quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

ÁLBUM DE FIGURINHAS FILOSÓFICAS (Prof. José Antônio Brazão.)

Eis uma brincadeira boa para se aprender-ensinar FILOSOFIA OCIDENTAL. Clique sobre cada imagem, de cada página, amplie-a e veja.














 
Esse álbum surgiu do questionamennto a respeito da possibilidade de aplicar o uso de álbum de figurinhas no ensino de Filosofia, ao ver crianças brincando com um álbum de figurinhas comum. O resultado, simples, está acima. Está voltado para o Ensino Médio, mas pode ser adaptado.
Pode ser elaborado e trabalhado direto no computador. Para fazer um parecido (e muito melhor), use o software de escrita de seu computador, com tabela. Poderá escanear as figuras e/ou da internet, em sites de pesquisa. Ao final, nas referências, cite os livros e sites de onde retirou as figuras.
As imagens do álbum acima estão tortas. Recorte-as e coloque-as no lugar. Se for utilizá-lo, por favor, cite este site. Obrigado.
Os textos acima foram elaborados por mim mesmo, a partir de leituras e resumos de ideias. É fácil. Uma boa pesquisa pode ajudar.
Cada página, com o texto respectivo, pode ser trabalhada em uma ou duas aulas de 50 minutos. Leitura, comentário, debate com os e as estudantes.
No laboratório de informática, em vez de colar com cola comum as figurinhas, bastará clicar em cima delas, arrastar ou copiar/recortar e colar nas lacunas das páginas de cada etapa da história da filosofia ocidental. Evitar o gasto de papel reduz a morte de árvores e reduz emissões de gás do efeito estufa! Filosofia, criatividade e ecologia podem andar juntas! As tecnologias estão aí para ajudar.
Bom proveito!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A HUMANIDADE E OS MITOS (Prof. José Antônio Brazão.)

O ser humano destaca-se dos demais seres vivos em razão de dispor de capacidades e habilidades como a imaginação, o raciocínio, a memória histórica e a linguagem expressa por meio de gestos e sinais visuais, da palavra falada e escrita, de símbolos. Somam-se a isto a cultura, a arte e a ciência enquanto conjunto de diferentes saberes a respeito do mundo terrestre, do universo e do próprio homem a respeito de si mesmo.

Vive-se hoje em um mundo altamente desenvolvido em termos tecnológicos e econômicos, ainda que com problemas graves como a continuação da fome, da pobreza e da miséria de milhões, talvez bilhões, de pessoas, além de problemas ambientais, todos enraizados na história de exploração e devastação dos últimos séculos. Houve, sem dúvida, avanços significativos na melhoria das condições de vida, estendidos a muitas pessoas. Em termos tecnológicos, exemplos podem ser citados: os supercomputadores, os notebooks, telefones celulares de última geração, radiotelescópios, vacinas, muitas descobertas científicas, etc.

No entanto, nem sempre foi assim. Aliás, ainda hoje há sociedades que têm culturas e modos de viver e produzir simples, com seus modos próprios de explicar e de conviver entre si e com o mundo circundante. Dentre essas sociedades, algumas tribos indígenas do Brasil e de outras partes do mundo, aborígenes da Austrália, algumas tribos africanas.

No início da história do homo sapiens, o convívio com a natureza era direto e impunha sérias dificuldades de sobrevivência. Vivendo em bandos, o ser humano tornou-se coletor e caçador, aprendeu, pouco a pouco, a dominar a técnica do fogo, a fabricar armas e outros instrumentos a partir da pedra lascada, depois polida, a agricultura e, a seguir, com o largo domínio do uso do fogo, também aprendeu a lidar com metais. Com condições melhores de vida em determinadas regiões e, principalmente, com o desenvolvimento da agricultura, os seres humanos foram-se sedentarizando, isto é, fixando-se na terra. As sociedades foram se ampliando e complexificando suas relações político-sociais.

Se, no começo, não havia distinção entre os membros dos grupos humanos, com o passar do tempo e com a passagem do domínio de alguns sobre os demais, as distinções foram ocorrendo, tanto economica quanto politicamente. Dentro das sociedades, uma clara divisão do trabalho foi surgindo: nas primeiras sociedades, entre o trabalho masculino e o feminino; com o passar do tempo, entre os que comandam e os que cuidam do sustento da sociedade, entre os que realizam um trabalho intelectual e os que cuidam do trabalho braçal, entre os que cuidam do trabalho sagrado e os demais da tribo ou da cidade (sociedade mais complexa).

Terras foram sendo tomadas e controladas por determinados membros, que passaram a ocupar as melhores – chefes, militares (generais ou o equivalente, por exemplo), sacerdotes, etc. Uma maioria, destituída de bens próprios, passa a depender daqueles e a trabalhar para eles. Os seres humanos aprenderam, através da guerra e de dívidas, a escravizar os sobreviventes e até mesmo famílias.

A percepção do sagrado, juntamente com a capacidade de simbolizar e de articular a linguagem, fez com que os seres humanos fossem formando uma compreensão da realidade, passando a crer na existência de forças, poderes e seres sobrenaturais que atuariam no mundo. Não dispondo ainda de condições de explicar objetiva e cientificamente os fenômenos – a filosofia e a ciência nasceriam bem depois –, os seres humanos passaram a divinizar e a sacralizar a natureza e o cosmos.

Com o passar do tempo e com o desenvolvimento econômico e político e o crescimento das populações, à medida em que as sociedades foram se complexificando, foram sendo criados deuses, deusas e outros seres divinos, em torno dos quais foram criados mitos e cultos os mais diversos, sendo-lhes separados sacerdotes e locais especiais, próprios, para o culto e a veneração.

É importante lembrar que a presença do sagrado e a criação de mitos encontra-se em desde sociedades tribais até grandes cidades e impérios que foram se formando, sofrendo acréscimos e perdas de seres divinos e/ou assimilação de outros povos com os quais se fez contato. Um bom exemplo de assimilação de deuses encontra-se no domínio romano da Grécia. Os romanos assimilaram muito da cultura e até mesmo da religião dos gregos, tendo muitos deuses em comum com eles, ainda que com nomes diferentes.

Mas o que são mitos? Mitos são relatos sagrados que contam o que se passou na origem do mundo, das coisas e da humanidade, além de histórias e ações de seres e forças sobrenaturais, deuses e deusas, que atuam na natureza, no universo e na própria história humana. São também formas de explicar a realidade. Por exemplo: 1) entre os hebreus (judeus), o mito da Torre de Babel, descrito no livro bíblico do Gênesis, conta a história de homens e mulheres que formavam uma sociedade que resolveu construir uma torre muito alta, a fim de alcançar os céus, porém, vendo a presunção daquelas pessoas, Deus misturou suas línguas, dificultando-lhes o entendimento uns dos outros, fazendo assim com que acabassem por separar-se e desistirem da construção; 2) ainda entre os hebreus, o relato bíblico de Adão e Eva conta que Deus criou o homem (Adão) e o colocou no Paraíso, porém, estando sozinho, Deus resolveu dar-lhe uma mulher, acabando por criar Eva a partir de uma das costelas de Adão, simbolizando, com isto, que ambos têm a mesma dignidade e o mesmo valor, sendo, inclusive, parte um do outro; 3) entre os gregos antigos, a história do dilúvio enviado pelos deuses, dele sobrando Deucalião e sua mulher, os quais, a mando dos deuses, pegando pedras e jogando-as ao longo do caminho, delas nasceram, respectivamente, homens e mulheres; 4) entre os hebreus antigos, também um mito do dilúvio, que conta a história de um homem chamado Noé, que foi escolhido, com sua família, para construir uma arca (enorme barco), na qual transportariam casais de animais de todas as espécies, sendo todos salvos dentro da embarcação, no momento do dilúvio e, ao baixar das águas, sendo responsáveis pela reconstituição das espécies vivas, tanto animais quanto, no caso daquela família, da humanidade, após o dilúvio que havia durado 40 dias e 40 noites; 5) entre os indígenas brasileiros, o mito da mandioca, que relata como surgiu esse alimento – conta que uma menina chamada Mani morreu e foi enterrada na oca (cabana) da própria família, nascendo, tempos depois, de seu túmulo, uma planta nova, desconhecida, com tubérculos (raízes) grossos, que passaram a servir de alimento, daí mani-oca o nome dado àquela planta, ou melhor, mandioca, que quer dizer casa de Mani; 6) o mito grego de Pandora conta que Prometeu, para ajudar a humanidade, deu a esta uma fagulha do fogo que ele havia roubado do Olimpo, que é a morada eterna dos deuses, os quais, para se vingar do roubo e da manipulação do fogo pelos homens, prenderam Prometeu numa alta montanha, acorrentando-o, e durante o dia, todos os dias, vinha um abutre comer-lhe as entranhas, refeitas ao longo da noite, e para o humano Epimeteu, irmão de Prometeu, deram uma mulher chamada Pandora (a que tem todos os dons) com uma caixa que não poderia ser aberta, mas que a curiosidade fez com que isto ocorresse, saindo dela todos os males, sobrando apenas, no fundo, a esperança, fechada ali, em tempo, pelo casal. Este mito é uma explicação para a origem e a existência dos males (doenças, sofrimentos, etc.) no mundo. 7) Na busca de uma explicação para a existência dos males, os hebreus continuam a história de Adão e Eva (Gênesis 2 – 3) contando que esta foi tapeada pela serpente e induzida a comer um fruto que havia sido proibido por Deus no Jardim do Édem, Eva ofereceu-o ao seu marido e, com isto, ambos deixaram a inocência e foram expulsos do Paraíso, tendo que sofrer para lavrar a terra, partejar e passar por outros males, e a serpente foi condenada a rastejar-se pela terra e a comer o pó. 8) Os antigos gregos contavam que, certo dia, Zeus, o rei dos deuses, teve uma terrível dor de cabeça e pediu que Hefesto furasse-lhe a têmpora para eliminar a dor. Do furo na cabeça de Zeus surgiu uma bela moça, Atenas, considerada por gregos e romanos (para estes é Minerva) a deusa da sabedoria, das artes e até como guerreira.

