quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

GEORG WILHELM FRIEDRICH HEGEL (1770 -1831) - A DIALÉTICA DO SENHOR E DO ESCRAVO, com caça-palavras (Prof. José Antônio Brazão.)

(Na apresentação: Usar MAPAS, LIVROS DE ARTE E BANNERS da biblioteca da escola. Complemento\exposição.)

A Dialética do Senhor e do Escravo:

Filósofo e professor alemão. Em uma parte de seu livro Fenomenologia do Espírito, Georg Wilhelm F. Hegel descreve uma história a respeito de dois homens que lutaram um contra o outro. Ao final da luta, um deles saiu vencedor e o outro, derrotado. Este, para não morrer, acabou tornando-se escravo do vencedor, o senhor, e passou a trabalhar para ele.

O trabalho do escravo era árduo e difícil, pondo-o em contato direto com a natureza (mundo natural). Com o decorrer do tempo, o escravo passou a dominar as técnicas e o manejo da natureza, a conhecer os segredos desta, coisas que o senhor (vencedor) desconhecia. Por conta disto, desenvolveu-se uma mútua dependência entre ambos. O escravo reconhecia que dependia do senhor para manter-se vivo e este sabia que precisava daquele para poder manter a produção, seus bens e, com eles, sua vida. Estabelecia-se, então, uma relação dialética entre eles.

Hegel utilizou essa história para explicar a dialética e o movimento do espírito (cultura humana) ao longo da história. Dialética é uma palavra de origem grega, derivada de diálogo. Diálogo é uma conversa entre duas (ou mais) pessoas. Dialética, neste primeiro sentido, portanto, é a arte do diálogo. Dia- é um prefixo grego que aponta para dualidade. Logos(grego) significa: palavra (ex.: Jo. 1, Verbo), razão, discurso.

O relato hegeliano da Dialética do Senhor e do Escravo aponta um elemento fundamental da história: a dialética. Originalmente, como foi dito, dialética significa arte do diálogo, do debate, da discussão, mas tomou, em Hegel, e, depois, em Karl Marx, o significado de contradição.

Contradição é uma palavra que tem como sinônimos conflito, luta, oposição. E, de fato, naquela história contada por Hegel, houve a luta, a partir da qual foram engendrados o senhor e o escravo. Mas também houve uma dupla superação: a superação do outro, a ponto de escraviza-lo, e a superação dos desafios impostos pela natureza, através do trabalho e do conhecimento aprendido pelo escravo a respeito do mundo natural, o que levou ao surgimento de uma nova relação entre aqueles homens e deles com o mundo circundante.

Curiosamente, Heráclito de Éfeso, cerca de seis séculos antes de Cristo, estudado por Hegel, dizia que tudo se encontra num contínuo devir (vir a ser), ou seja, em constante movimento, mudança, transformação. E é interessante notar que Heráclito usou a imagem da guerra (confronto, conflito, entre soldados, guerreiros, oposição) para dar uma ideia clara do devir (vir a ser). Eis a dialética nos mundos humano e natural. E Heráclito dizia que a guerra é o pai de todos: a uns faz reis e a outros faz submissos, escravos.

Entretanto, a história, na leitura hegeliana, é resultante do movimento do espírito, termo que significa a cultura, o conhecimento, a razão, manifestando-se através da religião, do Direito, das ciências, da arte, da criação e da invenção. O espírito move-se ao longo da história e a constitui, passando por diferentes etapas, como o espírito subjetivo e o espírito objetivo, superando-as e assimilando-as (não as aniquilando), até o ponto de atingir seu autoconhecimento pleno (espírito absoluto), em um movimento temporal contínuo e dialético.

Pelo que se pode perceber, Hegel fez uma leitura idealista e racionalista da história. Idealista, porque ele vê o movimento das ideias, do pensamento, por meio do espírito, no transcurso do tempo histórico. Racionalista, porque é a razão que elabora ideias, constrói pensamento, desenvolve cultura, valores, entre outros elementos fundamentais do espírito. E é também curioso notar que esse nome, espírito, é um termo religioso, referindo-se, originalmente, à alma humana, mas, aqui, representa a cultura, o conhecimento, a ciência, a religião, o Direito e toda produção advinda do pensamento humano, da razão, coletivamente.

