais e outros problemas humanos e naturais, depende muito mais das ações políticas e dos interesses econômicos, sociais, políticos e mesmo militares de quem tem o poder político-econômico em suas mãos. Mas esse agir, de forma parecida, depende das ações de pessoas comuns: ações educadas e preocupadas com o meio ambiente e com os semelhantes, com a melhoria de sua realidade social, que se empenhem coletiva e pessoalmente por mudanças no mundo em que vivem.

Os computadores, com sua inteligência artificial primorosa, são neutros? Nenhuma invenção ou descoberta humana foi ou é neutra, em termos de poder, seja ele econômico, político, militar, religioso ou em qualquer outra forma. Hackers e crackers são capazes de entrar em computadores do sistema financeiro e de pessoas comuns, por meio de programas determinados (vírus). Há empresas de espionagem cibernética que trabalham para governos e empresas que as podem pagar e manter, chegando a ferir direitos internacionais e regras ético-políticas definidas pelas nações (pela ONU, p.ex.). O caso Snowden mostra bem isto. Existem armas tecnológicas que são programadas e capazes de tomar decisões com base nesses programas. Algumas são guiadas a longas distâncias sem, sequer, terem pilotos dentro delas, mas dispondo de circuitos e pequenos computadores dentro delas, servindo à vigilância e podendo carregar mísseis e armas, sendo, portanto, letais!

Satélites e telescópios espaciais são capazes de dar imagens nítidas do mundo, das condições do clima e uma infinidade de informações sobre a Terra e o universo. Porém, também possibilitam ver detalhes de terrenos, de nações e de grupos de pessoas consideradas potencial ou efetivamente perigosas à “ordem mundial”!

Sem dúvida, tanto a inteligência natural dos seres humanos como as diferentes formas de inteligência artificial que criaram, nas últimas décadas e, hoje, mais que nunca, proporcionam benefícios imensos à humanidade, contudo, igualmente, por conta de interesses diversos, põem desafios à ética e à vida político-social, tanto internacional  quanto pessoal. Isto não desmerece todo o trabalho histórico de milhares de pessoas que contribuíram para o desenvolvimento de máquinas inteligentes que pudessem ajudar os grupos humanos, mas, com certeza, lembra a necessidade de conhecimento da realidade e da falta de neutralidade no uso daqueles equipamentos.

No campo educacional, por um lado, sem dúvida, o uso das diferentes formas de expressão da inteligência artificial (equipamentos e computadores) traz consigo grandes benefícios, tornando possíveis aulas mais dinâmicas e um acesso a uma imensa bagagem de conhecimentos humanos. Por outro lado, ainda em termos educacionais, no Brasil e em outras partes do mundo, o ampliar do uso de equipamentos como celulares e programas extremamente atrativos da internet impõe desafios, como a redução do tempo de estudos em casa (tempo maior é dedicado ao uso quase vago da internet, em sites de relacionamentos entre pessoas, que à leitura e ao estudo, em muitos casos), o atrapalhar do andamento de aulas em diferentes conteúdos escolares, certa perda de momentos ricos de aprendizagem que poderiam ser melhor aproveitados. É claro, esta realidade impõe-se como um desafio às comunidades escolares. Sua solução é possível, todavia depende do empenho de todos.

O uso de sites e mensagens que contêm bullying é outro problema, nos campos da educação e do trabalho, prejudicando a muita gente. Diante disto, dessa quebra da ética, novamente, vale lembrar da necessidade de conhecimento tanto das tecnologias quanto das leis que protegem as pessoas, como a Lei Carolina Dieckmann, o Código de Direito Civil e outros, conforme cada lugar em que se esteja no mundo ou, especificamente, no Brasil.

O uso da inteligência artificial em múltiplas máquinas – desde um supercomputador até um telefone celular –, como se pôde ver, traz consigo usos maravilhosos, mas também levanta questões éticas e até políticas. Contudo, é inegável a capacidade humana, dentro de cada contexto histórico-econômico, de buscar construir ferramentas e máquinas que impulsionem o poder do corpo e da própria mente, ampliando suas capacidades e contribuindo para que novas descobertas surjam, para que que o próprio universo seja mais ampla e precisamente conhecido, para que o próprio clima e as intervenções humanas, positivas e\ou negativas, sejam compreendidas, moléculas e átomos sejam analisados em detalhes os mais mínimos possíveis, etc.

