domingo, 23 de novembro de 2025

QUARTO BIMESTRE - AULA 39B DOS PRIMEIROS ANOS. MATERIAL COMPLEMENTAR À AULA 38A. DESENHOS SIMPLES E FÁCEIS DO SISTEMA GEOCÊNTRICO EM CAMÕES. (Prof. José Antônio Brazão.)

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DE GOIÁS

COORDENAÇÃO REGIONAL DE EDUCAÇÃO DE GOIÂNIA

POLÍCIA MILITAR DE GOIÁS

COLÉGIO ESTADUAL DA POLÍCIA MILITAR VASCO DOS REIS 

QUARTO BIMESTRE - AULA 39B DOS PRIMEIROS ANOS. 

MATERIAL COMPLEMENTAR À AULA 38A. 

DESENHOS SIMPLES E FÁCEIS DO SISTEMA GEOCÊNTRICO EM CAMÕES. 

(Prof. José Antônio Brazão.)

RETOMAR AULA 38A:

https://filosofianodia-a-dia.blogspot.com/2025/11/quarto-bimestre-aula-38-de-filosofia.html

 

RETOMAR AULA 38B:

https://filosofianodia-a-dia.blogspot.com/2025/11/quarto-bimestre-aula-38b-de-filosofia.html (ATIVIDADE AVALIATIVA)

Esta primeira imagem e a segunda correspondem à chegada dos portugueses (lusitanos) à Ilha da deusa Tétis, na volta de sua viagem.

Na Ilha de Tétis.

Tétis mostra o sistema geocêntrico aos navegantes lusitanos. Um holograma.

Tétis mostra o sistema geocêntrico aos navegantes lusitanos. Um holograma.

Um aspecto do sistema geocêntrico: os epiciclos.
Ver também em: 

Mesma imagem. Ver também epiciclos em:


Um aspecto importante do relato de Camões: a semelhança entre a subida dos navegantes portugueses ao monte, a convite de Tétis e a subida do prisioneiro liberto do mito da caverna de Platão.
Em ambos casos: a subida da ignorância ao saber. Curiosidade: a subida da caverna do mito de Platão e a subida dos marinheiros no relato de Camões são difíceis, indicando duas coisas: os desafios para quem quer aprender, ao estudar, ler e buscar o conhecimento, mas, também, os benefícios que advêm daí, como o mundo fora da caverna, em Platão, e a realidade em cima do monte, com pedras preciosas e semipreciosas e a própria visão do sistema geocêntrico através do holograma (ver novamente abaixo o holograma feito pela deusa Tétis). Ou seja, o conhecimento é desafiador e, ao mesmo tempo, benéfico! Isto é válido para nós, hoje ainda! Platão e Camões nos ensinam algo ainda extremamente atual e valioso.


Os desenhos acima foram deixados de forma muitíssimo simples, tendo em vista que podem ser desenhados no quadro da sala de aula. O que se precisará? Apenas de canetões ou gizes coloridos e do quadro propriamente dito. No mais, a explicação do professor ou da professora. 

Outros desenhos poderão ser feitos. Use sua criatividade, professor(a), inclusive por estudantes (uma parte dos desenhos acima foi feita por estudantes, mediante a orientação do professor).

Atividade de cunho INTERDISCIPLINAR com o componente curricular (matéria) Língua Portuguesa. O diálogo interdisciplinar enriquece imensamente o aprendizado, permitindo que cada estudante perceba as inter-relações que há entre as matérias estudadas na escola, ampliando-lhes a visão e até mesmo a compreensão dos conteúdos em aprendizagem. Professor(a) de Filosofia: dialogue com outras matérias, todos terão muito a ganhar!





QUARTO BIMESTRE – RECUPERAÇÃO DO SEGUNDO SEMESTRE: AULA 39 DE SOCIOLOGIA DOS SEGUNDOS ANOS. ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADE SOCIAL: DESIGUALDADES SOCIAIS NÃO SÃO NATURAIS, SÃO HISTÓRICAS (Prof. José Antônio Brazão.)

  

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QUARTO BIMESTRE – RECUPERAÇÃO DO SEGUNDO SEMESTRE:

AULA 39 DE SOCIOLOGIA DOS SEGUNDOS ANOS:

*VER AULA ANTERIOR (NÚMERO 38), SEM FALTA, SOBRE ALIENAÇÃO, em:

https://filosofianodia-a-dia.blogspot.com/2025/11/quarto-bimestre-revisao-tematica-aula.html

*REVISÃO.

ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADE SOCIAL:

DESIGUALDADES SOCIAIS NÃO SÃO NATURAIS, SÃO HISTÓRICAS (Prof. José Antônio Brazão.)

As desigualdades sociais são marcantes e visíveis no mundo atual. Por exemplo, pode-se ver:

(1)Na estrutura das cidades, com uma região central e regiões periféricas.

(2)Em favelas.

(3)Pessoas morando embaixo das pontes e dos viadutos.

(4)Pedintes nas ruas.

(5)Vendedores ambulantes desempregados. Em tempos de doenças coletivas, mais ainda.

(6)No pouco acesso ao sistema de saúde por parte de muitas pessoas.

(7)No pouco acesso a níveis mais elevados de escolaridade por parte de muitas pessoas.

(8)No analfabetismo que, infelizmente, ainda existe até mesmo no Brasil e próximo de nós, presente entre muita gente pobre.

(9)No analfabetismo digital. Falta de acesso ao conhecimento e uso do mundo digital, principalmente, pelos mais pobres.

(10)Em acampamentos ao longo de estradas.

(11)No número maior de pessoas de classes populares que morreram e têm morrido na pandemia de 2020.

(12)Em notícias de TV sobre a África, a Índia e outros lugares do mundo.

(13)Na acumulação da maior parte da riqueza do mundo nas mãos de um por cento dos mais ricos do mundo, em detrimento de uma maioria imensa que não tem sequer o que comer direito. (Informações de jornais e livros didáticos, por exemplo.)

(14)No quase nenhum acesso a tecnologias de ponta por parte de muitas pessoas.