Mas Hegel não desmereceu indivíduos que tiveram vital importância no movimento histórico-dialético do espírito, como Napoleão Bonaparte, que aquele teve, certa vez, oportunidade de ver. Napoleão estava a cavalo. Vale lembrar que este foi um dos maiores generais e soldados franceses da segunda metade do século XVIII e primeira metade do XIX, grande e brilhante estratego e guerreiro.

Percebe-se que, para Hegel, o espírito é o realizador da história, num movimento ascendente, de subida evolutiva e conflituosa, no decorrer do tempo, constituindo as sociedades e suas manifestações culturais em seu mais amplo sentido. O movimento é como em uma espiral ascendente, mas no qual não há destruição de etapas anteriores. Há, na verdade, superação (suprassunção), em que o espírito se põe (tese), se contradiz (antítese) e alcança um estágio de superação-assimilação de cada momento anterior (a síntese), indo além, constituindo novos elementos, como a filosofia (pássaro de Minerva). Tempos depois, Marx poria a dialética hegeliana sobre os pés, numa leitura materialista-dialética da história humana. A dialética foi uma ferramenta fundamental, para Marx e também Engels na leitura e compreensão da história humana.

A perspectiva hegeliana é idealista, ou seja, que toma a ideia, o pensamento, o espírito, como responsável pelo movimento constitutivo daquela. A história é manifestação da ideia, do pensamento, do espírito, que foi e é capaz de inúmeras realizações, com destaque para  tudo que manifesta o pensamento, o conhecimento e a cultura. Essa história, como foi dito, é dialética, fundada na contradição, na superação, elevando-se o espírito cada vez mais, até o pleno conhecimento de si como constituidor e reconhecedor da própria história.

De acordo com Hegel, o racional é real e o real é racional. A realidade carrega consigo a racionalidade dialética do espírito, sendo ela própria muito real, efetiva, certa. A realidade, seja a da história, seja a realidade mais ampla, perceptível pelos sentidos ou pela razão, traz consigo a racionalidade, o devir dialético do espírito. A realidade é dialética, resultando do movimento do espírito, ao mesmo tempo em que é entendida e explicada por ele.

EXERCÍCIO: Procurar, individualmente, em um dicionário de língua portuguesa comum e, se possível, também em um de filosofia, os significados das seguintes palavras, no intuito de entende-las com muita clareza:

1)       Espírito.
2)       Razão.
3)       Racionalidade.
4)       Racional.
5)       Devir (ou vir a ser).
6)       História.
7)       Real.
8)       Dialética.
9)       Subjetivo.
10)    Objetivo.
11)    Absoluto.
12)    Espírito subjetivo.
13)    Espírito objetivo.
14)    Espírito absoluto.
15)    Suprassunção.
16)    Superação.
17)    Racionalismo.
18)    Materialismo.
19)    Contradição.
20)    Senhor.
21)    Escravo.
Estas palavras, com seus significados, irão para o Dicionário Ilustrado de Filosofia e Língua Portuguesa, um recurso didático que consta no Projeto Recursos e Jogos Didáticos Para o Ensino de Filosofia.
Junto com os significados das palavras, colocar também imagens que ajudem no entendimento de tais significados, como propõe o referido dicionário.
*Enriquecimento vocabular e aprendizado de filosofia.

EXERCÍCIO 2: Montar um conjunto de slides (software de slides) da biografia de Hegel. Em grupos de 2 a 3 estudantes ou, caso deseje, poder-se-á fazer individualmente.

 

EXERCÍCIO 3: CAÇA-PALAVRAS HEGEL (Prof. José Antônio Brazão.)

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EXERCÍCIO 3: CAÇA-PALAVRAS – da direita para a esquerda e vice-versa, na vertical, na horizontal, na diagonal. Procure também os nomes do Sol e dos planetas do sistema solar em inglês, escondidos em meio às palavras.

domingo, 6 de dezembro de 2015

REPENTE FILOSÓFICO: (Prof. José Antônio Brazão.)

