quinta-feira, 8 de setembro de 2016

FILOSOFIA EM POESIA: DO MITO A ARISTÓTELES. (Prof. José Antônio Brazão.)

FILOSOFIA EM POESIA 1: O mito e os pré-socráticos.
(Prof. José Antônio Brazão.)

Um possível bom meio ou recurso de trabalho didático no tratamento das ideias filosóficas é transformando-as em poesias simples e, com certeza, muito úteis. Um exemplo a seguir. Pode ser escrito no quadro ou repassado em slides ou cópias xerocopiadas.

UMA BELA HISTÓRIA (Prof. José Antônio Brazão.)

Uma bela história registrar

O nascimento da filosofia

Em suas origens

Eu vou narrar.


No início, de deuses e deusas

Por mitos se contava

Histórias fabulosas

Que a imaginação criava.


Deusas e deuses, de imensos poderes,

Na natureza e no cosmos atuavam

Para obter seus favores

Os seres humanos oravam.


Poetas chamados aedos

E outros conhecidos por rapsodos

Em seus poemas os cantavam

E feitos divinos registravam.


Agricultura, comércio, guerras e escravidão

Póleis, cidades-estados, a crescer

Monumentos e magníficos prédios em construção

Nesse contexto, novas ideias a florescer.


Por toda a Grécia antiga

Aqueles poetas se espalhavam

De deuses e deusas até alguma intriga

Não ocultavam.


Muito humanos os seres divinos pareciam

Seres poderosos eram com certeza

Eternos e imortais os relatos os definiam

Dos poetas que os contavam com presteza.


Ouvindo de outros povos pessoas comuns e mercadores

De deusas e deuses as histórias que contaram

Alguns homens argutos e observadores,

Por serem diferentes, desconfiaram.


Querendo melhor a natureza e o mundo entender

Respostas mais claras e profundas queriam achar

Observações e estudos começaram a empreender

E em princípios criam as poder encontrar.


Nas colônias gregas viviam

Da Ásia Menor e da Magna Grécia

Buscando fugir das certezas a inércia

Contrapondo ao que os mitos diziam.


O primeiro princípio foi a água

Do filósofo Tales de Mileto

Para além dos mitos navegava

Certo de que por ela tudo é feito.


A seguir, outros princípios

Por filósofos denodados

Foram levantados

Dando à filosofia seus inícios.


Dizia Anaxímenes que tudo do ar viera

Anaximandro, de um tal Ápeiron

Ou da terra de Xenófanes de Cólofon

Todo existente nascera.


Dos números surgiu o cosmos,

Como na música a beleza se tocava,

Segundo o filósofo de Samos,

Que Pitágoras se chamava.


Da filosofia o nome se originou

Do fato de que, com muita alegria,

Por crer-se amigo da sabedoria,

Pitágoras filósofo se chamou.


Da música a harmonia o inspirou

No monocórdio de diferentes sons

Sete notas Pitágoras descobriu

Percebendo aí o enlace de diferentes tons.


Parte de da matemática o sistema,

O quadrado da hipotenusa

Dos quadrados dos catetos a soma que se usa

De Pitágoras matemático o teorema.


De fogo, o princípio, para Heráclito de Éfeso

Todo existente se compõe

Mas algo mais viu o filósofo:

Em tudo o devir-movimento se dispõe.


Parmênides de Eleia a Heráclito contradiz

Movimento é ilusão

Para os olhos falsa diversão

Mas que de nada é matriz.


Em Eleia outro filósofo apareceu

Zenão por nome tratamento

Do mestre Parmênides o pensamento

Na forma de argumentos defendeu.


Empédocles quatro princípios resolveu juntar

Ar, água, terra e fogo

Que variados seres formam logo

Ao dar-se em precisos modos seu combinar.


Anaxágoras minúsculas partículas dizia

Comporem toda a pluralidade

Por disporem, em cada diverso, igualdades

Cada uma delas denominou homeomeria.


Leucipo e Demócrito observaram dos seres o dividir

A existência de muitas partículas indivisíveis

Aos olhos humanos, sozinhas, invisíveis

Usando a inteligência, acabaram por concluir.