Quanto ao aspecto ético-político é preciso conhecimento e vigilância, em ações coletivas que mostrem os perigos do mal uso de máquinas que dispõem de inteligência artificial, sem radicalismos mas firmemente!


PARA SABER MAIS:




http://plato.stanford.edu/entries/logic-ai/   (Em inglês. Use tradutores online, dão uma ideia boa do conteúdo do texto. Ex.: Google Tradutor, além de outros.)


http://plato.stanford.edu/entries/turing/   (Também em inglês. Idem.)

 

sábado, 30 de agosto de 2014

A CIÊNCIA MODERNA: GALILEU X ARISTÓTELES em desenhos simples (Prof. José Antônio Brazão.)

Uma atividade que pode ser feita no aprendizado de Filosofia, no Ensino Médio, são desenhos simples, usando o quadro da sala de aula, com gizes ou canetões coloridos, os quais podem permitir uma visualização do conteúdo em aprendizagem. (Em outros locais neste site você pode encontrar também outros desenhos bem simples.)
 
Uma vantagem dos desenhos simples é que eles não demandam grandes conhecimentos de arte pictórica, podendo ser feitos pelo(a) professor(a) de Filosofia (e outros conteúdos escolares) e\ou por estudantes das turmas.
 
Outra vantagem é que não se tem que falar muito, pois o desenho, por si, já fala muito. Mas exigem boa pesquisa e bom estudo! Além disto, uma boa ideia é problematizar o conteúdo em estudo, levantando questionamento e atiçando a curiosidade e a capacidade de análise das e dos estudantes.
 
Ainda outra vantagem é que podem ajudar numa melhor compreensão dos conteúdos estudados. E outros desenhos podem ser aproveitados, como os do livro didático.
 
Acrescente-se ainda a vantagem do uso de materiais comuns nas escolas, como o quadro, gizes ou canetões. Podem ser feitos, igualmente, em cadernos de desenhos. Oportunizam um trabalho interdisciplinar muito interessante e valioso com o conteúdo Arte. O conteúdo Galileu X Aristóteles pode dar um trabalho interdisciplinar, ainda, com a Física. Professor(a), converse com suas e seus colegas de trabalho. De repente, o aprendizado em uma matéria pode ajudar imensamente no aprendizado e num melhor entendimento da outra!
 
Abaixo vão alguns exemplos, bem simples, nada difíceis de se fazer, a respeito de um ponto da ciência moderna: a derrubada de várias teses científicas de Aristóteles de Estagira (século IV a.C.), tido, entre a segunda metade do mundo medieval e parte do moderno, como autoridade filosófica e científica. Galileu Galilei (séc. XVII d.C.) contribuiu muito para essa derrubada.
 
Professor(a), aproveite a ideia e faça desenhos ainda melhores. Você e suas turmas de estudantes são capazes! Se você quiser incrementar, caso sua escola disponha de um daqueles laboratórios de informática, leve os e as estudantes para que façam os desenhos, individualmente ou em pequenos grupos, no computador. Há softwares bons de desenho e até mesmo de montagem de vídeo, que pode ser feito utilizando os desenhos de cada estudante ou grupo.

Os desenhos abaixo foram feitos no quadro comum, da sala de aula, e nos cadernos de estudantes. Simples e sem muita pretensão, contudo muito ricos para o ensino-aprendizagem de Filosofia na escola.










 
Os desenhos acima nasceram do estudo de livros didáticos de Filosofia, como:
FILOSOFANDO, INTRODUÇÃO À FILOSOFIA. (De Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins.)
CONVITE À FILOSOFIA. (De Marilena Chauí.)
INICIAÇÃO À FILOSOFIA.(Também de Marilena Chauí.)
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA. (De Gilberto Cotrim e Mirna Fernandes.)
Todos estes livros em edições recentes e conformes à Nova Ortografia da Língua Portuguesa.
 