(15)Na corrupção, noticiada todos os dias por via dos meios de comunicação social. De fato, a corrupção tira de todas as pessoas e, principalmente das mais pobres, uma série de direitos, como o direito aos bens básicos da vida.

(16)Na péssima infraestrutura de esgoto, de água e de outros serviços básicos em muitos bairros de periferia e em favelas. Fruto da má gestão do dinheiro público e, principalmente, da corrupção, além da divisão social propriamente dita.

(17)Etc. Se se observar, poder-se-á ver, às claras, muitas outras formas de manifestação da desigualdade social. Muitas vezes, basta sair às ruas.

Mas a desigualdade social (divisão entre ricos e pobres) não é natural nem fruto da visão religiosa acerca do pecado ou da graça. Ela é fruto, sobretudo, da ACUMULAÇÃO DE RIQUEZAS NAS MÃOS DE POUCOS, fruto, por sua vez, muitas vezes, da EXPLORAÇÃO DO TRABALHO ALHEIO, além da corrupção. Nos últimos séculos, por exemplo, podem ser citados os FATOS REAIS e HISTÓRICOS a evidenciar esses fatos:

(1)Final do século XV em diante (até hoje): A matança de tribos e povos na África, na Ásia, na América Latina e do Norte, etc., em busca de terras, ouro e riquezas. Por exemplo: conquistadores de diferentes países em nome de governos desses países e de companhias (por ex.: Companhias das Índias Orientais e Ocidentais).

(2)A matança de outras tribos e outros povos de lugares já citados também por meio de doenças, no intuito de apropriação de suas riquezas e terras.

(3)Escravidão de índios e negros (destes, a grande maioria), empregados em enormes fazendas de produção de açúcar (ciclo da cana de açúcar), depois nas minas, no ciclo do café e em outros lugares onde o trabalho pesado e escravo era necessário.

(4)A exploração terrível na época da Revolução Industrial, com a formação de bairros paupérrimos em vários cantos da Europa e do mundo. Os livros de Sociologia e de História bem mostram esse fato real e histórico.

(5)A escravização de pessoas, hoje ainda, em fazendas, empresas de tecelagem e outros lugares, denunciada pela Justiça Trabalhista e atacada, dentro do possível, pela Polícia Federal do Brasil.

(6)Guerras localizadas e mundiais, frutos claramente de interesses coloniais e neocoloniais (neocolonialismo do século XIX, por exemplo, que veio a provocar a Primeira Guerra Mundial e, a seguir, a Segunda Guerra Mundial, no século XX) em que muitas pessoas morreram, ficaram desabrigadas e sem recursos, aumentando seu empobrecimento. Com as guerras, os setores ricos de países vencedores enriqueceram mais ainda: indústria de armas, de veículos, bancos, de construção (e reconstrução) [empreiteiras], além de outras tantas, enquanto uma maioria empobreceu ou morreu em tais guerras. Fato visível em livros de História e de Sociologia.

(7)A escravidão colonial. Quando os negros foram libertos no Brasil, no final do século XIX, foram libertos sem quaisquer direitos, simplesmente despedidos, vindo, muitos deles(as) a exercer trabalhos pesados dos mais diversos tipos para sobreviver e sujeitar-se a condições desumanas de vida. Onde muitos encontraram abrigos? No que viriam a ser as favelas, em morros principalmente. Até hoje, por exemplo, o racismo é real e até frequente, fruto da história e da desigualdade social. Pobres negros sofrem, ainda hoje, em muitas cidades.

(8)O desemprego de vastos setores da população brasileira (e mundial), em tempos de crises e, particularmente, fora destes. Maioria imensa: pobres. (Nos últimos anos, variando entre 12 e 14 milhões de desempregados e desempregadas, conforme noticiários e outros meios de comunicação social.)

(9)CORRUPÇÃO DO PASSADO E DO PRESENTE: parte de setores diversos da sociedade, principalmente envolvendo setores da política. Impostos não pagos por certas grandes empresas, por exemplo, igualmente fazem falta para muita gente. Em tempos de pandemia, por exemplo, jornais de TV falam frequentemente de empresas, ligadas a políticos, que superfaturam os valores de produtos farmacológicos e de atendimento médico, como respiradores, remédios e outros. Fato. Nos tempos do “Petrolão” (denunciado na Operação Lava-Jato), um bom número de empreiteiras envolvidas e que se enriqueciam com obras superfaturadas e outros artifícios, com vários empresários presos naquela operação da Justiça Federal com a Polícia Federal. O Caso das Empreiteiras, na década de 1990, outro exemplo histórico. No Rio de Janeiro... A corrupção prejudica muitíssimos setores das sociedades do Brasil e do mundo, além dos empobrecidos propriamente ditos.

(10)Etc.

Todos esses casos evidenciam a acumulação do capital que teve e tem, como contrapartida, o empobrecimento e o sofrimento de muitas pessoas, de grupos e até mesmo povos quase inteiros, destituídos de tudo ou quase tudo, gerando a desigualdade social.

REFERÊNCIAS:

CAMPOS, Flávio de e CLARO, Regina. A Escrita da História (Manual do Professor). São Paulo, Escala Educacional, 2010. (Três volumes.)

MODERNA. História do Brasil. São Paulo, Moderna, 2006. (ENCICLOPÉDIA DO ESTUDANTE, Vol. 16)

ESTADÃO. Empreiteira da Lava Jato afirma que cartel atuou na década de 90. Disponível em: < https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,empreiteira-da-lava-jato-afirma-que-cartel-atuou-na-decada-de-90,1654892 > Acesso em 21/11/2025.

JUS.COM.BR. Uma visão do combate ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil pela ótica dos direitos humanos. Disponível em: < https://jus.com.br/artigos/66171/uma-visao-do-combate-ao-trabalho-escravo-contemporaneo-no-brasil-pela-otica-dos-direitos-humanos > Acesso em 21/11/2025.

R7. Escravos bolivianos são resgatados na zona leste de SP. Disponível em: < https://noticias.r7.com/sao-paulo/escravos-bolivianos-sao-resgatados-na-zona-leste-de-sp-13102014 > Acesso em 21/11/2025.