Juntamente com os mitos, a criação de ritos e festas anuais, a partir de calendários determinados, fruto do conhecimento do tempo das estações e do movimento dos astros, principalmente do Sol e da Lua. Em sociedades sedentárias maiores, como cidades e impérios, a construção de templos e lugares sagrados específicos. Na Grécia, por exemplo, templos a Zeus, Hera, Atenas, Apolo (Hélios), entre outros.

O culto aos seres divinos era fundamental para manter o equilíbrio do universo, colheitas abundantes, supressão de secas, etc. O trabalho dos sacerdotes tornou-se de grande importância para a vida das sociedades. Em tribos indígenas e em outras sociedades, os sacerdotes chegaram a ter até mesmo funções médicas, através do trabalho sagrado de expulsar forças sobrenaturais negativas (maus espíritos), provocadoras de doenças. Muitos deles tornaram-se conhecedores também de plantas e remédios, sem dúvida, trazendo, com isto, contribuições para a medicina.

Entre os antigos hebreus, os sacerdotes eram encarregados de verificar as feridas persistentes das pessoas. Em caso de lepra detectada, as pessoas eram separadas do convívio social, só podendo ser reintegradas após verificação e atestação daqueles homens.

Curiosamente, até hoje (século XXI) se fala de curas através de bênçãos e da oração! Uma boa prova disto são sacerdotes (padres, pastores evangélicos e outros) que se encarregam de trabalhos de oração de cura e expulsão de espíritos malignos que estariam atuando nas pessoas.

No Egito, por exemplo, os faraós passaram a ter um caráter divino, sendo responsáveis pelo cuidado da população. A religião fundamentava e explicava a divisão social, servindo de esteio ou base para as relações políticas. Na Índia, por exemplo, até hoje, a divisão de castas baseia-se nas crenças religiosas. A ideologia religiosa era e, neste caso, é fundamental para manter o status quo social! A hierarquia social refletia-se também na hierarquia celestial. Entre os gregos, por exemplo, o rei dos deuses, o deus dos relâmpagos e de poder descomunal, era Zeus. Junto dele, no Olimpo, outros deuses e, além destes, deuses e deusas em todo o cosmos e no mundo natural, regendo todas as coisas com seu poder. Entre os vikings, os deuses também tinham sua hierarquia, sendo o soberano de Asgard o deus Odin. A seguir, os nomes de deuses gregos e romanos e escandinavos, conforme a Enciclopédia Encarta (uma enciclopédia digital):

Antigos deuses romanos e gregos

Conforme o Império Romano se expandia, assimilava os elementos culturais das terras que conquistava. Na religião, este processo denominou-se interpretatio romana, interpretação romana. Quando Roma conquistou a Grécia no século III a.C., os deuses e deusas romanos fundiram-se com os da civilização grega. O quadro mostra os principais deuses e deusas e suas atribuições nas mitologias grega e romana.

NOME GREGO / NOME ROMANO

PAPEL NA MITOLOGIA

Afrodite /Vênus Deusa da beleza e do desejo sexual (na mitologia romana, deusa dos campos e jardins)

Apolo /Febo Deus da profecia, da medicina e da arte do arco e flecha (mitologia greco-romana posterior: deus do Sol)

Ares /Marte Deus da guerra

Ártemis /Diana Deusa da caça (mitologia greco-romana posterior: deusa da Lua)

Asclépio /Esculápio Deus da medicina

Atena /Minerva Deusa das artes e ofícios, e da guerra; auxiliadora dos heróis (mitologia greco-romana posterior: deusa da razão e da sabedoria)

Crono /Saturno Deus do céu; soberano dos titãs (mitologia romana: deus da agricultura)

Démeter /Ceres Deusa dos cereais

Dionísio /Baco Deus do vinho e da vegetação

Eros /Cupido Deus do amor

Géia /Terra Mãe Terra

Hefesto /Vulcano Deus do fogo; ferreiro dos deuses

Hera /Juno Deusa do matrimônio e da fertilidade; protetora das mulheres casadas; rainha dos deuses

Hermes /Mercúrio Mensageiro dos deuses; protetor dos viajantes, ladrões e mercadores

Héstia /Vesta Guardiã do lar

Hipnos /Sonho Deus do sonho

Hades /Plutão Deus dos mundos subterrâneos; senhor dos mortos

Posêidon /Netuno Deus dos mares e dos terremotos

Réia /Cibele Esposa de Crono/Saturno; deusa-mãe

Urano /Urano Deus dos céus; pai dos titãs

Zeus /Júpiter Soberano dos deuses olímpicos

Mitologia escandinava

NOME PAPEL NA MITOLOGIA

Odin Pai da Humanidade, deus da guerra, da sabedoria e da poesia.

Thor Deus do trovão, dos raios e das chuvas.

Frigg Deusa do amor conjugal.

Freya Deusa da fecundidade.

Frey Deus da prosperidade.

Balder Deus da luz, da justiça e da beleza.

Tyr Deus da guerra e das leis.

Njord Deus da fertilidade e dos oceanos.

Hel Deusa dos mortos.

Heimdall Guardião dos deuses.

Jord Deusa da terra.

Hoder Deus da obscuridade.

Valquírias Virgens guerreiras que servem a Odin."

(Microsoft ® Encarta ® Encyclopedia 2002. © 1993-2001 Microsoft Corporation.)

Muitos mitos foram criados em torno das forças sobrenaturais e dos seres divinos (deusas e deuses) e serviram, durante muito tempo, como forma de explicação e de compreensão do mundo terrestre e do mundo cósmico, até mesmo das relações entre as pessoas. Os gregos diziam que o amor entre duas pessoas é fruto da flecha de Cupido, filho de Afrodite, deusa do amor. Conforme Hesíodo, em seu livro poético Teogonia, a ação desse deus ocorre desde as origens do mundo, quando este surgiu por uma separação dos elementos, a partir do Caos primordial. Aliás, os gregos e os romanos tinham deuses e deusas para todas as coisas, até para algum deus desconhecido. Tais divindades cuidavam da harmonia do cosmos e da natureza, tendo em suas mãos até mesmo o destino de cada ser humano. E havia festas em honra às divindades e muitos templos.

Entre os egípcios antigos, por exemplo, podem ser encontrados templos magníficos, rica e detalhadamente construídos para adorar suas divindades. Os egípcios eram também politeístas, ou seja, tinham muitos deuses e deusas: Rá era o deus do Sol, Osíris o deus governante do mundo em que habitavam os mortos, Ísis era uma deusa da fertilidade e da maternidade, portanto fundamental para a agricultura e a procriação de seres humanos e outros animais, Anúbis, o deus dos mortos, Hórus, filho de Osíris e Íris, o “deus do céu, da luz e da bondade” (Encarta Encyclopedia), Amon, outro deus ligado à fertilidade e que veio a ser identificado, posteriormente, com o Sol (daí Amon-Rá), e muitas outras divindades. Em honra ao deus Hórus, identificado com o falcão, até mesmo muitos falcões foram sacrificados e mumificados. Até hoje encontram-se resquícios desse culto em túmulos e sítios arqueológicos antigos do Egito.

Os egípcios levavam sua religião tão a sério que começaram a identificar os faraós com divindades na Terra. Curiosamente, as pirâmides, túmulos dos faraós falecidos, são verdadeiras obras de arte da arquitetura e da engenharia egípcias. Dentro de cada pirâmide, em uma câmara ou sala grande, ficava o sarcófago do faraó, a urna em que era colocado. O corpo do faraó falecido era, antes de ser posto no sarcófago, embalsamado e mumificado – ressecado e envolvido em faixas.