Repente é um tipo de música improvisada popular, muito presente no Nordeste do Brasil. Ela combina versos e rimas em torno de uma temática dada ou proposta (ex.: futebol, sogra, mulher, homem, o mundo e muitas outras temáticas). O repente, muitas das vezes, é cantado por um ou dois cantores (ou mais), chamados repentistas. Por conta de suas rimas, de sua sonoridade e de sua rica expressividade, além do caráter popular, o repente pode, com certeza, tornar-se um rico recurso de ensino-aprendizagem de Filosofia! Um exemplo possível, que pode ser melhorado:

REPENTE DO FILÓSOFO FRANCÊS: (Prof. José Antônio Brazão.)

(Refrão)

As ideias filosóficas

Vale a pena estudar

A filosofia de Descartes

Pra você eu vou contar.

(Estrofe 1)

Descartes foi um filósofo francês

Entender o conhecimento

Da cabeça e da vida alimento

Foi uma das coisas que ele fez.

(Refrão.)

(Estrofe 2.)

Também foi matemático

Descobriu as coordenadas

Que no estudo algébrico e geométrico

Cartesianas são chamadas.

(Refrão.)

(Estrofe 3)

Ele escreveu as meditações

Dos fundamentos do conhecimento

São verdadeiras reflexões

Para deste encontrar o primeiro fundamento.

(Refrão.)

(Estrofe 4)

Para melhor o conhecimento entender

Uma viagem pelo pensamento

Ele resolveu empreender

Pondo em dúvida todo intento.

(Refrão.)

(Estrofe 5)

Hiperbólica chama-se a dúvida

Com o rigor da matemática

Igualmente tida por metódica

Como um caminho em sua ida.

(Refrão.)

(Estrofe 6)

Duvidando dos sentidos

Por quanto são enganosos

Desde o início firmemente

O caminho foi seguido.

(Refrão.)

(Estrofe 7)

Imaginou um espírito enganador

Que a matemática lhe ensinou

A esta resolveu pôr em dúvida

Para não cair nas manhas do ludibriador.

(Refrão.)

(Estrofe 8)

Radicalizou tanto a dúvida

Que, após duvidar até de Deus,

Até ao fundo do poço chegou

E algo, enfim, ali encontrou.

(Refrão.)

(Estrofe 9)

Existir uma primeira certeza ele concluiu

Tendo descoberto o cogito

Eu penso, eu existo

Foi o que Descartes descobriu.

(Refrão.)

(Estrofe 10.)

Na mente a existência de uma ideia inata

Descartes percebeu

De Deus era essa ideia

Que com ele nasceu.

(Refrão.)

(Estrofe 11)

Deus é criador do mundo

E do mundo a existência

A certeza felizmente pôde ter

E portanto é certo de cada sentido o perceber.

(Refrão.)

(Estrofe 12)

Da matemática também tomou acerto

Pois o Divino Deus

Não permitiria um dos filhos seus

Ser enganado por um espírito astuto.

(Refrão.)

(Estrofe 13)

Nesse caminho de volta

Descartes pôde finalmente confirmar

Que a razão humana por ser a base

Com os conhecimentos as pessoas podem muito realizar.

(Refrão.)

(Estrofe 14)

Hoje as coordenadas cartesianas

Permitem gráficos e cálculos elaborar

E o pensamento, cogitando,

Grandes ideias formular.

(Refrão.)

(Observação: Esta proposta de repente de Filosofia pode ser melhorada, corrigida, reelaborada, musicalizada. Outros repentes podem ser criados por docentes e estudantes. O texto é também poesia muito simples. Tem finalidade educativa.)

A música popular (aqui, especificamente, o repente) pode ser um rico veículo de aprendizado de Filosofia e de outros componentes curriculares na escola. E é boa como meio de memorização e de mais tranquila compreensão dos conteúdos nela expressos.



