quarta-feira, 30 de março de 2016

CAÇA-PALAVRAS NO ENSINO DE FILOSOFIA. (Prof. José Antônio Brazão.)

Um bom recurso didático, para reforço de ideias filosóficas, no âmbito escolar, é o uso de caça-palavras.
PRÉ-SOCRÁTICOS E SOFISTAS EM FRAGMENTOS:(Prof. José Antônio Brazão.)

O conhecimento que hoje se tem dos filósofos pré-socráticos e sofistas é fruto, na verdade, de um amontoado de citações e comentários feitos por outros filósofos e escritores antigos, dos quais se destacam Platão e Aristóteles, dentre outros. Em fragmentos. As obras por eles escritas se perderam ao longo do tempo, por ação de traças, descuidos humanos, má conservação ou destruição. Também por falta de pensadores que dessem continuidade aos estudos e pesquisas que fizeram. Platão e Aristóteles, por exemplo, haviam fundado escolas que deram continuidade ao seu pensamento, fazendo cópias e recópias de seus livros sobreviventes, durante séculos.

Graças ao trabalho de estudiosos dos séculos XIX e XX, principalmente, cada citação e cada comentário foram separados, postos em certa ordem e enumerados, formando conjuntos de fragmentos, que hoje servem de referência e de objeto de estudo dos interessados. Com certeza, a atividade daqueles estudiosos trouxe novas luzes para a compreensão dos filósofos gregos antigos, resultado de leituras atentas de obras conservadas, de análise, desmontagem e reconstrução textual, de muita pesquisa.

O trabalho do pesquisador, com efeito, demanda conhecimento profundo da área estudada – resultante de muitas leituras e estudos –, num olhar atento, que consegue observar peculiaridades e detalhes, discussão, troca e confronto de ideias com outros estudiosos e, sobretudo, muita curiosidade, fazendo com que uma pergunta leve a outra, numa busca incessante de respostas. Em qualquer atividade ou área de conhecimento tudo isto é necessário Lembre-se! (Cf. tb. Copistas medievais.)

CAÇA-PALAVRAS PRÉ-SOCRÁTICOS E SOFISTAS EM FRAGMENTOS.

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As palavras estão na horizontal, na vertical, na diagonal, da direita para a esquerda e vice-versa.




FILOSOFIA MODERNA – Prof. José Antônio Brazão.

(Usar MAPAS, LIVROS DE ARTE e BANNERS da biblioteca da escola. Complemento.)

O mundo europeu, que vai, aproximadamente, do século XV ao XVIII, é marcado por uma série de transformações. Uma delas, no modo econômico de produção, com a paulatina afirmação e posterior consolidação do capitalismo. Os reinos e as cidades da Europa vinham desenvolvendo-se e crescendo. A melhoria nos transportes náuticos, com o aperfeiçoamento de aparelhos como a bússola, o sextante e o astrolábio, bem como na construção de embarcações, possibilitou o avanço, cada vez maior, das navegações em novas direções pelos oceanos e mares. Novas rotas e terras desconhecidas foram sendo descobertas e dominadas. Dentre os meios de domínio sobre os habitantes foram utilizados, o genocídio (extermínio), a pilhagem, o saque e a escravidão, tudo em nome do capital a ser obtido e ampliado, formando a riqueza e aumentando o poder de reis, nobres e burgueses. A burguesia fortaleceu-se muitíssimo, no decurso dos séculos. Uma série de descobertas no campo da ciência pôs em xeque o princípio de autoridade, muito usado para definir e responder as questões científicas, na Baixa Idade Média (séculos XI a XV d.C.) e em parte significativa da Idade Moderna. O que as antigas autoridades diziam era a verdade: a Bíblia, interpretada ao pé da letra, muitas vezes, os santos, Aristóteles, Platão, Cláudio Ptolomeu, entre outros pensadores tidos como autoridades.

No campo das artes, o Renascimento, com artistas como: Michelangelo Buonarotti, Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio e Albrecht Dürer. No campo da ciência, destaque para as descobertas e ideias de Nicolau Copérnico, Galileo Galilei, Johannes Kepler e Isaac Newton deram grande impulso à compreensão das leis do universo e do próprio planeta Terra: heliocentrismo, gravidade, movimento dos corpos celestes e naturais, etc. Ao mesmo tempo, a Reforma Protestante e a Contrarreforma Católica trouxeram mudanças religiosas fundamentais até para os dias atuais: o surgimento de novas igrejas cristãs e o enrijecimento dogmático, tendo tido este suas expressões maiores no Concílio de Trento e na Inquisição.

