sábado, 16 de maio de 2026

DESIDÉRIO ERASMO (ERASMO DE ROTERDÃ) (1466-1536) (Prof. José Antônio Brazão.)

 DESIDÉRIO ERASMO (ERASMO DE ROTERDÃ) (1466-1536) (Prof. José Antônio Brazão.)

*Holandês.

*Filho de um padre e da filha de um médico.

*Foi monge e professor, filósofo, teólogo e escritor.

*Escreveu muito. Teve como destaque a obra Elogio da Loucura.

*Humanista.

*Em que consistiu o humanismo renascentista? O humanismo renascentista consistiu na valorização do ser humano – ser dotado de razão, de um intelecto que permite a ele inventar, criar, descobrir, compreender o universo e a natureza, discutir ideias, escrever livros, pintar, esculpir, fazer coisas grandiosas.

*O momento: Grandes Navegações e Renascimento Artístico-Cultural.

*Renascimento (séculos XV-XVII, aproximadamente): momento em que, na Europa, floresceram com muita força as artes, a cultura, a ciência e uma série de novidades e descobertas.

*O comércio foi fundamental. A burguesia (comerciantes, banqueiros e outros) viriam a se enriquecer cada vez mais.

*Reis, burgueses, senhores feudais muito ricos e até papas viriam a investir em artes, em cultura.

*A invenção da imprensa, no século XV, foi fundamental, na Europa.

*Do Renascimento algumas características importantes:

a) Humanismo: valorização alta do ser humano.

b) Classicismo: resgate dos modelos clássicos (destacados historicamente) da Grécia e da Roma antigas – filosofia, escultura, literatura, Direito, arquitetura, pintura, a cultura em geral. Modelos, não meras cópias!

c) Naturalismo: apresentação artística que representa com precisão os seres, os rostos, os contornos dos seres e objetos, da natureza (flores, árvores, frutos etc.), do corpo humano etc. Representação detalhada.

c) Mitologia greco-romana: resgatada. Na literatura, por exemplo: Luís Vaz de Camões, o português que escreveu Os Lusíadas, mostra uma profunda presença da mitologia greco-romana no enredo. A mitologia apareceu também em diferentes outros ramos da arte renascentista, em Sandro Botticelli, Rafael Sanzio, Michelangelo e outros artistas da Itália e de outras regiões da Europa. A mitologia e o humanismo, inclusive, se cruzariam, dada a beleza dos padrões (ou figuras) humanos(as) que ali aparecem.

*Outro fato histórico essencial para entender o contexto em que viveu Erasmo: a Reforma Protestante (século XVI em diante), com Martinho Lutero, Calvino, Armínio e outros.

*Erasmo de Roterdã conhecia várias línguas. Inclusive foi tradutor do Novo Testamento do grego para o latim. Traduziu-o várias vezes, sempre fazendo correções.

*A empreitada de tradução de Erasmo foi usada também pelos reformadores posteriores – inclusive Lutero viria a traduzir a Bíblia das línguas originais para o alemão. Uma Bíblia inteira em alemão. Ora, até então os textos da Bíblia eram usados apenas por membros da Igreja Católica, na Europa – uma dessas traduções era a de São Jerônimo, um dos antigos Padres da Igreja, nos primeiros séculos da era cristã, a tradução latina chamada Vulgata.

*O Elogio da Loucura. Este livro de Erasmo de Roterdã tem esse nome a Loucura é colocada como personagem. Ela é a razão de muitas ações humanas!

*A guerra, a corrupção, a intolerância, a luxúria (safadeza) desvairada e outras ações humanas mostram-se como manifestações da loucura.

*O nome Elogio é uma palavra de cunho (significado, marca) satírico(a), jocoso, brincalhão – uma sátira refinada aos costumes daquela época e que ainda tem sentido, uma crítica contundente a:

a) A corrupção (roubalheira) política e econômica.

b) A corrupção (deterioração) dos costumes sociais e até religiosos.

c) As injustiças e a desigualdade social extrema.

d) A luxúria, inclusive por parte de membros da Igreja Católica, ainda que não da parte de todos.

e) A espoliação dos pobres por ricos, nobres e até pela Igreja.

f) Em resumo, os erros e incoerências gritantes – membros da Igreja Católica, por exemplo, vivendo um mundanismo contrário os valores do cristianismo primitivo.

*A Reforma Protestante, nessa época (século XVI em diante), nasceria do inconformismo de reformadores diante das contradições e do mundanismo da religião.

*Lutero e Calvino, por exemplo, romperiam com a Igreja Católica Romana, fundando novas igrejas cristãs.

*Erasmo, no entanto, apesar de crítico e perseguido, foi contrário ao rompimento. Ele acreditava ser possível a renovação da Igreja Católica sem uma cisão (separação) propriamente dita.

*O Elogio da Loucura, de certo e sem dúvida, continua muito atual, dadas as loucuras persistentes da humanidade, como a corrupção, as guerras, a desigualdade, as injustiças, a intolerância, o racismo e, inclusive, novas, como o aquecimento global, o arquivo Epstein e outros desvarios humanos.

*O Elogio da Loucura trata da sandice do poder humano mal usado, benéfico a poucos e maléfico para muitos e até para a natureza, levando a certa revolta de pessoas que, naqueles tempos, tinham (e as de hoje também têm) um bom senso. A senhora Loucura que atravessa séculos de história e continua guiando os destinos humanos e as sociedades.

REFERÊNCIAS:

CARTWRIGHT, Mark. Erasmo. Trad. Ricardo Albuquerque. In: VÁRIOS ESCRITORES. World History Encyclopedia (versão em português). Disponível em: < https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19249/erasmo/ > Acesso em 01 de maio de 2026.

MACPHAIL, Eric. Desiderius Erasmus. In: UNIVERSIDADE DE STANFORD. Stanford Encyclopedia of Philosophy. Disponível em: < https://plato.stanford.edu/entries/erasmus/ > Acesso em 01 de maio de 2026.

 

 

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