domingo, 6 de dezembro de 2015

REPENTE FILOSÓFICO: (Prof. José Antônio Brazão.)

Repente é um tipo de música improvisada popular, muito presente no Nordeste do Brasil. Ela combina versos e rimas em torno de uma temática dada ou proposta (ex.: futebol, sogra, mulher, homem, o mundo e muitas outras temáticas). O repente, muitas das vezes, é cantado por um ou dois cantores (ou mais), chamados repentistas. Por conta de suas rimas, de sua sonoridade e de sua rica expressividade, além do caráter popular, o repente pode, com certeza, tornar-se um rico recurso de ensino-aprendizagem de Filosofia! Um exemplo possível, que pode ser melhorado:

REPENTE DO FILÓSOFO FRANCÊS: (Prof. José Antônio Brazão.)

(Refrão)

As ideias filosóficas

Vale a pena estudar

A filosofia de Descartes

Pra você eu vou contar.

(Estrofe 1)

Descartes foi um filósofo francês

Entender o conhecimento

Da cabeça e da vida alimento

Foi uma das coisas que ele fez.

(Refrão.)

(Estrofe 2.)

Também foi matemático

Descobriu as coordenadas

Que no estudo algébrico e geométrico

Cartesianas são chamadas.

(Refrão.)

(Estrofe 3)

Ele escreveu as meditações

Dos fundamentos do conhecimento

São verdadeiras reflexões

Para deste encontrar o primeiro fundamento.

(Refrão.)

(Estrofe 4)

Para melhor o conhecimento entender

Uma viagem pelo pensamento

Ele resolveu empreender

Pondo em dúvida todo intento.

(Refrão.)

(Estrofe 5)

Hiperbólica chama-se a dúvida

Com o rigor da matemática

Igualmente tida por metódica

Como um caminho em sua ida.

(Refrão.)

(Estrofe 6)

Duvidando dos sentidos

Por quanto são enganosos

Desde o início firmemente

O caminho foi seguido.

(Refrão.)

(Estrofe 7)

Imaginou um espírito enganador

Que a matemática lhe ensinou

A esta resolveu pôr em dúvida

Para não cair nas manhas do ludibriador.

(Refrão.)

(Estrofe 8)

Radicalizou tanto a dúvida

Que, após duvidar até de Deus,

Até ao fundo do poço chegou

E algo, enfim, ali encontrou.

(Refrão.)

(Estrofe 9)

Existir uma primeira certeza ele concluiu

Tendo descoberto o cogito

Eu penso, eu existo

Foi o que Descartes descobriu.

(Refrão.)

(Estrofe 10.)

Na mente a existência de uma ideia inata

Descartes percebeu

De Deus era essa ideia

Que com ele nasceu.

(Refrão.)

(Estrofe 11)

Deus é criador do mundo

E do mundo a existência

A certeza felizmente pôde ter

E portanto é certo de cada sentido o perceber.

(Refrão.)

(Estrofe 12)

Da matemática também tomou acerto

Pois o Divino Deus

Não permitiria um dos filhos seus

Ser enganado por um espírito astuto.

(Refrão.)

(Estrofe 13)

Nesse caminho de volta

Descartes pôde finalmente confirmar

Que a razão humana por ser a base

Com os conhecimentos as pessoas podem muito realizar.

(Refrão.)

(Estrofe 14)

Hoje as coordenadas cartesianas

Permitem gráficos e cálculos elaborar

E o pensamento, cogitando,

Grandes ideias formular.

(Refrão.)

(Observação: Esta proposta de repente de Filosofia pode ser melhorada, corrigida, reelaborada, musicalizada. Outros repentes podem ser criados por docentes e estudantes. O texto é também poesia muito simples. Tem finalidade educativa.)

A música popular (aqui, especificamente, o repente) pode ser um rico veículo de aprendizado de Filosofia e de outros componentes curriculares na escola. E é boa como meio de memorização e de mais tranquila compreensão dos conteúdos nela expressos.



