domingo, 9 de junho de 2019

TERCEIRA QUESTÃO COMENTADA DE FILOSOFIA DO ENEM 2018: (Prof. José Antônio Brazão.)


TERCEIRA QUESTÃO COMENTADA DE FILOSOFIA DO ENEM 2018: (Prof. José Antônio Brazão.)
QUESTÃO 62 CADERNO BRANCO – ENEM 2018:
O século XVIII é, por diversas razões, um século diferenciado. Razão e experimentação se aliavam no que se acreditava ser o verdadeiro caminho para o estabelecimento do conhecimento científico, por tanto tempo almejado. O fato, a análise e a indução passavam a ser parceiros fundamentais da razão. É ainda no século XVIII que o homem começa a tomar consciência de sua situação na história.
(ODALIA, N. In: PINSKY, J.; PINSKY, C. B. História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2003.)
No ambiente cultural do Antigo Regime, a discussão filosófica mencionada no texto tinha como uma de suas características a
(A) aproximação entre inovação e saberes antigos.
(B) conciliação entre revelação e metafísica platônica.
(C) vinculação entre escolástica e práticas de pesquisa.
(D) separação entre teologia e fundamentalismo religioso.
(E) contraposição entre clericalismo e liberdade de pensamento.
RESPOSTA: (E) contraposição entre clericalismo e liberdade de pensamento.
Vamos tomar o texto e a questão proposta a partir dele parte por parte:
·        “O século XVIII é, por diversas razões, um século diferenciado.”
É importante lembrar o que antecedeu o século XVIII, na Europa e no mundo Ocidental (mundo cultural e diretamente influenciado pela Europa): (a) o Renascimento artístico, cultural e científico; (b) as grandes navegações e descobertas marítimas europeias pelo mundo afora (Américas, Brasil, novos caminhos para as Índias, a circunavegação do mundo, etc.); (c) a Revolução Científica Moderna (Renascimento científico); (d) a Reforma Protestante e a Contrarreforma; (e) a filosofia moderna de cunho racionalista e empirista (não entrando aqui na filosofia política). O século XVIII foi herdeiro de todos esses acontecimentos. E ao longo dele, ademais, viu-se na Europa o impulso da Revolução Industrial, que culminará no século XIX. Houve um fortalecimento grande da burguesia. Porém, a sociedade guardará muito da estrutura feudal (o Antigo Regime), em que havia grupos separados dentro da sociedade europeia, tendo ainda como fundamento a terra (feudos – daí, feudal – grandes extensões de terras): clérigos (religiosos, Igreja), reis e rainhas, senhores feudais, servos (camponeses, em grande parte), burguesia (ao longo dos séculos XV em diante, em expansão e fortalecimento). O século XVIII irá diferenciar-se dos demais por carregar consigo as descobertas dos anteriores, um grande desenvolvimento no modo de produzir mercadorias (Revolução Industrial), com máquinas e fábricas, o reforço no poder econômico e na influência política da burguesia, no Iluminismo, movimento filosófico que deu grande valor à razão em seu poder de descobrir, inventar, criar, levar ao progresso.
·        “Razão e experimentação se aliavam no que se acreditava ser o verdadeiro caminho para o estabelecimento do conhecimento científico, por tanto tempo almejado.”
Uma das grandes preocupações de parte da filosofia moderna foi a questão do conhecimento humano: de onde provém?, qual é sua base?, como se formam as ideias?, etc. A corrente racionalista defendia que a razão é a base principal do conhecimento, na constituição das ideias e na compreensão do mundo. René Descartes, no século XVII, inclusive defendeu a existência de certas ideias inatas (nascidas com a pessoa) na mente humana. De acordo com Japiassú e Marcondes: “Em Descartes, as ideias inatas são aquelas que se originam da própria mente, independentemente de qualquer experiência anterior, e incluindo as ideias de um Deus Perfeito, da substância pensante e da matéria extensa.” (JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Citado em: Dicionário de Filosofia. Disponível em: https://sites.google.com/view/sbgdicionariodefilosofia/ideia-inata-pr%C3%A9concebida . Acesso em 09 de junho de 2019.). O racionalismo não nega a experiência sensível, mas desconfia profundamente dos sentidos, dando ênfase à razão como elemento fundante do conhecimento humano.
 A corrente empirista (empiria, em grego é experiência – aqui se referindo à experiência sensível), por sua vez, afirmou a preponderância da experiência sensorial ou sensível na elaboração do conhecimento. Experiência sensível é a observação direta da realidade e do mundo através dos cinco sentidos (olfato, tato, paladar, audição e visão). Segundo os empiristas, nada há na mente que não tenha passado antes pelos cinco sentidos. Dos filósofos empiristas modernos podem ser citados, por exemplo: Francis Bacon, John Locke e David Hume.
Um outro elemento importante foi a experimentação, no sentido de realizar experimentos – de acordo com o Google: experimento é um “trabalho científico que se destina a verificar um fenômeno físico”, ou seja uma atividade prática, sujeita à observação dos sentidos (principalmente a visão), que permite a compreensão de um ou mais fenômenos da natureza (physis, em grego, daí: física). Para citar alguns exemplos: Copérnico, Galileu Galilei, Isaac Newton e outros cientistas fizeram uma série de observações do mundo e da natureza. Junto com a experimentação, por sua vez, caminha a razão – novamente, de acordo com o Google: razão é: (substantivo feminino) 1.faculdade de raciocinar, apreender, compreender, ponderar, julgar; a inteligência. (...) 2.raciocínio que conduz à indução ou dedução de algo.” (Razão, em Dicionário Google. Disponível em: https://www.google.com/search?rlz=1C2CAFA_enBR772BR772&ei=8D_9XLL_Ktay5OUPnNi5-AQ&q=significado+de+raz%C3%A3o&oq=significado+de+raz%C3%A3o&gs_l=psy-ab.12...0.0..174308...0.0..0.0.0.......0......gws-wiz.tfAQ-Of7lEA . Acesso em 09 de junho de 2019.). De fato, o material obtido pela experimentação (informações daí advindas) foi trabalhado intensamente pela razão e transformado em leis naturais descobertas, máquinas, etc.
