segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PESQUISA SIMPLES DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)


A pesquisa é uma atividade interessante e boa para o trabalho com os estudantes. Pode ser feita na escola, durante a aula ou em casa ou em biblioteca pública, por exemplo. A ficha de pesquisa acima é muito simples e pode ser usada em período de aula, com acompanhamento da professora, do professor, de Filosofia. Foi feita com o recurso TABELA do software de escrita disponível no laboratório de informática. É muito fácil e você, professora, professor, pode aproveitar o modelo, aperfeiçoá-lo, corrigi-lo. Fica como sugestão de trabalho.
Na escola, durante a aula, pode ser preenchida em pesquisa feita no laboratório de informática e/ou na biblioteca. Cada ficha pode ser repassada para grupos de dois a três estudantes. É simples e pode ser preenchida em um curto espaço de tempo.
OBSERVAÇÕES SOBRE O TRABALHO DE PESQUISA ENVOLVENDO A FICHA:
1) A pesquisa é um trabalho interessante de enriquecimento do aprendizado dos estudantes. Através dela, cada um ou cada grupo pode ter contato com informações escritas sobre a vida de filósofos (as), podendo ser trabalhada antes, durante ou após o desenvolvimento de aulas sobre assuntos ligados a cada pensador(a).
2) A proposta é que esse trabalho seja feito em uma única aula, talvez duas, com acesso à internet e/ou a livros da biblioteca.
3) É importante lembrar que será preciso repassar uma folha com a proposta da pesquisa para cada pequeno grupo, distribuído por computador ou mesa, conforme a disponibilidade da escola.
4) Ao final da aula, preenchido o papel, este será coletado pelo(a) professor(a) para correção.
5) Cada grupo não poderá deixar de preencher nenhum campo, isto é, não poderá deixar o trabalho incompleto.
6) Caso não dê tempo, devolva o trabalho incompleto ao professor, que o repassará de volta em outra aula, para a conclusão e entrega definitiva.
7) Na biblioteca: cada grupo se reunirá junto a uma mesa e escolherá os livros que quiser utilizar na pesquisa e que disponham do conteúdo solicitado. A seguir, fará a leitura dos textos e, depois, o preenchimento das informações nos campos indicados no corpo do trabalho.
8) No laboratório de informática: cada grupo de dois ou três se reunirá ao redor de um computador, com acesso à internet. Ligar o computador e acessar um site geral de pesquisa (Google, Yahoo, UOL, etc.). Digitar, a seguir, o nome do(a) filósofo(a) solicitado(a) . Escolher um ou mais sites específicos, LER as informações sobre o filósofo e preencher o formulário solicitado.
9) Usar caneta preta ou azul, de preferência.
10) Se o preenchimento for através do uso do Word ou BrOffice Writer, após digitar as informações, cada grupo deverá salvar seu trabalho em uma pasta específica, definida para a matéria ou para o conteúdo específico, indicada pela professora, pelo professor.
11) Ao final da aula, entregue ao (à) professor(a) o trabalho realizado.
12) Se tiver sido feito no computador, com uso do Word ou BrOffice Writer, salvar o trabalho na pasta definida pelo(a) professor(a).
Professora, professor: como foi dito: aperfeiçoe o modelo acima e faça bom uso. É fácil de fazer com o computador: TABELA, colunas/linhas, a quantidade de cada, ok. Preencher com as informações que serão solicitadas.
A vantagem da ficha é que os e as estudantes não ficam perdidos, sem saber, exatamente, o que fazer.
Terminado esse trabalho, proponha a apresentação da ficha de cada grupo para toda a turma e, a seguir, um debate sobre as ideias do(a) filósofo(a) estudado(a).
No laboratório de informática da escola, a vantagem é que os e as estudantes terão contato também com tecnologias. Não se pode esquecer da riqueza do trabalho na biblioteca escolar. Livros são o primeiro grande instrumento de estudo e pesquisa em filosofia. Ênfase deve ser dada aos livros dos próprios filósofos!
Esse trabalho pode ser feito de forma INTERDISCIPLINAR. Que tal trabalhar com a professora, o professor, de História, de Língua Portuguesa ou outras áreas? Pode ser enriquecedor.
O modelo acima foi direcionado para o Ensino Médio, mas pode ser adaptado, aperfeiçoado.
É claro, pesquisa é questionamento, colocação em dúvida, investigação crítica. A proposta acima só terá efeito se continuada e enriquecida.
Bom proveito!
 Pesquisa realizada pela turma EP1M01 no Laboratório de Informática Escolar.
 Estudo sobre os filósofos helenísticos.
 Estudo sobre os filósofos helenísticos.
 Estudo sobre os filósofos helenísticos.
A turma foi dividida em grupos de 3 a 4 estudantes, os quais se ocuparam do estudo de filósofos do período helenístico (aprox. séc. IV a.C. ao IV/V d.C.).
O plano envolveu pesquisa no laboratório de informática escolar CEDJA, leitura e apresentação das fichas preenchidas em sala de aula, debate, discussão de ideias. 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O TRABALHO COM LINHAS DE TEMPO HISTÓRICO-FILOSÓFICAS (modelos) (Prof. José Antônio Brazão.)