Os átomos, indivisíveis partículas eram tidas,

Milênios depois, por cientistas comprovados

Postos em tabela por períodos dividida

Hoje, por fissão nuclear estilhaçados.


Da filosofia a grande história aí se iniciou

Com o uso do logos-palavra-razão-discurso

Nas colônias da antiga Grécia o curso

De um novo modo de pensamento se firmou.


Vale lembrar que um recurso útil de apresentação do pensamento filosófico, em suas origens, na Grécia antiga, foi a poesia, seguindo o jeito poético de exposição dos próprios mitos gregos – por exemplo: Homero e Hesíodo. A poesia foi, seguramente, um meio didático de histórias no passado, como entre os gregos mencionados, e pode, hoje também, contribuir para uma exposição rica de ideias filosóficas. Poesias que tratem da história da filosofia poderão ser feitas pelo(a) professor(a) e por estudantes, de diferentes turmas, que possam com as suas contribuir. Nesse sentido, é bom que seja feito um arquivo de poesias, seja numa pasta de papel, seja em pasta de computador, as quais poderão ser trocadas e apresentadas em turmas e grupos diversos. Ademais, de preferência, que sejam feitas em diálogo fecundo com a Língua Portuguesa. O trabalho interdisciplinar pode ser, portanto, muito valioso.

A poesia facilita a assimilação de conteúdos, podendo enriquecer imensamente o aprendizado, quer seja de Filosofia, quer de Língua Portuguesa, quer de Arte, a qual também pode entrar no trabalho interdisciplinar. Com efeito, ao lidar com a poesia, cada estudante toma contato com a versificação, a construção de estrofes, com as rimas e sílabas poéticas, entre outros elementos do estudo linguístico da poesia. Mais diálogos interdisciplinares são possíveis: com a História, com a Geografia, a Matemática, etc.

Outro elemento que a criação de poesias filosóficas põe em ação é o aprendizado de novas palavras, por conta da poesia demandar leituras, pesquisa, estudo de recursos poéticos, etc. Poesias simples, sem muito rigor, pelo fato de nem o(a) professor(a) de Filosofia, nem as suas e os seus estudantes serem poetas de profissão. Vale a pena tentar. Para tanto, o conhecimento, advindo do aprendizado constante, tornar-se imprescindível: conhecimento básico de filosofia, de língua portuguesa e da arte.

FILOSOFIA EM POESIA 2:

A FILOSOFIA DE SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES (Prof. José Antônio Brazão.)

Dentre outros, três grandes filósofos

O mundo grego produziu

Em Atenas, cidade-estado, pelo logos

Um antropológico pensamento se infundiu.


Questões humanas, simples e doutas,

Puseram eles em discussão,

Da ética, da política e outras,

Em busca de mais clara compreensão.


Ao ouvir do deus do Sol, por amigo, o elogio,

Sócrates às ruas e praças a sair

E com muitas pessoas, nos dias, por horas a fio,

Questões diversas pôs-se a discutir.


De jovens e adultos, homens e mulheres, amigos,

Sócrates as mentes, dialogando, abriu

Mas acusado falsamente por inimigos,

Condenado, após beber sicuta, à eternidade partiu.


Discípulos de suas palavras lembraram

Para as socráticas ideias não perder

A forma de diálogo Platão e Xenofonte aplicaram

E por palavras e escritos as resolveram vivas manter.


Nos socráticos platônicos diálogos, o amor, o poder e a guerra,

Por seu valor, vieram a aparecer,

Também coisas divinas e coisas da Terra,

A atenção do discípulo filósofo puderam merecer.


Enfrentando do pensamento novos desafios, divergindo dos sofistas,

Filósofos-professores no mundo grego itinerantes,

Para além das ideias desses pensadores relativistas,

A verdade e os valores são realidades vivas e operantes.



Platão, seguindo os passos do mestre,

Muito dele, por anos, incansavelmente, aprendeu

E mesmo com a morte de Sócrates

De seus pensamentos e valores jamais se esqueceu.


Da caverna um mito ou alegoria

Em A República uma história a todos contou

Uma prisão de pessoas, sem vera alegria,

Naquele lugar subterrâneo imaginou.