·        “O fato, a análise e a indução passavam a ser parceiros fundamentais da razão.”
Continuando o raciocínio (trabalho da razão, analisando e sintetizando – compondo, reunindo – ideias) anterior que vimos fazendo, os fatos (informações advindas da experimentação) foram analisados, investigados, permitindo novas descobertas. Um tipo de raciocínio muito usado foi a indução: raciocínio que une premissas particulares diversas e delas tira uma conclusão universal, geral. Como assim: premissas são afirmações que antecedem a conclusão, neste caso, uma série de observações de fenômenos naturais e experimentos, dos quais os cientistas citados tiraram conclusões universais. Por exemplo: a lei da gravidade, de Newton; a lei da queda livre, de Galileu; o heliocentrismo, de Copérnico; etc.
·        “É ainda no século XVIII que o homem começa a tomar consciência de sua situação na história.”
Capazes de conhecer o mundo e transforma-lo com o auxílio da ciência e das invenções, os seres humanos, de fato, puderam ter uma consciência cada vez mais clara da realidade do mundo e da história da qual faziam parte, incluindo seu momento vivido. Para a burguesia, por exemplo, um momento de afirmação de seu poder, o que ocorrerá em várias revoluções, como a Independência dos EUA, a Revolução Francesa e outras que viriam a ocorrer. O Iluminismo do século XVIII, inclusive, contribuiu profundamente para que estas ocorressem.
No ambiente cultural do Antigo Regime ... Que ambiente é esse? O Antigo Regime, como já foi referido, foi o feudalismo, cuja estrutura ainda se mantinha muito presente no mundo do século XVIII – no campo das ideias, por exemplo, a religião, que era um dos sustentáculos desse regime, mantinha, ainda, muitos traços de tradicionalismo, até mesmo de superstição e intolerância. Na Europa, na época, guerras de religião (católicos versus protestantes e vice-versa) eram constantes. Chegava-se ao absurdo de condenar pessoas que não estavam ou aparentemente não estavam de acordo com a religião oficial – o filósofo iluminista Voltaire, por exemplo, teve que se haver com vários casos e teve, às vezes, até de fugir por conta de suas críticas à estrutura social e aos desmandos que observava. O clericalismo – a influência intensa do clero (da Igreja) – era forte e procurava tolher ideias novas. Assim sendo, a liberdade de pensamento tornava-se extremamente essencial. Immanuel Kant, no livretro (livrinho) “O que é Iluminismo [O que é Ilustração]”, inclusive, fala da necessidade dos governantes darem ao povo o direito de pensar por si, sem a intervenção contínua dos “tutores”. (Livro que fica aqui como sugestão de leitura.) Daí a resposta dessa questão proposta pelo ENEM 2018:
“No ambiente cultural do Antigo Regime, a discussão filosófica mencionada no texto tinha como uma de suas características a
(E) contraposição entre clericalismo e liberdade de pensamento.”
Sugestões de leitura que poderão ajudar a entender bem a resposta:
·        O QUE É ILUMINISMO, de Immanuel (Emmanuel) Kant.
·        CONTOS, de Voltaire.
·        CARTAS FILOSÓFICAS, de Voltaire.
·        O seu livro didático de Filosofia, em uso em sua escola. Procure nas partes Conhecimento, Filosofia Moderna, Filosofia da Ciência (Ciência Moderna) e no índice de nomes, para os nomes de pensadores modernos citados aqui.
·        Livros de História – partes: história moderna, Renascimento, Reforma, Iluminismo, Independência dos Estados Unidos da América, Revolução Francesa, etc. O didático de História, usado em sua escola, é uma opção, além de outros possíveis que poderão ser encontrados na biblioteca de sua escola ou numa biblioteca pública, até mesmo na internet (mais uma boa opção), de forma rápida.
Dos livros mencionados você os poderá encontrar na biblioteca de sua escola, em uma biblioteca municipal, numa boa livraria e até no site Domínio Público, que publica obras completas gratuitamente (de repente, você encontra algum deles aí).

domingo, 28 de abril de 2019

QUESTÃO 2 COMENTADA DE FILOSOFIA DO ENEM 2018 (Prof. José Antônio Brazão.)


QUESTÃO 2 COMENTADA DE FILOSOFIA DO ENEM 2018 (Prof. José Antônio Brazão.)
QUESTÃO 59 DO CADERNO 3 BRANCO DO ENEM 2018 (FILOSOFIA):
TEXTO 1: Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e invenção. (HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1983.)
TEXTO 2: Não vamos concluir, com Hobbes que, por não ter nenhuma ideia de bondade, o homem seja naturalmente mau. Este autor deveria dizer que, sendo o estado de natureza aquele em que o cuidado de nossa conservação é menos prejudicial à dos outros, este estado era, por conseguinte, o mais próprio à paz e o mais conveniente ao gênero humano. (ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e o fundamento da desigualdade entre os homens. São Paulo, Martins Fontes, 1993 [adaptado].)