 O trabalho com linhas de tempo pode ser muito útil no ensino de Filosofia, pois possibilita um resumo dos conteúdos em estudo e, ao mesmo tempo, sua contextualização no interior da história em que cada filósofo ou corrente/linha filosófica se inseriu ou se insere.
Não são difíceis de fazer. Demandam um certo trabalho. Podem ser feitas no laboratório de informática ou na biblioteca da escola. Podem ser feitas à mão, na biblioteca, mas também com o auxílio de computador. De preferência, usar o computador.
Nelas podem ser acrescentadas, aqui e ali, imagens da história e da filosofia em estudo. As que estão apresentadas acima foram feitas com o uso do recurso TABELA, do software de escrita do computador. Existem o WORD, da plataforma Windows, o BrOffice Writer, da LINUX, além de outros softwares com os quais é possível fazer tabelas. Pode-se ver que nelas não há imagens, apenas escrita. Mas pode-se, de fato, acrescentar imagens, como foi dito.
A linha de tempo pode ser pedida como trabalho para os estudantes, como atividade. Demanda pesquisa, estudo, coleta de informações, anotações, digitação, coleta de imagens (seja da internet, seja por meio de scanner), trabalho em grupo. Dá trabalho!

 Um ou dois espaços possíveis da escola, fora da sala de aula comum, além desta, podem ser utilizados: a biblioteca e o laboratório de informática. Em escolas onde ainda não há laboratório de informática, pode ser utilizado um computador comum e um scanner ou, simplesmente, o primeiro. Se houver acesso à internet, bom! Pode enriquecer muito o trabalho. No caso de não haver scanner, uma máquina fotográfica digital comum, bem posicionada sobre a imagem de um livro ou de uma enciclopédia, tirando-lhe a foto. Transfere-se a imagem da câmara para o computador e deste para a célula da linha de tempo. Importante: citar as fontes de imagens e trechos anotados de livros, revistas, enciclopédias e/ou internet.

O importante é que as e os estudantes sejam colocados em contato com a pesquisa e o uso de tecnologias. E, acima de tudo, aprendam bem a FILOSOFIA! Essa é a ideia chave: aprender filosofia! Melhor ainda: aprender a filosofar!
Como colocar textos e imagens na tabela? Fazer uma tabela com quantas colunas e linhas cada grupo achar necessário. Em cada célula, colocar um texto ou uma imagem.
Que o texto, de preferência, seja fruto do esforço de resumo dos estudantes. Da professora e do professor também!
Professoras e professores também podem fazer esse trabalho, no preparo de aulas, desse material (linha de tempo histórico-filosófica) para o ensino e assim por diante. E uma dica importante: em caso de arquivar as linhas de tempo, atualizá-las sempre que necessário, melhorando-as.
Façam bom proveito da ideia!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

FILOSOFIA E LÍNGUA PORTUGUESA: ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR. (Prof. José Antônio Brazão.)

JEAN-JACQUES ROUSSEAU E A LITERATURA INDIANISTA NO BRASIL (Texto do Prof. José Antônio Brazão.)

Nos últimos séculos, até a primeira metade do século XX, no Brasil, a influência da cultura francesa foi marcante, até mesmo no estudo da língua. Uma destas marcas encontra-se na leitura de escritores e até mesmo de filósofos franceses. Dentre estes, Jean-Jacques Rousseau.

Rousseau fez parte dos iluministas franceses do século XVIII. No âmbito dos estudos sobre a formação das sociedades, afirmou que os primeiros seres humanos viviam em constante contato com o mundo natural e traziam consigo uma bondade intrínseca. Eram bons. No entanto, a partir do momento em que a formação das sociedades foi acontecendo, o que era bom foi tornando-se mau.