Esta atividade pode ser feita em parceria da Filosofia com a Língua Portuguesa. Trabalhando interdisciplinarmente, tanto um componente curricular quanto o outro poderão se ajudar imensamente, aprimorando, corrigindo e combinando ideias para um aprendizado mais efetivo e eficaz de ambos componentes, além de outros possíveis que também poderão fazer parte de tal trabalho, como a História e a Geografia.

Outros tipos de músicas poderão ser trabalhados, de diferentes regiões do Brasil, entrando também no campo da Arte, outro componente curricular valiosíssimo nos ensino médio e fundamental, tendo em vista que a música é uma arte por excelência. O aprendizado de Filosofia pode tornar-se muito mais interessante com esses diálogos interdisciplinares. As e os estudantes poderão perceber ainda mais que existe uma conexão profunda entre as diferentes áreas de conhecimento.

No que tange à Língua Portuguesa, a escrita poética das palavras contidas no repente e em outros tipos de músicas, sua versificação rigorosa ou livre, suas rimas ricas e\ou pobres, sua sintaxe e tantos outros elementos do estudo da língua poderão ser explorados. E, ao mesmo tempo em que lê, elabora, analisa e ouve as músicas, como o repente, cada estudante passa a ter mais condições de aprender mais clara e criativamente a Filosofia! Um repente que trate da filosofia moderna e de suas características pode falar do neoplatonismo renascentista, com as traduções de Platão e de outros filósofos neoplatônicos, no chamado classicismo (busca renascentista de inspiração nos modelos antigos, greco-romanos). Poemas de amor de Camões e Shakespeare, por exemplo, relatam bem esse neoplatonismo.

No que diz respeito à História, o repente e outras músicas criadas poderão conter pontos de contextualização, que permitam, no modo poético de exposição musical, perceber que cada pensador(a), filósofo e\ou filósofa, situa-se num dado momento do tempo histórico das sociedades humanas e da filosofia. O mesmo com a Geografia, etc.

Com o trabalho interdisciplinar todo mundo tem muito a ganhar, como se pode perceber. Professor(a) de Filosofia, proponha essa ideia. E crie!
 
 
 

sábado, 21 de novembro de 2015

CALIGRAFIA COM FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)


Uma possibilidade de recurso didático simples, no ensino-aprendizado de Filosofia é a realização de reescrita caligráfica de pequenos textos filosóficos. Atividade em cadernos de caligrafia ou comuns. Na primeira linha da página, em cada folha do caderno vai um trecho do pensamento de uma filósofa ou filósofo, podendo estender-se em outras partes ou trechos significativos nas páginas seguintes. Repete-se o trecho, por escrito, nas linhas da página, buscando acompanhar a caligrafia proposta (uma boa caligrafia). Fazendo caligrafia, além de melhorar a letra, o(a) estudante lê filosofia!!

Objetivos: (a) Aprendizado de Filosofia. (b) Contato com textos de filósofas e filósofos diretamente. (c) Melhorar a caligrafia. O texto para aprendizado caligráfico poderá ser, por exemplo, um fragmento curto e significativo de algum filósofo pré-socrático. Ou vários fragmentos, um para cada página do caderno de caligrafia. Poderá ser um pequeno aforismo de Friedrich Nietzsche ou de Blaise Pascal, versos de poemas de Voltaire, um pensamento curto de algum livro de Albert Camus, entre outros tantos textos de filósofos e filósofas a escolher. Cinco linhas enumeradas por dia. Exemplo em linhas parecidas com as de caderno de caligrafia (3 linhas para treino):

“Tales diz que a água é o princípio de todas as coisas.” (parte do fragmento 3 – Aristóteles)
 
 
 
 
 
 
 
 

A fonte da primeira linha é French Script MT, parecida com uma escrita à mão. Nas demais linhas, o treino caligráfico. Como foi dito antes, pode ser em linhas de caderno comum. Veja um exemplo abaixo:

“Eis as teorias de Demócrito. Na origem de todas as coisas estão os átomos e o vazio (...).” (Diógenes L.)
 
 
 
 

Trechos tirados de:  BORNHEIM, Gerd A. (org.). Os Filósofos Pré-Socráticos. São Paulo, Cultrix, 1998.

