domingo, 9 de abril de 2023

SEGUNDO BIMESTRE - AULA 11 DE TÓPICOS DE CIÊNCIAS HUMANAS DO PRIMEIRO ANO: O ANHANGUERA (Prof. José Antônio Brazão.)

  SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

COMANDO DE ENSINO POLICIAL MILITAR

 CEPMG - VASCO DOS REIS

Divisão de Ensino / Coordenação Pedagógica


SEGUNDO BIMESTRE:

AULA 11 DE TÓPICOS DE CIÊNCIAS HUMANAS DO PRIMEIRO ANO:

INTRODUÇÃO (Prof. José Antônio Brazão.):

Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como Anhanguera (palavra indígena que significa “diabo velho; gênio manhoso e velhaco [esperto...]”, de acordo com o Dicionário Oxford Google), é o nome tanto do pai (português) quando do filho (brasileiro, paulista). Ambos vieram a Goiás em busca de vida melhor e até mesmo de riqueza (busca do tão desejado ouro).

Ambos seguiram as ações comuns dos bandeirantes: caça e escravização de índios (uma razão provável pela qual o pai adquiriu o apelido), recuperação de escravos fugidos, terras, reconhecimento de terrenos novos, busca de ouro, pedras preciosas e semipreciosas. Na imagem (estátua) da Avenida Anhanguera, em Goiânia, pode-se ver arma de fogo (arcabuz), espada e bateia: a arma de fogo e a espada de metal potencializaram o poder dos bandeirantes em relação a índios e escravos fugidos, além de animais de caça ou ameaça; a bateia, lembrando a grande vontade de encontrar ouro por onde iam, com destaque para Goiás.

Havia, é claro, um pouco de senso de aventura, mas principalmente de necessidade econômica aliada a uma grande ambição. Quanto ao ouro, ambos sabiam que deviam prestar contas à Coroa Portuguesa, que cobrava impostos de produtos diversos e o quinto do ouro. A necessidade econômica, pois precisavam trabalhar para ganhar o necessário para que pudessem viver e manter-se. A ambição, em razão do desejo de riqueza e, sem dúvida, de certo poder. Diante disto, a coragem, aliada à ambição, não lhes faltou.

Vejamos o que se diz a respeito do Anhanguera filho. O texto é da Apostila de Cultura Goiana do Comando de Ensino da Polícia Militar de Goiás: aula 3 do segundo bimestre. Nela serão apresentados elementos essenciais a respeito dessa figura histórica tão importante para a formação histórica de Goiás.

“Aula 3:

Conteúdo: O Anhanguera(filho)

Habilidade: (EM13CHS301)

Objetivo de aprendizagem: (EM13CHS301) Analisar e avaliar os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escala de análise, considerando ao modo de vida das populações locais e o compromisso com a sustentabilidade.

Sugestão de estratégia: o texto a seguir poderá ser usado como um ponto de partida.

1.2. O Anhanguera(filho)

Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, nasceu no ano de 1672, em Parnaíba, São Paulo. Faleceu no ano de 1740, na então Vila de Goiás. Segundo ( GARCIA ; MENEZES , 2008 ), entre as várias bandeiras que chegaram até o território goiano, a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, foi a mais importante. Devido ao fato dele ter acompanhado seu pai em uma expedição que teria encontrado pistas sobre a existência de ouro em solo goiano. Aos 50 anos de idade, na ocasião em que solicitou junto as autoridades portuguesas permissão para formar uma bandeira e retornar ao território goiano. Seu objetivo era seguir a mesma rota feita pelo seu pai no passado.

A bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, partiu em direção ao sertão no dia 3 de julho de 1722:

Essa bandeira passou três anos no sertão de Goiás sem dar notícias ao governador da capitania de São Paulo.  Em alguns momentos e você perdeu: às vezes se distancia muito do roteiro anterior, outras vezes seus componentes se desentendiam sobre as rotas que tinham que seguir. O fato é que demoraram muito tempo para encontrar o ouro.  Entretanto, finalmente o encontrou para notícias de suas descobertas, e Bartolomeu, em outubro de 1725, chegou de volta a São Paulo (GARCIA; MENEZES, 2008, p. 63).