No campo da filosofia, destaques para o racionalismo (R) e o empirismo (E) modernos, que tiveram como grandes expoentes: o francês René Descartes (R), John Locke e David Hume (E), ambos das ilhas britânicas. De acordo com o racionalismo, a razão (ratio, em latim) é a base para o conhecimento da realidade. De acordo com Descartes, inclusive, existem ideias inatas, isto é ideias preexistentes ao nascimento das pessoas ou que já nascem com elas, como a ideia de Deus e do próprio eu pensante (Cogito – Eu penso). Descartes descobriu-as tomando como ponto de partida e como caminho a dúvida metódica. E, a partir dessas duas ideias, pôde, então, afirmar a certeza a respeito do mundo circundante e da matemática. Fundamento: a razão.

De acordo com os empiristas, o conhecimento humano é fruto da experiência sensível, contato direto com o mundo através dos cinco sentidos. O intelecto humano (razão) trabalha com as informações enviadas pelas experiências sensíveis e constrói o conhecimento. Nada há na mente que antes não tenha passado pelos cinco sentidos, de acordo com eles. Para Locke, a mente é uma tabula rasa (expressão latina), ou seja, um papel em branco, no qual as informações sensíveis vão sendo escritas, arquivadas e encaixadas. Hume deu um passo adiante: afirmou que não basta a experiência imediata (direta) tão somente para a elaboração de conhecimentos. É preciso algo mais: experiências repetidas, transformadas em hábito. O hábito é o grande guia do conhecimento humano. De tanto ver as coisas acontecerem da mesma forma, os seres humanos tiram conclusões a respeito do mundo que os rodeia, formulando, a partir daí, leis gerais que vão fundamentar a ciência e a própria vida das pessoas.

No século XVIII, a Revolução Industrial, que vinha sendo preparada antes, tomou grande impulso na Europa, com novas máquinas e uma produção em uma escala sem precedentes na história humana. Junto com ela a intensificação da exploração dos trabalhadores, inclusive de crianças e mulheres. Época também do Iluminismo.

CAÇA–PALAVRAS FILOSÓFICO 2 – FILOSOFIA MODERNA. Prof. José Antônio Brazão. (3,0)

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As palavras estão na vertical, na horizontal e na diagonal, dispostas da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita.

 
 
 

domingo, 27 de março de 2016

SÉCULOS XVI\XVII XIX E XX: O DESLOCAMENTO DO HOMEM. (Prof. José Antônio Brazão.)

Nos últimos cinco séculos (XVI – XX), o ser humano sofreu o deslocamento de algumas posições privilegiadas que ocupava no universo.

Até o século XVI, os seres humanos ocupavam o centro do universo, numa visão geocêntrica muito antiga, anterior ao tempo do próprio Cristo. O geocentrismo foi um sistema astronômico que predominou por mais de dois milênios, até mais, no mundo ocidental. A Terra, Geia\Geo, em grego, ocupava o centro, em torno da qual giravam todos os demais astros, inclusive o Sol e as estrelas fixas. Eudoxo de Cnido e Aristóteles de Estagira, discípulos de Platão, na Academia, no século IV a.C., defenderam e buscaram sistematizar o conhecimento em torno no universo geocêntrico. No século II da era cristã, na Biblioteca de Alexandria, o astrônomo e geógrafo Cláudio Ptolomeu, no livro Almagesto, sistematizou, mais ainda, o geocentrismo, acrescentando epiciclos para explicar as variações nas órbitas planetárias. A voz de Aristarco de Samos, matemático e astrônomo grego do século III a.C., que defendera o heliocentrismo, foi silenciada. No século XVI, em seu magnífico poema Os Lusíadas, Luís Vaz de Camões, o português, descreve poeticamente o sistema geocêntrico!