E para saber mais, você pode consultar:
 
http://www.bbc.co.uk/history/historic_figures/galilei_galileo.shtml (Resumo sobre a vida de Galileu Galilei, em inglês. Pode ser traduzido com ajuda do Google Tradutor ou qualquer outro tradutor online. Além de Galileu, há outras figuras históricas também importantes, como Newton e outros. Você encontrará informações sobre Aristóteles procurando, no site da BBC, através de um retângulo de busca, logo acima, no site, escreva Aristotle e clique no ícone ao lado para acessar a busca. E lembre-se: use os tradutores online. São de grande ajuda.)
A respeito de Aristóteles, em inglês (use os tradutores online, como o Google Tradutor), veja o seguinte texto da Stanford Encyclopedia of Philosophy:
 Em francês, um resumo bom sobre cada um deles pode ser encontrado na enciclopédia Ágora. Basta dar baixar a barra de rolagem deste site (Filosofia no Dia a Dia) e, do lado direito, embaixo, você poderá encontrar a entrada. Novamente, aproveite os tradutores online.
Também a Wikipédia, em: www.wikipedia.org (Nela você pode encontrar, em português e em outras línguas, informações sobre Aristóteles e Galileu Galilei, dentre outros. Consulte as informações em diferentes línguas e você verá que, aqui e ali, alguém acrescenta algo interessante, alguma informação nova. E, usando-a em outra língua, novamente a dica dos tradutores online.)
Professor(a), a indicação dos sites em inglês e francês, além da Wikipédia (português e outras línguas), é proposital, pois há muitas pessoas que estudam estas e outras línguas. De repente, poder-lhe-á ser muito útil, assim como aos seus alunos e alunas. Aprender um pouco mais é sempre bom.  Bom proveito! 
 
 
ALGUMAS VANTAGENS DO USO DE DESENHOS SIMPLES NO ENSINO DE FILOSOFIA:
Os desenhos simples permitem a visualização, pelos(as) estudantes, a nível de imagens, de conteúdos em aprendizagem em Filosofia, contribuindo, assim, para sua melhor fixação na memória e no seu entendimento. Sem dúvida, não substituem textos ou falas de filósofos(as), mas podem ajudar grandemente na compreensão daqueles e destas. Aliás, os desenhos são um elemento a mais, em termos didáticos.
Ajudam na percepção e na análise, por parte dos e das estudantes, de elementos que aparecem nos livros didáticos e nos textos dos filósofos e filósofas, ampliando a compreensão daqueles.
Permitem que alunos e alunas especiais, atendidos nas escolas, como, por exemplo, surdos, possam visualizar os conteúdos ensinados, podendo ter um melhor entendimento do que é ensinado em sala de aula. Ao conversar com um professor que acompanha um estudante surdo, numa turma do primeiro ano do ensino médio, perguntei-lhe se os desenhos passados no quadro, acerca de filósofos da antiguidade (Sócrates, Platão e Aristóteles, p. ex., conforme programa de ensino da SEE – GO), o estavam ajudando no aprendizado de Filosofia. O professor me disse que sim. Isto me alegrou muito e apontou-me outro valor para o trabalho com desenhos simples em Filosofia, em sala de aula. Perguntei também à turma daquele primeiro ano, a mesma do aluno especial, se os desenhos estavam ajudando a todos e alegrei, pois, ao saber que ajudam numa compreensão mais efetiva dos conteúdos em estudo.
Com certeza, os desenhos são apenas um tipo de recurso de ensino de Filosofia. Outros precisam ser igualmente utilizados: uso do vídeo, de músicas, dos textos do livro didático, de trechos dos filósofos e filósofas, além de outros tantos, aos quais podem-se acrescentar as novas tecnologias aplicadas à educação.



terça-feira, 19 de agosto de 2014

POESIA COMO RECURSO DE ENSINO DE FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)


Poesias, assim como a literatura em geral, traduzem sentimentos e valores humanos muito fortes. Nelas a vida flui como um rio, grande, como os grandes poemas, ou menor, como os poemetos, mas que carregam consigo enorme vitalidade. Assim como a poesia, a filosofia, apesar de sua racionalidade, flui em sua história, discutindo e refletindo sobre a vida e a razão humanas, seus valores, sua ética, sua ciência e tudo o mais que que envolve ou envolva o ser humano.