Assim sendo, Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, conseguiu alcançar êxito. Era um bandeirante que dizia que preferia morrer do que voltar à São Paulo fracassado. Após três anos, desde o início de sua expedição, no dia 21 de outubro de 1725, voltou triunfante à capitania de São Paulo. Informando que tinha descoberto cinco veios auríferos, nas cabeceiras do rio Vermelho, futura cidade de Goiás. Considerados tão ricos como os que existiam em Cuiabá, no Mato Grosso: " Poucos meses depois da volta da bandeira, organizou-se em São Paulo, uma nova expedição para explorar as minas. Bartolomeu Bueno, voltava com o título de superintendente das minas " ( PALACÍM ; MORAES , 2006 , p . 11 ).

Nesse sentido, o processo de ocupação e povoamento de Goiás iniciou-se a partir atividade mineradora. Com a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, que como dissemos acima foi a mais importante devido ao seu êxito no que diz respeito a descoberta do ouro nas terras goianas: " Sob o signo do ouro iniciava-se a incorporação de Goiás na História " (PALACÍN , 2001 , p.22 ).” (COMANDO DE ENSINO DA POLÍCIA MILITAR DE GOIÁS. Apostila de Cultura Goiana do Segundo Bimestre. Goiás, década de 2010.)

 

COMENTÁRIO DO PROF. JOSÉ ANTÔNIO BRAZÃO:

Como se pode ver, o ouro foi um elemento fundamental para a “incorporação de Goiás na História” (trecho final da aula 3 do texto da Apostila citada). Metal precioso, o ouro, no decorrer da história humana, teve grande peso nas buscas e nas aventuras humanas. Por conta dele, povos foram exterminados, outros foram escravizados (no todo ou em grande parte), guerras ocorreram, pirataria, entre outras ocorrências. Na história de Goiás, sem dúvida, não foi diferente, principalmente com o empenho do Estado Português (Coroa Portuguesa) em obtê-lo.

Era do absolutismo e do mercantilismo. De acordo com o UOL EDUCAÇÃO:

“ O mercantilismo chegou ao Brasil por meio dos portugueses. Desde a chegada de Pedro Álvares Cabral, em 1500, os colonizadores buscavam encontrar ouro no litoral brasileiro. A notícia de que os espanhóis encontraram metais precisos fizeram com que os portugueses aumentassem a procura no Brasil. Como não encontraram de imediato esses metais, eles resolveram explorar outras mercadorias que também tinham valor no mercado externo.

Com o êxito da produção de açúcar no Nordeste brasileiro, os portugueses implantaram o Pacto Colonial ou o exclusivismo colonial. Com isso, o Brasil Colônia só poderia comercializar com a metrópole portuguesa. Dessa forma, Portugal obteve o controle de toda a riqueza extraída de sua colônia brasileira.” (UOL MUNDO EDUCAÇÃO. Mercantilismo. Disponível em: < https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/mercantilismo.htm#:~:text=Suas%20principais%20caracter%C3%ADsticas%20s%C3%A3o%3A%20ac%C3%BAmulo,mercadorias%20e%20no%20Pacto%20Colonial. > Acesso em 07/04/2023.).

E ainda:

“O mercantilismo foi um conjunto de práticas e ideias econômicas que vigorou na Europa, durante os séculos XV a XVII, ao longo da crise do sistema feudal e na formação do capitalismo. Suas principais características são: acúmulo de metais preciosos, incentivo à manufatura, intervenção do Estado na economia, balança comercial favorável e protecionismo. Os tipos de mercantilismo são o comercial e o industrial. No Brasil, o mercantilismo se materializou no comércio de mercadorias e no Pacto Colonial.” (UOL MUNDO EDUCAÇÃO. Mercantilismo. Disponível em: < https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/mercantilismo.htm#:~:text=Suas%20principais%20caracter%C3%ADsticas%20s%C3%A3o%3A%20ac%C3%BAmulo,mercadorias%20e%20no%20Pacto%20Colonial. > Acesso em 07/04/2023.).

Uma característica marcante do mercantilismo português em relação ao Brasil e a outras colônias foi a intervenção estatal na economia. Com toda certeza, o Reino de Portugal empenhou-se  em fornecer navios, obter registros e informações, sendo que o primeiro registro, vale lembrar, foi a Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal. Até mesmo em relação aos bandeirantes, como bem atesta o texto do texto da apostila do Comando de Ensino da Polícia Militar de Goiás: “Aos 50 anos de idade, na ocasião em que [Bartolomeu Bueno da Silva, o filho] solicitou junto as autoridades portuguesas permissão para formar uma bandeira e retornar ao território goiano. Seu objetivo era seguir a mesma rota feita pelo seu pai no passado.” (Ver citação completa ao final, em Referências. O que está entre chaves e o negritado sublinhado são meus). Ou seja,  a permissão do Estado Português era imprescindível para que bandeirantes pudessem se aventurar em busca do tão sonhado e desejado ouro e das pedras preciosas.