No século XVI, um sacerdote, matemático e astrônomo, depois de muitas observações, cálculos e anotações, usando os olhos e ferramentas astronômicas rudimentares, chegou à conclusão ousada de que a Terra nada mais é do que um planeta, que, como quaisquer outros, gira em torno do glorioso e iluminado Sol! Chamava-se Nicolau Copérnico, era polonês. Seu livro, Da Revolução dos Orbes Celestes, foi, inclusive, posto no Índice dos Livros Proibidos (em latim, Index Librorum Prohibitorum), pela Inquisição Católica e criticado até por Martinho Lutero, o reformista. Mas, mesmo proibido, foi lido e, com muita argúcia, conhecimentos profundos dos céus e muitas experiências, cálculos e observações, Galileu Galilei, no século XVII, concluiu e provou que Copérnico estava certíssimo. Aristarco também. O HELIOCENTRISMO é uma realidade. O ser humano perdia, então, o privilégio de viver no centro do universo, onde fora colocado por Deus, conforme o livro do Gênesis, da Bíblia.

Até o século XVIII e parte do XIX, além de ser imagem e semelhança de Deus, o ser humano era visto como um ser racional por excelência. Partindo do século XVII, até o XIX, René Descartes, Immanuel Kant e Friedrich Hegel, por exemplo, foram grandes defensores e estudiosos da racionalidade humana! O próprio Iluminismo tratou muito das luzes da razão. No entanto, no século XIX e início do XX, um médico e psicoterapeuta alemão, chamado Sigmund Freud, descobriu algo impressionante: o INCONSCIENTE, isto é, uma estrutura que existe na mente humana, na qual ficam escondidos desejos, pulsões, lembranças e uma porção de informações aparentemente esquecidas, que atuam sobre o ser humano e conduzem, muitas vezes, suas ações e seus traumas psicológicos. Muitas das ações humanas têm, na verdade, motivações inconscientes. O ser humano deixou de ser visto como um ser puramente racional! Deslocou-se do pedestal da racionalidade pura.

Ainda, mais uma vez. Até os séculos XVIII e parte do XIX da era cristã, o ser humano era visto pela maioria das pessoas como o centro da criação divina, conforme o Gênesis bíblico, em seus capítulos 1 a 3 (um a três), imagem e semelhança de Deus, do Criador (Gênesis, cap. 1). No século XIX, os estudos, as observações e as descobertas de dois naturalistas ingleses, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, demonstraram e provaram a existência de um mecanismo de evolução de todos os seres vivos, incluindo o próprio ser humano, dentro da natureza. Um mecanismo regido por meio da SELEÇÃO NATURAL, numa luta constante, da qual somente os mais fortes e os mais bem adaptados sobrevivem, evoluem e passam suas características a seus descendentes.

O evolucionismo prova que o homem (homens e mulheres) é um ser vivo, um animal, que sofreu (e sofre), ao longo de milhões de anos, um processo evolutivo, provocado pela seleção natural e a adaptação das espécies vivas.

Com o advento da genética, nascida, já no século XIX, com Gregor Mendel, um sacerdote católico, botânico e cientista, a descoberta do DNA nos inícios da segunda metade do século XX, outras descobertas genéticas, descobertas geológicas (tempo da Terra), biológicas (fósseis) e a teoria comprovada, no campo da astronomia, do BIG BANG, descobriu-se que todo o universo passou por um processo de expansão (astronomia), de formação de galáxias e estrelas e de sistemas estelares, como o do Sol, e, juntamente com este, a Terra (astronomia e geologia), o que levou avante o surgimento e a evolução natural dos seres vivos.

Na sequência da evolução do universo, na evolução da Terra, com a água e os materiais orgânicos básicos necessários, o surgimento da vida e sua paulatina evolução, no transcurso de 3,5 (três e meio) bilhões de anos, aproximadamente, até hoje (biologia). Aliás,  os seres vivos continuam e continuarão evoluindo. No entanto,  como as mudanças não ocorrem de uma vez, as pessoas têm a sensação de que as coisas sempre foram assim, do modo como são. Contudo, os fósseis e as descobertas genéticas estão aí para provar, de fato, inegavelmente, o evoluir das espécies. O ser humano, visto como um animal como qualquer outro, melhor que os demais por conta de seu intelecto evoluído, perdeu seu lugar primordial, sendo deslocado do centro da Criação.

No campo das relações humanas, o deslocamento do homem, literalmente dito, o masculino, do lugar central no ambiente familiar. Lutas femininas, guerras terríveis, nas quais morreram muitos homens, a colocação da mulher no mundo do mercado e do trabalho, sua formação educativa maior, entre outras mudanças, puseram o machismo em xeque. Não que ele ainda não exista, mas que perdeu parte da força que teve no decorrer de milênios de história humana.