A propriedade que era coletiva, foi sendo usurpada (roubada) e cercada pelos mais fortes e influentes. Estes impuseram um contrato a todos, em que seus bens permaneciam garantidos e em que a sociedade era formada. Nascia, então, a desigualdade. Rousseau vê a sociedade, portanto, como um mal. Entretanto, não é possível mais uma volta ao mundo natural original, àquele estilo de vida que havia antes do surgimento das sociedades. O homem é bom por natureza, porém a sociedade o corrompe. Porém, Rousseau acreditava que seria possível um certo retorno à natureza, no sentido de os seres humanos reaprenderem a conviver com o mundo natural e até mesmo a aprenderem com ele. Bom exemplo dessa proposta encontra-se no livro Emílio ou Da Educação, que trata da educação da infância, desde criança, até a juventude. Rousseau propõe aí uma educação para a vida, bem vivida, bem valorizada.

Em Emílio, Rousseau propõe-se educar um aluno ideal, de língua francesa, chamado justamente Emílio. Nesse livro, Rousseau critica duramente a educação que era dada às crianças em seu tempo, desde o modo como as criancinhas eram apertadas em panos, quase sufocando-as e impedindo-lhes os movimentos naturais do corpo, até os métodos duros de disciplina e a formalidade com que eram trabalhados os conteúdos escolares. Emílio seria educado de um modo diferente, em contato contínuo com a natureza. Seu aprendizado, ademais, se faria a partir das condições dadas pelo próprio mundo natural: aprender Geografia através de viagens, da observação dos fenômenos geográficos na prática; aprender Ciências através de experimentos e também da observação dos fenômenos naturais (p. ex.: aprender as propriedades do ímã com o movimento de um barquinho impulsionado por ímã embaixo da mesa); Astronomia, observando os astros, as constelações, durante a noite; Matemática, na medida prática das distâncias e com atividades práticas que possibilitassem o aprendizado direto dos números e dos cálculos; a leitura e a escrita formais seriam deixadas um pouco para depois, tendo em vista a necessidade primeira de aprendizado do mundo; etc.

O ideal rousseauniano de homem bom na natureza deu origem ao mito do bom selvagem, que veio, depois, a aparecer, inclusive, na literatura indianista e romântica brasileira. O índio selvagem ideal aparece nos livros de indianistas brasileiros como José de Alencar e Gonçalves Dias, dentre outros, puro, sem maldade, corajoso, leal, forte e com certa beleza. O escritor José de Alencar, por exemplo, apresenta Peri (o personagem principal de O Guarani), Iracema (personagem de livro do mesmo nome) e Ubirajara. Em Gonçalves Dias, I-Juca-Pirama, descrito em belo poema.

Em O Guarani, Alencar conta as peripécias pelas quais passa o índio Peri, que conviveu com uma família, em uma fazenda. Aí conheceu Cecília, por ele chamada de Ceci, à qual aprendeu a amar de forma pura e verdadeira. Peri é um índio forte, corajoso, valoroso, justo, educado. Mas o livro mostra também o mal: índios que atacam a fazenda, que prendem inimigos e comem suas carnes (canibalismo). Até mesmo Peri, em certa ocasião, preso pelos inimigos de sua tribo, viria a ser comido por eles, mas conseguiu escapar. O livro mostra um homem ambicioso, capaz até de matar, figura do mundo social em que as pessoas se tornaram ambiciosas e interesseiras, em contraposição à pureza e ao desinteresse (falta de ambição) do selvagem Peri. Ao final do livro, a fazenda em que viviam Peri, Cecília e a família desta é destruída. Ocorre também uma enorme enchente (algo que remete ao dilúvio bíblico), em que as águas matam muita gente. Em uma canoa, no rio, salvos, restam Peri e Ceci. É um verdadeiro retorno do homem (homem e mulher) à natureza.

Curiosamente, há mitos antigos que falam do dilúvio. Por exemplo: o de Noé, na Bíblia, em que este e sua família se livram através da arca (barco enorme), com casais de animais, e vêm a repovoar a Terra; o de Deucalião, da mitologia grega, que, com sua mulher, após grande dilúvio enviado pelos deuses, repovoam a Terra, lançando pedras pelo caminho, as quais deram origem a pessoas (homens e mulheres, conforme as pedras eram lançadas por Deucalião ou sua mulher). Sem dúvida, Alencar conhecia bem o mito bíblico e, provavelmente, outros.