Poesias são e podem ser, sem dúvida, excelentes recursos complementares e até mesmo de transmissão direta de ideias filosóficas. Vários filósofos pré-socráticos, antes de Cristo, expuseram suas ideias na forma de poemas. É famoso, por exemplo, o poema de Parmênides, no qual a Deusa da Justiça fala a ele dos dois caminhos: o do ser e o do não-ser. Voltaire (séc. XVIII) e Nietzsche (séc. XIX) escreveram alguns poemas.

Um poema de um(a) escritor(a) pode enriquecer e ilustrar as ideias de um(a) filósofo(a), de um período ou corrente, por tratar de temas afins, ainda que o tratamento dado pelo primeiro seja literário e, pelo segundo, filosófico. Por exemplo: o poema “Eu, etiqueta”, de Carlos Drumond de Andrade, tem pontos de similaridade com a análise de Marx sobre a reificação do trabalhador no sistema capitalista. Também a questão da alienação. Trechos de “Os Lusíadas”, de Camões, contêm exposições do sistema geocêntrico de Cláudio Ptolomeu, que podem ilustrar a compreensão de mundo que vai da antiguidade até os séculos XVI|XVII da era cristã.

Poesias são expressões de vida, de sentimentos que vêm do fundo dos poetas, que refletem sua relação com o mundo e o modo como o interpretam. Elas refletem a transitoriedade e a continuidade da existência, expressas em versos e estrofes.

Uma boa atividade é que os e as estudantes possam também dar asas à sua imaginação, aliada ao conhecimento e à pesquisa em filosofia, a fim de criarem seus próprios poemas filosóficos. A professora e o professor de Filosofia igualmente podem criar seus poemas. Eis um bom material de trabalho e um modo especial de expressar ideias e valores filosóficos. E pode vir a formar um livreto-arquivo muito útil para aulas futuras, somando-se a mais e mais poemas filosóficos que vierem a ser feitos pelas e pelos estudantes.

A seguir vão alguns exemplos de poesias que podem ser muito úteis no ensino-aprendizagem de Filosofia. Professor(a), pesquise e descubra outros, proponha também às turmas que elaborem seus próprios poemas relacionados à filosofia e à história desta. Há muitos(as) escritores(as) e filósofos(as) que deixaram poemas magníficos, que dialogam muito bem com a filosofia ou que a ela diretamente estão ligados.

TRECHO DE OS LUSÍADAS E O GEOCENTRISMO PTOLOMAICO

OS LUSÍADAS, DE CAMÕES
(Comentários de João Manoel Mimoso)
Encontrado em:
 