 
Por sua vez, tem-se também a aparência de que Deus perdeu seu lugar. Muito pelo contrário, a fé é algo tão arraigado na imensa maioria dos seres humanos que se torna dificílimo, ou talvez impossível, querer-se afirmar seu fim. Cabe aqui, portanto, a busca de um mútuo respeito, entre os que têm fé, os ateus\ateias e os mais diversos fiéis de muitas religiões existentes, de todos entre si, tendo em vista um bem maior: o bem comum. Independentemente de crer num Deus criador ou em uma evolução criadora e puramente natural, desafios se põem a todos, hoje, mais do que nunca: aquecimento global, novas doenças e antigas doenças que agora manifestam-se com mais força,  poluição, devastação secular do meio ambiente, causados pelo uso intenso da natureza, pelo consumismo constante, que mina inexoravelmente o mundo natural, guerras, conflitos, terrorismos de diferentes tipos e em muitos lugares, fome, corrupção, dentre outros males, demandam DE TODOS, homens e mulheres, independentemente de crenças religiosas e científicas, a união e o diálogo, fundamentados numa percepção ética e humanística, aberta, tolerante e clara, de mundo e de humanidade.

sexta-feira, 18 de março de 2016

OS CONTADORES DE HISTÓRIAS SAGRADAS. (Prof. José Antônio Brazão.)

Era noite, ao redor das chamas de uma fogueira, a tribo se aglomerava para ouvir os mais velhos e o xamã da tribo. Histórias de tempos em que deusas e deuses reinavam sobre o mundo, num tempo em que o ser humano nem existia ainda, em que tudo estava na escuridão. De repente, um desses deuses, unindo-se em amor com a deusa, gerou a natureza, as estrelas, a luz e seres inteligentes para prestar-lhes culto e louvor. Todas as coisas magníficas que existem!

O xamã, andando ao redor da fogueira, olhava nos olhos de cada membro da tribo ali presente. Meninas e meninos ficavam espantados com o poder dos seres divinos, com o poder dos raios e as incríveis forças da natureza comandadas por deusas e deuses. Por que tudo brota do chão e por que comemos as coisas brotadas e frutos das árvores?, perguntou uma indiazinha. Assim quiseram o deus e a deusa, que, no seu imenso amor, geraram todo tipo de vida: plantas, insetos, animais ferozes e animais mansos, os seres humanos, nosso povo., dizia o xamã, sacerdote, feiticeiro e médico.

Uma velha índia, lembrando-se das histórias contadas pelos pais, dizia que o todo-poderoso Deus do Céu, juntando-se com a Mãe Terra, propiciou e propicia os alimentos, como uma dádiva, um grande presente, a todos os seus filhos e filhas. Por isso, por conta desse amor divino, todos os seres vivos estão interligados, irmanados pela criação.

E quando ficamos doentes?, perguntou um indiozinho. As doenças vêm de espíritos maus, que tocam as pessoas da tribo e lhes trazem mal. Por conta disto, é preciso fazer as orações certas, do modo certo, como foram aprendidas, há muito, com os bons seres divinos e nossos ancestrais. Contamos com a ajuda do xamã., respondia um velho índio.  

As chuvas muito fortes, que destroem ocas, com ventos impetuosos, são causadas por algum deus ou deusa?, perguntou outro indiozinho, curioso por saber das coisas que não sabia entender e explicar. Sim, tanto as chuvas, quanto os ventos fortes, quanto as secas e as luzes que caem do céu com força destrutiva, são obras resultantes da ira de deuses e deusas, quando não os e as cultuamos devidamente ou quando praticamos alguma ofensa contra eles e elas., falou o chefe da tribo, homem sábio e corajoso, entrando na conversa calorosa que se abria entre todos.

E por que sonhamos?, perguntou, curiosa, uma índia. Os sonhos são meios como os deuses e deusas encontraram de comunicar-se conosco!, respondeu o velho xamã. Já meio tarde, todos foram dormir. E, no sono, sonhos divinos todos tiveram e, com eles e a imaginação, novas histórias bons contadores, entre os índios e as índias, acordados, criaram. E, como quem conta um conto aumenta um ponto, os velhos, os pais e as mães, que aprenderam com os avós e as repassavam a filhas e filhos, acrescentavam, aqui e ali, algum elemento novo, espantoso, uma novidade dentro de cada relato, com conteúdo sagrado.