O poema I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, relata a história de um índio que havia sido preso por tribo inimiga e que viria a ser devorado pelos índios (canibalismo), mas que acabou não sendo, por causa do medo que demonstrou de morrer e por dó do pai envelhecido e cego. Criticado e escorraçado pelo pai por causa da covardia, entra em luta e mata muitos inimigos, os quais, vendo, então, seu valor e sua imensa coragem e decidiram deixá-lo livre. O poema é relatado por um índio que presenciou os acontecimentos. Ideal do índio forte, corajoso e destemido, ainda que muito humano.

FAÇA O CAÇA-PALAVRAS ABAIXO:

C Z A E D R A C N E L A E D E S O J G U

E W F A R A P P O L I W Ç Q Z X V B O A

C N E M A R E T O R N O A S D S F G N E

I H J M K R L D Ç E Q W E R T O Y U Ç S

L I O P I R A R A J A R I B U C W Y A S

I T I R E L A M Y D J K E W E I I A L U

A W R J T Q I T W Ç N A T U R E Z A V O

Ç L K J U T H O G F E O W A S D F G E R

Z X C V O C B N O M P I B Q U A R A S S

T A S S A Y A P W U N W O W Ç D E J D E

Y R E D N E R P A D D Ç M A Ç E I T I U

E Ç E O C I L B I B J A S U T F G H A Q

N N I D O Ç W O I R A C E M A R A T S C

N F Y O U Q E O R W A E L D R P L A S A

I Ç A P O C B Ã K J F M V L U T A W Ã J

N D I N D I A N I S T A A E T C R I O N

A A G E R G W Ç K Ã M I G V I D A K Y A

R W E T R C R I A N Ç A E P E P W Ç W E

A E D A D E I R P O R P M U L W T R A J

U W D E S I G U A L D A D E O P R O C O

G E S C R I T O R O M S I L A B I N A C

O L I S A R B O A I L A C U E D W E O N

As palavras estão na diagonal, na vertical e na horizontal, direita e esquerda.

FILOSOFIA E LÍNGUA PORTUGUESA – ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR.

JEAN-JACQUES ROUSSEAU E A LITERATURA INDIANISTA NO BRASIL (Texto do Prof. José Antônio Brazão.)

ATIVIDADE 1:

O texto abaixo está sem pontuação. Pontue-o corretamente. Atente para as maiúsculas no início de cada período e as acrescente onde for necessário.

nos últimos séculos até a primeira metade do século XX no Brasil a influência da cultura francesa foi marcante até mesmo no estudo da língua uma destas marcas encontra-se na leitura de escritores e mesmo de filósofos franceses dentre estes Jean-Jacques Rousseau

Rousseau fez parte dos iluministas franceses do século XVIII no âmbito dos estudos sobre a formação das sociedades afirmou que os primeiros seres humanos viviam em constante contato com o mundo natural e traziam consigo uma bondade intrínseca eram bons no entanto a partir do momento em que a formação das sociedades foi acontecendo o que era bom foi tornando-se mau

a propriedade que era coletiva foi sendo usurpada (roubada) e cercada pelos mais fortes e influentes estes impuseram um contrato a todos em que seus bens permaneciam garantidos e em que a sociedade era formada nascia, então, a desigualdade Rousseau vê a sociedade portanto como um mal entretanto não é possível mais uma volta ao mundo natural original àquele estilo de vida que havia antes do surgimento das sociedades o homem é bom por natureza porém a sociedade o corrompe todavia Rousseau acreditava que seria possível um certo retorno à natureza no sentido de os seres humanos reaprenderem a conviver com o mundo natural e até mesmo a aprenderem com ele bom exemplo dessa proposta encontra-se no livro Emílio ou Da Educação que trata da educação da infância desde criança até a juventude Rousseau propõe aí uma educação para a vida bem vivida bem valorizada

em Emílio Rousseau propõe-se educar um aluno ideal de língua francesa chamado justamente Emílio nesse livro, Rousseau critica duramente a educação que era dada às crianças em seu tempo desde o modo como as criancinhas eram apertadas em panos quase sufocando-as e impedindo-lhes os movimentos naturais do corpo até os métodos duros de disciplina e a formalidade com que eram trabalhados os conteúdos escolares Emílio seria educado de um modo diferente em contato contínuo com a natureza seu aprendizado ademais se faria a partir das condições dadas pelo próprio mundo natural aprender Geografia através de viagens da observação dos fenômenos geográficos na prática aprender Ciências através de experimentos e também da observação dos fenômenos naturais (p. ex. aprender as propriedades do ímã com o movimento de um barquinho impulsionado por ímã embaixo da mesa) Astronomia observando os astros as constelações durante a noite Matemática na medida prática das distâncias e com atividades práticas que possibilitassem o aprendizado direto dos números e dos cálculos a leitura e a escrita formais seriam deixadas um pouco para depois tendo em vista a necessidade primeira de aprendizado do mundo etc.