E por que Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, “preferia morrer do que voltar à São Paulo fracassado”, como é dito acima? Porque seu pai já havia se empenhado decididamente na busca do ouro, porque ficaria certamente muito envergonhado ao voltar de mãos vazias diante de governantes que depositaram nele tanta esperança, além da honra e, é claro, da ambição desmedida. O Anhanguera Filho sabia muito bem o que representava o encontro do ouro: riqueza, prestígio, poder, memória futura, glória.

A descoberta do ouro no Rio Vermelho, com o tempo, em outras localidades, contribuiu para que a Vila Boa, depois chamada Cidade de Goiás, viesse a se tornar sede daquela que viria a se chamar Capitania de Goiás. Ouro encontrado, muita gente iria às regiões mineradoras em busca de vida melhor e também de riqueza.

De acordo com Ubajara B. Leite e Marília Steinberger:

“Goiás entrou para a história da colonização graças à exploração do ouro, que começou em 1725. O território denominado ‘Minas dos Goyazes’, localizado entre as produções auríferas existentes em Minas Gerais e Mato Grosso, já havia sido visitado no final do século XVII, por bandeiras paulistas e expedições jesuíticas vindas de Belém com a expectativa de encontrar ouro (Palacín, 1994). Para esse autor, o ciclo do ouro é composto por três fases ‘quase fatais: descobrimento, um período de expansão febril – caracterizado pela pressa e semianarquia – depois, um breve mas brilhante período de apogeu e, imediatamente, quase sem transição, a súbita decadência como uma lenta agonia’ (Palacín, 1994, p. 13). Em Goiás, esse ciclo iniciou-se com a descoberta feita pela bandeira liderada por Bartolomeu Bueno da Silva, o ‘Anhanguera’, que encontrou córregos auríferos na região da Serra Dourada, onde foi fundado o arraial de Sant’Anna, depois chamado de Vila Boa, atual cidade de Goiás. A vinda de outros exploradores propiciou a criação de Meia Ponte (atual Pirenópolis), Crixás, São José do Tocantins (atual Niquelândia), Guarinos e Pilar de Goiás, que surgiram com a expansão das descobertas para o norte do atual território de Goiás, a partir da Serra dos Pirineus, no rio das Almas até alcançar os rios Maranhão e Tocantins.

O crescimento contínuo da produção de ouro gerou a demanda por um aparato administrativo mais estruturado pela Coroa, o que a levou à decisão pela autonomia de Goiás em relação à Capitania de São Paulo. Assim, se instalou o primeiro governo da nova Capitania em 1749, época em que se alcançou o apogeu da sua produção aurífera. A fase da decadência começou a partir de 1780, quando a agropecuária assumiu o protagonismo na economia goiana (Bertran, 1978).” (LEITE, Ubajara Berocan & STEINBERGER, Marília. A NOVA REGIÃO MINERADORA DE GOIÁS: UMA PROPOSTA DE DELIMITAÇÃO. Disponível em: < https://dialnet.unirioja.es › descarga › articulo > Acesso em 07/04/2023. Pp. 307-308.) (Negritado meu, destaque importante.)

Como se pode ver pelo texto acima, o ouro impulsionou a formação de vilas, que viriam a se tornar pequenas cidades, e o surgimento da própria Capitania de Goiás, modo encontrado pelo Reino Português para poder exercer um controle próximo da produção, facilitando a cobrança dos impostos devidos e especificamente do quinto (quinta parte) do ouro obtido. O ouro, tanto de Goiás, como de Minas Gerais, como do Mato Grosso, ia pôr em movimento a economia da metrópole portuguesa – Portugal, de fato, viria a se firmar, mais ainda, como potência econômica, política e marítima daquele tempo, junto com a Espanha e outros países europeus, como a Inglaterra, a Holanda e a França. A Inglaterra, aliás, fez grande comércio com Portugal, recebendo muitos pagamentos em ouro!

A diferença entre Inglaterra e Portugal, nesse período, estaria no uso da riqueza em investimento em manufaturas que viriam, tempos depois, se transformar em fábricas, indústrias, na era da Revolução Industrial. Aliás, vale lembrar que, no século XVIII, época do ouro em Goiás e até em outras partes do Brasil, a Inglaterra já vinha entrando na Revolução Industrial, que viria a transformá-la num império enorme entre os séculos XVIII, XIX e primeira metade do século XX, sendo, ainda hoje, um país muito rico e influente no mundo. Outra preocupação inglesa: o investimento em ciência e em pesquisa. Basta lembrar do cientista inglês mais conhecido: Isaac Newton, que viveu entre os séculos XVII e XVIII. Muito ouro brasileiro, inclusive goiano, foi usado por Portugal no comércio com os ingleses.