SILVA, Afrânio et alii. Mundo do trabalho e desigualdade social. In: _________________. Sociologia em Movimento. 2.ed. São Paulo, Moderna, 2016/2017. (Unidade 4)

 

QUARTO BIMESTRE – RECUPERAÇÃO DO SEGUNDO SEMESTRE. AULA 39 DE FILOSOFIA DOS PRIMEIROS ANOS. REVISÃO DO SEGUNDO SEMESTRE. PLATÃO, ARISTÓTELES E HELENISMO – RESUMO BÁSICO (Prof. José Antônio Brazão.)

  

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QUARTO BIMESTRE – RECUPERAÇÃO DO SEGUNDO SEMESTRE:

AULA 39 DE FILOSOFIA DOS PRIMEIROS ANOS

RETOMAR AULA 38A:

https://filosofianodia-a-dia.blogspot.com/2025/11/quarto-bimestre-aula-38-de-filosofia.html

 

RETOMAR AULA 38B:

https://filosofianodia-a-dia.blogspot.com/2025/11/quarto-bimestre-aula-38b-de-filosofia.html (ATIVIDADE AVALIATIVA)

 

REVISÃO DO SEGUNDO SEMESTRE: PLATÃO, ARISTÓTELES E HELENISMO – RESUMO BÁSICO (Prof. José Antônio Brazão.)

PLATÃO (séculos V e IV a.C.):

*Filósofo de Atenas. Fundou a ACADEMIA, uma escola filosófica.

*Em seu livro A REPÚBLICA, propõe uma cidade ideal.

*Classes ou grupos da cidade ideal:

***Governantes: filósofos e filósofas.

***Protetores: guardiões e guardiãs, soldados.

***Provedores (mantenedores): comerciantes, agricultores e artesãos.

*Mito da caverna (no início do Livro VII de A República):

***Dentro da caverna. Ilusão.

***Fora da caverna. Realidade.

*Dois mundos:

*** Mundo das Ideias – formas perfeitas e eternas, modelos. (Resposta a Parmênides).

***Mundo Sensível – mundo do corpo, que é prisão da alma, que percebe o mundo pelos cinco sentidos. Cópia imperfeita do mundo das Ideias. (Resposta a Heráclito.)

*Conhecimento: recordação daquilo que a alma, outrora, contemplou no mundo das Ideias. O corpo: prisão da alma, da qual esta deve se libertar com a ajuda da recordação e do desprendimento das coisas materiais.

ARISTÓTELES DE ESTAGIRA (século IV a.C.):

*Filósofo de Estagira, cidade da Macedônia. Foi estudante de Platão, na Academia, em Atenas (na Grécia).

*Fundou o Liceu, uma escola filosófica que rivalizaria com a Academia de Platão.

*Criticou a república ideal de Platão. Aristóteles tomava como ponto de partida a realidade, aquilo que via e que conhecia.

*Não acreditava também no mundo das ideias – todo conhecimento vem dos sentidos e é fruto do trabalho da razão que converte os dados sensíveis em ideias, pensamentos, conhecimento.

*Aristóteles estudou o movimento. Segundo ele, o movimento é a passagem da potência (possibilidade de vir a ser) ao ato (realização da potência). Por exemplo, a semente é uma árvore em potência; a árvore, por sua vez, o ato, a realização da potência contida na semente.

*O movimento tem quatro causas: material (a matéria de que algo é feito – exemplo: o bronze); formal (a forma que será dada ao objeto ou ao ser – por exemplo: a forma de estátua na cabeça do escultor); eficiente (a causa que faz, que realiza o movimento – ex.: o trabalho do escultor); final (a finalidade ou objetivo do movimento – por exemplo: uma estátua de Zeus para um templo, a fim de honrar o deus).

*No campo da astronomia, Aristóteles era adepto do GEOCENTRISMO, isto é, a crença de que a Terra é o centro do universo (cosmos) e que todos os astros giram ao redor dela, posição que levou um pouco mais de dois milênios, desde então, para ser derrubada. O movimento dos astros é circular.

*No geocentrismo, há distinção entre mundo sublunar (Terra, parada no centro do universo/cosmos) e mundo supralunar (mundo acima da Lua, composto pela sequência de Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno e as Estrelas Fixas). O mundo sublunar é feito de quatro elementos de Empédocles: terra, água, ar e fogo, sempre se combinando e recombinando, os quatro em movimento. O mundo supralunar é feito de éter, substância pura, imaculada (sem manchas), transparente e simples. Os astros são condensações de éter!

*No campo da ética, Aristóteles afirma que a virtude está no caminho do meio, isto é, nem no excesso nem na falta. Por exemplo: a coragem está entre a covardia e a bravura indômita (não dominada, não controlada). O corajoso é aquele que não se deixa levar pela covardia nem é imprudente a ponto de morrer por descontrole na batalha.

HELENISMO (séculos IV a.C. a IV ou V d.C., conforme cada datação):

*Influência do pensamento grego (helênico – daí helenismo) sobre vastas regiões dominadas pelos impérios macedônico e, depois, pelo romano. A cultura grega exerceu influência clara nas crenças mitológicas, na arquitetura, na arte e na cultura, inclusive na língua de cada região dominada.

*Até hoje tal influência se faz presente. Por exemplo, na língua portuguesa há uma enorme quantidade de termos (palavras, prefixos e sufixos) gregos, até nas matérias escolares!

*Uma marca do helenismo é o cosmopolitismo – a crença de que se é cidadão do mundo. Por quê? Porque a antiga cidadania deixou de existir, pois cada cidade estava, agora, sob o domínio do império que domina as cidades.

*Surgiram, nesse período, várias escolas, sendo as principais:

***Cinismo – propunha o desprezo pelas convenções sociais. Por exemplo: Diógenes, o cínico.

***Estoicismo – propunha o controle das paixões e dos desejos. Por exemplo: Zenão de Citium (Cítio), grego; Cícero, Marco Aurélio e Sêneca, romanos. Propunha igualmente a ATARAXIA, a imperturbabilidade ou tranquilidade da alma, que deve ser buscada pelo sábio.