o ideal rousseauniano de homem bom na natureza deu origem ao mito do bom selvagem que veio depois a aparecer inclusive na literatura indianista e romântica brasileira o índio selvagem ideal aparece nos livros de indianistas brasileiros como José de Alencar e Gonçalves Dias dentre outros puro sem maldade corajoso leal forte e com certa beleza o escritor José de Alencar por exemplo apresenta Peri (o personagem principal de O Guarani) Iracema (personagem de livro do mesmo nome) e Ubirajara em Gonçalves Dias I-Juca-Pirama descrito em belo poema

em O Guarani Alencar conta as peripécias pelas quais passa o índio Peri que conviveu com uma família em uma fazenda aí conheceu Cecília por ele chamada de Ceci à qual aprendeu a amar de forma pura e verdadeira Peri é um índio forte corajoso valoroso justo educado mas o livro mostra também o mal índios que atacam a fazenda, que prendem inimigos e comem suas carnes (canibalismo). Até mesmo Peri, em certa ocasião preso pelos inimigos de sua tribo viria a ser comido por eles mas conseguiu escapar o livro mostra um homem ambicioso capaz até de matar resultado do mundo social em que as pessoas se tornaram ambiciosas e interesseiras em contraposição à pureza e ao desinteresse (falta de ambição) do selvagem Peri ao final do livro a fazenda em que viviam Peri Cecília e a família desta é destruída ocorre também uma enorme enchente (algo que remete ao dilúvio bíblico) em que as águas matam muita gente em uma canoa no rio salvos restam Peri e Ceci é um verdadeiro retorno do homem (homem e mulher) à natureza

curiosamente há mitos antigos que falam do dilúvio por exemplo o de Noé na Bíblia em que este e sua família se livram através da arca (barco enorme) com casais de animais e vêm a repovoar a Terra o de Deucalião da mitologia grega que com sua mulher após grande dilúvio enviado pelos deuses repovoam a Terra lançando pedras pelo caminho as quais deram origem a pessoas (homens e mulheres conforme as pedras eram lançadas por Deucalião ou sua mulher) sem dúvida Alencar conhecia bem o mito bíblico e provavelmente outros a respeito do dilúvio

o poema I-Juca-Pirama de Gonçalves Dias relata a história de um índio que havia sido preso por tribo inimiga e que viria a ser devorado pelos índios (canibalismo) mas que acabou não sendo por causa do medo que demonstrou de morrer e por dó do pai envelhecido e cego criticado e escorraçado pelo pai por causa da covardia entra em luta e mata muitos inimigos os quais vendo então seu valor e sua imensa coragem e decidiram deixá-lo livre o poema é relatado por um índio que presenciou os acontecimentos ideal do índio forte corajoso e destemido ainda que muito humano.

ATIVIDADE 2:
FAÇA O CAÇA-PALAVRAS ABAIXO:

C Z A E D R A C N E L A E D E S O J G U

E W F A R A P P O L I W Ç Q Z X V B O A

C N E M A R E T O R N O A S D S F G N E

I H J M K R L D Ç E Q W E R T O Y U Ç S

L I O P I R A R A J A R I B U C W Y A S

I T I R E L A M Y D J K E W E I I A L U

A W R J T Q I T W Ç N A T U R E Z A V O

Ç L K J U T H O G F E O W A S D F G E R

Z X C V O C B N O M P I B Q U A R A S S

T A S S A Y A P W U N W O W Ç D E J D E

Y R E D N E R P A D D Ç M A Ç E I T I U

E Ç E O C I L B I B J A S U T F G H A Q

N N I D O Ç W O I R A C E M A R A T S C

N F Y O U Q E O R W A E L D R P L A S A

I Ç A P O C B Ã K J F M V L U T A W Ã J

N D I N D I A N I S T A A E T C R I O N

A A G E R G W Ç K Ã M I G V I D A K Y A

R W E T R C R I A N Ç A E P E P W Ç W E

A E D A D E I R P O R P M U L W T R A J

U W D E S I G U A L D A D E O P R O C O

G E S C R I T O R O M S I L A B I N A C

O L I S A R B O A I L A C U E D W E O N

As palavras estão na diagonal, na vertical e na horizontal, direita e esquerda.