Antes de mumificar o faraó, suas vísceras (órgãos internos) eram retiradas e colocadas em vasos chamados canupiais, ricamente adornados e embelezados. E, ao redor do sarcófago, iam joias, vasos com comidas (trigo, por exemplo), pedras preciosas, paredes artisticamente entalhadas e pintadas, contendo desenhos do mundo do além, iam também papiros, enfim, tudo que pudesse servir ao faraó em sua jornada no além-mundo e na eternidade. Eis aqui uma grande preocupação com a vida no além. Curiosamente, o submundo em que habitavam os mortos, para os gregos, era o Hades. No entanto, enquanto há uma caminhada e uma preparação para as alegrias eternas entre os egípcios, no Hades grego não há alegria, o que pode ser visto no livro A Odisseia, do poeta Homero, no relato em que Ulisses (Odisseu) visita o Hades, em busca do vaticinador que lhes indicaria o caminho de volta à ilha em que aquele habitava. No Hades, Odisseu também encontrou-se com sua mãe, que havia falecido de desgosto por ter acreditado que o filho desaparecido havia morrido.

No Egito Antigo os mitos religiosos serviam aindapara manter o poder do faraó, dos sacerdotes e da nobreza economica, politica e militarmente dominante, justificando-o, reforçando e justificando também a divisão social lá existente.

Algo muito interessante de ser observado em muitos mitos é o caráter cíclico dos eventos que eles relatam, caráter este que aparece claramente nos ritos e nas festas religiosas anuais celebradas pelos mais diversos povos, desde a antiguidade até praticamente os dias atuais. Esse ciclo, de um modo geral, é celebrado de ano em ano ou de tempos em tempos. A celebração dos ciclos da natureza anda passo a passo com as celebrações religiosas. Na época da colheita do trigo, na Grécia antiga, por exemplo, celebrava-se a Perséfone, deusa divina cuja planta símbolo de seu renascimento é o trigo. Outro exemplo desse caráter cíclico é o mito de Thor e Freya, deuses da mitologia escandinava, viking.

De acordo com Jostein Gaarder, em seu livro O Mundo de Sofia, a deusa Freya foi raptada pelos inimigos dos deuses de Asgard (reino dos deuses, algo parecido com o Olimpo dos deuses gregos), os Trolls. Ela era a deusa responsável pela primavera e pela fertilidade (ver no quadro acima), portanto fundamental para o sustento dos seres humanos. Os trolls roubaram também o martelo de Thor, com o qual este invocava as nuvens e os raios. O tempo em que Freya ficou na fortaleza dos Trolls trouxe frio e inverno para as pessoas. Porém, sabendo de um pretendido casamento do rei dos trolls com aquela deusa, Thor vestiu-se de mulher e foi à festa. No momento em que os trolls apresentaram o martelo de Thor como um troféu para os convidados, este invocou-o e com ele debelou os trolls e libertou a deusa, tornando, assim, possível o retorno da primavera. Este mito mostra claramente como os escandinavos explicavam os ciclos naturais e, com eles, o culto aos deuses, do qual estes também dependiam e que, de certo modo, os fortalecia. Era uma troca: de um lado o culto humano aos deuses e, do outro, os favores oferecidos por estes àqueles. Portanto, a garantia do retorno dos ciclos naturais dependia do culto aos seres divinos.

Até hoje encontra-se a ideia de ciclo na religião. Um bom exemplo disto é o ano litúrgico católico, durante o qual são celebrados e revividos os principais acontecimentos das origens e dos fundamentos do cristianismo, com várias festas distribuídas ao longo do ano. Tanto católicos quanto outros cristãos celebram festas religiosas, revivendo os mistérios e os valores contidos na vida do fundador, Jesus Cristo. O Natal e a Páscoa são bons exemplos disto. Há celebrações, cantatas, orações, ceias e outras cerimônias que se ligam a essas festas.

Outro ciclo é o do nascimento, da destruição ou morte e do renascimento. Para os hindus, por exemplo, o universo está nas mãos de Shiva (o deus supremo), que carrega em uma delas o tambor cujo som constitui o universo e, em outra, o fogo de sua destruição, passando o cosmos pelo ciclo da destruição e do renascimento eternos. E, dentro do hinduismo e do budismo, a crença na reencarnação das almas, passando por um ciclo também de morte e renascimento, para fins de aperfeiçoamento ou cumprimento do destino. A religião kardecista, de cunho cristão, também trabalha com a tese da reencarnação, num processo contínuo de evolução do espírito das pessoas.

É de grande importância salientar que os mitos religiosos não são mentira ou historinhas inventadas, mas, para todos os que neles criam e grupos que ainda creem, eles eram ou são verdade sagrada, religiosa, que deve ser respeitada, celebrada e revivida no interior dos rituais. Curiosamente, os ritos sagrados ou rituais são formas celebrativas, profundamente simbólicas, de revivenciar o que aconteceu nos primórdios, no momento em que os fatos sagrados estavam acontecendo: a origem do mundo, o (re)nascimento de um deus ou deusa, a constituição do casamento entre homens e mulheres (um exemplo disto: o relato da criação de Eva e sua entrega a Adão, em Gênesis cap. 2, simbolizando a união entre homem e mulher), etc.

Em tribos indígenas e em outras sociedades, ainda, os ritos ou rituais de passagem. Quando atingem a puberdade, os jovens e as jovens passam por rituais de passagem da infância para a vida adulta, tendo que experimentar provas até mesmo dolorosas e sacrifícios a fim de mostrarem que são merecedores(as) do nome de adultos(as). Em muitos casos, tendo passado por essas cerimônias, os jovens e as jovens, tornados adultos, podem até casar, passam a fazer parte dos grupos de caças e têm determinadas responsabilidades que até então não tinham diante da tribo.

Os mitos são ricos em termos de valores e ideias que transmitem. Através de sua compreensão pode-se até mesmo adentrar no significado daqueles valores para povos determinados, entender a constituição das sociedades que os cultivam e recordam e penetrar, de certo modo, no modo como encaram a vida.

E no mundo atual (século XXI), onde é possível encontrar resquícios do mito, para além das religiões, na sociedade? Um primeiro exemplo a citar poderia ser a criação de uma aura “sagrada”, de respeito e veneração, por pessoas famosas, que aparecem principalmente na mídia, com destaque para o cinema e a televisão: atores, esportistas, jornalistas, etc. Muitos dos mitos televisivos, por exemplo, têm um claro cunho comercial – vender produtos propagandeados por aquelas pessoas. Curiosamente, os meios visuais e áudio-visuais de mídia (TV, cinema, revistas, jornais e outros) apresentam constantemente a imagem da juventude, da beleza, da estética, da prolongação da vida e de sua exuberância, formando a mentalidade das pessoas a respeito desses temas e aumentando os gastos em sua manutenção e/ou em sua busca, rendendo para as empresas de beleza, de cosméticos, de alimentos e outras, anualmente, bilhões de dólares. Imagens de beleza e outras que tocam a psiqué das pessoas são criadas, moldadas e até divinizadas, gerando expectativas e verdadeira veneração, por trás das quais escondem-se interesses econômicos e até mesmo políticos, de poder! Na Grécia antiga, o mito da derrota do minotauro, morto por Teseu, simbolizava a derrota de Creta para os gregos! Já naquele tempo, o mito retratando relações fortes de poder, um poder fundado na força militar, capaz de sobrepujar os inimigos e dominá-los! E hoje? (Para debate, discussão de ideias e tiragem de conclusões comuns.)

ATIVIDADES COMPLEMENTARES POSSÍVEIS:

1ª) Filme (nova versão ou antiga versão remasterizada) de FÚRIA DE TITÃS. Referência: mitologia grega.

Solicitar um resumo, de dez a vinte linhas, a respeito do conteúdo do filme. Se possível, e melhor, passar folha digitada pronta, com as linhas definidas, para ganhar tempo e qualidade. E/OU:

Preencher a ficha que está sendo repassada (FICHA DE ASSISTÊNCIA DE VÍDEO EM FILOSOFIA). Ficha individual, de preferência.

FILMES E VÍDEOS RELACIONADOS AO TEMA:

a) Fúria de Titãs 1. (Já mencionado.)

b) Fúria de Titãs 2.

c) Documentário Cosmos, episódio 7 (A Espinha Dorsal da Noite), de Carl Sagan. Pode ser encontrado na VIDEOTECA da TV ESCOLA, em português.

d) O Senhor dos Anéis 1, 2 e 3.

e) Thor.

Outros. Professor, professora: faça um levantamento, com a ajuda dos e das estudantes. Pode ser muito útil e valioso.
2ª) Elaborar vídeo a respeito da mitologia grega, no qual apareçam informações sobre as principais divindades gregas antigas. Utilizar o Windows Movie Maker ou similar na plataforma Linux. E/OU:

3ª) Elaborar um cartaz, no Windows Publisher, a respeito do conteúdo acima. Use todos os recursos disponíveis nesse software para enriquecer o cartaz.