A atividade é livre, proposta, não pode ser obrigatória. Mas pode enriquecer o aprendizado!! Pode ser aplicada também para crianças que tenham, em seu currículo escolar, a matéria (componente curricular) Filosofia. A proposta da caligrafia filosófica poderá ser feita oralmente e por escrito, num canto do quadro. As letras e tipos modelos de escritas de palavras poderão ser escolhidos de um livro de caligrafia ou seguindo o de alguém que tenha uma letra bonita (caligrafia é uma palavra provinda do grego e que significa, justamente, escrita bonita), não para cópia imitativa, mas como meio de obtenção de uma escrita melhor, própria e mais bela, compreensível.

Pode ser positiva a repetição da frase, por cinco vezes, na escrita das linhas, para a assimilação-memorização da mesma. Entretanto, para muito além do decoreba, é preciso que também haja reflexão e problematização de cada frase, com possível discussão em sala de aula, dependendo do número de estudantes que estiverem passando pela experiência da caligrafia com filosofia. Um círculo de estudantes e professor(a), certamente, poderá ajudar na descoberta de ideias interessantes que estejam contidas em cada frase, tendo em vista que cada estudante aponta uma ideia, um pensamento reflexivo acerca do conteúdo em estudo-discussão.

No que tange à qualidade da escrita das pessoas, incluindo de professores, professoras e estudantes, vale lembrar que ela é fundamental para uma boa compreensão dos conteúdos escritos, nelas expostos. Uma boa escrita é mais facilmente compreensível. E mesmo em um mundo em que há computadores, tablets, celulares e outros aparelhos eletroeletrônicos que dispõem de sistemas de escrita, nos quais se pode escolher até o tipo de escrita, em algum momento da vida e do dia a dia faz-se necessário o uso da escrita manual (manuscrita): aquele bilhete, aquele lembrete, aquele rascunho, entre outras possibilidades de uso da escrita com a(s) mão(s), caneta ou lápis e papel. Portanto, melhorar a escrita manual é uma boa ideia! Isto serve para docentes também. Professores e professoras devem buscar escrever inteligivelmente bem, inclusos(as) estudantes. O recurso didático aqui proposto dirige-se, particularmente, a cada estudante, aliando-se ao aprendizado de Filosofia!

Em sala de aula poderão ser trocadas experiências e ideias presentes nos trechos utilizados na atividade. A cada bimestre, conforme o conteúdo em estudo em Filosofia, poderão renovar-se os trechos de livros e textos escritos por filósofos e filósofas de cada período, relacionados. Os livros didáticos costumam trazer trechos e pequenos textos de filósofos e filósofas. Verifique e faça bom uso deles. Professor(a), fale dos aspectos positivos desta atividade. Com certeza, você encontrará estudantes e turmas que topem a proposta. Faça você também!

Comentário do primeiro trecho caligráfico dado como exemplo: “Tales diz que a água é o princípio de todas as coisas.” (parte do fragmento 3 – Aristóteles). Os primeiros filósofos gregos, que viveram entre os séculos VII e início do IV, aproximadamente, chamados pré-socráticos ou físicos (físicos por estudarem a physis, isto é, a natureza, conforme o grego), buscaram compreender o mundo (o cosmos – palavra grega que indica harmonia, beleza, referindo-se, aqui, à harmonia de todos os astros e seres) para além do modo como os mitos o explicavam, chegando a divergir destes.

Os pré-socráticos foram imprescindíveis para um salto no conhecimento do universo e das realidades terrestre e humana, empenhando-se por entender a realidade natural a partir dela mesma, fugindo dos modelos religiosos. Anaxágoras, um deles, por exemplo, era ateu. Simplício, citado no texto de Gerd Bornheim, no fragmento 4 citado, diz que Tales “parece ter sido ateu” (BORNHEIM, G. Op. Cit., p.23). Ainda que nem todos os pré-socráticos tivessem sido ateus, os passos que deram na busca da compreensão do universo foram fundamentais para o nascimento da filosofia e das ciências ocidentais. Tales foi o primeiro filósofo grego e, observando a quantidade imensa de água na Terra – nos mares, rios, riachos, lagos, corpos dos seres, nos frutos, etc. – concluiu que esta foi o princípio originário (a arqué ou arché, em grego) de tudo que existe, estando presente em tudo. Hoje, a ciência sabe que todos os seres vivos tiveram sua origem inicial na água! Fósseis e outras descobertas mostram bem isto.