Texto de Camões:
Canto X estâncias [estrofes] 76-91
Tétis revela ao Gama a Máquina do Mundo- no trecho mais extraordinário d'Os Lusíadas Vasco da Gama recebe dos deuses, em recompensa dos seus trabalhos, o Conhecimento e é-lhe revelado o funcionamento do Universo de acordo com o modelo ptolomaico.
76) "Faz-te mercê, barão, a Sapiência
Suprema de, cos olhos corporais,
veres o que não pode a vã ciência
dos errados e míseros mortais.
Segue-me firme e forte, com prudência,
por este monte espesso, tu cos mais."
Assim lhe diz e o guia por um mato
árduo, difícil, duro a humano trato.
Tétis guia Vasco da Gama por um caminho
árduo que talvez simbolize a ignorância
que há a vencer para atingir o Saber.
77) Não andam muito que no erguido cume
se acharam, onde um campo se esmaltava
de esmeraldas, rubis, tais que presume
a vista que divino chão pisava.
Aqui um globo veem no ar, que o lume
claríssimo por ele penetrava,
de modo que o seu centro está evidente,
como a sua superfície, claramente.
o lume claríssimo- a luz forte
(penetrava no globo- isto é, era transparente).
79) Uniforme, perfeito, em si sustido,
qual, enfim, o Arquétipo que o criou.
Vendo o Gama este globo, comovido
de espanto e de desejo ali ficou.
Diz-lhe a Deusa: "O transunto, reduzido
em pequeno volume, aqui te dou
do Mundo aos olhos teus, para que vejas
por onde vás e irás e o que desejas."
em si sustido- funcionando por si só, sem
intervenção externa (mas
talvez se refira simplesmente ao facto do globo
estar suspenso no ar,
sem apoio externo); qual... o Arquétipo que o criou-
igual à imagem mental (arquétipo) ou plano
divino segundo o qual foi criado
(a maiúscula é usada por de tratar de um plano de Deus);
transunto- cópia, modelo.
80) "Vês aqui a grande Máquina do Mundo,
etérea e elemental, que fabricada
assim foi do Saber, alto e profundo,
que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em derredor este rotundo
globo e sua superfície tão limada,
é Deus: mas o que é Deus ninguém o entende,
que a tanto o engenho humano não se estende"
etérea e elemental- pensava-se que o Universo tinha
uma parte formada dos 4 elementos
(terra, ar, água e fogo)
e outra não-elemental, formada de éter (etérea);
limada- lisa e polida.
81) "Este orbe que, primeiro, vai cercando
os outros mais pequenos que em si tem,
que está com luz tão clara radiando
que a vista cega e a mente vil também,
Empíreo se nomeia, onde logrando
puras almas estão daquele Bem
tamanho, que ele só se entende e alcança,
de quem não há no mundo semelhança."
segundo o modelo ptolomaico o universo
era formado por onze esferas (orbes), com a
Terra por centro.
A esfera externa, denominada "Empíreo"
era imóvel e etérea e nela estavam as almas
que tinham ascendido ao Paraíso.
82) "Aqui, só verdadeiros, gloriosos
divos estão, porque eu, Saturno e Jano,
Júpiter, Juno, fomos fabulosos,
fingidos de mortal e cego engano.
Só para fazer versos deleitosos
servimos; e, se mais o trato humano
nos pode dar, é só que o nome nosso
nestas estrelas pôs o engenho vosso."
divos- almas que ascenderam ao Divino, santos;
nome nosso nestas estrelas (etc...)-
Tétis reconhece que os deuses do Olimpo
são fabulosos e só existem nos nomes que
foram dados aos planetas (aqui chamados "estrelas").
85)  "Enfim que o Sumo Deus, que por segundas
causas obra no Mundo, tudo manda.
E tornando a contar-te das profundas
obras da Mão Divina veneranda,
debaixo deste círculo onde as mundas
almas divinas gozam, que não anda,
outro corre, tão leve e tão ligeiro
que não se enxerga: é o Móbil Primeiro."
que não anda- a 11ª esfera (Empíreo) era imóvel;
Móbil Primeiro- a 10ª esfera,
denominada Móbil Primeiro,
rodava rapidamente (à razão de uma rotação por dia)
e arrastava todas as outras que, assim,
eram por ela movidas a diferentes
velocidades de rotação (ver na estância seguinte
"com este ...movimento vão todos os que
dentro tem no seio").
86) "Com este rapto e grande movimento
vão todos os que dentro tem no seio;
por obra deste, o Sol, andando a tento,
o dia e noite faz, com curso alheio.
Debaixo deste leve, anda outro lento,
tão lento e sobjugado a duro freio,
que enquanto Febo, de luz nunca escasso,
duzentos cursos faz, dá ele um passo."
 