***Ceticismo – propunha a dúvida (skepsis, em grego – de onde vem scepticismo, ceticismo) como instrumento de questionamento das verdades. Não há verdades universais. Exemplo: Pirro de Élis (ou Élida).

***Epicurismo – escola fundada por Epicuro de Samos, que viveu um bom tempo em Atenas, e que propunha a busca do prazer cotidiano, de modo equilibrado. Propunha também a ATARAXIA, a imperturbabilidade ou tranquilidade da alma, que deve ser buscada pelo sábio. Aos deuses não se deve temer, pois eles têm vida própria e não se importam com os seres humanos. Tudo é feito de ÁTOMOS, partículas minúsculas, indivisíveis e invisíveis aos olhos nus, seguindo a herança deixada por Demócrito e Leucipo. Um dos grandes discípulos foi Diógenes de Enoanda, na Ásia Menor, rico e entusiasmado com o epicurismo.

***Neoplatonismo – escola fundada por Amônio Saccas, em Alexandria, no Egito, no período cristão, cujo maior seguidor foi Plotino. O neoplatonismo, como o nome aponta, foi um resgate e um reestudo e repensar das crenças platônicas. Onde Platão via o BEM, ideia mais perfeita de todas, os neoplatônicos viam o UNO, fonte de toda beleza e perfeição. O UNO é perfeito e eterno e a alma deve se elevar a ele, despegando-se da materialidade.

*O helenismo também teve representantes nos campos das ciências: Arquimedes, Cláudio Ptolomeu, Hierão, Euclides, entre outros. A filósofa Hipácia (Hipatia) de Alexandria, do século IV d.C. foi uma grande pesquisadora e neoplatônica.

 

domingo, 16 de novembro de 2025

QUARTO BIMESTRE - REVISÃO TEMÁTICA. AULA 38 DE SOCIOLOGIA DOS SEGUNDOS ANOS. KARL MARX E A ALIENAÇÃO (Prof. José Antônio Brazão.)

 

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QUARTO BIMESTRE - REVISÃO TEMÁTICA.

AULA 38 DE SOCIOLOGIA DOS SEGUNDOS ANOS:

KARL MARX E A ALIENAÇÃO (Prof. José Antônio Brazão.)

EU, ETIQUETA (Carlos Drummond de Andrade)

 

Em minha calça está grudado um nome

que não é meu de batismo ou de cartório,

um nome... estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida

que jamais pus na boca, nesta vida.

Em minha camiseta, a marca de cigarro

que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produto

que nunca experimentei

mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

de alguma coisa não provada

por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

minha gravata e cinto e escova e pente,

meu copo, minha xícara,

minha toalha de banho e sabonete,

meu isso, meu aquilo,

desde a cabeça ao bico dos sapatos,

são mensagens,

letras falantes,

gritos visuais,

ordens de uso, abuso, reincidência,

costume, hábito, premência,

indispensabilidade,

e fazem de mim homem-anúncio itinerante,

escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É duro andar na moda, ainda que a moda

seja negar minha identidade,

trocá-la por mil, açambarcando

todas as marcas registradas,

todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

eu que antes era e me sabia

tão diverso de outros, tão mim mesmo,

ser pensante, sentinte e solidário

com outros seres diversos e conscientes

de sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio,

ora vulgar ora bizarro,

em língua nacional ou em qualquer língua

(qualquer, principalmente).

E nisto me comparo, tiro glória

de minha anulação.

Não sou - vê lá - anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

para anunciar, para vender

em bares festas praias pérgulas piscinas,

e bem à vista exibo esta etiqueta

global no corpo que desiste

de ser veste e sandália de uma essência

tão viva, independente,

que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher,

minhas idiossincrasias tão pessoais,

tão minhas que no rosto se espelhavam

e cada gesto, cada olhar

cada vinco da roupa

sou gravado de forma universal,

saio da estamparia, não de casa,

da vitrine me tiram, recolocam,

objeto pulsante mas objeto

que se oferece como signo de outros

objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

de ser não eu, mas artigo industrial,

peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é coisa.

Eu sou a coisa, coisamente.

 

Carlos Drummond de Andrade ANDRADE, C. D. Obra poética, Volumes 4-6. Lisboa: Publicações Europa-América, 1989.

O texto acima encontra-se em:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires. Propaganda e Ideologia. IN: _________________________. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. São Paulo, Moderna, 1994. P. 50. Também disponível na internet, podendo ser encontrado em: < https://www.faberj.edu.br/cfb-2015/downloads/biblioteca/filosofia/Filosofando.pdf > Acesso em 19/08/2023.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Eu, etiqueta. Apud: PENSADOR UOL. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/MjAyODM0/ Acesso em 04 de junho de 2017.

O texto de Carlos Drummond de Andrade presta-se a um trabalho interdisciplinar muito bom entre Filosofia e Língua Portuguesa (dentro desta, a literatura brasileira contemporânea, no campo da poética). Nele encontram-se temáticas como: (1)Moda – Filosofia: Theodor Adorno e Max Horkheimer, com a Indústria Cultural. (2)Alienação – Filosofia: Ludwig Feuerbach e Karl Marx. (3)Identidade – o EU em diversos filósofos. (4)Ser sentinte, pensante e outros – Filosofia: o ser, ser humano, ser pensante (ex.: René Descartes). (5)Existência e vida – Filosofia: o Existencialismo. (6)Liberdade – Na Filosofia: vários filósofos e filósofas (ex.: Hannah Arendt). (7)(Várias outras temáticas e filósofos[as].) Escolher textos curtos bons das temáticas desses(as) filósofos(as) e pôr em discussão com o texto literário do escritor.

POEMA EU, ETIQUETA, DE CARLOS D. DE ANDRADE [comentário]: (Prof. José Antônio.)

O poema Eu, etiqueta, de Carlos Drummond de Andrade, trata da transformação das pessoas em objetos, marcas, anúncios, de sua perda de identidade, transformando-se em coisas, abandonando o ser, sua essência.

O ser aparece no poema na forma de verbo conjugado no presente do indicativo, apontando para a realidade da coisificação (reificação) pessoal, e como substantivo (o nome ser), referindo-se ao gênero humano (ser humano, ser pessoa).