4ª) Montar, no Power Point, 20 slides sobre o tema acima, apresentando aí diversas divindades, cultos e templos a ele relacionados.

5ª) Outra. Professora, professor: use a criatividade para elaborar outra atividade, sempre contando com a ajuda das e dos estudantes.

Para aprender mais (sites que foram/podem ser consultados e estudados):
www.google.com.br
www.wikipedia.org
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_grega
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mitologia-grega/mitologia-grega.php
http://plato.stanford.edu/
http://plato.stanford.edu/search/searcher.py?query=god
http://agora.qc.ca/

Livros didáticos e outros (citação simples):
*Convite à Filosofia (de Marilena Chauí), da Ed. Ática.
*Filosofando: Introdução à Filosofia (de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins), Ed. Moderna.
*História da Filosofia, vol. 1 (de  Dario Antiseri), Ed. Paulus.
*O Mundo de Sofia (de Jostein Gaarder), da Companhia das Letras.

Enciclopédia eletrônica utilizada na pesquisa, conforme citação dela mesma:
Microsoft ® Encarta ® Encyclopedia 2002. © 1993-2001 Microsoft Corporation.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PESQUISA SIMPLES DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)


A pesquisa é uma atividade interessante e boa para o trabalho com os estudantes. Pode ser feita na escola, durante a aula ou em casa ou em biblioteca pública, por exemplo. A ficha de pesquisa acima é muito simples e pode ser usada em período de aula, com acompanhamento da professora, do professor, de Filosofia. Foi feita com o recurso TABELA do software de escrita disponível no laboratório de informática. É muito fácil e você, professora, professor, pode aproveitar o modelo, aperfeiçoá-lo, corrigi-lo. Fica como sugestão de trabalho.
Na escola, durante a aula, pode ser preenchida em pesquisa feita no laboratório de informática e/ou na biblioteca. Cada ficha pode ser repassada para grupos de dois a três estudantes. É simples e pode ser preenchida em um curto espaço de tempo.
OBSERVAÇÕES SOBRE O TRABALHO DE PESQUISA ENVOLVENDO A FICHA:
1) A pesquisa é um trabalho interessante de enriquecimento do aprendizado dos estudantes. Através dela, cada um ou cada grupo pode ter contato com informações escritas sobre a vida de filósofos (as), podendo ser trabalhada antes, durante ou após o desenvolvimento de aulas sobre assuntos ligados a cada pensador(a).
2) A proposta é que esse trabalho seja feito em uma única aula, talvez duas, com acesso à internet e/ou a livros da biblioteca.
3) É importante lembrar que será preciso repassar uma folha com a proposta da pesquisa para cada pequeno grupo, distribuído por computador ou mesa, conforme a disponibilidade da escola.
4) Ao final da aula, preenchido o papel, este será coletado pelo(a) professor(a) para correção.
5) Cada grupo não poderá deixar de preencher nenhum campo, isto é, não poderá deixar o trabalho incompleto.
6) Caso não dê tempo, devolva o trabalho incompleto ao professor, que o repassará de volta em outra aula, para a conclusão e entrega definitiva.
7) Na biblioteca: cada grupo se reunirá junto a uma mesa e escolherá os livros que quiser utilizar na pesquisa e que disponham do conteúdo solicitado. A seguir, fará a leitura dos textos e, depois, o preenchimento das informações nos campos indicados no corpo do trabalho.
8) No laboratório de informática: cada grupo de dois ou três se reunirá ao redor de um computador, com acesso à internet. Ligar o computador e acessar um site geral de pesquisa (Google, Yahoo, UOL, etc.). Digitar, a seguir, o nome do(a) filósofo(a) solicitado(a) . Escolher um ou mais sites específicos, LER as informações sobre o filósofo e preencher o formulário solicitado.
9) Usar caneta preta ou azul, de preferência.
10) Se o preenchimento for através do uso do Word ou BrOffice Writer, após digitar as informações, cada grupo deverá salvar seu trabalho em uma pasta específica, definida para a matéria ou para o conteúdo específico, indicada pela professora, pelo professor.
11) Ao final da aula, entregue ao (à) professor(a) o trabalho realizado.
12) Se tiver sido feito no computador, com uso do Word ou BrOffice Writer, salvar o trabalho na pasta definida pelo(a) professor(a).
Professora, professor: como foi dito: aperfeiçoe o modelo acima e faça bom uso. É fácil de fazer com o computador: TABELA, colunas/linhas, a quantidade de cada, ok. Preencher com as informações que serão solicitadas.
A vantagem da ficha é que os e as estudantes não ficam perdidos, sem saber, exatamente, o que fazer.
Terminado esse trabalho, proponha a apresentação da ficha de cada grupo para toda a turma e, a seguir, um debate sobre as ideias do(a) filósofo(a) estudado(a).
No laboratório de informática da escola, a vantagem é que os e as estudantes terão contato também com tecnologias. Não se pode esquecer da riqueza do trabalho na biblioteca escolar. Livros são o primeiro grande instrumento de estudo e pesquisa em filosofia. Ênfase deve ser dada aos livros dos próprios filósofos!
Esse trabalho pode ser feito de forma INTERDISCIPLINAR. Que tal trabalhar com a professora, o professor, de História, de Língua Portuguesa ou outras áreas? Pode ser enriquecedor.
O modelo acima foi direcionado para o Ensino Médio, mas pode ser adaptado, aperfeiçoado.
É claro, pesquisa é questionamento, colocação em dúvida, investigação crítica. A proposta acima só terá efeito se continuada e enriquecida.
Bom proveito!
 Pesquisa realizada pela turma EP1M01 no Laboratório de Informática Escolar.
 Estudo sobre os filósofos helenísticos.
 Estudo sobre os filósofos helenísticos.
 Estudo sobre os filósofos helenísticos.
A turma foi dividida em grupos de 3 a 4 estudantes, os quais se ocuparam do estudo de filósofos do período helenístico (aprox. séc. IV a.C. ao IV/V d.C.).
O plano envolveu pesquisa no laboratório de informática escolar CEDJA, leitura e apresentação das fichas preenchidas em sala de aula, debate, discussão de ideias. 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O TRABALHO COM LINHAS DE TEMPO HISTÓRICO-FILOSÓFICAS (modelos) (Prof. José Antônio Brazão.)












 O trabalho com linhas de tempo pode ser muito útil no ensino de Filosofia, pois possibilita um resumo dos conteúdos em estudo e, ao mesmo tempo, sua contextualização no interior da história em que cada filósofo ou corrente/linha filosófica se inseriu ou se insere.
Não são difíceis de fazer. Demandam um certo trabalho. Podem ser feitas no laboratório de informática ou na biblioteca da escola. Podem ser feitas à mão, na biblioteca, mas também com o auxílio de computador. De preferência, usar o computador.
Nelas podem ser acrescentadas, aqui e ali, imagens da história e da filosofia em estudo. As que estão apresentadas acima foram feitas com o uso do recurso TABELA, do software de escrita do computador. Existem o WORD, da plataforma Windows, o BrOffice Writer, da LINUX, além de outros softwares com os quais é possível fazer tabelas. Pode-se ver que nelas não há imagens, apenas escrita. Mas pode-se, de fato, acrescentar imagens, como foi dito.
A linha de tempo pode ser pedida como trabalho para os estudantes, como atividade. Demanda pesquisa, estudo, coleta de informações, anotações, digitação, coleta de imagens (seja da internet, seja por meio de scanner), trabalho em grupo. Dá trabalho!

 Um ou dois espaços possíveis da escola, fora da sala de aula comum, além desta, podem ser utilizados: a biblioteca e o laboratório de informática. Em escolas onde ainda não há laboratório de informática, pode ser utilizado um computador comum e um scanner ou, simplesmente, o primeiro. Se houver acesso à internet, bom! Pode enriquecer muito o trabalho. No caso de não haver scanner, uma máquina fotográfica digital comum, bem posicionada sobre a imagem de um livro ou de uma enciclopédia, tirando-lhe a foto. Transfere-se a imagem da câmara para o computador e deste para a célula da linha de tempo. Importante: citar as fontes de imagens e trechos anotados de livros, revistas, enciclopédias e/ou internet.

O importante é que as e os estudantes sejam colocados em contato com a pesquisa e o uso de tecnologias. E, acima de tudo, aprendam bem a FILOSOFIA! Essa é a ideia chave: aprender filosofia! Melhor ainda: aprender a filosofar!
Como colocar textos e imagens na tabela? Fazer uma tabela com quantas colunas e linhas cada grupo achar necessário. Em cada célula, colocar um texto ou uma imagem.
Que o texto, de preferência, seja fruto do esforço de resumo dos estudantes. Da professora e do professor também!
Professoras e professores também podem fazer esse trabalho, no preparo de aulas, desse material (linha de tempo histórico-filosófica) para o ensino e assim por diante. E uma dica importante: em caso de arquivar as linhas de tempo, atualizá-las sempre que necessário, melhorando-as.
Façam bom proveito da ideia!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

FILOSOFIA E LÍNGUA PORTUGUESA: ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR. (Prof. José Antônio Brazão.)