 Os trechos apresentam divergências conceituais entre autores que sustentam um entendimento segundo o qual a igualdade entre os homens se dá em razão de uma
(A)  predisposição ao conhecimento.
(B)  submissão ao transcendente.
(C)  tradição epistemológica.
(D) condição original.
(E)  vocação política.
RESPOSTA: letra (D) CONDIÇÃO ORIGINAL.
Analisando alternativa por alternativa:
Alternativa (A): predisposição ao conhecimento. Predisposição é uma disposição, tendência natural, inclinação, propensão. A palavra é composta por: pré/pre-, que significa antes de, anterior a; dispor, que significa pôr, colocar, apresentar; ação, ato de agir. Predisposição ao conhecimento é disposição ou tendência natural ou inclinação ao conhecimento, seja à busca do conhecimento, seja à facilidade de aprender, adquirir conhecimentos. Porém, é preciso prestar atenção em um fato: nenhum dos textos está tratando de conhecimento ou de aprendizagem. Então, pode-se descartar a alternativa (A).
Alternativa (B): submissão ao transcendente. Submissão é o ato de submeter-se, estar sob o domínio de. No caso, estar sob o domínio do transcendente. Transcendente, por sua vez, é o que está além da realidade material, referindo-se a Deus ou aos deuses ou seres divinos. Poder-se-á dizer: submissão a Deus. Mas os dois textos não falam disto, não tocam nem no nome de Deus ou de qualquer ser que transcenda a realidade material, cotidiana. Portanto, é preciso descartar a alternativa (B) como resposta.
Alternativa (C): tradição epistemológica. Tradição é aquilo que é transmitido ao longo do tempo, em uma sociedade ou em um grupo, por aquela ou este às gerações seguintes. Epistemológica vem de epistemologia, referindo-se ao conhecimento e à ciência (episteme, em grego). Tradição epistemológica pode ser a transmissão de ideias, conhecimentos e descobertas científicas ou filosóficas, no decurso do tempo. Pode referir-se a uma corrente filosófica ou científica que tem vários pensadores e pensadoras que a sigam e transmitam. No entanto, nenhum dos dois textos trata de ciência ou conhecimento. Logo, esta alternativa pode ser igualmente descartada.
Alternativa (E): vocação política. Vocação, ao pé da letra, é o ato de chamar (do latim vocare), referindo-se ao fato de alguém sentir-se chamado ou despertado para a busca de algo. Neste caso, chamado ou despertado para o mundo político, para seguir a política. Ainda que ambos os textos tratem de temas ligados à política (ex.: guerra, inimigo, segurança; estado de natureza, paz...), nenhum deixa entender que a igualdade entre as pessoas é fruto de um chamado de todos à vida política e à participação nela. Então, não pode ser a alternativa (E).
Resta a alternativa (D) condição original.
De acordo com o Dicio – Dicionário Online de Português:
“Significado de Condição
substantivo feminino
Característica, aspecto ou essência que determina algo ou alguém: condição humana; condição financeira.
Estado em que algo ou alguém se encontra: o carro está em boas condições; o doente está em péssimas condições.
Categoria ou estado de alguém em relação ao seu nascimento, ao seu status social, acadêmico ou familiar: condição de solteira.
Circunstância em que algo ou alguém se encontra num certo momento; conjuntura, estado, nível, ocasião: as condições da prefeitura são desesperadoras; o desemprego piorou a sua condição.
Aspecto excessivamente importante para que algo aconteça.
Estado do que pode acontecer; chance: não tenho condições de os hospedar.
O que determina, ou não, a realização de alguma coisa: as condições da prova.
[Jurídico] Cláusula que estabelece realização de uma situação ou de uma ação, para que ocorra o ato jurídico.
Etimologia (origem da palavra condição). Do latim conditio.onis.”
(DICIO – Dicionário Online de Português. Significado de Condição. Disponível em https://www.dicio.com.br/condicao/ Acesso em 28 de abril de 2019.)
Dois trechos desse significado poderão nos dar pistas: Condição = “Estado em que algo ou alguém se encontra” e Condição = “Circunstância em que algo ou alguém se encontra num certo momento; conjuntura, estado, nível, ocasião”. (Grifos meus.) O texto de Hobbes diz: “para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, é válido também para o tempo durante o qual vivem sem outra segurança...” (grifos meus). Tempo de que e tempo durante o qual indicam circunstâncias (condições de tempo, conjuntura, momento, ocasião) em que fatos se situam ou situaram, ocorrem ou ocorreram.
Original quer dizer da origem, referente à origem ou às origens. Origens, no caso, de quê? Dos seres humanos (todo homem, homem, como aparecem nos textos). Houve uma passagem do tempo de guerra, no caso de Hobbes, ao tempo de paz. Supõe-se também o conhecimento das ideias de Hobbes e Rousseau. Um resumo a seguir.
Thomas Hobbes (1588 – 1679), filósofo inglês, e Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778), filósofo suíço, estão entre os filósofos do mundo moderno (séculos XV – XVIII), que se preocuparam com a questão das origens e das bases da(s) sociedade(s). Eles e outros perceberam que a sociedade é fruto da saída do ser humano do mundo natural (estado de natureza) para o mundo social, com leis e governo. O estado natural foi a condição inicial em que as pessoas se encontravam, na natureza, antes de formarem sociedade(s).