ATIVIDADE 3:

Volte ao texto e, ao lado de cada parágrafo, coloque um título ou pequeno resumo que corresponda ao conteúdo nele presente. Faça o mesmo com todos os parágrafos.
Professor e professora de Filosofia, esta atividade pode ser muito valiosa, tanto para o aprendizado de Filosofia quanto para o de Língua Portuguesa: envolve gramática, pesquisa de palavras chaves, resumo e análise do texto para definir títulos para os parágrafos e a influência da filosofia sobre a literatura. Bom proveito!
Obs.: Para fazer o caça-palavras, vá ao software de escrita de seu computador, clique em tabela, escolha 20 colunas e 20 linhas. Depois, acrescente palavras e letras dentro da tabela. Para apagar a marca das linhas e das colunas, clique com o botão direito do mouse e escolha a formatação das bordas da tabela, elimine-as e clique OK.



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O SOCIALISMO NOS SÉCULOS XIX E XX (Prof. José Antônio Brazão.)

Uma das teorias de maior impacto na história dos últimos séculos foi o socialismo, particularmente as ideias socialistas dos séculos XIX e XX. O que propõe, propriamente, o socialismo? Em linhas gerais, a coletivização da propriedade, dos meios de produção e sua colocação a serviço de todos os membros da sociedade, buscando, com isto, o fim da pobreza e da miséria, bem como o acesso de todas as pessoas aos bens fundamentais necessários à vida, fruto da natureza e da ação do trabalho histórico e transformador humano.
A proposta de uma sociedade ideal é antiga. Já em Platão (séculos V/IV a.C.), no livro A República, se pode ver. Ali o filósofo propõe uma cidade ideal, fundada na justiça (em que cada um faz sua parte para o bem maior de toda a coletividade, cumprindo bem sua função), dirigida por filósofos e filósofas, protegida por guardiões e guardiãs, mantida pela classe produtiva, composta por comerciantes, artesãos e agricultores. A corrupção seria banida e estritamente proibida. Atenas e outras cidades-estados (póleis) do tempo de Platão eram cheias de contradições e injustiças, decadentes, com uma forte divisão social que beneficiava a poucos. Sócrates, que fora mestre de Platão, havia sido condenado à morte nessa cidade. Tal fato deixou o jovem Platão muito triste e descontente com a política efetiva de seu tempo.
Uma sociedade ideal e justa aparece também no cristianismo (século I d.C. e seguintes). Ainda que não seja uma filosofia, mas uma religião, o cristianismo funda-se em valores éticos, morais, ensinados por Jesus de Nazaré e disseminados por ele e por seus discípulos, inicialmente na Palestina e, com eles, em várias regiões do Império Romano e do mundo antigo. A lei fundamental a guiar as pessoas deve ser o AMOR, a caridade. O amor a Deus, a si mesmo e ao próximo. Esse ideal foi tão forte que, nas primeiras comunidades cristãs, de acordo com o livro neotestamentário dos Atos dos Apóstolos, os membros tinham tudo em comum e não havia necessitados entre eles. E esse ideal persiste, ainda hoje, nas religiões de influência cristã. No Império Romano, nesse tempo, havia muita injustiça, cobrança altíssima de impostos, na maioria das vezes não revertidos em benefício dos povos dominados e das pessoas mais simples. A dominação armada e as estruturas de governo bem divididas, tendo o imperador no ápice, davam poder e privilégios a poucos.
O próprio Aurélio Agostinho, um dos grandes teólogos e filósofos da Patrística, influenciado pelo pensamento platônico e neoplatônico, juntamente com os ideais cristãos, escreveu um livro intitulado A Cidade de Deus. Neste, Agostinho rebate a todos aqueles que criticavam e culpavam o cristianismo pela decadência do Império Romano. Ao mesmo tempo, fala de duas cidades, uma dos homens, onde imperam a injustiça e o pecado, e a cidade de Deus, cujo fundamento encontra-se no amor cristão. Na cidade de Deus há garantia de que todos os seus habitantes vivam plenamente bem e em harmonia.
Nos primeiros séculos da era moderna (séculos XV/XVI - XVIII), dois pensadores europeus se destacaram: Tomás Campanella, italiano, que escreveu o livro A Cidade do Sol, e Thomas More (Thomas Morus), inglês, que escreveu a Utopia. Ambos falam de sociedades ideais, pautadas pelos valores ético-cristãos e profundamente preocupadas com o bem estar de cada membro, nas quais deixam de existir a pobreza, a miséria e a exploração do homem sobre o homem. A sociedade utópica de More, inclusive, oferece acesso à educação e preocupa-se com a formação dos cidadãos que a compõem, cuidados com a saúde, a alimentação, enfim, com o bem comum. Em ambos os filósofos há uma crítica incisiva, dura, ora direta, ora indireta, à sociedade de seu tempo, em que à acumulação de riquezas por poucos juntavam-se a miséria e o sofrimento de muitos, com o nascimento e o desenvolvimento progressivo do capitalismo.