Além da oralidade, um elemento novo, uns com os outros, toda a tribo aprendeu a pintar os corpos e a pintar paredes, usando dedos, palmas e pincéis grosseiros, simples, feitos com tiras naturais, barro colorido e ocre (uma argila colorida por óxido de ferro) e tinturas naturais, tiradas de folhas e cascas. Arte, vontade de guardar histórias e religiosidade juntas!

Papai, será que alguém, algum dia, no futuro, verá essas imagens? Com certeza. Elas também nos lembram de seres divinos, cujas imagens e ações retratamos, de histórias ancestrais. Mas também deixam nossa marca, lembrando a quantos as verem que, um dia, passamos por aqui, minha filha. Elas ainda nos servem para trazer boa sorte na caça, bem como nos lembrar de cada época, em que cada tipo de bicho passa pelas matas e por prados distantes. Ali, de fato, estão animais que são tão necessários à vida da tribo, do nosso povo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

FILOSOFIA EM POESIA 2 (Professor José Antônio Brazão.)

A FILOSOFIA DE SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES (Prof. José Antônio Brazão.)

Dentre muitos, outros três grandes filósofos

O mundo grego produziu

Em Atenas, cidade-estado, pelo logos

Um antropológico pensamento se infundiu.

 

Questões humanas, simples e doutas,

Puseram eles em discussão,

Da ética, da política e outras,

Em busca de mais clara compreensão.

 

Ao ouvir do deus do Sol, por amigo, o elogio,

Sócrates às ruas e praças a sair

E com muitas pessoas, nos dias, por horas a fio,

Questões diversas pôs-se a discutir.

 

De jovens e adultos, homens e mulheres, amigos,

Socrates as mentes, dialogando, abriu

Mas acusado falsamente por inimigos,

Condenado, após beber sicuta, à eternidade partiu.

 

Discípulos de suas palavras lembraram

Para as socráticas ideias não perder

A forma de diálogo Platão e Xenofonte aplicaram

E por palavras e escritos as resolveram vivas manter.

 

Nos socráticos platônicos diálogos, o amor, o poder e a guerra,

Por seu valor, vieram a aparecer,

Também coisas divinas e coisas da Terra,

A atenção do discípulo filósofo puderam merecer.
 
 
Enfrentando do pensamento novos desafios, divergindo dos sofistas,
 
Filósofos-professores no mundo grego itinerantes,
 
Para além das ideias desses pensadores relativistas,
 
A verdade e os valores são realidades vivas e operantes.

 

Platão, seguindo os passos do mestre,

Muito dele, por anos, incansavelmente, aprendeu

E mesmo com a morte de Sócrates

De seus pensamentos e valores jamais se esqueceu.

 

Da caverna um mito ou alegoria

Na República uma história a todos contou

Uma prisão de pessoas, sem vera alegria,

Naquele lugar subterrâneo imaginou.

 

Homens, mulheres, meninas e meninos

Naquela caverna, voltados para um paredão

Se encontravam presos desde pequenos

E ali de sombras vistas criam na ilusão.

 

Certo dia, um dos prisioneiros foi liberto

Obrigado a sair, ficou da luz de uma fogueira quase cego,

Mas por um caminho a saída e lá fora, por esforço certo,

Vendo coisas novas, a verdade, superou o mal do ego.

 

Voltando à antiga prisão,

Para as coisas belas e novas lá de fora

Dos amigos e amigas chamou a atenção

Sair da caverna seria, de fato, boa hora.

 

Apesar de pelos ex-companheiros mal julgado,

O liberto não desistiu

Da verdade, insistente e ousado,

Ainda que sob risco de morte servil.

 

Para além daquela imaginária história,

Num mundo imutável Platão vinh'acreditar

Das ideias, formas perfeitas e eternas, pela memória,

Reminiscência, meio para as almas presas do sensível mundo se libertar.

 

No mesmo político livro, sem aristofâneas galhofas,

Uma cidade ideal o filósofo apresentou,

Governada por filósofos e filósofas

O platônico pensamento vislumbrou.

 

Em diálogos, seguindo do antigo mestre a ironia e a maiêutica,

Sobre o amor, a imortalidade e a justiça escreveu

Das discussões à maneira socrática

Calorosos debates Platão descreveu.