De tanto fazer uso de vestes e acessórios para o corpo contendo marcas de produtos do mercado e, por vontade própria (“eu é que mimosamente pago”), propagandeiam aquelas mercadorias, as pessoas acabam perdendo aquilo que as identifica(m). Em vez de mostrar o que são, mostram coisas, nomes de produtos, de mercadorias), acabando por identificar-se com elas, ainda que não as comprem ou usem. A moda impõe-se, a personalidade obedece, a moda entra, a personalidade sai, esvaindo-se, perdendo-se.

O poema expõe a antítese (oposição) entre o ser (ser humano, pessoa) e o não-ser, isto é, a perda da identidade humana, que acaba por tornar-se coisa, objeto de anúncio mercadológico. O mercado, com suas marcas (etiquetas), impõe-se sobre a pessoa, levando-a a identificar-se com as mercadorias, alienando-se de seu ser.

No século 19 (XIX), Karl Marx estudou as ideias de Ludwig Feuerbach (filósofo alemão também do mesmo século). Este, ao estudar as religiões, concluiu que os homens criam os deuses, prestando-lhes culto e criando doutrinas ao redor de suas crenças. Com o passar do tempo, os criadores (pessoas) se tornaram criaturas daqueles que, na verdade, haviam criado, isto é, tornaram-se criaturas dos deuses e deusas. Desta forma, os seres humanos alienaram-se.

Aliu(s), no latim, é outro. Alienação é a ação de tornar-se outro (aliu[s]), deixando de ser o que se é e perdendo, portanto, sua identidade humana, de criador, passando a identificar-se como criaturas dos deuses. Por meio dessa alienação surgiram, pois, os deuses e as deusas, cabendo às criaturas alienadas (pessoas) submeter-se àqueles e aos seus representantes religiosos, os sacerdotes.

Marx aplicou as ideias de Feuerbach na análise da mercadoria. Toda mercadoria é algo produzido por trabalhadores e trabalhadores, principalmente em fábricas (indústrias), muitas vezes com o auxílio de máquinas – de fato, na época de Marx, a Revolução Industrial já havia avançado muito e, com ela, também a exploração de tais produtores(as). Mercadoria é um produto que vai para o mercado, a fim de ser vendido, conferindo lucros aos donos da produção (comerciantes, industriais e outros), ou seja, aos capitalistas.

A exploração de cada trabalhador e trabalhadora, de todos(as) os(as) trabalhadores(as) ocorria (e ocorre) de diferentes modos, com destaque para a mais valia – um valor a mais produzido que é apropriado pelos capitalistas –, seja através do aumento das horas trabalhadas (horas extras) e não pagas, seja pelo incremento da produção, tornando-a mais rápida e em maior escala, com o auxílio de máquinas e da colocação dos(as) trabalhadores(as) em linha. Também salários baixos – os salários eram tão baixos, no século 19 (XIX), que mulheres e crianças tinham que postas para trabalhar a fim de dar condições de sobrevivência às famílias, e recebiam salários menores que os dos homens. Não havia previdência social. As condições de trabalho nas fábricas eram péssimas, até mesmo insalubres. Havia crianças e adultos que perdiam mãos e até braços, estraçalhados pelas máquinas em momentos de descuido. Pior: perdiam o emprego quando isso ocorria, sem qualquer direito. Muitas vezes, todos(as) trabalhavam mais de 12 horas por dia! Férias inexistiam. Relógios eram manipulados para que cada trabalhador(a), com sua mulher e seus filhos trabalhassem a mais.

E as mercadorias? Postas no mercado, passaram a ser vistas como objetos de necessidade e, muitas vezes, até de desejos. O trabalhador e a trabalhadora (operários, operárias e outros) deixaram de ver as mercadorias como produtos do trabalho explorado. As mercadorias, com o tempo, foram se tornando fetiches. A alienação estava em curso: a mercadoria fetichizada perdeu seu caráter de produto e se tornou um bem em si, inclusive como objeto de desejo, de culto, como os deuses de Feuerbach. Cada trabalhador(a) se tornou um outro ser diante da mercadoria exposta na vitrine e no mercado, não enxergando nela um produto, fruto da exploração que enriquece os capitalistas. Só para dar alguns exemplos atuais: as mercadorias aparecem na televisão, em outdoors, vitrines de shoppings e mercados, lojas, etc., desejáveis e até mesmo idolatráveis, fetiches! Aquele carro do ano, aquela roupa da moda, aquele tênis, aquela grife, etc., como bem apresenta também o poema de Carlos Drummond de Andrade.

Fetiche significa, originalmente, feitiço, encantamento. A mercadoria, que se tornou um objeto encantado pelo mercado, objeto de profundo desejo e de adoração. E o que é uma crise econômica? Uma crise dessa adoração, desse encantamento, momento em que, por causa da falta de compra e redução nas vendas (muitas vezes, pela falta de dinheiro pela maioria das pessoa), o mercado entra em colapso. Então, os capitalistas, com o mercado, fazem? Em sua adoração à riqueza e à ambição desenfreadas, sacrifica a vida de milhões e milhões de pessoas, desempregadas e, muitas, levadas de volta à miséria.

No século 19 (XIX), crises de superprodução eram comuns. Produzia-se além do poder de consumo das pessoas, então sobrava muito, perdas podiam ser grandes. E a solução? Reduzir a produção, diminuindo a quantidade de trabalhadores(as), levados(as) ao desemprego e sujeitos, mais ainda, a salários curtíssimos – algo similar ao que ocorre no mundo atual –, no intuito de manter as riquezas do capital. O capital transforma as pessoas em coisas, palavra que aparece tanto no poema de Drummond (século 20 [XX]) quanto, antes dele, em Karl Marx (século 19 [XIX]).

O ser humano alienado – tornado outro –, ou seja, alguém sem identidade, torna-se coisa. Marx usa o termo reificação, ação de tornar-se res (palavra do latim que significa coisa) – coisificação. Daí, como bem aparece no poema, o Eu tornar-se “coisa, coisamente”.