Esta atividade pode ser feita em parceria da Filosofia com a Língua Portuguesa. Trabalhando interdisciplinarmente, tanto um componente curricular quanto o outro poderão se ajudar imensamente, aprimorando, corrigindo e combinando ideias para um aprendizado mais efetivo e eficaz de ambos componentes, além de outros possíveis que também poderão fazer parte de tal trabalho, como a História e a Geografia.

Outros tipos de músicas poderão ser trabalhados, de diferentes regiões do Brasil, entrando também no campo da Arte, outro componente curricular valiosíssimo nos ensino médio e fundamental, tendo em vista que a música é uma arte por excelência. O aprendizado de Filosofia pode tornar-se muito mais interessante com esses diálogos interdisciplinares. As e os estudantes poderão perceber ainda mais que existe uma conexão profunda entre as diferentes áreas de conhecimento.

No que tange à Língua Portuguesa, a escrita poética das palavras contidas no repente e em outros tipos de músicas, sua versificação rigorosa ou livre, suas rimas ricas e\ou pobres, sua sintaxe e tantos outros elementos do estudo da língua poderão ser explorados. E, ao mesmo tempo em que lê, elabora, analisa e ouve as músicas, como o repente, cada estudante passa a ter mais condições de aprender mais clara e criativamente a Filosofia! Um repente que trate da filosofia moderna e de suas características pode falar do neoplatonismo renascentista, com as traduções de Platão e de outros filósofos neoplatônicos, no chamado classicismo (busca renascentista de inspiração nos modelos antigos, greco-romanos). Poemas de amor de Camões e Shakespeare, por exemplo, relatam bem esse neoplatonismo.

No que diz respeito à História, o repente e outras músicas criadas poderão conter pontos de contextualização, que permitam, no modo poético de exposição musical, perceber que cada pensador(a), filósofo e\ou filósofa, situa-se num dado momento do tempo histórico das sociedades humanas e da filosofia. O mesmo com a Geografia, etc.

Com o trabalho interdisciplinar todo mundo tem muito a ganhar, como se pode perceber. Professor(a) de Filosofia, proponha essa ideia. E crie!
 
 
 

sábado, 21 de novembro de 2015

CALIGRAFIA COM FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)


Uma possibilidade de recurso didático simples, no ensino-aprendizado de Filosofia é a realização de reescrita caligráfica de pequenos textos filosóficos. Atividade em cadernos de caligrafia ou comuns. Na primeira linha da página, em cada folha do caderno vai um trecho do pensamento de uma filósofa ou filósofo, podendo estender-se em outras partes ou trechos significativos nas páginas seguintes. Repete-se o trecho, por escrito, nas linhas da página, buscando acompanhar a caligrafia proposta (uma boa caligrafia). Fazendo caligrafia, além de melhorar a letra, o(a) estudante lê filosofia!!

Objetivos: (a) Aprendizado de Filosofia. (b) Contato com textos de filósofas e filósofos diretamente. (c) Melhorar a caligrafia. O texto para aprendizado caligráfico poderá ser, por exemplo, um fragmento curto e significativo de algum filósofo pré-socrático. Ou vários fragmentos, um para cada página do caderno de caligrafia. Poderá ser um pequeno aforismo de Friedrich Nietzsche ou de Blaise Pascal, versos de poemas de Voltaire, um pensamento curto de algum livro de Albert Camus, entre outros tantos textos de filósofos e filósofas a escolher. Cinco linhas enumeradas por dia. Exemplo em linhas parecidas com as de caderno de caligrafia (3 linhas para treino):

“Tales diz que a água é o princípio de todas as coisas.” (parte do fragmento 3 – Aristóteles)
 
 
 
 
 
 
 
 

A fonte da primeira linha é French Script MT, parecida com uma escrita à mão. Nas demais linhas, o treino caligráfico. Como foi dito antes, pode ser em linhas de caderno comum. Veja um exemplo abaixo:

“Eis as teorias de Demócrito. Na origem de todas as coisas estão os átomos e o vazio (...).” (Diógenes L.)
 