Homens, mulheres, meninas e meninos

Naquela caverna, voltados para um paredão

Se encontravam presos desde pequeninos

E ali de sombras vistas criam na ilusão.


Certo dia, um dos prisioneiros foi liberto

Obrigado a sair, ficou da luz de uma fogueira quase cego,

Mas por um caminho a saída e lá fora, por esforço certo,

Vendo coisas novas, a verdade, superou o mal do ego.


Voltando à antiga prisão,

Para as coisas belas e novas lá de fora

Dos amigos e amigas chamou a atenção

Sair da caverna seria, de fato, boa hora.


Apesar de pelos ex-companheiros mal julgado,

O liberto não desistiu

Da verdade, insistente e ousado,

Ainda que sob risco de morte servil.


Para além daquela imaginária história,

Num mundo imutável Platão vinh’acreditar

Das ideias, formas perfeitas e eternas, pela memória,

Reminiscência, meio para as almas presas do sensível mundo se libertar.


No mesmo político livro, sem aristofânicas galhofas,

Uma cidade ideal o filósofo apresentou,

Governada por filósofos e filósofas

O platônico pensamento vislumbrou.


Em diálogos, seguindo do antigo mestre a ironia e a maiêutica,

Sobre o amor, a imortalidade e a justiça escreveu

Das discussões à maneira socrática

Calorosos debates Platão descreveu.


Em Atenas, uma nova escola Platão fundou

Da filosofia e das verdadeiras artes o conhecimento

Nova maneira de encarar se disseminou,

Abrindo de grandes discípulos, por séculos, o entendimento.


Destacando-se entre todos, na Academia, entre eles,

Um macedônico discípulo apareceu,

Nobre intelectual, filho de médico da corte, Aristóteles,

O Leitor por Platão apelidado, o nome era seu.


Tendo muito lido e pelo imenso empenho destacando,

Aristóteles homem extremamente culto se tornou,

Do mestre Platão, um mundo das Ideias não aceitando,

Nem ideais, uma filosofia muito própria fundou.


Em seus livros, condensou-se o aristotélico conhecimento:

Política, Ética, Física, Metafísica, do mundo e da natureza,

Pois por muitos temas  interessou-se seu filosófico pensamento

E sobre todos eles escreveu e, no Liceu, ensinou com segurança e muita destreza.


Ideias grandes teve o estagirita

Por estudos muitos contidas no pensamento

Do mundo seria mais rica pepita,

De aurífera grandeza, o conhecimento.


Sabendo de Empédocles as sentenças,

Aristóteles concordou que por quatro elementares

Princípios são feitas as coisas terrenas:

Terra, água, ar e fogo, esteios basilares.


Conforme reflexões do agrigênteo,

Arqués unidas por força do Amor

E desarticulados pelo Ódio,

Princípios de união e desagregação.


Para dar à linguagem fundamentação,

Criou Aristóteles o raciocínio silogismo:

De duas premissas tirando a conclusão,

Na lei geral o caso particular necessaríssimo.


Do que são os céus feitos,

Perguntava-se o peripatético,

De modo a serem tão perfeitos,

Senão do éter puro, arquetípico?


Do aristotélico éter a tese, há tempos, descartada,

Hoje, de cósmicas ondas gravitacionais o requinte,

Na união espaço-tempo, a hipótese comprovada

De um germânico cientista do século vinte.


Mas para Aristóteles e seu tempo um universo geocêntrico

Era, por conta do senso comum, uma imensa certeza,

Composto de planetares círculos concêntricos,

De cósmica harmonia e extrema beleza.


Sobre a queda dos graves corpos refletindo

Na sublunar, terrena, realidade,

O mais pesado ao chão primeiro acaba indo

Eis algo do que cria ser a mais pura verdade.


Matutando da ética o humano destino,

Acerca do que seria a virtude

Concluiu ser esta do meio o caminho,

Como a temperança, no correto alimentar atitude.


Num poeta consagrado, há trechos poéticos, como Dante Alighieri, em sua A Divina Comédia, que citam filósofos. No caso de Dante, o exemplo a seguir:


“Honrarias todos vão lhe oferecer;

Sócrates vejo entre eles e Platão,

mais próximos que os outros, a o entreter.


