DESIDÉRIO ERASMO (ERASMO DE ROTERDÃ) (1466-1536) (Prof. José Antônio Brazão.)
*Holandês.
*Filho de um padre e da
filha de um médico.
*Foi monge e professor,
filósofo, teólogo e escritor.
*Escreveu muito. Teve
como destaque a obra Elogio da Loucura.
*Humanista.
*Em que consistiu o
humanismo renascentista? O humanismo renascentista consistiu na valorização do
ser humano – ser dotado de razão, de um intelecto que permite a ele inventar,
criar, descobrir, compreender o universo e a natureza, discutir ideias, escrever
livros, pintar, esculpir, fazer coisas grandiosas.
*O momento: Grandes
Navegações e Renascimento Artístico-Cultural.
*Renascimento (séculos
XV-XVII, aproximadamente): momento em que, na Europa, floresceram com muita
força as artes, a cultura, a ciência e uma série de novidades e descobertas.
*O comércio foi
fundamental. A burguesia (comerciantes, banqueiros e outros) viriam a se
enriquecer cada vez mais.
*Reis, burgueses,
senhores feudais muito ricos e até papas viriam a investir em artes, em
cultura.
*A invenção da imprensa,
no século XV, foi fundamental, na Europa.
*Do Renascimento algumas
características importantes:
a) Humanismo: valorização
alta do ser humano.
b) Classicismo: resgate
dos modelos clássicos (destacados historicamente) da Grécia e da Roma antigas –
filosofia, escultura, literatura, Direito, arquitetura, pintura, a cultura em
geral. Modelos, não meras cópias!
c) Naturalismo:
apresentação artística que representa com precisão os seres, os rostos, os
contornos dos seres e objetos, da natureza (flores, árvores, frutos etc.), do
corpo humano etc. Representação detalhada.
c) Mitologia
greco-romana: resgatada. Na literatura, por exemplo: Luís Vaz de Camões, o
português que escreveu Os Lusíadas, mostra uma profunda presença da mitologia
greco-romana no enredo. A mitologia apareceu também em diferentes outros ramos
da arte renascentista, em Sandro Botticelli, Rafael Sanzio, Michelangelo e
outros artistas da Itália e de outras regiões da Europa. A mitologia e o
humanismo, inclusive, se cruzariam, dada a beleza dos padrões (ou figuras)
humanos(as) que ali aparecem.
*Outro fato histórico
essencial para entender o contexto em que viveu Erasmo: a Reforma Protestante
(século XVI em diante), com Martinho Lutero, Calvino, Armínio e outros.
*Erasmo de Roterdã
conhecia várias línguas. Inclusive foi tradutor do Novo Testamento do grego
para o latim. Traduziu-o várias vezes, sempre fazendo correções.
*A empreitada de tradução
de Erasmo foi usada também pelos reformadores posteriores – inclusive Lutero
viria a traduzir a Bíblia das línguas originais para o alemão. Uma Bíblia
inteira em alemão. Ora, até então os textos da Bíblia eram usados apenas por membros
da Igreja Católica, na Europa – uma dessas traduções era a de São Jerônimo, um
dos antigos Padres da Igreja, nos primeiros séculos da era cristã, a tradução
latina chamada Vulgata.
*O Elogio da Loucura.
Este livro de Erasmo de Roterdã tem esse nome a Loucura é colocada como
personagem. Ela é a razão de muitas ações humanas!
*A guerra, a corrupção, a
intolerância, a luxúria (safadeza) desvairada e outras ações humanas mostram-se
como manifestações da loucura.
*O nome Elogio é uma
palavra de cunho (significado, marca) satírico(a), jocoso, brincalhão – uma
sátira refinada aos costumes daquela época e que ainda tem sentido, uma crítica
contundente a:
a) A corrupção
(roubalheira) política e econômica.
b) A corrupção
(deterioração) dos costumes sociais e até religiosos.
c) As injustiças e a
desigualdade social extrema.
d) A luxúria, inclusive
por parte de membros da Igreja Católica, ainda que não da parte de todos.
e) A espoliação dos
pobres por ricos, nobres e até pela Igreja.
f) Em resumo, os erros e
incoerências gritantes – membros da Igreja Católica, por exemplo, vivendo um
mundanismo contrário os valores do cristianismo primitivo.
*A Reforma Protestante,
nessa época (século XVI em diante), nasceria do inconformismo de reformadores
diante das contradições e do mundanismo da religião.
*Lutero e Calvino, por
exemplo, romperiam com a Igreja Católica Romana, fundando novas igrejas
cristãs.
*Erasmo, no entanto,
apesar de crítico e perseguido, foi contrário ao rompimento. Ele acreditava ser
possível a renovação da Igreja Católica sem uma cisão (separação) propriamente
dita.
*O Elogio da Loucura, de
certo e sem dúvida, continua muito atual, dadas as loucuras persistentes da
humanidade, como a corrupção, as guerras, a desigualdade, as injustiças, a
intolerância, o racismo e, inclusive, novas, como o aquecimento global, o arquivo
Epstein e outros desvarios humanos.
*O Elogio da Loucura
trata da sandice do poder humano mal usado, benéfico a poucos e maléfico para
muitos e até para a natureza, levando a certa revolta de pessoas que, naqueles
tempos, tinham (e as de hoje também têm) um bom senso. A senhora Loucura que
atravessa séculos de história e continua guiando os destinos humanos e as
sociedades.
REFERÊNCIAS:
CARTWRIGHT, Mark. Erasmo.
Trad. Ricardo Albuquerque. In: VÁRIOS ESCRITORES. World History Encyclopedia
(versão em português). Disponível em: < https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19249/erasmo/
> Acesso em 01 de maio de 2026.
MACPHAIL, Eric. Desiderius
Erasmus. In: UNIVERSIDADE DE STANFORD. Stanford Encyclopedia of
Philosophy. Disponível em: < https://plato.stanford.edu/entries/erasmus/
> Acesso em 01 de maio de 2026.
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