Curiosamente, no início do século XIX (1808), com as invasões napoleônicas, a Família Real Portuguesa viria para o Brasil, com muitos membros da nobreza dela dependente, com o auxílio de embarcações inglesas, tamanho o interesse que os ingleses tinham no Brasil e em outras colônias portuguesas. E, como todo metal extraído da terra, em algum momento acaba, assim viria a acontecer com o ouro mineiro, mato-grossense e goiano. Particularmente, o goiano, do qual se falará um pouco mais adiante, com as jazidas (de rios e morros) exauridas.

Vale lembrar que, quando o Brasil se tornou independente de Portugal, entre 1822 (ano decisivo) e 1825 (ano do Tratado de Amizade), o Brasil teve que arcar com multa pesada e com o pagamento de dívida externa que Portugal tinha com a Inglaterra. Sem dúvida alguma, Portugal hoje tem grande importância econômica, política e até mesmo cultural dentro da Europa, ainda que não o esplendor e o poderio de outrora. A Inglaterra também não tem seu império como já teve antes, mas tem um poder econômico, científico e militar muito maior.

Dos impérios, mesmo os mais antigos da história humana, importante assinalar o que geralmente os manteve (e mantém), durante séculos e milênios: invasões, guerras, extermínios, escravidão, exploração, endividamento dos colonizados e de suas metrópoles, constante renovação e investimento em tecnologias, ainda que nem todas essas características juntas. No Brasil, destacando aqui Goiás colonial: extermínio de tribos indígenas, escravidão de negros africanos e índios, a exploração, a espoliação (extração de riqueza através do emprego do controle político-militar e da força), entre outros pontos.

Na próxima aula, um aprofundamento no impulso dado pelo ouro em Goiás, bem como questões ligadas à produção, ao comércio e ao imposto ligados a esse metal precioso. Mais adiante, a arte que se firmou, no Brasil, em Goiás e em outros lugares, bem na época do ouro: o barroco! Também a religiosidade que marcaria o período colonial goiano e que tem, ainda hoje, repercussões socioculturais.

Com relação à agropecuária e seu papel, com a decadência da mineração aurífera, também se falará no momento certo.

REFERÊNCIAS BÁSICAS:

COMANDO DE ENSINO DA POLÍTICA MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS. APOSTILA DE CULTURA GOIANA. [Década de 2010.] Documento impresso.

LEITE, Ubajara Berocan & STEINBERGER, Marília. A NOVA REGIÃO MINERADORA DE GOIÁS: UMA PROPOSTA DE DELIMITAÇÃO. Disponível em: < https://dialnet.unirioja.es › descarga › articulo > Acesso em 07/04/2023. Pp. 307-308.

ROMEIRO, Julieta et alii. Diálogo: Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. São Paulo, Moderna, 2020. (Seis volumes) [Livros didáticos.]

UOL MUNDO EDUCAÇÃO. Mercantilismo. Disponível em: < https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/mercantilismo.htm#:~:text=Suas%20principais%20caracter%C3%ADsticas%20s%C3%A3o%3A%20ac%C3%BAmulo,mercadorias%20e%20no%20Pacto%20Colonial. > Acesso em 07/04/2023.

SEGUNDO BIMESTRE - AULA 11 DE SOCIOLOGIA DOS SEGUNDOS ANOS: POLÍTICA E ESTADO ALGUMAS FORMAS HISTÓRICAS DE ESTADO MODERNO

 

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SEGUNDO BIMESTRE

AULA 11 DE SOCIOLOGIA DOS SEGUNDOS ANOS:

POLÍTICA E ESTADO

ALGUMAS FORMAS HISTÓRICAS DE ESTADO MODERNO:

(Tabela de Afrânio Silva e outros, no livro Sociologia em Movimento, p. 158):

ALGUMAS FORMAS HISTÓRICAS DO ESTADO MODERNO (Afrânio Silva e outros) (Parte 1):

 

ESTADO ABSOLUTISTA:

ESTADO LIBERAL:

ECONO-MIA

Mercantilismo: controle absolutista da economia. [Lembrete: era das Grandes Navegações e Descobertas, muitas coordenadas por estados absolutistas, em busca de novas terras, novos reinos e riquezas.]