 
 
 

Trechos tirados de:  BORNHEIM, Gerd A. (org.). Os Filósofos Pré-Socráticos. São Paulo, Cultrix, 1998.

A atividade é livre, proposta, não pode ser obrigatória. Mas pode enriquecer o aprendizado!! Pode ser aplicada também para crianças que tenham, em seu currículo escolar, a matéria (componente curricular) Filosofia. A proposta da caligrafia filosófica poderá ser feita oralmente e por escrito, num canto do quadro. As letras e tipos modelos de escritas de palavras poderão ser escolhidos de um livro de caligrafia ou seguindo o de alguém que tenha uma letra bonita (caligrafia é uma palavra provinda do grego e que significa, justamente, escrita bonita), não para cópia imitativa, mas como meio de obtenção de uma escrita melhor, própria e mais bela, compreensível.

Pode ser positiva a repetição da frase, por cinco vezes, na escrita das linhas, para a assimilação-memorização da mesma. Entretanto, para muito além do decoreba, é preciso que também haja reflexão e problematização de cada frase, com possível discussão em sala de aula, dependendo do número de estudantes que estiverem passando pela experiência da caligrafia com filosofia. Um círculo de estudantes e professor(a), certamente, poderá ajudar na descoberta de ideias interessantes que estejam contidas em cada frase, tendo em vista que cada estudante aponta uma ideia, um pensamento reflexivo acerca do conteúdo em estudo-discussão.

No que tange à qualidade da escrita das pessoas, incluindo de professores, professoras e estudantes, vale lembrar que ela é fundamental para uma boa compreensão dos conteúdos escritos, nelas expostos. Uma boa escrita é mais facilmente compreensível. E mesmo em um mundo em que há computadores, tablets, celulares e outros aparelhos eletroeletrônicos que dispõem de sistemas de escrita, nos quais se pode escolher até o tipo de escrita, em algum momento da vida e do dia a dia faz-se necessário o uso da escrita manual (manuscrita): aquele bilhete, aquele lembrete, aquele rascunho, entre outras possibilidades de uso da escrita com a(s) mão(s), caneta ou lápis e papel. Portanto, melhorar a escrita manual é uma boa ideia! Isto serve para docentes também. Professores e professoras devem buscar escrever inteligivelmente bem, inclusos(as) estudantes. O recurso didático aqui proposto dirige-se, particularmente, a cada estudante, aliando-se ao aprendizado de Filosofia!

Em sala de aula poderão ser trocadas experiências e ideias presentes nos trechos utilizados na atividade. A cada bimestre, conforme o conteúdo em estudo em Filosofia, poderão renovar-se os trechos de livros e textos escritos por filósofos e filósofas de cada período, relacionados. Os livros didáticos costumam trazer trechos e pequenos textos de filósofos e filósofas. Verifique e faça bom uso deles. Professor(a), fale dos aspectos positivos desta atividade. Com certeza, você encontrará estudantes e turmas que topem a proposta. Faça você também!

Comentário do primeiro trecho caligráfico dado como exemplo: “Tales diz que a água é o princípio de todas as coisas.” (parte do fragmento 3 – Aristóteles). Os primeiros filósofos gregos, que viveram entre os séculos VII e início do IV, aproximadamente, chamados pré-socráticos ou físicos (físicos por estudarem a physis, isto é, a natureza, conforme o grego), buscaram compreender o mundo (o cosmos – palavra grega que indica harmonia, beleza, referindo-se, aqui, à harmonia de todos os astros e seres) para além do modo como os mitos o explicavam, chegando a divergir destes.