com curso alheio- sem movimento próprio
mas arrastado pelo movimento alheio (do Móbil Primeiro);
anda outro lento- referência à 9ª esfera,
aquosa, chamada Cristalino, que era suposta mover-se lentamente;
enquanto Febo (etc...)- enquanto o Sol completa
duzentos ciclos (isto é, em duzentos anos),
o Cristalino roda apenas um grau.
87) "Olha estoutro debaixo, que esmaltado
de corpos lisos anda e radiantes,
que também nele tem curso ordenado
e nos seus axes correm cintilantes.
Bem vês como se veste e faz ornado
co largo Cinto d' Ouro, que estelantes
animais doze traz afigurados,
aposentos de Febo limitados."
estoutro debaixo- a 8ª esfera (Firmamento) onde
existiam as estrelas (corpos lisos);
co largo Cinto d'Ouro (etc...)- o Zodíaco com
as doze constelações que são os Signos;
aposentos de Febo limitados- o Sol está em
cada um dos signos durante um mês apenas.
89) "Debaixo deste grande firmamento,
vês o céu de Saturno, deus antigo;
Júpiter logo faz o movimento,
e Marte abaixo, bélico inimigo;
o claro Olho do Céu, no quarto assento,
e Vénus, que os amores traz consigo;
Mercúrio, de eloquência soberana;
com três rostos, debaixo vai Diana."
Referência às 7 últimas esferas: a do planeta Saturno;
a de Júpiter, a de Marte; a do Sol (o claro Olho do Céu);
a de Vénus, a de Mercúrio; e, finalmente a da Lua,
cujos três rostos são as três fases (ou "faces")
em que está visível.
90) "Em todos estes orbes, diferente
curso verás, nuns grave e noutros leve;
ora fogem do centro longamente,
ora da Terra estão caminho breve,
bem como quis o Padre omnipotente,
que o fogo fez e o ar, o vento e a neve,
os quais verás que jazem mais adentro
e tem co mar a Terra por seu centro."
nuns grave e noutros leve- uns
lentos e os outros rápidos;
ora fogem do centro (etc...)- os planetas eram
supostos ter órbitas circulares (na realidade são
elípticas com o Sol num dos focos), excêntricas
em relação à Terra. Durante o seu curso tanto
se afastam muito (fogem do centro longamente),
como se aproximam da Terra
(ora da Terra estão caminho breve).
91) "Neste centro, pousada dos humanos,
que não sòmente, ousados, se contentam
de sofrerem da terra firme os danos,
mas inda o mar instável exprimentam,
verás as várias partes, que os insanos
mares dividem, onde se aposentam
várias nações que mandam vários reis,
vários costumes seus e várias leis."
várias leis- várias religiões.
João Manuel Mimoso.
O comentário do trecho de Os Lusíadas, aqui apresentado à direita, junto do texto camoniano, é de João Manuel Mimoso. O sistema geocêntrico ptolomaico perdurou por muitos séculos, com com seus círculos orbitais e os epiciclos que Ptolomeu (séc. II d.C.) acrescentou, a fim de corrigir distorções que via no movimento dos planetas. Hoje sabe-se que tais distorções, como a aparência de um ir e voltar-retornar dos planetas às suas órbitas ocorre porque a Terra se move, sendo também um planeta e não o centro do universo como se acreditava até o século XVI d.C. Essa visão sofreu uma mudança com o polonês Nicolau Copérnico, no século XVI, que defendeu o heliocentrismo, isto é, um sistema astronômico que põe o Sol (Hélios, em grego), no centro do universo. As observações, os estudos e os cálculos de Galileu Galilei (italiano, séc. XVII) levaram-no a defender o sistema proposto por Copérnico, o que levou-o a ter, na época, problemas com a Inquisição Católica! O alemão Johannes Kepler (séc. XVII), descobriu que as órbitas, na verdade, são elípticas.  E é curioso observar como, em Camões, aparece o sistema geocêntrico, tão bela e poeticamente apresentado. (Prof. José Antônio Brazão.)

 

A seguir, um poema da escritora brasileira Clarice Lispector:

MUDANÇA


Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. A nova vida.
Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!

***Texto de Clarice Lispector.
O texto acima encontra-se em:  http://claricelispectorclarice.blogspot.com.br/
O texto de Clarice Lispector pode ser trabalhado em diálogo com o estudo das ideias de Heráclito de Éfeso (séc. VI a.C., filósofo grego), que defendeu a ideia de que tudo flui, que tudo está num constante DEVIR, isto é, vir a ser, transformação, mudança, movimento. O poema da Clarice pode ser muito útil para que os e as estudantes possam ver como, na atualidade, há pessoas que, como Heráclito, ainda refletem sobre o devir, o fluxo das coisas e da vida e, portanto, com a escritora, sobre a necessidade de mudar, não permanecer na mesmice, dando, a cada momento, um sentido constantemente renovado à existência pessoal e humana.
Esse poema pode ser trabalhado também em diálogo com as ideias de Jean-Paul Sartre, filósofo existencialista do século XX, em cujos textos mergulha na questão da existência, da vida humana, refletindo sobre temas a ela ligados.
Outros(as) filósofos(as) podem ser também trabalhados(as) em diálogo com essa poesia e essa poetisa da língua portuguesa. Professor(a), aproveite-a bem.
(Prof. José Antônio Brazão.)