A alienação – perda de identidade de produtor(a) de mercadorias, perda de identidade das pessoas enquanto pessoas – reforça a exploração, escondendo a realidade dessa exploração. Uma crise econômica, como a atual, no Brasil e no mundo, por exemplo, aparece ideologicamente como crise da falta de venda de mercadorias, como fruto do desaquecimento do mercado, não como fruto da reificação, da coisificação de milhões e milhões de trabalhadores(as) e de suas famílias. Ao deus mercado, junto com a ambição desenfreada em busca do aumento das riquezas de empresas e bancos, sacrificam-se vidas, famílias inteiras. Criam-se aparências, como a de que a culpa é também da Previdência ou das leis trabalhistas ditas antigas ou ultrapassadas. Esconde-se que, por trás, existe, no fundo, a exploração e milhões de pessoas cujo trabalho sustenta o modo de produção capitalista. Mexer em direitos de trabalhadores(as) para aumentar as riquezas e o poder econômico e político de grandes empresários, empresas multinacionais, investidores nacionais e estrangeiros, latifundiários e outros, a quem as reformas diretamente vão beneficiar e que não sofrerão com as perdas sofridas por aqueles(as).

Além dos seres humanos (operários e outros trabalhadores), o próprio mundo natural continua a ser sacrificado pelo capital. Uma das razões dos impasses em conferências climáticas, das saídas de grandes poluidores mundiais de tratados internacionais, é a produção de mercadorias e bens, sejam estes de compra e venda diretas, em mercados comuns, sejam eles bens financeiros (ações e outros produtos presentes em bolsas de valores). Uma produção fundada na exploração, de muitas formas, como as já apresentadas: mais valia, salários baixíssimos, horas extras não pagas, perda de direitos trabalhistas (na previdência, nas leis, etc.), etc. A própria corrupção, nas negociações e até na política aliada aos interesses do capital, é um meio de exploração – pessoas e grupos ricos se enriquecem às custas também do roubo do que é coletivo. Dentre os resultados, igualmente se encontram milhares de mortes em hospitais e serviços públicos de saúde, pessoas morrendo de fome em continentes inteiros, como é o caso da África, das Américas e outros, e tantos desmandos.

As mercadorias fetichizadas, não vistas mais como produtos frutos do trabalho explorado mas como bens de consumo, tornam-se objetos de desejo e de adoração, reforçados pela propaganda constante, seja na televisão, seja no rádio, em outdoors e por outros meios de comunicação, seja, como mostra bem o poema de Drummond, através da própria roupa, ou melhor, do próprio corpo, que estampa marcas e ideias de consumo, realizando gratuita e escravizadamente (“escravo da matéria anunciada”) a tal propaganda. Ao fetiche reforçado da mercadoria todos estão sujeitos: adultos, idosos, jovens, homens, mulheres e crianças. Aos fundamentos e às consequências do mercado e até de seu descontrole também!

E aqui um comentário sobre a “matéria anunciada”, da qual se torna escravo, perdendo a identidade, como aparece no poema. Matéria é o estofo, o conteúdo de que que uma mercadoria é feita. Curiosamente, a mercadoria é apresentada como matéria. Tem-se aqui uma metonímia – figura de linguagem que troca, neste caso, o contido (o bem, mercadoria) pelo conteúdo de que ele é composto. E não aparece à toa. A matéria transformada pelo trabalho se torna mercadoria, que é anunciada por meio das etiquetas. As mercadorias expostas à venda nos mercados, em sua imensa maioria, são, na verdade, matérias anunciadas, matérias em sua essência – diferentemente da essência humana, responsável pela identidade das pessoas enquanto seres inigualáveis, em sua “invencível condição”.

Crises econômicas (e políticas) trazem consigo, entre outros males, o desemprego. Ora, o desemprego, no sistema capitalista, também faz parte da exploração: empurra para baixo salários, obriga a realização de horas extras sem reclamação, oferece um exército de mão-de-obra barata constante, reduz o desejo de greve e desarticula movimentos de luta em prol dos(as) trabalhadores(as), possibilita que uma reforma trabalhista injusta – que leva à perda de direitos e ao aumento da exploração capitalista – seja engolida por goela abaixo pela imensa maioria daqueles(as) trabalhadores(as) desempregados(as) e também pelos(as) que estão empregados(as) sem reação e sem reclamação. Obriga a realização também de reformas político-econômicas injustas, a perda de bens coletivos da maioria, mas mantendo privilégios de quem dispõe de imensas riquezas nas mãos.

Guerras e violência entram, igualmente, nesse contexto. Mais de quinhentas mil pessoas mortas em guerra na Síria, milhares mortas na África, outros milhares pela violência no Brasil e em países do mundo todo (milhões de pessoas, se somados os milhares). Invasões, manutenção de exércitos (tropas) e outros meios de demonstração e sustentação do poder são outros fatos. Pessoas que perderam a identidade, que se tornaram coisas. Fetiche da mercadoria, fetiche do poder e da riqueza. Reificação (coisificação) de seres humanos, similar àquela presente no texto de Carlos Drummond de Andrade e que a reforça. Para que o consumo reificado de mercadorias e bens ocorra, além da identidade, pessoas perdem a vida e o mundo natural, com os seres humanos dentro dele, sofre com o aquecimento global e outros desastres naturais e humanos.

REFERÊNCIAS:

ANDRADE, Carlos Drummond de. Eu, etiqueta. Apud: PENSADOR UOL. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/MjAyODM0/  Acesso em 17/08/2024.

BOTTOMORE, Tom. Dicionário do Pensamento Marxista. Zahar, São Paulo, s/data. Disponível em: < https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7049739/mod_resource/content/1/Bottomore_dicion%C3%A1rio_pensamento_marxista.pdf > Acesso em 17/08/2024.

 

QUARTO BIMESTRE - AULA 38B DE FILOSOFIA DOS PRIMEIROS ANOS. ESTUDO AVALIATIVO: CAMÕES E O HELENISMO. (Prof. José A. Brazão.)