Thomas Hobbes escreveu o livro Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Governo Eclesiástico e Civil, simplesmente referido como Leviatã. Para ele, o homem é mau por natureza e o estado de natureza é um estado de luta de todos contra todos. Um tempo de contínua guerra. Para não se matarem e se destruírem mutuamente, as pessoas fizeram um acordo, no qual surgiu a escolha de um governante todo-poderoso, que teria poderes plenos sobre todos, inclusive sobre a vida e a morte dos súditos, com a condição de garantir a vida e a propriedade de súditos e súditas. Por que absoluto, todo-poderoso? Porque o ser humano não deixou de ser mau por natureza, isto é, interesseiro, egoísta, ambicioso, belicoso (dado à luta por seus interesses), etc. O governante escolhido é comparado ao LEVIATÃ, daí o nome do livro, mencionado. Leviatã é um monstro marítimo poderoso citado na Bíblia, temido por séculos e milênios por marinheiros e navegadores, dominável somente por Deus. De fato, o governante escolhido só teria acima de si o próprio Deus.
Jean-Jacques Rousseau, por sua vez, escreveu O CONTRATO SOCIAL e acreditava que o homem (o ser humano) é bom por natureza. No estado de natureza os seres humanos eram bons. Porém, tendo-se deixado levar pela ambição e o próprio interesse, alguns tomaram terras e as separaram para si, obrigando os demais a concordarem. Nascia, então, a sociedade. A sociedade é, pois, um mal. O ser humano, não tendo mais como voltar ao estado original de natureza, à sua condição original e natural, precisa, contudo, buscar um retorno à natureza. O primeiro contrato, que deu origem à sociedade, foi imposto pelos fortes, os usurpadores. Um novo contrato é necessário, um contrato social, baseado no pacto social e na vontade geral. O pacto social seria a aceitação livre de deixar os interesses mesquinhos e pessoais e o excesso em favor de todos, a fim de formar uma sociedade mais justa e livre. A vontade geral seria  não a vontade de um governante absoluto que a impõe sobre todos, como no caso de Hobbes, mas a vontade de todos, expressa pela maioria das pessoas em votações e definições. A sociedade não seria perfeita, é claro, mas seria mais justa.
Quanto ao retorno à natureza, o livro EMÍLIO OU DA EDUCAÇÃO, de J.-J. Rousseau, propõe uma educação que ponha cada aprendiz em contado constante com a natureza, aprendendo com ela e a partir dela. Uma educação que respeite a natureza humana e trate a criança como criança e não como um adulto em miniatura. É um livro muito rico e que vale a pena, com os outros dois citados, ser lido.
Uma curiosidade: a ideia de bondade no estado de natureza, em Rousseau, fez surgir o mito do bom selvagem, presente na literatura brasileira do indianismo, tendo tido como representantes, por exemplo, Gonçalves Dias (poema I-Juca-Pirama) e José de Alencar (O Guarani, Ubirajara, Iracema ...). Vale a pena também conferir.
Enfim, a resposta é a ALTERNATIVA (D) CONDIÇÃO ORIGINAL, por referência direta ou indireta às condições humanas no estado de natureza e a este estado original da humanidade, antes da formação da(s) sociedade(s).
LEMBRETE:
Estudante que se prepara para o ENEM:
*Preste muita atenção nas aulas de Filosofia. Tire dúvidas, na hora, com o(a) professor(a).
*Estude e conheça bem as teorias dos filósofos. Você as encontrará no livro didático de Filosofia em uso na sua escola, em outros livros, didáticos ou não, que se encontrem na biblioteca de sua escola.
*Empenhe-se igualmente por dispor de bom vocabulário e conhecimento das palavras, que adentram na Língua Portuguesa. Atente para a Filosofia e a Língua Portuguesa, matérias que andam de mãos dadas. Você tem três anos do ensino médio para as aprender. Aprenda o máximo que puder.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

FILOSOFIA DO ENEM 2018 – PRIMEIRA QUESTÃO COMENTADA: ABORDAGEM SIMPLIFICADA. (Prof. José Antônio Brazão.)


QUESTÕES COMENTADAS DE FILOSOFIA DO ENEM 2018
FILOSOFIA DO ENEM 2018 – PRIMEIRA QUESTÃO COMENTADA: ABORDAGEM SIMPLIFICADA. (Prof. José Antônio Brazão.)
QUESTÃO 58 – CADERNO 3 BRANCO DO ENEM 2018:
Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente. (TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. Rio de Janeiro. Loyola, 2002.)
O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por
(A)       Reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos.
(B)       Sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.
(C)       Explicar as virtudes teologais pela demonstração.
(D)       Flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.
(E)       Justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.
RESPOSTA: (B) Sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.
Uma abordagem mais simples da questão 58 do caderno 3 branco do ENEM 2018, citada, pode ser a seguinte, tomando cada alternativa:
Primeiro: ler e reler o texto. Do que ele trata? De uma forma resumida: da existência real de Deus, para além do pensamento. Tendo isto em mente, pode-se analisar cada alternativa.
Alternativa (A) Reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos.
Partamos do significado de cada palavra: reiterar é reforçar, expor novamente; ortodoxia é a opinião (doxa) correta (orto) defendida, aqui, no caso, pela religião (“religiosa”); contra, em oposição a; os heréticos – pessoas que defendem heresias, doutrinas contrárias a uma religião determinada, neste caso, a religião cristã, pois Tomás de Aquino era cristão (católico romano). O texto não tem estrutura de defesa, nem fala de algum herético ou de heresia. Portanto, não pode ser a alternativa (A).
Alternativa (B) Sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.