JEAN-JACQUES ROUSSEAU E A LITERATURA INDIANISTA NO BRASIL (Texto do Prof. José Antônio Brazão.)

Nos últimos séculos, até a primeira metade do século XX, no Brasil, a influência da cultura francesa foi marcante, até mesmo no estudo da língua. Uma destas marcas encontra-se na leitura de escritores e até mesmo de filósofos franceses. Dentre estes, Jean-Jacques Rousseau.

Rousseau fez parte dos iluministas franceses do século XVIII. No âmbito dos estudos sobre a formação das sociedades, afirmou que os primeiros seres humanos viviam em constante contato com o mundo natural e traziam consigo uma bondade intrínseca. Eram bons. No entanto, a partir do momento em que a formação das sociedades foi acontecendo, o que era bom foi tornando-se mau.

A propriedade que era coletiva, foi sendo usurpada (roubada) e cercada pelos mais fortes e influentes. Estes impuseram um contrato a todos, em que seus bens permaneciam garantidos e em que a sociedade era formada. Nascia, então, a desigualdade. Rousseau vê a sociedade, portanto, como um mal. Entretanto, não é possível mais uma volta ao mundo natural original, àquele estilo de vida que havia antes do surgimento das sociedades. O homem é bom por natureza, porém a sociedade o corrompe. Porém, Rousseau acreditava que seria possível um certo retorno à natureza, no sentido de os seres humanos reaprenderem a conviver com o mundo natural e até mesmo a aprenderem com ele. Bom exemplo dessa proposta encontra-se no livro Emílio ou Da Educação, que trata da educação da infância, desde criança, até a juventude. Rousseau propõe aí uma educação para a vida, bem vivida, bem valorizada.

Em Emílio, Rousseau propõe-se educar um aluno ideal, de língua francesa, chamado justamente Emílio. Nesse livro, Rousseau critica duramente a educação que era dada às crianças em seu tempo, desde o modo como as criancinhas eram apertadas em panos, quase sufocando-as e impedindo-lhes os movimentos naturais do corpo, até os métodos duros de disciplina e a formalidade com que eram trabalhados os conteúdos escolares. Emílio seria educado de um modo diferente, em contato contínuo com a natureza. Seu aprendizado, ademais, se faria a partir das condições dadas pelo próprio mundo natural: aprender Geografia através de viagens, da observação dos fenômenos geográficos na prática; aprender Ciências através de experimentos e também da observação dos fenômenos naturais (p. ex.: aprender as propriedades do ímã com o movimento de um barquinho impulsionado por ímã embaixo da mesa); Astronomia, observando os astros, as constelações, durante a noite; Matemática, na medida prática das distâncias e com atividades práticas que possibilitassem o aprendizado direto dos números e dos cálculos; a leitura e a escrita formais seriam deixadas um pouco para depois, tendo em vista a necessidade primeira de aprendizado do mundo; etc.

O ideal rousseauniano de homem bom na natureza deu origem ao mito do bom selvagem, que veio, depois, a aparecer, inclusive, na literatura indianista e romântica brasileira. O índio selvagem ideal aparece nos livros de indianistas brasileiros como José de Alencar e Gonçalves Dias, dentre outros, puro, sem maldade, corajoso, leal, forte e com certa beleza. O escritor José de Alencar, por exemplo, apresenta Peri (o personagem principal de O Guarani), Iracema (personagem de livro do mesmo nome) e Ubirajara. Em Gonçalves Dias, I-Juca-Pirama, descrito em belo poema.

Em O Guarani, Alencar conta as peripécias pelas quais passa o índio Peri, que conviveu com uma família, em uma fazenda. Aí conheceu Cecília, por ele chamada de Ceci, à qual aprendeu a amar de forma pura e verdadeira. Peri é um índio forte, corajoso, valoroso, justo, educado. Mas o livro mostra também o mal: índios que atacam a fazenda, que prendem inimigos e comem suas carnes (canibalismo). Até mesmo Peri, em certa ocasião, preso pelos inimigos de sua tribo, viria a ser comido por eles, mas conseguiu escapar. O livro mostra um homem ambicioso, capaz até de matar, figura do mundo social em que as pessoas se tornaram ambiciosas e interesseiras, em contraposição à pureza e ao desinteresse (falta de ambição) do selvagem Peri. Ao final do livro, a fazenda em que viviam Peri, Cecília e a família desta é destruída. Ocorre também uma enorme enchente (algo que remete ao dilúvio bíblico), em que as águas matam muita gente. Em uma canoa, no rio, salvos, restam Peri e Ceci. É um verdadeiro retorno do homem (homem e mulher) à natureza.

Curiosamente, há mitos antigos que falam do dilúvio. Por exemplo: o de Noé, na Bíblia, em que este e sua família se livram através da arca (barco enorme), com casais de animais, e vêm a repovoar a Terra; o de Deucalião, da mitologia grega, que, com sua mulher, após grande dilúvio enviado pelos deuses, repovoam a Terra, lançando pedras pelo caminho, as quais deram origem a pessoas (homens e mulheres, conforme as pedras eram lançadas por Deucalião ou sua mulher). Sem dúvida, Alencar conhecia bem o mito bíblico e, provavelmente, outros.

O poema I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, relata a história de um índio que havia sido preso por tribo inimiga e que viria a ser devorado pelos índios (canibalismo), mas que acabou não sendo, por causa do medo que demonstrou de morrer e por dó do pai envelhecido e cego. Criticado e escorraçado pelo pai por causa da covardia, entra em luta e mata muitos inimigos, os quais, vendo, então, seu valor e sua imensa coragem e decidiram deixá-lo livre. O poema é relatado por um índio que presenciou os acontecimentos. Ideal do índio forte, corajoso e destemido, ainda que muito humano.

FAÇA O CAÇA-PALAVRAS ABAIXO:

C Z A E D R A C N E L A E D E S O J G U

E W F A R A P P O L I W Ç Q Z X V B O A

C N E M A R E T O R N O A S D S F G N E

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L I O P I R A R A J A R I B U C W Y A S

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A W R J T Q I T W Ç N A T U R E Z A V O

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Z X C V O C B N O M P I B Q U A R A S S

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G E S C R I T O R O M S I L A B I N A C

O L I S A R B O A I L A C U E D W E O N

As palavras estão na diagonal, na vertical e na horizontal, direita e esquerda.

FILOSOFIA E LÍNGUA PORTUGUESA – ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR.

JEAN-JACQUES ROUSSEAU E A LITERATURA INDIANISTA NO BRASIL (Texto do Prof. José Antônio Brazão.)

ATIVIDADE 1:

O texto abaixo está sem pontuação. Pontue-o corretamente. Atente para as maiúsculas no início de cada período e as acrescente onde for necessário.

nos últimos séculos até a primeira metade do século XX no Brasil a influência da cultura francesa foi marcante até mesmo no estudo da língua uma destas marcas encontra-se na leitura de escritores e mesmo de filósofos franceses dentre estes Jean-Jacques Rousseau

Rousseau fez parte dos iluministas franceses do século XVIII no âmbito dos estudos sobre a formação das sociedades afirmou que os primeiros seres humanos viviam em constante contato com o mundo natural e traziam consigo uma bondade intrínseca eram bons no entanto a partir do momento em que a formação das sociedades foi acontecendo o que era bom foi tornando-se mau

a propriedade que era coletiva foi sendo usurpada (roubada) e cercada pelos mais fortes e influentes estes impuseram um contrato a todos em que seus bens permaneciam garantidos e em que a sociedade era formada nascia, então, a desigualdade Rousseau vê a sociedade portanto como um mal entretanto não é possível mais uma volta ao mundo natural original àquele estilo de vida que havia antes do surgimento das sociedades o homem é bom por natureza porém a sociedade o corrompe todavia Rousseau acreditava que seria possível um certo retorno à natureza no sentido de os seres humanos reaprenderem a conviver com o mundo natural e até mesmo a aprenderem com ele bom exemplo dessa proposta encontra-se no livro Emílio ou Da Educação que trata da educação da infância desde criança até a juventude Rousseau propõe aí uma educação para a vida bem vivida bem valorizada

em Emílio Rousseau propõe-se educar um aluno ideal de língua francesa chamado justamente Emílio nesse livro, Rousseau critica duramente a educação que era dada às crianças em seu tempo desde o modo como as criancinhas eram apertadas em panos quase sufocando-as e impedindo-lhes os movimentos naturais do corpo até os métodos duros de disciplina e a formalidade com que eram trabalhados os conteúdos escolares Emílio seria educado de um modo diferente em contato contínuo com a natureza seu aprendizado ademais se faria a partir das condições dadas pelo próprio mundo natural aprender Geografia através de viagens da observação dos fenômenos geográficos na prática aprender Ciências através de experimentos e também da observação dos fenômenos naturais (p. ex. aprender as propriedades do ímã com o movimento de um barquinho impulsionado por ímã embaixo da mesa) Astronomia observando os astros as constelações durante a noite Matemática na medida prática das distâncias e com atividades práticas que possibilitassem o aprendizado direto dos números e dos cálculos a leitura e a escrita formais seriam deixadas um pouco para depois tendo em vista a necessidade primeira de aprendizado do mundo etc.