IMAGENS (Mercantilismo, Wikipédia): https://fr.wikipedia.org/wiki/Mercantilisme#/media/Fichier:F0087_Louvre_Gellee_port_au_soleil_couchant-_INV4715_rwk.jpg

Capitalismo concorrencial: laissez-faire [deixai fazer], laissez-passer [deixai passar – ambas expressões indicam o desejo de liberdade de comércio, sem os entraves burocráticos do mercantilismo, com menor interferência do Estado na economia] (economia autorregulada pelo mercado); crescente monopolização do mercado [formação de monopólios em mãos de poucas empresas capitalistas].

POLÍTICA

Centralização da estrutura de governo (Forças Armadas, judiciário, tributação); indistinção entre o público e o privado [indistinção entre o que é o povo e o que é do rei ou da rainha].

IMAGENS (Absolutismo, na Wikipédia):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Absolutismo#/media/Ficheiro:Miguel_of_Portugal.jpg

Separação entre o público e o privado; soberania popular; Estado mínimo garante direitos individuais (segurança, propriedade, liberdade).

IMAGENS (Estado mínimo):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_m%C3%ADnimo#/media/Ficheiro:PolicistaCeskyTesin.jpg

 

SOCIE-DADE

Conflito entre estamentos [grupos resultantes da divisão social]: burguesia nascente versus clero e nobreza. Eventos que marcam seu fim: Revolução Francesa e Revolução Industrial [avançada].

IMAGENS (Revolução Francesa):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Francesa#/media/Ficheiro:Anonymous_-_Prise_de_la_Bastille.jpg

Conflitos entre classes trabalhadora e capitalista.

Evento que marca seu fim: Primeira Guerra Mundial (1914-1918) (conflito entre nações imperialistas).

IMAGENS (Primeira Guerra Mundial):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_Mundial#/media/Ficheiro:Countries_of_Europe-pt2.svg

https://it.wikipedia.org/wiki/Prima_guerra_mondiale#/media/File:Sarikam.jpg

OBS.:

REFERÊNCIAS:

SILVA, Afrânio et alii. Sociologia em Movimento. (Manual do Professor) 2.ed. São Paulo, Moderna, 2017.

WIKIPÉDIA. Verbete Analfabetismo Político e outros verbetes acima citados. Disponível em: <  https://pt.wikipedia.org/wiki/Analfabetismo_pol%C3%ADtico#:~:text=O%20Analfabeto%20Pol%C3%ADtico%20de%20Bertolt%20Brecht,-Bertolt%20Brecht%20em&text=Ele%20n%C3%A3o%20sabe%20que%20o,rem%C3%A9dio%20dependem%20das%20decis%C3%B5es%20pol%C3%ADticas.&text=e%20estufa%20o%20peito%20dizendo%20que%20odeia%20a%20pol%C3%ADtica. > Acesso em 17 de fevereiro de 2021.

WIKIPÉDIA. Mercantilismo, Absolutismo, Primeira Guerra Mundial, Estado Mínimo. Disponível em: <  https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal > Acesso em 15 e 16 de março de 2021.

   


SEGUNDO BIMESTRE: AULA 10 (COMENTÁRIO SOBRE OS JIN) E AULA 11 DE FILOSOFIA DOS PRIMEIROS ANOS: CONTEÚDO: OS SOFISTAS (Parte 2) (Prof. José Antônio Brazão.)

  

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SEGUNDO BIMESTRE:

OBS.: AULA 10: COMENTÁRIO APENAS DIGITADO 

SOBRE OS JOGOS INTERNOS, não presente no blog.

AULA 11 DE FILOSOFIA DOS PRIMEIROS ANOS:

 CONTEÚDO: OS SOFISTAS (Parte 2) (Prof. José Antônio Brazão.)

OS SOFISTAS (Parte 2) (Prof. José Antônio Brazão.)

Os sofistas foram filósofos professores itinerantes, isto é, que iam de um lugar a outro, por toda a Grécia, vendendo seus conhecimentos a quem os pudessem pagar. Eram professores de Retórica e Dialética, respectivamente: eloquência ou a arte de falar bem e com domínio em público; arte do diálogo, do debate, da discussão de ideias.  O uso das palavras de modo a convencer as pessoas e seus pares (no caso de políticos, outros políticos) para sua causa ou sua proposta.