Demócrito que o acaso faz razão

do mundo, e Annaxágoras e Tales,

Empédocles, Heráclito e Zenão;


Dioscórides que às plantas deu avales,

e Túlio, Lino, Diógenes e Orfeu;

Sêneca, que indagou do mundo os males;


o geômetra Euclides, Ptolomeu,

Hipócrates, Avicena e Galeno,

e Averróis que o Comentário nos deu.”


(Trecho da primeira parte de A Divina Comédia, intitulada Inferno, Canto IV, versos 133 a 144. Ver citação completa no Referencial Bibliográfico.)


Trechos de poetas e poetisas consagrados(as) que façam citações de filósofos e filósofas podem ser também úteis no trabalho de ensino-aprendizado de Filosofia com o auxílio de poesias, aqui acrescidos às poesias feitas pelo(a), professor(a) e\ou por estudantes. Vale lembrar sempre da rica interdisciplinaridade com a Língua Portuguesa!

FILOSOFIA EM POESIA: HELENISMO e PATRÍSTICA. (Prof. José Antônio Brazão.)

FILOSOFIA EM POESIA: FILÓSOFOS DO HELENISMO:

(Prof. José Antônio Brazão.)

Quatro séculos antes de Cristo passados

Macedônicos reis seu reino estenderam

E entre os povos dominados

Encontrou-se o povo grego.


Admirando da cultura da Grécia a beleza,

Alexandre Magno, de Aristóteles pupilo,

No império espalhou daquela a grandeza:

A arte, a língua, a filosofia e o arquitetônico estilo.


Neste contexto, com perda da cidadania antiga,

Não mais cidades livres, em seu conjunto,

Vinha surgindo cosmopolita perspectiva

E, no filosófico pensar, novo encarar do mundo.


Novas escolas, de socrática influência,

Nasceram em cada império,

Por alcançar da vida nova ciência

Puseram esforço dedicado e sério.


No caminho do saber racional,

Duvidar das verdades propunham os céticos.

Não havendo verdade universal,

Descrer da tradição seria certo.


Controle dos desejos, das paixões e dos desejos

Propunha a escola dos filósofos estoicos,

A fim de dominar daqueles a impulsividade,

Por muitos perigos esta registrar históricos.


Pelas humanas sociais convenções

Radicalizando o desprezo, em palavras e ações,

Os filósofos chamados cínicos

Foram por comparar-se aos caninos.


Controlavam os cínicos dos desejos as preocupações,

Entre eles estava Diógenes, ao morar em Atenas,

Negando as riquezas e humanas ilusórias atenções,

Em um simples barril morava apenas.


Pelo Grande Alexandre admirado,

Perguntado sobre o que o rei lhe poderia fazer,

Somente do Sol, por Diógenes tomado,

Da frente lhe daria grande favor poder sair.


Morto Alexandre, seus generais o sucederam

O macedônico império então dividiram

E em seus reinos a grega cultura mantiveram,

Afetados que estavam por alexandrina admiração.


Séculos seguiram e por novo império dominado

Foi o povo grego pelo romano, parte a parte,

Mas igualmente acabou este sujeitado

Pela cultura daquele e sua arte.


Fugindo do cínico radicalismo,

Devotaram ao prazer vital valor

Os seguidores do epicurismo

E, com equilíbrio, fugir da dor.


Epicuro, descrendo dos deuses a influência,

Deles havia ensinado a discípulos não terem medo,

Pois, sendo tudo por átomos feito,

Ao morrer, os seres perdem a vital existência.


No Romano Império, no período cristão,

Plotino, de Amônio, em Alexandria discípulo,

Com o mestre redescobriu as ideias de Platão,

Construindo na filosofia novo idealismo.


Do Bem, perfeita Forma, o neoplatônico,

Relendo de Platão, via o Uno,

Transcendendo dos seres a realidade, Único

Infinito, puro, perfeito e pleno.


Em Alexandria, no Egito, numa biblioteca tesouros

Do antigo saber suas estantes guardavam,

Livros em pergaminhos, papiros e outros,

E em suas salas grandes intelectuais estudavam.


Aí conviveram Eratóstenes, Ptolomeu, tantos

Homens e mulheres, destacando-se entre todos

A grandiosa filósofa e professora Hipácia,

Que dominava a grega sabedoria com audácia.