Sustentar racionalmente é dar apoio racional a. A quê? Dar apoio racional à doutrina, isto é, usar a razão (a filosofia, os argumentos lógicos...) a serviço da doutrina – conjunto de ensinamentos e dogmas, neste caso, do cristianismo, da religião católica. Alicerçada pela fé: a doutrina (conjunto de ensinamentos e dogmas) tem sua base na fé, na crença em Deus e nas verdades aprendidas com a religião. De início, Tomás de Aquino usa os termos compreendido, significado, palavra, pensamento, o verbo designar e um raciocínio que desemboca numa conclusão:
1)      Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. [Na sequência, vem a demonstração desta tese (afirmação) – números 2, 3 e 4 a seguir.]
2)      Com efeito, essa palavra (Deus) designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento.
3)      Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade.
4)      Por conseguinte, a existência de Deus é evidente. (Conclusão.)
Tomás usa a razão alicerçada na fé para defender a doutrina de que Deus existe, é real.
Mas vamos analisar as outras alternativas:
Alternativa (C) Explicar as virtudes teologais pela demonstração.
Virtudes teologais são virtudes que têm sua fonte em Deus (theos, em grego) e que a Ele ligam quem as pratica. São três: a fé, a esperança e a caridade (o amor). Nenhuma delas é mencionada no texto, nem sua prática. Portanto, pode-se descartar a alternativa (C) como resposta.
Alternativa (D) Flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.
O significado de palavras pode ajudar: flexibilizar é tornar flexível, ajustável, moldável, dando a ideia de modificável. Vamos pensar um pouquinho: Que religião cristã (e até mesmo não cristã), hoje, muda sua interpretação oficial (dada pela própria religião) dos textos sagrados ou permite seus livres entendimento e interpretação? Dificilmente ou de modo nenhum. Praticamente de modo nenhum. O que não quer dizer que doutrinas não possam ser reinterpretadas. Mas de acordo com as doutrinas (ensinamentos e dogmas religiosos) oficiais. Ainda mais na Idade Média (Tomás de Aquino viveu na Idade Média): a Igreja Católica combatia heresias, ideias contrárias aos dogmas e aos ensinamentos baseadas em interpretações não oficiais dos textos sagrados (Bíblia). E o texto não propõe qualquer flexibilização doutrinária. Pelo contrário, Tomás de Aquino quer reforçar a certeza doutrinária da existência de Deus.
Alternativa (E) Justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.
Justificar pragmaticamente quer dizer justificar de forma prática, realista e objetiva. Crença livre é acreditar com liberdade, como se queira, sem intervenção, no caso, da religião. Dogmas são verdades religiosas que são dadas como tão certas que não podem ser discutidas, não podem ser contestadas (sofrer oposição), nem negadas.
As religiões são baseadas, em boa parte, em dogmas. Nega-los ou contesta-los (opor-se a eles) é negar a veracidade da religião, pondo em perigo a existência desta. O cristianismo tem seus dogmas, indiscutíveis. E seria proibido justificar liberdade de se crer ou não nos dogmas. Ora, se alguém é cristã(o), do ponto de vista da religião, não pode negar os dogmas sobre os quais alicerça-se a crença em Deus. E o que Tomás de Aquino quer é justamente o contrário: justificar e defender a visão oficial (da religião) sobre Deus, demonstrando que Ele é verdadeiro, real, efetivamente existente. Logo, a resposta não pode ser a (E).
Levando em consideração todas as alternativas analisadas, a que melhor responde à questão é a ALTERNATIVA (B). Resposta (B).

PRIMEIRA QUESTÃO COMENTADA DE FILOSOFIA DO ENEM 2018 (Prof. José Antônio Brazão.)


QUESTÕES COMENTADAS DE FILOSOFIA DO ENEM 2018
PRIMEIRA QUESTÃO COMENTADA (Prof. José Antônio Brazão.)
QUESTÃO 58 – CADERNO 3 BRANCO DO ENEM 2018:
Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente. (TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. Rio de Janeiro. Loyola, 2002.)
O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por
(A)  Reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos.
(B)  Sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.
(C)  Explicar as virtudes teologais pela demonstração.
(D) Flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.
(E)  Justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.
RESPOSTA: (B) Sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.
EXPLICANDO A RESPOSTA:
Tomás de Aquino foi um teólogo e filósofo, professor universitário, do século XIII (13). O período em que viveu foi o da escolástica. O que foi a filosofia escolástica? Foi a que se desenvolveu nas escolas e universidades do mundo medieval, na Europa, com destaque para os séculos XII, XIII e XIV, quando aquelas instituições de ensino atingiram seu auge. Um diálogo muito profundo se instaurou entre a teologia (estudo das coisas divinas, dos dogmas, da religião...) e a filosofia. Momento em que traduções de filósofos gregos vinham sendo feitas, do árabe para o latim ou do grego para o latim (o latim era língua de estudos dominante nos centros de conhecimento europeus).
O uso das ideias filosóficas na defesa racional da fé tornou-se fundamental. Buscava-se, então, sustentar racionalmente doutrinas alicerçadas na fé.  Sustentar, no sentido de dar base, de fundamentar e demonstrar a veracidade das doutrinas religiosas, aqui, mais especificamente, cristãs, católicas (Tomás de Aquino foi um padre católico). Racionalmente, ou seja, com base na razão, na capacidade humana de investigar e entender o mundo. A razão (logos, em grego, ratio, em latim) simbolizando a filosofia e sua estrutura argumentativa. E como Tomás de Aquino faz uso da razão filosófica aqui?