IMAGENS (Debate em assembleia política na antiguidade):

https://www.google.com/search?q=debate+em+assembleia+pol%C3%ADtica+na+antiguidade&tbm=isch&ved=2ahUKEwjA7YntvffvAhXQl5UCHZf1B1oQ2-cCegQIABAA&oq=debate+em+assembleia+pol%C3%ADtica+na+antiguidade&gs_lcp=CgNpbWcQA1D4zAJYqvYCYIb_AmgCcAB4AIAByAKIAe4ckgEIMC4zLjEzLjGYAQCgAQGqAQtnd3Mtd2l6LWltZ8ABAQ&sclient=img&ei=wZhzYICJLtCv1sQPl-uf0AU&bih=597&biw=1242

IMAGENS (Debate em assembleia no mundo atual):

https://www.google.com/search?q=debate+no+senado+do+brasil&tbm=isch&ved=2ahUKEwiL7eeFvvfvAhUWp5UCHR-iDAQQ2-cCegQIABAA&oq=debate+no+senado+do+brasil&gs_lcp=CgNpbWcQAzoECAAQGDoCCAA6BAgAEB46BAgAEBM6CAgAEAgQHhATUOfsClj4xwtgndILaABwAHgBgAHGAogBujeSAQgwLjUuMjUuMZgBAKABAaoBC2d3cy13aXotaW1nwAEB&sclient=img&ei=9ZhzYMueJpbO1sQPn8SyIA&bih=597&biw=1242

Os sofistas ensinavam aos jovens e a adultos que queriam uma posição no mundo da política daquele tempo, sabendo usar as palavras com maestria (domínio), precisão e até mesmo fazendo uso de argumentos nem sempre verdadeiros. O que é um argumento?

De acordo com a Wikipédia:

“Um argumento pode ser definido como uma afirmação acompanhada de justificativa (argumento retórico) ou como uma justaposição de duas afirmações opostas, argumento e contra-argumento (argumento dialético).” (Wikipédia, verbete Argumento)

Argumento é uma afirmação (pode ser também uma negação) acompanhada de uma justificativa (RAZÃO, uma fundamentação, um porquê, etc.). Na vida do dia a dia até mesmo nós fazemos usos de argumentos para defender nossas ideias e posições quanto a determinados assuntos, temas, certas questões, etc.

Para se argumentar é preciso ter conhecimento e domínio das palavras e de seu uso – aí entram a Retórica e a Dialética, além da Gramática e outros conhecimentos referentes às palavras. Os sofistas antigos (e os atuais) sabiam (e sabem) fazer grande uso das palavras.

Até mesmo hoje, de onde vem o aprendizado das palavras, além da família em primeiro lugar? Vem da ESCOLA. Primeiramente, com o aprendizado da Língua Portuguesa, mas também com o aprendizado de todas as matérias escolares. Vem de CURSOS feitos ao longo da vida, nos quais a palavra seja continuamente requisitada. Vem da vivência no dia a dia, com amigos e outras pessoas. Da UNIVERSIDADE, onde muitas coisas são aprendidas e, junto com estas, a língua portuguesa e seu uso. Por meio dos LIVROS. Da TV.  Enfim, vem de MÚLTIPLOS MEIOS. Mas é preciso ficar atento(a) para que esse aprendizado da palavra ou das palavras seja bem cimentado em forma de conhecimentos úteis à vida, a si e à sociedade.

Semelhantemente, é o que ocorreu com os sofistas: ensinaram a  cidadãos da polis (cidade-Estado), recebendo por isto. Além Retórica e Dialética, o ensino da gramática (no caso, a gramática da língua grega antiga). Ensinavam o uso das palavras a juízes e magistrados também.

IMAGENS (HELIEIA em Atenas e outras cidades gregas antigas):

https://www.google.com/search?q=helieia+grecia&tbm=isch&ved=2ahUKEwjx1vfhvvfvAhVUtJUCHbfjCvUQ2-cCegQIABAA&oq=helieia&gs_lcp=CgNpbWcQARgCMgIIADIECAAQHjIECAAQGDoFCAAQsQM6CAgAELEDEIMBOgQIABADOgQIABBDOgcIABCxAxBDOgYIABAKEBhQv7-aAVju3JoBYP75mgFoAHAAeASAAbsDiAHSFpIBCDItMTEuMC4xmAEAoAEBqgELZ3dzLXdpei1pbWewAQDAAQE&sclient=img&ei=tplzYPGjMtTo1sQPt8erqA8&bih=597&biw=1242

Foi na Helieia de Atenas que ocorreu o julgamento de Sócrates, por exemplo, que será estudado depois dos sofistas, a seu tempo.