Defrontada por religiosos que a atacavam,

Por mulher sábia e independente ser,

Mas sua liberdade intelectual não atingiram,

E ela preferiu antes a morte que dobrar-se a um fanático poder.

FILOSOFIA EM POESIA: FILOSOFIA PATRÍSTICA (Prof. José Antônio Brazão.)

Com o secular grego

Filosófico entendimento

Teve que se haver, no início,

O cristão pensamento.


Da Grécia a língua se usou

E o nome de Cristo por ela

A muitos povos se levou

Abrindo ao mundo uma nova janela.


Cristãs biografias, textos, cartas

Nas neotestamentárias escritas

Por meio de gregas palavras e letras

Mensagens de vida foram ditas.


Logos, discurso e razão

Logos (palavra) falado

Logos expresso por João

Logos carne divina tornado.


Com helenísticos filósofos ateus

Paulo Apóstolo, em Atenas, teve inquirição

Mas despediram-se estoicos e epicureus

Por não crerem na ressurreição.


Nos séculos que então se seguiram

A fundamentação e a defesa da fé mística

Intelectuais cristãos a tarefa assumiram

Íntegros em santidade, Pais da Igreja – Patrística.


Desconfiado da grega filosofia

Por ver nela o risco de heresia,

Na defesa da fé insistente

Tertuliano, culto e crente.


Justino e Clemente, outros sábios da nova religião

A lógica estrutura do filosófico pensamento

Empenharam-se, na doutrina, com boa intenção,

Tornar presente em cada argumento.


Defrontando-se com as dúvidas do ceticismo,

O Bem e o Mal do pensar maniqueísta,

Com o neoplatonismo e o cristianismo,

Da fé Agostinho tornou-se mais um apologista.


Em suas Confissões, o hiponense expôs sua vida

Na Cidade de Deus, a bíblico-platônica cidade

Já a Educação no De Magistro é refletida

A iluminação conduz à suprema verdade.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

FILOSOFIA EM POESIA: A FILOSOFIA ÁRABE E A ESCOLÁSTICA (Prof. José Antônio Brazão.)

FILOSOFIA EM POESIA: A FILOSOFIA ÁRABE MEDIEVAL:

(Prof. José Antônio Brazão.)

Nos séculos seis e sete, na Península Arábica,

A islâmica religião surgiu,

Por Maomé a fé corânica,

E uma nova civilização construiu.


Dominando de partes da Ásia à África do Norte,

Avançada nos medicinais conhecimentos,

Com a filosofia grega, um contato forte,

Por descobrir coisas novas e delas ter novo entendimento.


Alto amor ao aprender devotando,

Com observatórios e belíssima arquitetura,

A astronomia também estudando,

Alcançou dos céus imensa cultura.


Nos séculos seguintes, de tradução

Imenso movimento se empreendeu.

Textos de tecnologia, de medicina e de toda educação,

O saber nessa civilização se desenvolveu.


A matemática hindu numeração

O comércio e outros usos facilitou,

Mais simples de calcular por se tornar a ação,

Até do universo a compreensão aumentou.


Filósofos judeus e árabes

Com a filosofia grega se depararam,

Maimônides, Al-Ghazali, Al-Kindi, Avicena e Averroes

Com Platão, Plotino, Aristóteles se defrontaram.


De gregos e Aristóteles, em comentários de grande riqueza,

E uns também na medicina, outros no Direito,

Na  matemática ou no interpretar da natureza,

Cada filósofo buscou um conhecer mais perfeito.


Forte influência, no pensamento europeu,

Nas escolas e nas medievais universidades,

Todo esse movimento exerceu,

Trazendo novas e questionadoras verdades.


O embate de ideias

De cristãos, pagãos e islâmicos filósofos,

Efervesceu estudantis e doutorais plateias,

Ávidas por discutir e descobrir saberes novos.


FILOSOFIA: A ESCOLÁSTICA: (Prof. José A. Brazão.)

Dos feudos a nova era

Servos nos campos a trabalhar,

De guerreiros e eclesiásticos senhores de terra

Tributos, dízimos e serviços a pagar.