Tomás de Aquino usa uma estrutura lógica. A lógica lida com argumentos dos quais se tiram conclusões. Como? Vejamos detalhadamente.
“Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra ‘Deus’, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior.” (Tomás de Aquino)
Primeiramente, Tomás de Aquino diz que da compreensão do significado da palavra ‘Deus’ é possível saber, imediatamente (diretamente, na mesma hora), que Deus existe. Para demonstrar esta proposição – afirmação (neste caso), colocação, declaração – Tomás de Aquino toma, na primeira premissa (proposição posta antes da conclusão), a designação, o significado, da palavra Deus: “uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior”. A palavra Deus, com efeito, define um ser supremo, todo-poderoso, eterno, perfeitíssimo. Nenhum ser, portanto, é mais perfeito que Deus, nem superior a ele.
Segunda premissa (proposição, declaração, que antecede a conclusão): “Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento.” (Tomás de Aquino). O que existe na realidade E  no pensamento é maior do que existe apenas no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento, por quê? Porque é real, existe de fato, comprovadamente, é realidade! E a realidade vai além do pensamento, conforme se pode entender do que Tomás quer dizer.
Conclusão: “Donde se segue que o objeto designado pela palavra ‘Deus’, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente.” (Tomás de Aquino). Objeto é um ser, algo que existe. O objeto aqui tratado é ‘Deus”, palavra que existe no pensamento, mas que guarda consigo a realidade existencial. Pela definição de Deus, nada há mais perfeito que ele. Se o termo existe como palavra pensada e como suma perfeição, que está para além de tudo que existe (todos os seres [criados]), sendo real e não uma mera ideia, então, Deus existe evidentemente, isto é, claramente. Evidente é o que é claro, é o que é posto com clareza, nitidez. Deus existe de fato, Deus é real, não é mera ideia do pensamento.
Para aprofundar, vale citar a quarta via (o quarto caminho) que Tomás de Aquino segue, na Suma Teológica, para provar a existência de Deus:
“A quarta via procede dos graus que se encontram nas coisas. — Assim, nelas se encontram em proporção maior e menor o bem, a verdade, a nobreza e outros atributos semelhantes. Ora, o mais e o menos se dizem de diversos atributos enquanto se aproximam de um máximo, diversamente; assim, o mais cálido é o que mais se aproxima do maximamente cálido. Há, portanto, algo verdadeiríssimo, ótimo e nobilíssimo e, por consequente, maximamente ser; pois, as coisas maximamente verdadeiras são maximamente seres, como diz o Filósofo. Ora, o que é maximamente tal, em um gênero, é causa de tudo o que esse gênero compreende; assim o fogo, maximamente cálido, é causa de todos os cálidos, como no mesmo lugar se diz. Logo, há um ser, causa do ser, e da bondade, e de qualquer perfeição em tudo quanto existe, e chama-se Deus.” (AQUINO, Tomás de. Artigo 2: Se é demonstrável a existência de Deus. IN: _______________. Suma Teológica. Disponível em:  https://sumateologica.files.wordpress.com/2017/04/suma-teolc3b3gica.pdf   Acesso em 12 de abril de 2019.).
Resumindo: Existem, no mundo, graus de perfeição diferentes nos seres. Extrapolando o texto: uma planta é mais perfeita que uma pedra, pois é um ser vivo, a pedra é um ser bruto e sem vida; um animal é mais perfeito que uma planta, pois, além de se alimentar e estar vivo como a planta, é capaz de usar os sentidos e até mover-se; uma pessoa (ser humano), por sua vez, é mais perfeita que um animal, pois, além de alimentar-se e viver como a planta, de sentir e locomover-se como os animais, é um ser que dispõe de razão (intelecto, capacidade de investigar, entender e explicar, com uso das palavras, o mundo e os seres que nele existem). Mas o mais e o menos perfeito apontam para um grau mais superior de perfeição, um grau perfeitíssimo. Ora, o mais perfeito ou perfeitíssimo que há só pode ser Deus. Na questão do ENEM, Deus é “uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior” (ver o texto no início). Sendo Deus um ser perfeitíssimo, nada havendo maior que ele, e tendo por certo que o mais perfeito e o menos perfeito apontam para algo perfeitíssimo, esse ser perfeitíssimo, que é Deus, EXISTE.
Voltando ao texto: Dos graus de perfeição, Tomás de Aquino usa o termo cálido, que significa quente. Para além do quente (cálido) há o máximo quente, o quentíssimo, em graus que vão do menos para o máximo. Entre os seres há graus de perfeição, do menos perfeito ao mais perfeito, até o perfeitíssimo. Esse perfeitíssimo é “um ser, causa do ser, e da bondade, e de qualquer perfeição em tudo quanto existe, e chama-se Deus” (Tomás de Aquino), o ser mais nobre e perfeito que existe (nobilíssimo e perfeitíssimo).
Um termo que Tomás de Aquino usa é gênero. Gênero é o que engloba várias espécies com características comuns. Espécie é a reunião de indivíduos com características semelhantes. Indivíduo é cada ser que existe. Um exemplo para entender bem: Animal (gênero), espécies (homens, mulheres, mamíferos, peixes, entre outras espécies de animais), indivíduo (Manuel, boi, vaca, tucunaré, etc., indivíduos de espécies animais diferentes). Na palavra animal (gênero) se condensam características comuns a muitos seres vivos. E ainda existe um gênero maior: o SER, que engloba animais, plantas, pedras, tudo que existe. Ser é tudo que existe.