Os pré-socráticos foram imprescindíveis para um salto no conhecimento do universo e das realidades terrestre e humana, empenhando-se por entender a realidade natural a partir dela mesma, fugindo dos modelos religiosos. Anaxágoras, um deles, por exemplo, era ateu. Simplício, citado no texto de Gerd Bornheim, no fragmento 4 citado, diz que Tales “parece ter sido ateu” (BORNHEIM, G. Op. Cit., p.23). Ainda que nem todos os pré-socráticos tivessem sido ateus, os passos que deram na busca da compreensão do universo foram fundamentais para o nascimento da filosofia e das ciências ocidentais. Tales foi o primeiro filósofo grego e, observando a quantidade imensa de água na Terra – nos mares, rios, riachos, lagos, corpos dos seres, nos frutos, etc. – concluiu que esta foi o princípio originário (a arqué ou arché, em grego) de tudo que existe, estando presente em tudo. Hoje, a ciência sabe que todos os seres vivos tiveram sua origem inicial na água! Fósseis e outras descobertas mostram bem isto.

O segundo trecho, de Demócrito (séc. V\IV a.C.), diz o seguinte: “Eis as teorias de Demócrito. Na origem de todas as coisas estão os átomos e o vazio (...).” (Diógenes L.). Demócrito foi discípulo de Leucipo, na cidade de Abdera, e ambos, com base, certamente, em experimentos simples, muita observação e racionalização, aliados à imaginação, concluíram que tudo é feito de átomos, ou seja, partículas minúsculas e indivisíveis (átomo é uma palavra grega que significa indivisível, que não pode ser dividido). Uma experiência que você pode fazer: rasgue uma folha de papel ao máximo que puder, até onde for possível, podendo usar tesoura. Use uma lupa para ver. Você verá que aqueles pedaços minúsculos de papel podem ser ainda mais divididos, até chegar ao que Leucipo e Demócrito definiram como átomos (hoje divisíveis)! E junto com os átomos, o VAZIO! Hoje se sabe que o universo tem grandes espaços vazios! O espaço vazio foi o que possibilitou o resfriamento das subpartículas originais, provindas do Big Bang (a grande explosão que deu origem ao universo). Neste ponto, o da existência e convivência dos átomos e do vazio, intuitiva e imaginariamente, Leucipo e, particularmente, Demócrito, do qual se sabe mais, deram um grande passo, seguido, posteriormente, por muitos outros homens e mulheres cientistas e filósofos(as)!

Veja quantas coisas puderam ser tiradas de dois trechos curtos, propostos aqui como ponto de apoio para o aprendizado de caligrafia e Filosofia! Outras tantas ideias poderão ser descobertas em textos curtos e trechos ou frases de outros filósofos e filósofas! Imagine o quanto um simples trabalho com a CALIGRAFIA pode, de repente, ajudar no aprendizado rico da FILOSOFIA, além de ajudar a melhorar a letra e a escrita manual de estudantes que topem a proposta!

E quem é professor(a) sabe muito bem o quanto é difícil decifrar a escrita de certos(as) estudantes, presente em questões abertas e em redações. Isto não vale só para quem tem letra feia. Também serve para quem tem uma letra, ou melhor, uma escrita de boa qualidade, bonita e a queira aprimorar. O ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, por exemplo, cobra, em suas avaliações, uma redação. Escrever bem, corretamente, dentro das normas da língua portuguesa formal, padrão, e com uma escrita bonita (caligrafia boa), demonstrando conhecimento e capacidade de argumentar, pode(m) ajudar muito na hora de fazer a tal redação do ENEM! Professor(a) de Filosofia, pense nisto na hora de conversar com as turmas a respeito da proposta de caligrafia filosófica. Todo mundo terá muito a ganhar! O aprendizado de Filosofia, igual e demasiadamente!

Só reforçando: atividade livre, não obrigatória, mas que, bem conduzida e bem feita, tem grande potencial de enriquecimento de aprendizado. Em termos de avaliação, você, professor(a) de Filosofia, poderá até dar uns pontos extras a quem participar da proposta, ainda que não sejam necessários, pois uma escrita bonita (caligrafia) tem validade para a vida toda, juntando ao que se pode aprender em termos de conhecimentos filosóficos!