Magistrados (conhecedores das leis, como juízes, por exemplo), advogados e cidadãos eram chamados a participar de assembleias. É claro, na maioria das vezes, prevaleciam os julgamentos de quem apresentava maiores argumentos (ver, acima, o temo argumento).  Os sofistas davam uma mãozinha intelectual a estes também.

Górgias, sofista, por exemplo, no Elogio de Helena, se mostra um grande advogado em defesa de Helena grega raptada por um príncipe troiano apaixonado por ela e por quem, se acreditava, ela veio a se apaixonar também. Vista por muitos gregos antigos como adúltera e causadora da Guerra de Troia, mostrada no livro ILÍADA, de Homero, antigo poeta grego. Górgias se pôs a defende-la no referido texto. Vejamos um trecho significativo:

“Pois, ou por determinação da Sorte e por deliberação dos deuses e por decreto da Necessidade fez o que fez, ou foi raptada à força, ou persuadida pelos discursos, ou surpreendida pelo amor. Se foi, então, por causa do primeiro, o causador merece ser acusado, pois o ímpeto de um deus, por precaução humana, é impossível impedir. Pois não é natural o mais forte ser impedido pelo mais fraco, mas o mais fraco pelo mais forte ser governado e conduzido, e o mais forte conduzir, mas o mais fraco seguir. Um deus é mais forte do que o homem em força e em sabedoria e nas outras coisas. Se, então, deve-se atribuir a causa à Sorte e ao deus, deve-se absolver Helena da infâmia.” (GÓRGIAS. Elogio de Helena. Tradução de Daniela Paulinelli. Disponível em: < https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/270803/mod_resource/content/1/GORGIAS%20Elogio%20de%20Helena.pdf > Acesso em 11 de abril de 2021.)

Helena é assim descrita na Wikipédia:

“Numa viagem a Esparta, Páris encontra a princesa Helena, que está casada com Menelau, irmão de Agamenon, filhos de Atreu, rei de Micenas. Após nove dias entretendo Páris, Menelau, no décimo, parte para Creta, para os rituais fúnebres de Catreu, seu avô materno.[6] Helena e Páris fogem para Troia, abandonando Hermíone, então com nove anos de idade;[6] Menelau, Agamenon, e outros reis juntam-se numa guerra contra Troia.” [WIKIPÉDIA. Helena (mitologia). Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_(mitologia) > Acesso em 11 de abril de 2021.]

IMAGENS [Helena (mitologia), na Wikipédia:

https://de.wikipedia.org/wiki/Helena_(Mythologie)#/media/Datei:Helen_Menelaus_Louvre_G424.jpg

Helena foi RAPTADA e levada, por Páris para Troia. Mas o que levou Helena (da Grécia) e Páris (de Troia) a se sentirem atraídos um pelo outro? De acordo com a mitologia grega, por conta das flechas de Cupido (deus do amor) a mando de deusas descontentes com certa escolha de Páris tempos antes. Aqui entra o discurso de Górgias, advogando em favor de Helena. Vejamos, novamente, o texto acima.

Górgias usa argumentos em defesa de Helena (em cada trecho do texto se pode ver um argumento). Vejamos:

1)    “Pois, ou por determinação da Sorte e por deliberação dos deuses e por decreto da Necessidade [Helena] fez o que fez, ou foi raptada à força, ou persuadida pelos discursos, ou surpreendida pelo amor.” (Górgias). (O nome de Helena que está entre colchetes foi posto por mim a título de esclarecimento.)

2)    “Se foi, então, por causa do primeiro, o causador merece ser acusado, pois o ímpeto de um deus, por precaução humana, é impossível impedir.” (Górgias).

3)    “Pois não é natural o mais forte ser impedido pelo mais fraco, mas o mais fraco pelo mais forte ser governado e conduzido, e o mais forte conduzir, mas o mais fraco seguir. Um deus é mais forte do que o homem em força e em sabedoria e nas outras coisas.” (Górgias).

4)    CONCLUSÃO: “Se, então, deve-se atribuir a causa à Sorte e ao deus, deve-se absolver Helena da infâmia [má fama, difamação (ação de dar má fama a alguém, no caso, a Helena].” (Górgias). (O que está entre colchetes foi posto por mim para esclarecimento do termo.)

O que se quis mostrar com o texto de Górgias é um pouquinho do que foi o trabalho de sofistas, no manuseio das palavras no intuito de convencer as pessoas e defender ideias. Argumentações desses tipos eram ensinadas por eles a seus estudantes.