Uma vida rigorosa e dura

De trabalho nos campos nem sempre férteis

Sulcando e plantando a terra pura,

Cerzindo com lã e couro grosseiros têxteis.


Cercados de perigos e de doenças férreas,

De cruzadas contra mouros,

Tempos sombrios de guerras

Para expandir de reis os reinos e tesouros.


Tempo de mosteiros e castelos

De românica arquitetura em posição

Tempos depois, em cidades e vilarejos,

Igrejas e prédios de gótica construção.


Do secular intelectual trabalho de monges e teólogos

Cópias e trocas de textos antigos em estudo,

De gregos e muçulmanos filósofos

Pelas cruzadas e aumentado comércio obtidos.


O aprendizado em escolas monacais,

Muito além do tempo a brevidade,

Também acrescido estudo em escolas catedrais

E, além delas, as primeiras universidades.


Associações de ofício de alunos e professores, com certeza,

As universidades, de início, eram

Incorporadas foram pela Católica Igreja,

Institucionalizados centros de estudos se tornaram.


Filosofia nova aí se gestava e expandia,

Calorosos embates aí se punham de pé,

Platônicas e aristotélicas novas ideias se debatia,

Argumentos contra e em prol da doutrina e da fé.


Dentre os intelectuais da escolástica, “crânios”,

Leitores, professores e pesquisadores em ação,

Franciscanos, agostinianos e dominicanos

Se destacavam na empreitada da razão.


Tempo de heresias, doutrinas contrárias à fé católica,

Do confronto de pensamentos religiosos e ateus,

Demanda de Anselmo a prova teórica

De certeza da existência de Deus.


O décimo terceiro século caminhava,

Na Universidade de Paris,

Um dominicano culto ensinava

De aristotélicas ideias a matriz.


Alberto, Magno por ser grande

Em teológicos e filosóficos conhecimentos,

Com aristotélicos livros na mesa e na estante,

Decifrando e divulgando destes os pensamentos.


Um jovem monge beneditino,

Certo dia, na parisiense universidade,

Por nome Tomás de Aquino,

Com Alberto, encarou a aristotélica novidade.


Tempos depois, entusiasmado,

A beneditina ordem deixando,

Por mais que riquezas, no conhecer interessado,

Dominicano Tomás acabou se tornando.


Com o Magno mestre, no aprender alegrias,

Adequar às doutrinárias católicas crenças

As aristotélicas afirmações e teorias,

Para não se perderem estas pelas diferenças.


Pois nestas criam algo muito valioso ter,

Que perdido não poderia ser:

A estrutura e os argumentos da Lógica,

A visão da Física, da Ética e da Política.


Por cinco vias, Aquino a existência

De Deus empreendeu demonstrar,

Ainda que não chegando deste à pura essência,

A platônica e a aristotélica filosofias nelas ousou usar.


Provas do Primeiro Motor e da Primeira das causas,

Do ser necessário e dos seres contingentes em ação,

Dos graus de perfeição,

Da finalidade e do governo das coisas.


Guilherme de Occam a Escolástica completa,

Uma navalha lógica veio a criar:

Para fenômenos entender, explicação complexa

É desnecessária, se uma simples os consegue explicar.


Criticando de papas nas ações e no poder

De reis e imperadores quererem interferir

Por crerem destes honras e obediência a receber,

Occam, por ver nisto erro, ousou intervir.  

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

FILOSOFIA EM POESIA: ABECEDÁRIO DE GALILEU GALILEI. (Prof. José Antônio Brazão.)

Um instrumento ou recurso didático positivo e interessante para o ensino e o aprendizado de Filosofia é a poesia. Aqui vai mais uma. É uma poesia simples. Professor(a), faça você também. Bons livros de poetas e de filósofos(as) que escreveram poesias poderão ajudar você a aprender. E faça bom proveito!
E para quem não tem muito contato com a filosofia e a quer aprender, a poesia pode ajudar muito. Neste site há outras. Vá a Postagens Antigas, clique e encontre. Aprenda sempre!

FILOSOFIA EM POESIA: ABECEDÁRIO DE GALILEU GALILEI

(Prof. José Antônio Brazão.)