Semanalmente você, professor(a), poderá propor cinco ou seis (talvez sete) frases significativas de filósofos e filósofas  em estudo (ou aleatoriamente, mas para discussões) – uma para cada dia útil da semana e uma página do caderno de caligrafia. Enumere cada uma – 1 para a segunda-feira, 2 para a terça, e assim por diante. Faça uma boa pesquisa e as escolha. Bons debates e excelente proveito a todos(as)!
 

sábado, 24 de outubro de 2015

BRINCADEIRA OU JOGO ORAL DE ADIVINHAR O FILÓSOFO (A FILÓSOFA, O SÍMBOLO LÓGICO, ETC.): (Prof. José Antônio Brazão.)

O jogo de adivinhar (ou jogo de adivinha) é uma brincadeira oral, na qual, a partir de informações dadas por uma pessoa, outra tem algumas chances de adivinhar  o ser ao qual a primeira se refere, podendo ser um animal, um objeto ou qualquer outro ser, cujo tipo é acordado mutuamente  no início da brincadeira entre todos os(as) participantes. Por exemplo:

 - É um animal.

- É um cachorro!

- Não. Tem rabo.

- Um gato!

- Não. Vive na floresta.

- É um macaco!

- Não. Corre pela mata caçando outros bichos.

- Então, é uma onça!

- Sim. (A seguir: explicações que achar necessárias.)

Essa brincadeira ou jogo pode ser útil  em alguma aula de Filosofia.  A professora ou o professor pode propor, por exemplo, como revisão do estudo de filósofos(as) ou de algum conteúdo filosófico estudado. Sugestão: que a professora ou o professor tenha em mãos a imagem ou o nome do(a) filósofo(a) ou conteúdo a que se refere, formulando questões progressivamente, ao longo do diálogo, sem entregar a informação final de uma só vez.  Por exemplo:

- É um filósofo grego.

- Platão.

- Não. É um filósofo pré-socrático.

- Tales de Mileto.

- Não. Este era, como Tales, um grande observador da natureza.

- Heráclito de Éfeso!

- Não. Partículas.

- Demócrito!

- Também não. Era de Clazômena.

- Anaxágoras!!

- Sim.                                                   

(E assim por diante.) (A seguir: explicações que achar necessárias.)

Esta brincadeira ou jogo é uma maneira descontraída e muito simples de se poder fazer um estudo revisivo de conteúdos estudados, por exemplo, ao longo de um bimestre. É fácil e não demanda materiais caros. Muito pelo contrário, economiza gastos e permite que cada estudante, de cada turma em que ela for aplicada, participe, opinando e buscando respostas. É claro, professor(a), proponha a atividade e explique-a, logo no início de cada aula ou no momento da aula em que vier a aplica-la. Outros exemplos, sobre correntes filosóficas (é bom que várias, diferentes, tenham sido estudadas), sistemas de governo, etc.:

EXEMPLO 1: RACIONALISMO.

- Corrente filosófica.

- Existencialismo!

- Não é o existencialismo. Discute a importância da experiência e da razão.

- Empirismo!

- Não. Defende a razão como base primeira do conhecimento verdadeiro.

- Racionalismo!

- Sim. (A seguir: explicações que achar necessárias.)

EXEMPLO 2: PARLAMENTARISMO.

- Sistema de governo.

- Monarquia!

- Não é a monarquia. Tem representantes eleitos pelo voto.

- Republicanismo!

- Não. Tem um representante principal.

- Presidencialismo!

- Não. O seu representante principal é o primeiro ministro.

- Parlamentarismo!

- Sim. Muito bom, pessoal! (A seguir: explicações que achar necessárias.)

Professor(a), se for o caso, vá anotando as respostas no quadro, a fim de que possam estar visíveis ou, no caso das perguntas, se estiverem em tiras longas de papel, recortadas, afixe-as ali para que todos(as) a as vejam e, ao final, afixe a resposta. Caso as e os estudantes “matem” a charada logo de início, proponha a leitura das outras perguntas que viriam a ser colocadas na sequência, as quais poderão ter sido previamente escritas por você, antes do debate. A vantagem de as escrever num papel (ou em tiras!), previamente, é que você ganha em termos de tempo e até mesmo de aproveitamento. Usando tiras, afixe-as no quadro com fita adesiva comum ou crepe.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ALQUIMIA E CIÊNCIA – A BUSCA DA PEDRA FILOSOFAL E DO ELIXIR DA ETERNA JUVENTUDE: (Prof. José Antônio Brazão.)