 

Em Atenas, uma nova escola Platão fundou

Da filosofia e das verdadeiras artes o conhecimento

Nova maneira de encarar se disseminou,

Abrindo de grandes discípulos, por séculos, o entendimento.

 

Destacando-se entre todos, na Academia, entre eles,

Um macedônico discípulo apareceu,

Nobre intelectual, filho de médico da corte, Aristóteles,

O Leitor por Platão apelidado, o nome era seu.

 

Tendo muito lido e pelo imenso empenho destacando,

Aristóteles homem extremamente culto se tornou,

Do mestre Platão, um mundo das Ideias não aceitando,

Nem ideais, uma filosofia muito própria fundou.

 

Em seus livros, condensou-se o aristotélico conhecimento:

Política, Ética, Física, Metafísica, do mundo e da natureza,

Pois por muitos temas  interessou-se seu filosófico pensamento

E sobre todos eles escreveu e ensinou com segurança e muita destreza.




Ideias grandes teve o estagirita

Por estudos muitos contidas no pensamento

Do mundo seria mais rica pirita,

De aurífera grandeza, o conhecimento.

 

Sabendo de Empédocles as sentenças,

Aristóteles concordou que por quatro elementares

Princípios são feitas as coisas terrenas:

Terra, água, ar e fogo, destas esteios basilares.

 

Conforme reflexões do agrigênteo,

Arqués unidas por força do Amor

E desarticulados pelo Ódio,

Princípios de união e desagregação.

 

Para dar à linguagem fundamentação,

Criou Aristóteles o raciocínio silogismo

De duas premissas tirando a conclusão,

Na lei geral o caso particular necessaríssimo.

 

Do que são os céus feitos,

Perguntava-se o peripatético,

De modo a serem tão perfeitos,

Senão do éter puro, arquetípico?

 

Do aristotélico éter a tese, há tempos, descartada,

Hoje, de cósmicas ondas gravitacionais o requinte,

Na união espaço-tempo, a hipótese comprovada

De um germânico cientista do século vinte.

 

Mas para Aristóteles e seu tempo um universo geocêntrico

Era, por conta do senso comum, uma imensa certeza,

Composto de planetares círculos concêntricos,

De cósmica harmonia e extrema beleza.

 

Sobre a queda dos graves corpos refletindo

Na sublunar, terrena, realidade,

O mais pesado ao chão primeiro acaba indo

Eis algo do que cria ser a mais pura verdade.

 

Matutando da ética o humano destino,

Acerca do que seria a virtude

Concluiu ser esta do meio o caminho,

Como a temperança no correto alimentar atitude.
 
 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

FILOSOFIA EM POESIA (Prof. José Antônio Brazão.)

Um possível bom meio ou recurso de trabalho didático no tratamento das ideias filosóficas é transformando-as em poesias simples e, com certeza, muito úteis. Um exemplo a seguir.

UMA BELA HISTÓRIA (Prof. José Antônio Brazão.)

Uma bela história registrar

O nascimento da filosofia

Em suas origens

Eu vou narrar.

 

No início, de deuses e deusas

Por mitos se contava

Histórias fabulosas

Que a imaginação criava.

 

Deusas e deuses, de imensos poderes,

Na natureza e no cosmos atuavam

Para obter seus favores

Os seres humanos oravam.

 

Poetas chamados aedos

E outros conhecidos por rapsodos

Em seus poemas os cantavam

E feitos divinos registravam.


Agricultura, comércio, guerras e escravidão

Póleis, cidades-estados, a crescer

Monumentos e magníficos prédios em construção

Nesse contexto, novas ideias a florescer.

 

Por toda a Grécia antiga

Aqueles poetas se espalhavam

De deuses e deusas até alguma intriga

Não ocultavam.

 

Muito humanos os seres divinos pareciam

Seres poderosos eram com certeza

Eternos e imortais os relatos os definiam

Dos poetas que os contavam com presteza.

 

Ouvindo de outros povos pessoas comuns e mercadores

De deusas e deuses as histórias que contaram

Alguns homens argutos e observadores

Por serem diferentes desconfiaram.

 

Querendo melhor a natureza e o mundo entender

Respostas mais claras e profundas queriam achar

Observações e estudos começaram a empreender

E em princípios criam as poder encontrar.