A acumulação chamada primitiva, reforçada, principalmente, entre os séculos XVI e XVII/XVIII, possibilitou o posterior impulso da Revolução Industrial, com novas máquinas, com as fábricas e seus ambiente, uma nova organização do trabalho e uma exploração intensa dos trabalhadores pelos capitalistas. Nesse momento, entre a segunda metade do século XVIII e ao longo do XIX, apareceram os socialistas chamados utópicos (Owen, Proudhon, dentre outros), cujas críticas sociais eram muito duras ao capitalismo, porém suas propostas eram, em boa parte, de reformas, através de mudanças, aqui e ali, até a constituição de sociedades socialistas. Nessa época, também os anarquistas, que propunham mudanças radicais no sistema econômico e um estado sem controle central, numa sociedade em que o poder seria disseminado, visando o bem comum.
No entanto, foram as ideias dos socialistas científicos (Karl Marx e Friedrich Engels) que marcaram decisivamente a história. Ambos falam da necessidade de organização dos trabalhadores, de sua união em torno de uma luta comum por mudanças radicais, pautadas na luta de classes, luta até mesmo armada, instauradora do socialismo e, enfim, do comunismo.
A influência da dialética hegeliana, lida não mais de forma idealista, a respeito da história e das contradições a ela inerentes foi também decisiva na compreensão dos mecanismos de funcionamento da história humana real. Marx virou de ponta à cabeça a dialética proposta por Hegel, por exemplo, na Fenomenologia do Espírito. Marx enxergou, juntamente com Engels, seu amigo e colaborador, a existência da luta de classes como motor da história. Dentro da luta de classes, em seu tempo, a luta entre capitalistas e proletários (trabalhadores), entre exploração de alguns homens (minoria) sobre outros (maioria) e libertação das amarras que prendiam os trabalhadores.
É interessante notar que, entre os séculos XVIII e XIX, particularmente, houve a formação de sindicatos e associações de trabalhadores, lutando por condições melhores de trabalho e de vida e por leis que os beneficiassem no âmbito do trabalho e da vida social. Houve momentos de radicalização, porém o capitalismo neocolonialista, então instalado na Europa e em outros lugares do mundo, continuou persistindo. Sem dúvidas, houve conquistas dos trabalhadores, as quais, adentrando o século XX, transformaram-se em leis, inclusive internacionais, como é o caso de leis trabalhistas e direitos fundamentais que aparecerão, inclusive, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU.
No século XX, a teoria socialista transformou-se em realidade em vários países, nos quais ocorreram revoluções violentas. Tais, por exemplo, os casos da Rússia (depois transformada, com a anexação de países próximos, na URSS), da China, do Vietnã do Norte, de Cuba. No caso da Revolução Russa, ocorrida a partir de 1917, os ideais marxistas de Lênin, Trotsky e Stalin levaram-nos a formar um exército (Exército Vermelho) e a optarem pela luta direta. Trotsky, inclusive, acreditava na necessidade de uma internacionalização da luta dos trabalhadores, da revolução. Sua proposta, porém, não foi levada adiante por todos os revolucionários russos e a revolução concentrou-se, inicialmente, naquele país.
Na Alemanha, Rosa Luxemburgo foi uma grande teórica e agente do socialismo. Na Itália, Antônio Gramsci, que foi, inclusive, preso durante a ditadura de Benito Mussolini. Na cadeia escreveu vários cadernos, onde expõe a necessidade de tomada de posições na luta socialista dos trabalhadores contra o sistema capitalista. Morreu algum tempo depois de liberto, por causa de complicações na saúde advindas de seu aprisionamento.