o ideal rousseauniano de homem bom na natureza deu origem ao mito do bom selvagem que veio depois a aparecer inclusive na literatura indianista e romântica brasileira o índio selvagem ideal aparece nos livros de indianistas brasileiros como José de Alencar e Gonçalves Dias dentre outros puro sem maldade corajoso leal forte e com certa beleza o escritor José de Alencar por exemplo apresenta Peri (o personagem principal de O Guarani) Iracema (personagem de livro do mesmo nome) e Ubirajara em Gonçalves Dias I-Juca-Pirama descrito em belo poema

em O Guarani Alencar conta as peripécias pelas quais passa o índio Peri que conviveu com uma família em uma fazenda aí conheceu Cecília por ele chamada de Ceci à qual aprendeu a amar de forma pura e verdadeira Peri é um índio forte corajoso valoroso justo educado mas o livro mostra também o mal índios que atacam a fazenda, que prendem inimigos e comem suas carnes (canibalismo). Até mesmo Peri, em certa ocasião preso pelos inimigos de sua tribo viria a ser comido por eles mas conseguiu escapar o livro mostra um homem ambicioso capaz até de matar resultado do mundo social em que as pessoas se tornaram ambiciosas e interesseiras em contraposição à pureza e ao desinteresse (falta de ambição) do selvagem Peri ao final do livro a fazenda em que viviam Peri Cecília e a família desta é destruída ocorre também uma enorme enchente (algo que remete ao dilúvio bíblico) em que as águas matam muita gente em uma canoa no rio salvos restam Peri e Ceci é um verdadeiro retorno do homem (homem e mulher) à natureza

curiosamente há mitos antigos que falam do dilúvio por exemplo o de Noé na Bíblia em que este e sua família se livram através da arca (barco enorme) com casais de animais e vêm a repovoar a Terra o de Deucalião da mitologia grega que com sua mulher após grande dilúvio enviado pelos deuses repovoam a Terra lançando pedras pelo caminho as quais deram origem a pessoas (homens e mulheres conforme as pedras eram lançadas por Deucalião ou sua mulher) sem dúvida Alencar conhecia bem o mito bíblico e provavelmente outros a respeito do dilúvio

o poema I-Juca-Pirama de Gonçalves Dias relata a história de um índio que havia sido preso por tribo inimiga e que viria a ser devorado pelos índios (canibalismo) mas que acabou não sendo por causa do medo que demonstrou de morrer e por dó do pai envelhecido e cego criticado e escorraçado pelo pai por causa da covardia entra em luta e mata muitos inimigos os quais vendo então seu valor e sua imensa coragem e decidiram deixá-lo livre o poema é relatado por um índio que presenciou os acontecimentos ideal do índio forte corajoso e destemido ainda que muito humano.

ATIVIDADE 2:
FAÇA O CAÇA-PALAVRAS ABAIXO:

C Z A E D R A C N E L A E D E S O J G U

E W F A R A P P O L I W Ç Q Z X V B O A

C N E M A R E T O R N O A S D S F G N E

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R W E T R C R I A N Ç A E P E P W Ç W E

A E D A D E I R P O R P M U L W T R A J

U W D E S I G U A L D A D E O P R O C O

G E S C R I T O R O M S I L A B I N A C

O L I S A R B O A I L A C U E D W E O N

As palavras estão na diagonal, na vertical e na horizontal, direita e esquerda.

ATIVIDADE 3:

Volte ao texto e, ao lado de cada parágrafo, coloque um título ou pequeno resumo que corresponda ao conteúdo nele presente. Faça o mesmo com todos os parágrafos.
Professor e professora de Filosofia, esta atividade pode ser muito valiosa, tanto para o aprendizado de Filosofia quanto para o de Língua Portuguesa: envolve gramática, pesquisa de palavras chaves, resumo e análise do texto para definir títulos para os parágrafos e a influência da filosofia sobre a literatura. Bom proveito!
Obs.: Para fazer o caça-palavras, vá ao software de escrita de seu computador, clique em tabela, escolha 20 colunas e 20 linhas. Depois, acrescente palavras e letras dentro da tabela. Para apagar a marca das linhas e das colunas, clique com o botão direito do mouse e escolha a formatação das bordas da tabela, elimine-as e clique OK.



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O SOCIALISMO NOS SÉCULOS XIX E XX (Prof. José Antônio Brazão.)