No entanto, os sofistas (Górgias, Trasímaco, Protágoras e outros) fizeram uma grande revolução no pensamento filosófico da Grécia antiga:

1)    Trouxeram a discussão para o âmbito da realidade humana, realidade vivida, particularmente, nas cidades (póleis, plural de pólis) gregas, diferenciando-se da preocupação cosmológica (de origem e fundamentos do cosmos) de filósofos que os precederam (Tales, Anaxímenes, Heráclito, Parmênides...) e que até lhes foram contemporâneos (ex.: Leucipo e Demócrito). Como dizia Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas.”

2)    Puseram em dia a discussão em torno da política. Trasímaco, por exemplo, citado por Platão, diz: Trasímaco: ``Cada governo estabelece leis para a sua conveniência. Promulgadas tais leis, dizem que é justo para os governos aquilo que lhes convém... há um só modelo de Justiça em todos os Estados -o que convém aos poderes constituídos". (TRASÍMACO. Citação feita por Roberto Romano, na Folha de São Paulo de 09 de outubro de 1995. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/10/09/opiniao/11.html#:~:text=Tras%C3%ADmaco%3A%20%60%60Cada%20governo%20estabelece,ou%20capazes%20de%20errar%3F%22. > Acesso em 11 de abril de 2021.)

3)    Duvidaram de crenças estabelecidas, mostrando a contrariedade possível de argumentos. Exemplo, de Protágoras de Abdera: “Todo o argumento permite sempre a discussão de duas teses contrárias, inclusive este de que a tese favorável e contrária são igualmente defensáveis [sujeitas à defesa].” (Em: https://www.pensador.com/frases_sofistas/ )

4)    Relativizaram a verdade (a verdade depende de cada um). Diz Protágoras: “Tal como cada coisa se apresenta para mim, assim ela é para mim, tal como ela se apresenta para você, assim ela é para você." (Em: https://www.pensador.com/frases_sofistas/ )

5)    Reforçaram o ensino da Retórica e da Dialética, além de outros conhecimentos que pudessem ajudar no uso persuasivo (convencedor) das palavras. Como diz Isócrates: “Eloquência é a arte de avolumar as pequenas coisas e diminuir as grandes.” (Em: https://www.pensador.com/frases_sofistas/ )

6)    Discutiram a Justiça: “Das coisas belas, umas são belas por natureza e outras por lei, mas as coisas justas não são justas por causa da natureza, os homens estão continuamente disputando pela justiça e a alteram também continuamente.” (Protágoras, citado em: https://www.pensador.com/frases_sofistas/ )

7)    Contribuíram para o desenvolvimento da Educação, ao se preocuparem em oferecer uma formação humanística, que fugia em parte da educação tradicional grega. Até cobravam pelo ensino: o conhecimento e o preparo para a vida política têm preço!

8)    Etc.

OBS.: Fazer uma ponte entre o passado e o presente pode ser muito enriquecedor no aprendizado da filosofia, mostrando sua vivacidade e atualidade!

Há cursos de retórica e dialética ainda hoje. Pagos!

REFERÊNCIAS:

ARANHA, Maria L. de A. e MARTINS, Maria H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. 4.ed. São Paulo, Moderna, 2009.

CHAUÍ, Marilena. Iniciação à Filosofia. 3.ed. São Paulo, Ática, 2017.

GÓRGIAS. Elogio de Helena. Tradução de Daniela Paulinelli. Disponível em: < https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/270803/mod_resource/content/1/GORGIAS%20Elogio%20de%20Helena.pdf > Acesso em 11 de abril de 2021.

O PENSADOR. Frases de Sofistas. Disponível em: < https://www.pensador.com/frases_sofistas/ > Acesso em 11 de abril de 2021.

ROMEIRO, Julieta et alii. Diálogo: Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. São Paulo, Moderna, 2020. (Seis volumes) [Livros didáticos.]

TRASÍMACO. Citação feita por Roberto Romano, na Folha de São Paulo de 09 de outubro de 1995. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/10/09/opiniao/11.html#:~:text=Tras%C3%ADmaco%3A%20%60%60Cada%20governo%20estabelece,ou%20capazes%20de%20errar%3F%22. > Acesso em 11 de abril de 2021.

WIKIPÉDIA. Página Principal. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal > Acesso em 07 de março de 2021.

WIKIPÉDIA. Helena (mitologia). Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_(mitologia) > Acesso em 11 de abril de 2021.