  

SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

COMANDO DE ENSINO POLICIAL MILITAR

 CEPMG - VASCO DOS REIS

Divisão de Ensino / Coordenação Pedagógica

QUARTO BIMESTRE

AULA 38B DE FILOSOFIA DOS PRIMEIROS ANOS

ESTADO DE GOIÁS

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

COORD. REGIONAL METROPOLITANA DE EDUCAÇÃO DE GOIÂNIA

COLÉGIO ESTADUAL DA POLÍCIA MILITAR VASCO DOS REIS

NOME:________________________________________________.Nº_______. 

ESTUDO AVALIATIVO: CAMÕES E O HELENISMO. (Prof. José A. Brazão.)

TURMA: ____. DATA:_____\_____\202_____.

PROF. JOSÉ ANTÔNIO BRAZÃO. FILOSOFIA – Primeiros anos do Ensino Médio.

Leia atentamente o poema a seguir, de Camões. Referente ao Geocentrismo.

TRECHO DE OS LUSÍADAS REFERENTE AO GEOCENTRISMO DE CLÁUDIO PTOLOMEU:

OS LUSÍADAS, DE CAMÕES

(Comentários de João Manoel Mimoso)

Encontrado em:

http://historia.com.pt/lusiadas/m%E1quina.htm

Texto de Camões:

Canto X estâncias [estrofes] 76-91

Tétis revela ao Gama a Máquina do Mundo- no trecho mais extraordinário d'Os Lusíadas Vasco da Gama recebe dos deuses, em recompensa dos seus trabalhos, o Conhecimento e é-lhe revelado o funcionamento do Universo de acordo com o modelo ptolomaico.

76) "Faz-te mercê, barão, a Sapiência

Suprema de, cos olhos corporais,

veres o que não pode a vã ciência

dos errados e míseros mortais.

Segue-me firme e forte, com prudência,

por este monte espesso, tu cos mais."

Assim lhe diz e o guia por um mato

árduo, difícil, duro a humano trato.

Tétis guia Vasco da Gama por um caminho

árduo que talvez simbolize a ignorância

que há a vencer para atingir o Saber.

77) Não andam muito que no erguido cume

se acharam, onde um campo se esmaltava

de esmeraldas, rubis, tais que presume

a vista que divino chão pisava.

Aqui um globo veem no ar, que o lume

claríssimo por ele penetrava,

de modo que o seu centro está evidente,

como a sua superfície, claramente.

 

o lume claríssimo- a luz forte

(penetrava no globo- isto é, era transparente).

79) Uniforme, perfeito, em si sustido,

qual, enfim, o Arquétipo que o criou.

Vendo o Gama este globo, comovido

de espanto e de desejo ali ficou.

Diz-lhe a Deusa: "O transunto, reduzido

em pequeno volume, aqui te dou

do Mundo aos olhos teus, para que vejas

por onde vás e irás e o que desejas."

em si sustido- funcionando por si só, sem

intervenção externa (mas

talvez se refira simplesmente ao facto do globo

estar suspenso no ar,

sem apoio externo); qual... o Arquétipo que o criou-

igual à imagem mental (arquétipo) ou plano

divino segundo o qual foi criado

(a maiúscula é usada por de tratar de um plano de Deus);

transunto- cópia, modelo.

80) "Vês aqui a grande Máquina do Mundo,

etérea e elemental, que fabricada

assim foi do Saber, alto e profundo,

que é sem princípio e meta limitada.

Quem cerca em derredor este rotundo

globo e sua superfície tão limada,

é Deus: mas o que é Deus ninguém o entende,

que a tanto o engenho humano não se estende"

etérea e elemental- pensava-se que o Universo tinha

uma parte formada dos 4 elementos

(terra, ar, água e fogo)

e outra não-elemental, formada de éter (etérea);

limada- lisa e polida.

81) "Este orbe que, primeiro, vai cercando

os outros mais pequenos que em si tem,

que está com luz tão clara radiando

que a vista cega e a mente vil também,

Empíreo se nomeia, onde logrando

puras almas estão daquele Bem

tamanho, que ele só se entende e alcança,

de quem não há no mundo semelhança."

segundo o modelo ptolomaico o universo

era formado por onze esferas (orbes), com a

Terra por centro.

A esfera externa, denominada "Empíreo"

era imóvel e etérea e nela estavam as almas

que tinham ascendido ao Paraíso.

82) "Aqui, só verdadeiros, gloriosos

divos estão, porque eu, Saturno e Jano,

Júpiter, Juno, fomos fabulosos,

fingidos de mortal e cego engano.

Só para fazer versos deleitosos

servimos; e, se mais o trato humano

nos pode dar, é só que o nome nosso

nestas estrelas pôs o engenho vosso."

 

 

divos- almas que ascenderam ao Divino, santos;

nome nosso nestas estrelas (etc...)-

Tétis reconhece que os deuses do Olimpo

são fabulosos e só existem nos nomes que

foram dados aos planetas (aqui chamados "estrelas").

85)  "Enfim que o Sumo Deus, que por segundas

causas obra no Mundo, tudo manda.

E tornando a contar-te das profundas

obras da Mão Divina veneranda,

debaixo deste círculo onde as mundas

almas divinas gozam, que não anda,

outro corre, tão leve e tão ligeiro

que não se enxerga: é o Móbil Primeiro."

que não anda- a 11ª esfera (Empíreo) era imóvel;

Móbil Primeiro- a 10ª esfera,

denominada Móbil Primeiro,

rodava rapidamente (à razão de uma rotação por dia)

e arrastava todas as outras que, assim,

eram por ela movidas a diferentes

velocidades de rotação (ver na estância seguinte

"com este ...movimento vão todos os que

dentro tem no seio").

86) "Com este rapto e grande movimento

vão todos os que dentro tem no seio;

por obra deste, o Sol, andando a tento,

o dia e noite faz, com curso alheio.

Debaixo deste leve, anda outro lento,

tão lento e sobjugado a duro freio,

que enquanto Febo, de luz nunca escasso,

duzentos cursos faz, dá ele um passo."

com curso alheio- sem movimento próprio

mas arrastado pelo movimento alheio (do Móbil Primeiro);

anda outro lento- referência à 9ª esfera,

aquosa, chamada Cristalino, que era suposta mover-se lentamente;

enquanto Febo (etc...)- enquanto o Sol completa

duzentos ciclos (isto é, em duzentos anos),

o Cristalino roda apenas um grau.