Uma das teorias de maior impacto na história dos últimos séculos foi o socialismo, particularmente as ideias socialistas dos séculos XIX e XX. O que propõe, propriamente, o socialismo? Em linhas gerais, a coletivização da propriedade, dos meios de produção e sua colocação a serviço de todos os membros da sociedade, buscando, com isto, o fim da pobreza e da miséria, bem como o acesso de todas as pessoas aos bens fundamentais necessários à vida, fruto da natureza e da ação do trabalho histórico e transformador humano.
A proposta de uma sociedade ideal é antiga. Já em Platão (séculos V/IV a.C.), no livro A República, se pode ver. Ali o filósofo propõe uma cidade ideal, fundada na justiça (em que cada um faz sua parte para o bem maior de toda a coletividade, cumprindo bem sua função), dirigida por filósofos e filósofas, protegida por guardiões e guardiãs, mantida pela classe produtiva, composta por comerciantes, artesãos e agricultores. A corrupção seria banida e estritamente proibida. Atenas e outras cidades-estados (póleis) do tempo de Platão eram cheias de contradições e injustiças, decadentes, com uma forte divisão social que beneficiava a poucos. Sócrates, que fora mestre de Platão, havia sido condenado à morte nessa cidade. Tal fato deixou o jovem Platão muito triste e descontente com a política efetiva de seu tempo.
Uma sociedade ideal e justa aparece também no cristianismo (século I d.C. e seguintes). Ainda que não seja uma filosofia, mas uma religião, o cristianismo funda-se em valores éticos, morais, ensinados por Jesus de Nazaré e disseminados por ele e por seus discípulos, inicialmente na Palestina e, com eles, em várias regiões do Império Romano e do mundo antigo. A lei fundamental a guiar as pessoas deve ser o AMOR, a caridade. O amor a Deus, a si mesmo e ao próximo. Esse ideal foi tão forte que, nas primeiras comunidades cristãs, de acordo com o livro neotestamentário dos Atos dos Apóstolos, os membros tinham tudo em comum e não havia necessitados entre eles. E esse ideal persiste, ainda hoje, nas religiões de influência cristã. No Império Romano, nesse tempo, havia muita injustiça, cobrança altíssima de impostos, na maioria das vezes não revertidos em benefício dos povos dominados e das pessoas mais simples. A dominação armada e as estruturas de governo bem divididas, tendo o imperador no ápice, davam poder e privilégios a poucos.
O próprio Aurélio Agostinho, um dos grandes teólogos e filósofos da Patrística, influenciado pelo pensamento platônico e neoplatônico, juntamente com os ideais cristãos, escreveu um livro intitulado A Cidade de Deus. Neste, Agostinho rebate a todos aqueles que criticavam e culpavam o cristianismo pela decadência do Império Romano. Ao mesmo tempo, fala de duas cidades, uma dos homens, onde imperam a injustiça e o pecado, e a cidade de Deus, cujo fundamento encontra-se no amor cristão. Na cidade de Deus há garantia de que todos os seus habitantes vivam plenamente bem e em harmonia.
Nos primeiros séculos da era moderna (séculos XV/XVI - XVIII), dois pensadores europeus se destacaram: Tomás Campanella, italiano, que escreveu o livro A Cidade do Sol, e Thomas More (Thomas Morus), inglês, que escreveu a Utopia. Ambos falam de sociedades ideais, pautadas pelos valores ético-cristãos e profundamente preocupadas com o bem estar de cada membro, nas quais deixam de existir a pobreza, a miséria e a exploração do homem sobre o homem. A sociedade utópica de More, inclusive, oferece acesso à educação e preocupa-se com a formação dos cidadãos que a compõem, cuidados com a saúde, a alimentação, enfim, com o bem comum. Em ambos os filósofos há uma crítica incisiva, dura, ora direta, ora indireta, à sociedade de seu tempo, em que à acumulação de riquezas por poucos juntavam-se a miséria e o sofrimento de muitos, com o nascimento e o desenvolvimento progressivo do capitalismo.
A acumulação chamada primitiva, reforçada, principalmente, entre os séculos XVI e XVII/XVIII, possibilitou o posterior impulso da Revolução Industrial, com novas máquinas, com as fábricas e seus ambiente, uma nova organização do trabalho e uma exploração intensa dos trabalhadores pelos capitalistas. Nesse momento, entre a segunda metade do século XVIII e ao longo do XIX, apareceram os socialistas chamados utópicos (Owen, Proudhon, dentre outros), cujas críticas sociais eram muito duras ao capitalismo, porém suas propostas eram, em boa parte, de reformas, através de mudanças, aqui e ali, até a constituição de sociedades socialistas. Nessa época, também os anarquistas, que propunham mudanças radicais no sistema econômico e um estado sem controle central, numa sociedade em que o poder seria disseminado, visando o bem comum.
No entanto, foram as ideias dos socialistas científicos (Karl Marx e Friedrich Engels) que marcaram decisivamente a história. Ambos falam da necessidade de organização dos trabalhadores, de sua união em torno de uma luta comum por mudanças radicais, pautadas na luta de classes, luta até mesmo armada, instauradora do socialismo e, enfim, do comunismo.
A influência da dialética hegeliana, lida não mais de forma idealista, a respeito da história e das contradições a ela inerentes foi também decisiva na compreensão dos mecanismos de funcionamento da história humana real. Marx virou de ponta à cabeça a dialética proposta por Hegel, por exemplo, na Fenomenologia do Espírito. Marx enxergou, juntamente com Engels, seu amigo e colaborador, a existência da luta de classes como motor da história. Dentro da luta de classes, em seu tempo, a luta entre capitalistas e proletários (trabalhadores), entre exploração de alguns homens (minoria) sobre outros (maioria) e libertação das amarras que prendiam os trabalhadores.
É interessante notar que, entre os séculos XVIII e XIX, particularmente, houve a formação de sindicatos e associações de trabalhadores, lutando por condições melhores de trabalho e de vida e por leis que os beneficiassem no âmbito do trabalho e da vida social. Houve momentos de radicalização, porém o capitalismo neocolonialista, então instalado na Europa e em outros lugares do mundo, continuou persistindo. Sem dúvidas, houve conquistas dos trabalhadores, as quais, adentrando o século XX, transformaram-se em leis, inclusive internacionais, como é o caso de leis trabalhistas e direitos fundamentais que aparecerão, inclusive, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU.
No século XX, a teoria socialista transformou-se em realidade em vários países, nos quais ocorreram revoluções violentas. Tais, por exemplo, os casos da Rússia (depois transformada, com a anexação de países próximos, na URSS), da China, do Vietnã do Norte, de Cuba. No caso da Revolução Russa, ocorrida a partir de 1917, os ideais marxistas de Lênin, Trotsky e Stalin levaram-nos a formar um exército (Exército Vermelho) e a optarem pela luta direta. Trotsky, inclusive, acreditava na necessidade de uma internacionalização da luta dos trabalhadores, da revolução. Sua proposta, porém, não foi levada adiante por todos os revolucionários russos e a revolução concentrou-se, inicialmente, naquele país.
Na Alemanha, Rosa Luxemburgo foi uma grande teórica e agente do socialismo. Na Itália, Antônio Gramsci, que foi, inclusive, preso durante a ditadura de Benito Mussolini. Na cadeia escreveu vários cadernos, onde expõe a necessidade de tomada de posições na luta socialista dos trabalhadores contra o sistema capitalista. Morreu algum tempo depois de liberto, por causa de complicações na saúde advindas de seu aprisionamento.
No decurso da década de 1980, um novo presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, propôs mudanças no regime comunista implementado em seu país, a fim de atualizá-lo, modernizá-lo, aprimorá-lo, tornando mais humanitário. Sua proposta de mudança chamou-se Perestroika (palavra traduzida, em geral por Reestruturação) e Glasnost (Transparência). Inclusive escreveu vários livros, nos quais expôs suas propostas. Porém, a queda do muro de Berlim, no final da década de 1980, a unificação da Alemanha e conflitos separatistas de países que compunham a URSS contribuíram para dar uma nova direção ao socialismo soviético. Dentre as mudanças ocorridas encontram-se a separação de repúblicas que antes faziam parte da URSS. A isto somou-se um golpe de estado dentro da própria Rússia, que manteve no poder, como presidente, Boris Yeltsin. Atualmente, a Rússia já se encontra reintegrada ao capitalismo, porém persistindo, ainda hoje, como potência nuclear.
Em outros países do leste europeu, dominados pela antiga URSS ou em sua área de influência, também ocorreu o fim do socialismo real. O socialismo real persiste, hoje, em países como China, Cuba e Coreia do Norte, ainda que aí não atenda plenamente a todos os ideais propostos pelo socialismo teórico, existindo problemas sociais. A China, por exemplo, tem expandido sua economia e é uma grande produtora e exportadora de produtos (Made in China). Ademais, o socialismo também persiste, como proposta e como bandeira de luta, em muitos partidos políticos e em movimentos de trabalhadores, em todo o mundo e, inclusive, no Brasil.
Como se pôde ver, as ideias econômicas, filosóficas e políticas podem fermentar mudanças sociais, às vezes até mesmo radicais. O socialismo é um sistema de governo projetado para o bem comum. Sua efetivação na prática demandou, demanda e demandará, indubitavelmente, grande empenho coletivo. O ideal persiste e alimenta lutas de trabalhadores no sistema capitalista, assim como nos próprios países socialistas, na busca de humanização das pessoas. E os ideais de justiça para todos, de bem comum, de partilha e de solidariedade persistem ainda em religiões atuais, como, por exemplo, o ideal cristão de igualdade, amor e fraternidade verdadeira entre os seres humanos, aquele ideal que alimentou as primeiras comunidades cristãs, como foi dito acima. Enfim, são ideais que alimentam lutas e esperanças.
A dialética, que ocorre efetivamente no interior da história, por meio de contradições, mostrou-se (e mostra-se), pois, bem presente nas ações humanas, nas mais diversas sociedades, ao longo do tempo histórico. O caráter dialético da história humana, de forma idealista em Hegel e materialista em Marx, mostrou-se claramente, para este último, nos modos de produção e, particularmente, nas lutas de classes que, no interior daqueles foram se instaurando, passando a constituir-se no motor que impulsiona a história: senhores e escravos, senhores e servos, burgueses e senhores feudais, capitalistas e proletários (trabalhadores). No campo da história, Marx acreditava que as crises internas e contínuas do capitalismo, somadas à luta dos trabalhadores, acabariam levando à derrocada desse modo de produção e à instauração do modo de produção socialista e do comunismo.
A história tem mostrado que, apesar das crises, verdadeiramente frequentes no capitalismo, este continua e continuará existindo por um bom tempo, assim como o socialismo real, que persiste na China e em outros lugares citados do mundo, também tendo, sem dúvidas, suas contradições. O fato é que ideais, como o socialista, o cristão, dentre outros de sociedades igualitárias, permanecem em mentes e desejos humanos, impulsionando, inclusive, ações.
CORRIDA DAS QUESTÕES FILOSÓFICAS:


A) Dispor a sala de tal modo que fique um corredor central.

B) No corredor central (espaço aberto), colocar 10 fichas (folhas) com números de 1 a 10 do lado esquerdo e igual tanto, com a mesma numeração, do lado direito. Uma folha complementar escrita CHEGADA.

C) Em cada lado ficará um(a) aluno(a) escolhido(a). Dois (duas) ao todo. Solicitar.

D) Antes de ficarem em pé diante de seu percurso de folhas enumeradas, deverão ler o texto acima atentamente em um período de dez minutos (prazo máximo), se possível, duas vezes.

E) Sortear para ver quem vai ficar como participante 1 e como participante 2.

F) Acabadas as leituras, os(as) estudantes ficarão de pé em frete ao percurso de cada um(a). Então, serão colocadas as questões a seguir, UM(A) POR VEZ, para cada um(a).

G) Conforme forem acertando as questões, vão seguindo no percurso.

H) Quem errar alguma questão ficará no número em que estiver até poder seguir adiante.

I) Quem chegar ao final primeiro será o(a) vencedor(a). Se chegarem juntos, vencem.

PRIMEIRO GRUPO DE QUESTÕES:

PARTICIPANTE [“CORREDOR(A)”] 1 (P1) / PARTICIPANTE [“CORREDOR(A)”] 2 (P2)

(P1) 1) Por que o socialismo foi uma das teorias de maior impacto nos últimos séculos da história humana?
(P2) 1) O que a proposta socialista tem que a tornou ou torna tão perigosa para o sistema capitalista?

(P1) 2) O que propõe, propriamente, o socialismo?
(P2) 2) O trabalho, no socialismo, é tratado de forma igual à do sistema capitalista? (Comente.)

(P1) 3) Como é a proposta platônica de uma sociedade ideal?
(P2) 3) Como era Atenas no tempo de Platão e o que aconteceu com Sócrates?