Astrônomo, matemático e professor,

Ao entendimento do cosmos

Aplicou Galileu seu intelectual pendor.

 

Bem do universo a linguagem compreendeu,

De símbolos e leis matemáticas composto,

Como Pitágoras, outrora, também entendeu.

 

Com as ideias de um polonês sistemático

Em seus muitos estudos e leituras topou,

Nicolau Copérnico chamado, astrônomo e matemático.

 

De um mundo heliocêntrico Copérnico falava,

Pondo em cheque a crença ptolomaica

Sobre um mundo geocêntrico de que esta versava.

 

Era Galileu curioso e de coisas novas buscador,

Com holandesa nova invenção certo dia topou,

Um tubo com lentes, ocular, das imagens ampliador.

 

Fez da luneta um astronômico instrumento,

E coisas nunca antes vistas descobriu

Acerca da Lua, de tantos outros astros, do firmamento.

 

Grandes crateras, vales e montanhas na Lua,

Com o telescópio as sombras desta enxergou,

Muito além daquilo que mostrava a vista nua.

 

Haver nos astros uma etérea lisura de cristal

Aristóteles, o grego filósofo, não dizia?

Pois a nova visão com a velha, agora, não batia!

 

Instantânea e clara visão a luneta-telescópio

Dos astros do universo ao italiano apresentava

E, a cada dia, mais coisas novas este enxergava.

 

Júpiter, rodeado por quatro luas,

Que, de fato, não eram estrelas,

De tanto o observar, Galileu concluiu serem suas.

 

Kepler, com quem o professor correspondia,

Tempos depois, das planetárias órbitas

O movimento elíptico descobriria.

 

Lindas estrelas e novas constelações,

Para além dos céus comuns, Galileu avistou

E da Via Láctea teceu novas considerações.

 

Manchas no Sol, como isto é possível?,

Ao apontar o telescópio, Galileu constatou,

Fato diante do qual ele se admirou.

 

Nova contestação da aristotélica teoria,

Etérea pureza no Sol não havendo,

A antiga concepção se contradizia.

 

Outras descobertas fez Galileu com o telescópio:

Sombras em Vênus, anéis em Saturno

E muitas observações por noites a fio.

 

Pondo-se a estudar, com experimentos, dos corpos as quedas,

Ainda que com pesos bem diferentes, entre outros,

Viu caírem simultaneamente grandes e pequenas pedras.

 

Quanto viu, com tais experimentos,

De corpos leves e pesados diversos tempos de queda

Derrubou o então aceite aristotélico argumento.

 

Repetidamente transmitidas aristotélicas verdades

E teorias, que gente de ciência então acreditava e lia,

Fortalecidas eclesiasticamente por textos da Bíblia.

 

Sabedor do copernicano heliocêntrico sistema

E o defendendo com todas as suas forças e descobertas,

Galileu deparou-se com agudas acusações a ele abertas.

 

Tantos questionamentos feitos a princípios de religiosa aceitação

Preocuparam eclesiásticas autoridades,

Levando Galileu ao Tribunal da Santa Inquisição.

 

Uma forte repreensão caiu sobre o cientista

Que, por não crer mais na científica tradição,

Condenado foi a domiciliar perpétua prisão.

 

Viu alguém, na saída do tribunal que o condenara,

Que baixinho Galileu firmemente dizia

Mover-se, por si mesmo, o planeta Terra.

 

Windows, finestre,  ventanas, em quaisquer línguas e povos,

Janelas de entendimento do cosmos e da realidade natural

Os livros de Galileu Galilei abriram para o mundo atual.

 

Xícara de chá tomava, em sua casa,

E, entre um e outro cálculo e pensamento,

Continuando a buscar da natureza o conhecimento.

 

Yin Yang, Caos e Cosmos, o nada e o infinito, agora e por eras além,

Oh, humanidade, em diversos lugares e tempos, você sempre quis entender.

Vigiado, mas na alma livre, Galileu da investigação o intuito mantém.

 

Zarpando nas velas da ciência, Galileu, com razão e experimentos, descobriu

No oceano de lembranças, questionamentos, cálculos e raciocínios,

E, mesmo após cego, sobre diversas leis da natureza novos caminhos abriu.