No caso da questão: há graus diferentes de ser e de perfeição nos seres – o ser que se define como ser perfeitíssimo e nobilíssimo (mais nobre) é Deus! Repetindo o trecho do texto da questão do ENEM 2018: “uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior” (Tomás de Aquino) (ver o texto no início). Esse ser divino EXISTE, é real, de acordo com o raciocínio de Tomás de Aquino. Raciocínio é um trabalho da razão (ratio, em latim). Pode-se ver, portanto, que Tomás de Aquino quis SUSTENTAR RACIONALMENTE (usando a razão) DOUTRINA (ensinamento religioso, neste caso) ALICERÇADA NA FÉ (na crença religiosa). Fé e razão precisam uma da outra, mas, é claro, a fé está acima da razão. A razão é um instrumento essencial na demonstração da fé, na sustentação (fundamentação, embasamento) desta, jamais esquecendo-se de que a fé é o alicerce, como defendia a doutrina católica medieval.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

DESAFIOS E USO DO INTELECTO HUMANO: (Prof. José Antônio Brazão.)


Desafios, pequenos ou grandes, são momentos em que o ser humano é posto para usar sua humanidade, seus valores, sua ética, sua preocupação consigo, com seus próximos e tantos outros semelhantes. Tragédias são grandes desafios e põem, mais ainda, a necessidade dessa humanidade. Muita gente que se põe a ajudar, pessoas que são mobilizadas e se dispõem a trabalhar para ajudar outras.
Momentos em que, junto com a humanização, o intelecto e a educação se conjugam mais fortemente. A capacidade de invenção é posta em ação: remédios, máquinas, ferramentas, vacinas, computadores e outras tantas criações humanas nasceram e nascem de desafios.
Todo o trabalho que foi feito em Mariana e em Brumadinho demandou e demanda o apoio de tantas pessoas! Exigiu e exige também o conhecimento e a tecnologia: helicópteros, equipamentos de comunicação, tanto entre as pessoas em trabalho direto e as entidades sociais envolvidas quanto a transmissão de redes de comunicação social que possibilitam o espalhar das informações (televisão, computadores, rádios, telefones celulares, revistas, jornais, etc.). Uma preocupação coletiva com relação a um imenso desafio. O governo de Israel, no caso de Brumadinho, muito gentilmente, inclusive, colocou à disposição homens e equipamentos de última geração para ajudar. Ajuda que somou com a contínua de tantas outras.
Pode-se imaginar também, um dia, em curto e a médio prazo, um satélite ou um drone ou um balão dirigível (ou todos eles conjugados) com sofisticado sistema de rastreamento e mapeamento de formas e elementos químicos próprios do corpo humano, que emita ondas similares às de um sonar e possibilite encontrar mais rapidamente as pessoas em estouros de barragens, avalanches, soterramentos e coisas desse tipo! Com um GPS acoplado, dando a localização e a profundidade de cada pessoa encontrada. Ganhar-se-á tempo e, com certeza, até se poderá salvar mais vidas. Possível? Sim.
Ao longo dos últimos séculos, cientistas inventaram telescópios dos mais diversos tipos e até de ondas infravermelhas, radares sofisticados, sonares, câmeras de vigilância sofisticadíssimas, aparelhos de rastreamento, aparelhos de raios X e de ultrassom, scanners, etc. Um aparelho que possibilite aquele rastreamento, em superfície e em profundidade, fazendo um scanner completo de uma dada área ou de um local devastado, permitindo encontrar o maior número possível ou a totalidade de pessoas desaparecidas, podendo mandar informações em tempo real a computadores, pode permitir uma agilidade e um direcionamento ainda melhor nas ações. Um aparelho não extremamente caro, de modo que possa ser acessível a governos de estados e a federações, até de cidades.
Um aparelho desses – de rastreamento e mapeamento profundos – pode vir a evitar, inclusive, posteriores doenças em bombeiros, bombeiras e voluntários(as). Mais vidas ainda a serem salvas! Para quem já mapeou a Terra, Marte, a Lua, o Sistema Solar, bilhões de galáxias, o corpo humano, (o próprio Titanic e sua área), etc., com aparelhos muitíssimo sofisticados, fica aí a sugestão de mais esse aparelho de rastreamento e mapeamento profundos para a salvação de vidas e a recuperação de pessoas.

domingo, 6 de janeiro de 2019

FILOSOFIA NO IN OUR TIME DA BBC (Prof. José Antônio Brazão.)


Um material muito interessante e valioso para o aprendizado de Filosofia e Língua Inglesa, em áudio, é o programa In Our Time, conduzido pelo repórter Melvyn Bragg, da BBC.. É um programa de rádio que reúne professores e professoras de universidades, principalmente da Inglaterra. Bragg é o mediador dos debates.
Há várias áreas de debate, com destaque para Filosofia, História, Ciências e Arte, envolvendo descobertas e outros estudos e realizações da humanidade no transcurso de milênios da história desta. As discussões podem envolver das ideias e descobertas de um(a) pensador (filósofo ou filósofa, cientista, artista, matemático/matemática, etc.) até temas determinados (ex.: Bóson de Higgs, ondas gravitacionais, liberdade, bem/mal, etc.) e acontecimentos históricos que exerceram influência(s) no transcurso dos séculos.
Os programas são passados via rádio e internet (Rádio 4 da BBC), gravados e postos como downloads gratuitos para quem os desejar ouvir e estudar. Para quem ensina Filosofia, História, Ciências, Arte e outras áreas afins (Matemática, por exemplo) e estuda a língua inglesa é um material, sem margem de dúvida, muitíssimo rico.