(P1) 4) Como era o Império Romano no tempo de Jesus, em relação às pessoas dominadas e aos povos subjugados?
(P2) 4) Como é a proposta cristã de uma sociedade ideal? Alguma vez foi aplicada? Comente.

(P1) 5) Teólogo e filósofo da Patrística, cristão, que escreveu A Cidade de Deus.
(P2) 5) Principal influência filosófica exercida sobre Aurélio Agostinho.

(P1) 6) A que e a quem Agostinho responde ao escrever A Cidade de Deus?
(P2) 6) Como aparece a sociedade ideal em A Cidade de Deus, de Agostinho?

(P1) 7) Como é a cidade dos homens, conforme descreve Agostinho?
(P2) 7) Nos primeiros séculos da era moderna, que pensadores europeus se destacaram quanto à proposta de sociedades ideiais?

(P1) 8) Livro escrito por Thomas More em que descreve uma sociedade ideal.
(P2) 8) Livro escrito por Tomás Campanella em que descreve uma sociedade ideal.

(P1) 9) O que as sociedades ideais de More e Campanella têm em comum?
(P2) 9) Cite alguns cuidados da sociedade, em Utopia, em relação aos seus habitantes.

(P1) 10) O que criticavam Campanella e More ao escreverem e publicarem os livros citados?
(P2) 10) Comente a seguinte afirmação de Karl Marx: “O capital nasceu jorrando sangue por todos os poros.”

Ao final da atividade, professor(a), comentá-la com a turma e discutir o conteúdo da folha de leitura. Sugere-se trabalhar essa atividade antes da apresentação do conteúdo, como uma introdução a este.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ÉTICA E ÉTICA NA POLÍTICA – UM COMENTÁRIO (Prof. José Antônio Brazão.)

A ética é constituída a partir de um conjunto de valores que norteiam ou devem nortear a vida humana, incluindo a sociedade e a vida pessoal. A vivência da ética pode possibilitar uma melhor qualidade de vida dentro da sociedade. Ela inclui o respeito à dignidade das pessoas, sua valorização e o empenho coletivo de construção de uma sociedade mais justa e humana. Junto com a ética vão também a garantia dos direitos e o cumprimento dos deveres, fundamentais à vida em sociedade.

Os valores éticos, bem vivenciados pelas pessoas, podem ajudar na garantia de uma vida melhor a todos, na busca do bem comum. A ética, de fato, visa o bem comum e sua vivência, sua aplicação vai desde o mais simples cidadão até o político cujo trabalho deve ser o serviço bem feito à coletividade.

Contudo, no Brasil e no mundo, encontram-se casos em que a ética se vê desfigurada: problemas graves no trânsito, a continuidade da miséria e da pobreza num mundo em que existe fartura, as desigualdades sociais que implicam em acessos diferentes a bens sociais, a corrupção, conflitos armados aqui e ali, a violência urbana e no campo, a destruição do meio ambiente com conseqüências graves para todo o planeta, etc.

No campo da política, casos de corrupção: desvio de verbas públicas que poderiam contribuir para um melhor atendimento à população, superfaturamento de obras públicas, nepotismo, empresas falsas prestando serviços ao estado, usos indevidos de dinheiro e bens públicos, etc. O que deveria beneficiar a toda a população passa a beneficiar a poucos, que fazem mal uso de seu trabalho e do dinheiro que têm à disposição.

Algo positivo, porém, pode-se ver de uns anos para cá: fala-se mais, na TV e em outros meios de comunicação social, da corrupção e de corruptos; a Polícia Federal, aliada ao Ministério Público, atuando para descobrir e desbaratar esquemas de corrupção; a realização de CPIs pelo Congresso Nacional e assembleias estaduais; julgamentos de casos graves de corrupção, com prisões e devolução de bens, perdas de mandatos, etc. Mas, mesmo assim, muito ainda precisa ser feito: uma maior conscientização da população a respeito da política, aliada ao acesso e à permanência no âmbito da educação formal, uma vigilância cada vez maior, por parte de todos, sobre o uso das verbas públicas municipais, estaduais e federais, a melhoria da educação em todos os seus níveis, o cumprimento de leis de forma mais rigorosa, dentre outras ações.

O fato é que corrupção fere a ética e todo o dinheiro desviado por ela (bilhões de reais anualmente) poderia ser investido na melhoria de vida de muitas pessoas, muitas das quais poderiam ser, inclusive, tiradas da margem da pobreza e da miséria. Esse dinheiro falta à saúde, à educação, à habitação, ao saneamento, à pesquisa científica, além de outros. É muito dinheiro indo para os bolsos de pessoas e grupos particulares, trazendo prejuízos terríveis a todos os demais.

A corrupção alia-se a interesses de grupos, de grandes empresas que prestam serviços para os governos, dentre outros, pessoas já enriquecidas, aliadas a políticos, que usurpam muitos bens econômicos da coletividade. Tais grupos, inclusive, doam grandes quantias de dinheiro para as campanhas políticas, a fim de eleger políticos que sirvam a seus propósitos, garantindo a continuidade dos casos de corrupção. Infelizmente, há casos de grupos cujas atividades são ilegais que aplicam grandes quantias em políticos e pessoas ligadas à vida política, estendendo seus tentáculos até ao âmbito da polícia, aliciando policiais que passam também a servir a seus propósitos, além de colocar pessoas a seu serviço em órgãos públicos.

O conhecimento, a consciência e a conscientização a respeito da corrupção são de fundamental importância para a busca do resgate dos valores éticos, da exigência e da luta em prol do bem comum. Não são fáceis de serem obtidos, porém são possíveis e necessários. A isto devem aliar-se ações comuns (acompanhamento do trabalho dos políticos, passeatas, abaixo-assinados, uso positivo e valioso da internet e de outros meios de comunicação social, etc.), buscando lutar coletivamente contra aquele grave problema sócio-político. Não basta votar nos políticos na época das eleições. É preciso mais: o acompanhamento do trabalho de cada um deles, do uso das verbas, etc. Algo hoje muito positivo é a exigência federal da publicação das verbas e dos gastos públicos através da internet. Isto pode permitir um maior e melhor acompanhamento do uso dos bens e do dinheiro públicos.

A conscientização passa pela educação. Esta, por sua vez, ocorre no âmbito da família: ensino e vivência de valores éticos por parte de pais e filhos, acompanhamento do desenvolvimento dos filhos e filhas, dos valores por eles e elas aprendidos, de suas ações, aprendizado até mesmo de valores religiosos (que também são carregados de significância ética), etc. No âmbito da escola: a fala e a vivência de valores éticos, intervenções positivas que possam ser feitas, estudos reforçados de história, cidadania, filosofia, ética, aliás, de todos os conteúdos, sabendo-se que cada professor e professora podem transmitir, através de suas respectivas matérias, ideias e discutir temas que envolvam o mundo da ética: ética na política, na família, no que se refere ao meio ambiente, no campo da ciência, etc. Na sociedade em geral, até mesmo em empresas públicas e privadas, na transmissão, na vivência e na exigência de aplicação da ética dentro e fora. Isto demanda muito esforço por parte de todos e o compromisso sério com a vivência dos valores éticos, na busca do bem comum, indo muito além dos interesses particulares, tendo em vista que a corrupção prejudica decisivamente a todos, desde aquele miserável que vive nas ruas até o grande empresário que necessita de meios e condições para ampliar e melhorar seus serviços e, com isto, até mesmo seus ganhos.

A educação, que envolve consigo a ética, é dever de todos, não só da escola, assim como a luta em favor do bem de toda a coletividade, lembrando que, quando não há aplicação efetiva da ética, todos perdem, e que, quando ela existe, todos ganham, sem sombra de dúvida: aquele hospital cujas obras são concluídas devidamente, com o uso correto das verbas em sua construção e em sua constante manutenção material e econômica, pode permitir o atendimento de muitas pessoas, salvar muitas vidas; aquela escola concluída e bem feita pode dar atendimento a muitas crianças e jovens, que aí poderão se preparar bem para a vida social e profissional; etc.

Mas não pode haver descuido. A vigilância precisa ser constante e plenamente consciente, com o envolvimento de todos e de todas: adultos, jovens e até mesmo crianças. É preciso conhecer, agir e jamais cruzar os braços. É fácil? Não, mas sim um verdadeiro desafio a todas as pessoas que convivem em sociedade. Individualmente é difícil, porém coletivamente as ações são possíveis e imprescindíveis!

Professores e professoras de Filosofia e de todos os outros conteúdos escolares, interdisciplinarmente: ao discutir esse tema com as turmas, nas escolas, aproveitem materiais de revistas, jornais, internet (informações e imagens), que possam ser pesquisados e estudados com alunos e alunas, e tragam-nos para a sala de aula, enriquecendo, assim, debates e discussões diversas a respeito do conteúdo proposto. O texto acima pode ajudar, mas precisa ser enriquecido com informações, conseguidas através daqueles meios, além de outros textos, de autores e autoras diversos em livros e na internet.