ALQUIMIA E CIÊNCIA – A BUSCA DA PEDRA FILOSOFAL E DO ELIXIR DA ETERNA JUVENTUDE: (Prof. José Antônio Brazão.) - com caça-palavras

Por muitos e muitos séculos, alquimistas de diferentes cantos da Terra  envidaram esforços na busca da chamada pedra filosofal, uma pedra ou substância que teria o poder de transformar qualquer metal em ouro! Também buscaram o elixir da longa vida ou elixir da vida eterna, isto é, uma substância ou remédio capaz de rejuvenescer ou de manter vivo(a) indefinidamente quem quer que dela(e) tomasse, curando o corpo e seus órgãos. Houve alquimistas árabes, chineses, indianos e outros, aos quais podem ser somados os europeus. Dentre os europeus, o mais famoso é Nicolas Flamel (ou Nicolau Flamel), que viveu entre o século XIV e início do XV da era cristã. Para dificultar a cópia de suas ideias, um símbolo após o outro era usado.

E os alquimistas conseguiram alguma das duas façanhas pretendidas?  Nem a pedra filosofal, nem o tal elixir da longa vida ou da vida eterna. No entanto, fizeram diversas descobertas, seja de substâncias e de elementos químicos (por exemplo: o fósforo), seja de remédios, seja de instrumentos e de recipientes científicos usados em laboratórios. É claro, misturavam, seguramente, ciência e misticismo, isto é, religiosidade, certas crenças no sobrenatural, mesclando-as aos seus estudos e textos, crendo existirem forças sobrenaturais que atuariam na natureza e até mesmo  nas substâncias. Acreditavam  no poder dessas forças e  em entidades que agiriam com elas ou por meio delas. Isaac Newton, o famoso cientista inglês do século XVII\início do XVIII, foi também alquimista!

Com o passar dos séculos, por meio das descobertas científicas  de leis que regem o funcionamento do universo e com a busca de uma compreensão simplesmente natural daquelas leis, sem necessidade de entidades ou forças sobrenaturais, muitíssimo se descobriu sobre a  combinação dos chamados elementos químicos. E se para os alquimistas estes eram quatro (terra, água, ar e fogo), com a crença também em um quinto, o éter, agora, entre os séculos XX e XXI, são mais de cem, muito bem descritos na tabela periódica dos elementos que compõem toda a matéria.

Porém, o desejo  de encontrar o elixir da eterna juventude  acabou-se? Não, por muito certo que não. Hoje, a indústria farmacêutica  e a medicina se empenham em fazer remédios muitíssimo eficazes no prolongar da vida e até mesmo da juventude e de seu vigor. Com a manipulação da molécula de DNA (ADN) – sigla de Ácido Desoxirribonucleico –, há cientistas que creem na parada do processo de envelhecimento celular e, portanto, a manutenção indefinida da vida.

E a pedra filosofal? Fazer diamantes já é possível em laboratórios. A vantagem destes é que custam caro e compensa sua fabricação. E o ouro? É também possível de ser fabricado, por conta dos conhecimentos que se tem dos átomos, muitíssimo maior que os que tinham os alquimistas acerca dos quatro elementos de Empédocles (e Aristóteles, com os quatro e o éter). Contudo, por conta de sua abundância maior que a dos diamantes e de seu preço, o que se gastaria para fabricar ouro não compensaria!