O segundo trecho, de Demócrito (séc. V\IV a.C.), diz o seguinte: “Eis as teorias de Demócrito. Na origem de todas as coisas estão os átomos e o vazio (...).” (Diógenes L.). Demócrito foi discípulo de Leucipo, na cidade de Abdera, e ambos, com base, certamente, em experimentos simples, muita observação e racionalização, aliados à imaginação, concluíram que tudo é feito de átomos, ou seja, partículas minúsculas e indivisíveis (átomo é uma palavra grega que significa indivisível, que não pode ser dividido). Uma experiência que você pode fazer: rasgue uma folha de papel ao máximo que puder, até onde for possível, podendo usar tesoura. Use uma lupa para ver. Você verá que aqueles pedaços minúsculos de papel podem ser ainda mais divididos, até chegar ao que Leucipo e Demócrito definiram como átomos (hoje divisíveis)! E junto com os átomos, o VAZIO! Hoje se sabe que o universo tem grandes espaços vazios! O espaço vazio foi o que possibilitou o resfriamento das subpartículas originais, provindas do Big Bang (a grande explosão que deu origem ao universo). Neste ponto, o da existência e convivência dos átomos e do vazio, intuitiva e imaginariamente, Leucipo e, particularmente, Demócrito, do qual se sabe mais, deram um grande passo, seguido, posteriormente, por muitos outros homens e mulheres cientistas e filósofos(as)!

Veja quantas coisas puderam ser tiradas de dois trechos curtos, propostos aqui como ponto de apoio para o aprendizado de caligrafia e Filosofia! Outras tantas ideias poderão ser descobertas em textos curtos e trechos ou frases de outros filósofos e filósofas! Imagine o quanto um simples trabalho com a CALIGRAFIA pode, de repente, ajudar no aprendizado rico da FILOSOFIA, além de ajudar a melhorar a letra e a escrita manual de estudantes que topem a proposta!

E quem é professor(a) sabe muito bem o quanto é difícil decifrar a escrita de certos(as) estudantes, presente em questões abertas e em redações. Isto não vale só para quem tem letra feia. Também serve para quem tem uma letra, ou melhor, uma escrita de boa qualidade, bonita e a queira aprimorar. O ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, por exemplo, cobra, em suas avaliações, uma redação. Escrever bem, corretamente, dentro das normas da língua portuguesa formal, padrão, e com uma escrita bonita (caligrafia boa), demonstrando conhecimento e capacidade de argumentar, pode(m) ajudar muito na hora de fazer a tal redação do ENEM! Professor(a) de Filosofia, pense nisto na hora de conversar com as turmas a respeito da proposta de caligrafia filosófica. Todo mundo terá muito a ganhar! O aprendizado de Filosofia, igual e demasiadamente!

Só reforçando: atividade livre, não obrigatória, mas que, bem conduzida e bem feita, tem grande potencial de enriquecimento de aprendizado. Em termos de avaliação, você, professor(a) de Filosofia, poderá até dar uns pontos extras a quem participar da proposta, ainda que não sejam necessários, pois uma escrita bonita (caligrafia) tem validade para a vida toda, juntando ao que se pode aprender em termos de conhecimentos filosóficos!


Semanalmente você, professor(a), poderá propor cinco ou seis (talvez sete) frases significativas de filósofos e filósofas  em estudo (ou aleatoriamente, mas para discussões) – uma para cada dia útil da semana e uma página do caderno de caligrafia. Enumere cada uma – 1 para a segunda-feira, 2 para a terça, e assim por diante. Faça uma boa pesquisa e as escolha. Bons debates e excelente proveito a todos(as)!