Dentro da Filosofia podem ser citados, além de muitos outros:
Al-Ghazali. – Referência: Filosofia árabe (de língua árabe) medieval.
Al-Kindi. – Idem.
Alchemy. Discussão sobre a Alquimia.
Archimedes. Discussão sobre o matemático e cientista grego antigo Arquimedes de Siracura.
Artificial Inteligence. Discussão a respeito da Inteligência Artificial – computadores e outras máquinas.
Averroes. – Referência: Filosofia árabe medieval.
Avicenna. – Ref.: Filosofia árabe medieval.
Chemical Elements. Além da tabela periódica, faz uma passagem histórica que vai até os quatro elementos de Empédocles e Aristóteles.
Cogito Ergo Sum. Discussão sobre o pensamento de René Descartes e sua famosa frase “Penso, logo existo” (Cogito Ergo Sum).
Cynicism. Discussão sobre o pensamento helenístico dos filósofos cínicos, da antiguidade.
Empiricism. Discussão sobre o Empirismo, filosofia que fundamenta o conhecimento na experiência sensorial e na formação de ideias a partir daí.
Hannah Arendt. Discussão sobre a filósofa judia Hannah Arendt e suas reflexões sobre temas como o totalitalismo, o poder, entre outros.
Ibn Khaldun. – Referência: Filosofia árabe medieval.
Johannes Kepler. Discussão sobre as ideias e descobertas do astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler.
Karl Marx. Discussão sobre as ideias e descobertas do pensador alemão Karl Marx e sobre a repercussão de seu pensamento.
Logic. Discussão sobre Lógica, desde a lógica formal aristotélica até a lógica contemporânea.
Logical Positivism. Discussão sobre as ideias de filósofos do positivismo lógico, de suas reflexões sobre a ciência, a política e outras.
Machiavelli and the Italian City States. Discussão sobre o pensamento do filósofo italiano Nicolau Maquiavel.
Maxwell (James C. Maxwell). Discussão sobre as ideias do cientista, matemático e pensador escocês James Clerk Maxwell. (Tema interessante para Filosofia da Ciência.)
Moses Ben Maimonides. Discussão sobre o filósofo judeu medieval Moisés Ben Maimônides.
Neoplatonism. Discussão sobre o pensamento dos filósofos neoplatônicos, com destaque para Plotino, além de outros. Também sobre a influência posterior do neoplatonismo.
Nietzsche. Discussão sobre o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e seus questionamentos aos valores predominantes na moral ocidental.
Nihilism. Retoma o debate sobre Nietzsche, enfocando o tema Niilismo.
Phenomenology. Discussão sobre as ideias de Edmund Husserl e da Fenomenologia.
Popper. Discussão sobre o filósofo austríaco de cidadania britânica Karl Popper, suas reflexões sobre ciência, sociedade, política e outros temas.
Ptolemy. Discussão sobre o astrônomo e matemático Cláudio Ptolomeu, do século II (2) da era cristã, que condensou e fundamentou o geocentrismo. (Filosofia da Ciência.)
Saint Thomas Aquinas. Discussão sobre as ideias de São Tomás de Aquino, teólogo e filósofo medieval que, com seu mestre Alberto Magno, adequou a filosofia aristotélica ao pensamento cristão (católico) medieval.
Science in the 20th century. Discussão sobre a presença e o impacto da ciência e de suas descobertas ao longo do século XX (20).
Simone Weil. Discussão sobre as ideias e a pessoa da filósofa francesa Simone Weil, suas reflexões éticas e políticas.
Socrates. Discussão sobre o filósofo grego Sócrates, que foi mestre de Platão, na antiguidade.
Spinoza. Discussão sobre o filósofo judeu luso-holandês Baruch Spinoza (Benedito Espinosa).
The Calendar. Discussão interessante sobre a origem e a formação dos calendários. Temas como o tempo e a temporalidade aí aparecem.
The Continental Analitic Split. Discussão sobre o modo de pensar analítico da filosofia continental europeia (francesa, alemã, etc.).
The Frankfurt School. Discussão sobre as ideias e os pensadores da Escola de Frankfurt, surgida na primeira metade do século XX (20).
The Greek Myths. Discussão interessante sobre os mitos e a mitologia (conjunto de mitos) gregos e seu impacto no pensamento ocidental.
The Medieval University. Discussão sobre o surgimento e a estruturação das universidades no mundo medieval europeu.
The Scientific Method. Discussão sobre o método científico.
The Translation Movement. Discussão sobre o movimento de tradução, surgido no mundo árabe medieval, que traduziu muitíssimas obras de pensadores antigos e outros.
Wittgenstein. Discussão sobre a vida e, principalmente, sobre as ideias do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein.
Há muitos e muitos outros programas, com temas riquíssimos, utilíssimos a professoras e professores de Filosofia no ensino médio, os quais podem enriquecer a compreensão da Filosofia e até, de repente, servir de modelo(s) para discussões em sala de aula (Quem sabe?!). Para outros professores e professoras, de outras áreas, também! O importante é garimpar bem o que há de interessante nesse site e saber usar bem todo esse material. Como diz o dito: “Professor é aquele que, de repente, aprende.” Professor(a): aprenda sempre! Aprenda todos os dias! Ao longo da vida toda.
ONDE ENCONTRAR:
IN OUR TIME PODCASTS:
IN OUR TIME DOWNLOADS:
Podem ser acessados através de computador comum (PC), notebook, telefones celulares e outros (ex.: tablets).