 

 

Nas colônias gregas viviam

Da Ásia Menor e da Magna Grécia

Buscando fugir das certezas a inércia

Contrapondo ao que os mitos diziam.

 

O primeiro princípio foi a água

Do filósofo Tales de Mileto

Para além dos mitos navegava

Certo de que por ela tudo é feito.

 
 

A seguir, outros princípios

Por filósofos

Foram levantados

Dando à filosofia seus inícios.

 

Dizia Anaxímenes que tudo do ar viera

Anaximandro, de um tal Ápeiron

Ou da terra de Xenófanes de Cólofon

Todo existente nascera.

 

Dos números surgiu o cosmos, como na música os sons

Segundo o filósofo de Samos, que Pitágoras se chamava,

Da música a harmonia o inspirava

Percebendo nela o enlace de diferentes tons.

 

Da filosofia o nome se originou

Do fato de que, com muita alegria,

Por crer-se amigo da sabedoria

Pitágoras filósofo se chamou.
 
 

De fogo, o princípio, para Heráclito de Éfeso

Todo existente se compõe

Mas algo mais viu o filósofo:

Em tudo o devir-movimento se dispõe.

 

Parmênides de Eleia a Heráclito contradiz

Movimento é ilusão

Para os olhos falsa diversão

Mas que de nada é matriz.

 

Em Eleia outro filósofo apareceu

Zenão por nome tratamento

Do mestre Parmênides o pensamento

Na forma de argumentos defendeu.

 

Empédocles quatro princípios resolveu juntar

Ar, água, terra e fogo

Que variados seres formam logo

Ao dar-se em precisos modos seu combinar.

 

Anaxágoras minúsculas partículas dizia

Comporem toda a pluralidade

Por disporem, em cada diverso, igualdades

Cada uma delas denominou homeomeria.

 

Leucipo e Demócrito observaram dos seres o dividir

A existência de muitas partículas indivisíveis

Aos olhos humanos, sozinhas, invisíveis

Usando a inteligência, acabaram por concluir.





Os átomos, indivisíveis partículas eram tidas,

Milênios depois, por cientistas comprovados

Postos em tabela por períodos dividida

Hoje, por fissão nuclear estilhaçados.
 

 

Da filosofia a grande história aí se iniciou

Com o uso do logos-palavra-razão-discurso

Nas colônias da antiga Grécia o curso

De um novo modo de pensamento se firmou.

 

Vale lembrar que um modo de apresentação do pensamento filosófico, em suas origens, na Grécia antiga, foi a poesia, seguindo o modo poético de exposição dos próprios mitos gregos – por exemplo: Homero e Hesíodo. A poesia foi, seguramente, um meio didático de histórias no passado, como entre os gregos mencionados, e pode, hoje também, contribuir para uma exposição rica de ideias filosóficas. Poesias que tratem da história da filosofia poderão ser feitas pelo(a) professor(a) e por estudantes, de diferentes turmas, que possam com as suas contribuir. Nesse sentido, é bom que seja feito um arquivo de poesias, seja numa pasta de papel, seja em pasta de computador, as quais poderão ser trocadas e apresentadas em turmas e grupos diversos. Ademais, de preferência, que sejam feitas em diálogo fecundo com a Língua Portuguesa. O trabalho interdisciplinar pode ser, portanto, muito valioso.

A poesia facilita a assimilação de conteúdos, podendo enriquecer imensamente o aprendizado, quer seja de Filosofia, quer de Língua Portuguesa, quer de Arte, a qual também pode entrar no trabalho interdisciplinar. Com efeito, ao lidar com a poesia, cada estudante toma contato com a versificação, a construção de estrofes, com as rimas e sílabas poéticas, entre outros elementos do estudo linguístico da poesia. Mais diálogos interdisciplinares são possíveis: com a História, com a Geografia, a Matemática, etc.

Outro elemento que a criação de poesias filosóficas põe em ação é o aprendizado de novas palavras, por conta da poesia demandar leituras, pesquisa, estudo de recursos poéticos, etc. Poesias simples, sem muito rigor, pelo fato de nem o(a) professor(a) de Filosofia, nem as suas e os seus estudantes serem poetas de profissão. Vale a pena tentar. Para tanto, o conhecimento, advindo do aprendizado constante, tornar-se imprescindível: conhecimento básico de filosofia, de língua portuguesa e da arte.