87) "Olha estoutro debaixo, que esmaltado

de corpos lisos anda e radiantes,

que também nele tem curso ordenado

e nos seus axes correm cintilantes.

Bem vês como se veste e faz ornado

co largo Cinto d' Ouro, que estelantes

animais doze traz afigurados,

aposentos de Febo limitados."

estoutro debaixo- a 8ª esfera (Firmamento) onde

existiam as estrelas (corpos lisos);

co largo Cinto d'Ouro (etc...)- o Zodíaco com

as doze constelações que são os Signos;

aposentos de Febo limitados- o Sol está em

cada um dos signos durante um mês apenas.

89) "Debaixo deste grande firmamento,

vês o céu de Saturno, deus antigo;

Júpiter logo faz o movimento,

e Marte abaixo, bélico inimigo;

o claro Olho do Céu, no quarto assento,

e Vénus, que os amores traz consigo;

Mercúrio, de eloquência soberana;

com três rostos, debaixo vai Diana."

Referência às 7 últimas esferas: a do planeta Saturno;

a de Júpiter, a de Marte; a do Sol (o claro Olho do Céu);

a de Vénus, a de Mercúrio; e, finalmente a da Lua,

cujos três rostos são as três fases (ou "faces")

em que está visível.

90) "Em todos estes orbes, diferente

curso verás, nuns grave e noutros leve;

ora fogem do centro longamente,

ora da Terra estão caminho breve,

bem como quis o Padre omnipotente,

que o fogo fez e o ar, o vento e a neve,

os quais verás que jazem mais adentro

e tem co mar a Terra por seu centro."

nuns grave e noutros leve- uns

lentos e os outros rápidos;

ora fogem do centro (etc...)- os planetas eram

supostos ter órbitas circulares (na realidade são

elípticas com o Sol num dos focos), excêntricas

em relação à Terra. Durante o seu curso tanto

se afastam muito (fogem do centro longamente),

como se aproximam da Terra

(ora da Terra estão caminho breve).

91) "Neste centro, pousada dos humanos,

que não sòmente, ousados, se contentam

de sofrerem da terra firme os danos,

mas inda o mar instável exprimentam,

verás as várias partes, que os insanos

mares dividem, onde se aposentam

várias nações que mandam vários reis,

vários costumes seus e várias leis."

várias leis- várias religiões.

[Orbe

substantivo masculino

1. corpo esférico em toda a sua extensão; esfera, globo, redondeza.

2. região, linha ou movimento circular; círculo, circunferência, volta. (Em: https://www.google.com.br/#q=orbe)]

 IN: http://historia.com.pt/lusiadas/ptolomaico.htm

João Manuel Mimoso.

O poema de Luís Vaz de Camões, poeta português do século XVI, descreve poeticamente o sistema astronômico geocêntrico, aceito pela Igreja Católica, a ciência medieval europeia e pelo próprio Camões.

 

Questão 1: Cite cinco nomes de deuses(as) gregos(as) citados(as) no texto (2,0): __________, ______________,_______________,___________________, _________________________.

Questão 2: As constelações de animais citadas no poema recebem o seguinte nome: ___________________________________________.(0,5)

Questão 3: Acreditava-se que o universo era dividido em duas grandes partes, a saber:

Mundo sublunar e _______________________________________. (0,5)

Questão 4: Cada uma das partes do universo era composta por elementos, com os seguintes nomes:

Mundo sublunar (Terra): _________, __________, __________ e __________.

Mundo supralunar (astros e Sol): __________.(0,5)

Questão 5: “Em todos estes orbes, diferente\ curso verás, nuns grave e noutros leve;\ora fogem do centro longamente” (estrofe 90). Isto porque as órbitas dos planetas eram consideradas de dois tipos: _________________________(maiores) e ____________________________ (menores, mas embutidas nas maiores). (1,0)

Questão 6: Releia e diga quantas vezes, NO POEMA, aparece a palavra ORBE(S):________. Circule, no poema, todas as vezes em que aparece. (1,0)

Questão 7: O sistema geocêntrico foi suplantado pelo sistema _____________________, do astrônomo polonês _____________________________________(séc. XV\XVI). (0,5)

Questão 8 (complemento): Faça, COM COMPASSO, numa folha A4 ou de caderno, os desenhos dos dois sistemas. (1,0 ponto cada um, se ficar bem feito). Use COMPASSO.

Faça bem feito! Bom estudo e bom trabalho. Diálogo interdisciplinar com a Língua Portuguesa.

LEVANTAMENTO DE PALAVRAS DESCONHECIDAS OU POUCO CONHECIDAS DO

POEMA DE CAMÕES E SEUS SIGNIFICADOS: (Procure no dicionário de português e anote.)

PALAVRA

SIGNIFICADOS

Sapiência

 

Mísero(s)

 

Lume

 

Sustido

 

Arquétipo

 

Transunto

 

Máquina

 

Etéreo, etérea

 

Elemental

 

Rotundo

 

Engenho

 

Limado, limada

 

Vil

 

Empíreo

 

Lograr (logrando)

 

Divo(s)

 

Fabuloso

 

Deleitoso

 

Trato (subst..)

 

Sumo

 

Venerando, veneranda

 

Móbil

 

Tento (subst..)

 

Sobjugado (Subjugado)

 

Alheio

 

Estoutro

 

Axe

 

Estelante

 

Aposento (subst..)

 

Bélico

 

Assento (subst..)

 

Eloquência

 

Padre

 

Omnipotente (onipotente)

 

Exprimentar (experimentar)

 

Insano

 

Costume(s)

 

 

 

 

 

PALAVRAS COMPLEMENTARES (DE FILOSOFIA) que não estão no poema:

Platonismo

 

 

 

Neoplatonismo

 

 

 

Geocentrismo

 

 

 

Faça bem feito! Bom estudo e bom trabalho. Diálogo interdisciplinar com a Língua Portuguesa.