Mas o que os alquimistas do passado e os(as) cientistas de hoje têm mais em comum? Com certeza, um desejo imenso pelo conhecimento da natureza e daquilo que a constitui, de seus processos e da possibilidade de transformar substâncias e elementos ou princípios fundamentais existentes no mundo natural. Igualmente, o desejo de descobrir! O amor pela descoberta é vital em ambos. Também, uma certa ambição – obter ganhos com suas descobertas. Além dos ganhos, reconhecimento nacional e internacional. Hoje, inclusive, há indústrias que financiam pesadamente a ciência, na busca de altíssimos retornos lucrativos! Houve reis, no passado, que financiaram alquimistas! Como se vê, a ciência não é neutra. A neutralidade científica é um mito.

Uma preocupação comum dos antigos alquimistas e dos cientistas atuais: o registro e a preservação de suas descobertas. Até hoje há livros de alquimistas que podem ser encontrados em museus pelo mundo afora. Muitos cientistas, hoje, publicam suas descobertas em livros e, especialmente, em revistas científicas especializadas, algumas das quais reconhecidas internacionalmente. Quanto à preservação, é claro, nem tudo é mostrado. Descobertas no campo militar e muitas pesquisas em outras áreas são feitas em sigilo, a fim de evitar a descoberta por inimigos ou o plágio que fere direitos autorais. Curiosamente, houve alquimistas que usaram uma linguagem e símbolos difíceis de serem decifrados. Mais um ponto que mostra a não neutralidade científica, nem hoje, nem no passado! A ciência, como também a alquimia passada, não é neutra.

Mais uma preocupação em comum, como pôde ser visto: o aumento do tempo de vida e a possibilidade de uma vida vivida indefinidamente e com saúde adequada. No mundo atual, com a grande preocupação com o cuidado do corpo, muitas clínicas de estética e de tratamentos médicos diversos demonstram claramente o quanto o desejo humano de preocupação com o aumento do tempo de vida e com o embelezamento, tentando resgatar a juvenilidade ou prolonga-la são reais e capitalizáveis. A indústria de cosméticos, de beleza, somando-se as de remédios e tratamentos os mais variados, movimenta(m) bilhões de dólares, anualmente, no mundo! 

Para saber um pouco mais:

http://plato.stanford.edu/search/searcher.py?query=alchemy – Artigos em que aparece a alquimia (alchemy, em inglês) na Stanford Encyclopedia of Philosophy. Em inglês. Podem ser usados tradutores online, como o Google Tradutor, para o português.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alquimia - Verbete Alquimia, na Wikipédia.

Para imagens da alquimia e da ciência, poder-se-á buscar no Google Imagens, no Yahoo Imagens e outros sites de busca que disponibilizam a procura de imagens.

http://plato.stanford.edu/entries/chemistry/ - Artigo sobre a Filosofia da Química na Stanford Encyclopedia of Philosophy. Em inglês. Também podem ser usados tradutores online, para o português.

Para debater em sala de aula:

(1)O que leva as pessoas à busca de um largo prolongamento da vida?

(2)Que riscos para a humanidade e para o mundo natural existem com o prolongamento da vida humana?

(3)Todo mundo tem acesso aos tratamentos e aos cuidados necessários ao prolongamento da vida? Por quê? Dê exemplos claros disto.

(4)O que ocorreria com a economia mundial se houvesse uma grande produção de ouro (ou de diamantes) em laboratório, se houvesse viabilidade econômica para tal?

(5)Que pontos demonstram a clara inexistência da neutralidade científica (a pretensão da ciência ser neutra, isto é, não estar ligada a interesses e de cientistas estarem todos preocupados com toda a humanidade)?

(6)Que diferenças profundas há entre os alquimistas do passado, os químicos e os físicos de hoje?

(7)Que interesses estão por trás das ciências no mundo de hoje? Dê (Deem) exemplos.

Professor(a) de Filosofia (e outros): ponha outras ideias  em discussão! Bons debates!

Caça-palavras ALQUIMIA E CIÊNCIA: (Prof. José Antônio Brazão.)

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E
L
C
O
D
E
P
M
E

As palavras estão na vertical, na horizontal e na diagonal, da direita para a esquerda, de baixo para cima, atravessadas de um lado para outro, e vice-versa.