 

A seguir, um poema do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, posto ao final do seu livro Além do Bem e do Mal:

DO ALTO DOS MONTES – Canção epílogo
Ó meio-dia da vida! Tempo festivo!
Ó jardim de verão!
Inquieta ventura em se deter, atentar e esperar: –
Pelos amigos aguardo, dia e noite disposto,
Onde estão, amigos  Venham! É tempo! É tempo!
 
Não foi para vocês que o cinza da geleira
Se enfeitou hoje de rosas?
É a vocês que o riacho procura, e ansiosamente afluem
E batem ventos e nuvens, mais alto no azul,
Para observá-los a distância, como pássaros na espreita.
 
A grande altura lhes preparei minha mesa: –
Quem habita tão próximo
Às estrelas, e às escuras distâncias do abismo?
Meu reino – que reino se estendeu mais longe?
E o meu mel – quem o terá provado?
 
(...)
 
Ó meio-dia da vida! Segunda juventude!
Ó jardim do verão!
Inquieta ventura em se deter, atentar e esperar!
Pelos amigos aguardo, dia e noite disposto,
Pelos novos amigos! Venham! É tempo! É tempo!
 
Esta canção acabou, – o grito doce da saudade
Morreu na boca:
Um mago foi seu autor, o amigo da hora certa,
O amigo do meio-dia – não! não perguntem quem é ele –
Aconteceu no meio-dia, quando Um se tornou Dois...
 
Agora celebramos, seguros da vitória comum,
A festa das festas:
O amigo Zaratustra chegou, o hóspede dos hóspedes!
Agora o mundo ri, rasgou-se a horrível cortina,
É hora do casamento entre a Luz e as Trevas...
 
Texto parcial extraído de:
NIETZSCHE, Friedrich. Além do Bem e do Mal. 2.ed. Trad. Paulo César Lima de Sousa. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.
O texto de Nietzsche fala da amizade e da grandeza desta, de seu valor e de seu significado existencial. Divide a vida em duas etapas de um dia e destaca o meio-dia, momento mais luminoso de um dia, mais radiante, como a juventude.
Zaratustra (ou Zoroastro), que aparece ao final, na última estrofe desse belíssimo poema, é personagem do livro Assim Falou Zaratustra, outro livro nietzschiano de inigualável valor literário e filosófico. Nietzsche, sem dúvida, além de grande filósofo, foi um grande escritor. Zaratustra é o profeta do Além-do-Homem [ou Super-Homem, em outras traduções], o homem que conseguiu superar os limites impostos pelos valores da moral tradicional e tornou-se capaz de ver mais além, de enxergar mais longe. Zaratustra é ainda o profeta do eterno retorno do mesmo, num ciclo contínuo que eterniza a vida.
O “casamento entre a Luz e as Trevas” é a união entre o dia e a noite, o amanhecer da vida, passando pelo Sol radiante da juventude, em seu meio-dia, e o cair da tarde e da noite, com a vida adulta e a velhice. Imagens belas para explicar a vida e, junto com ela, fazendo parte dela, a grandeza da amizade!
Professor(a), leia o livro Além do Bem e do Mal todo e, ao final dele, o poema completo citado acima, que pode ser bem trabalhado com as e os estudantes em sala de aula, juntamente com poetas e filósofos, como os dos textos citados. O texto de Nietzsche é mais rico que este comentário. Explore-o com as turmas de estudantes e veja sua riqueza.
Prof. José Antônio Brazão.

Não se esqueça de fazer um trabalho interdisciplinar. Você estará ajudando suas alunas e seus alunos a aprender também Língua Portuguesa e outros conteúdos escolares afins, os quais, por sua vez, podem ser valiosíssimos para o aprendizado de Filosofia.
BOM PROVEITO!