No decurso da década de 1980, um novo presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, propôs mudanças no regime comunista implementado em seu país, a fim de atualizá-lo, modernizá-lo, aprimorá-lo, tornando mais humanitário. Sua proposta de mudança chamou-se Perestroika (palavra traduzida, em geral por Reestruturação) e Glasnost (Transparência). Inclusive escreveu vários livros, nos quais expôs suas propostas. Porém, a queda do muro de Berlim, no final da década de 1980, a unificação da Alemanha e conflitos separatistas de países que compunham a URSS contribuíram para dar uma nova direção ao socialismo soviético. Dentre as mudanças ocorridas encontram-se a separação de repúblicas que antes faziam parte da URSS. A isto somou-se um golpe de estado dentro da própria Rússia, que manteve no poder, como presidente, Boris Yeltsin. Atualmente, a Rússia já se encontra reintegrada ao capitalismo, porém persistindo, ainda hoje, como potência nuclear.
Em outros países do leste europeu, dominados pela antiga URSS ou em sua área de influência, também ocorreu o fim do socialismo real. O socialismo real persiste, hoje, em países como China, Cuba e Coreia do Norte, ainda que aí não atenda plenamente a todos os ideais propostos pelo socialismo teórico, existindo problemas sociais. A China, por exemplo, tem expandido sua economia e é uma grande produtora e exportadora de produtos (Made in China). Ademais, o socialismo também persiste, como proposta e como bandeira de luta, em muitos partidos políticos e em movimentos de trabalhadores, em todo o mundo e, inclusive, no Brasil.
Como se pôde ver, as ideias econômicas, filosóficas e políticas podem fermentar mudanças sociais, às vezes até mesmo radicais. O socialismo é um sistema de governo projetado para o bem comum. Sua efetivação na prática demandou, demanda e demandará, indubitavelmente, grande empenho coletivo. O ideal persiste e alimenta lutas de trabalhadores no sistema capitalista, assim como nos próprios países socialistas, na busca de humanização das pessoas. E os ideais de justiça para todos, de bem comum, de partilha e de solidariedade persistem ainda em religiões atuais, como, por exemplo, o ideal cristão de igualdade, amor e fraternidade verdadeira entre os seres humanos, aquele ideal que alimentou as primeiras comunidades cristãs, como foi dito acima. Enfim, são ideais que alimentam lutas e esperanças.
A dialética, que ocorre efetivamente no interior da história, por meio de contradições, mostrou-se (e mostra-se), pois, bem presente nas ações humanas, nas mais diversas sociedades, ao longo do tempo histórico. O caráter dialético da história humana, de forma idealista em Hegel e materialista em Marx, mostrou-se claramente, para este último, nos modos de produção e, particularmente, nas lutas de classes que, no interior daqueles foram se instaurando, passando a constituir-se no motor que impulsiona a história: senhores e escravos, senhores e servos, burgueses e senhores feudais, capitalistas e proletários (trabalhadores). No campo da história, Marx acreditava que as crises internas e contínuas do capitalismo, somadas à luta dos trabalhadores, acabariam levando à derrocada desse modo de produção e à instauração do modo de produção socialista e do comunismo.
A história tem mostrado que, apesar das crises, verdadeiramente frequentes no capitalismo, este continua e continuará existindo por um bom tempo, assim como o socialismo real, que persiste na China e em outros lugares citados do mundo, também tendo, sem dúvidas, suas contradições. O fato é que ideais, como o socialista, o cristão, dentre outros de sociedades igualitárias, permanecem em mentes e desejos humanos, impulsionando, inclusive, ações.
CORRIDA DAS QUESTÕES FILOSÓFICAS:


A) Dispor a sala de tal modo que fique um corredor central.

B) No corredor central (espaço aberto), colocar 10 fichas (folhas) com números de 1 a 10 do lado esquerdo e igual tanto, com a mesma numeração, do lado direito. Uma folha complementar escrita CHEGADA.

C) Em cada lado ficará um(a) aluno(a) escolhido(a). Dois (duas) ao todo. Solicitar.

D) Antes de ficarem em pé diante de seu percurso de folhas enumeradas, deverão ler o texto acima atentamente em um período de dez minutos (prazo máximo), se possível, duas vezes.

E) Sortear para ver quem vai ficar como participante 1 e como participante 2.

F) Acabadas as leituras, os(as) estudantes ficarão de pé em frete ao percurso de cada um(a). Então, serão colocadas as questões a seguir, UM(A) POR VEZ, para cada um(a).

G) Conforme forem acertando as questões, vão seguindo no percurso.

H) Quem errar alguma questão ficará no número em que estiver até poder seguir adiante.

I) Quem chegar ao final primeiro será o(a) vencedor(a). Se chegarem juntos, vencem.

PRIMEIRO GRUPO DE QUESTÕES:

PARTICIPANTE [“CORREDOR(A)”] 1 (P1) / PARTICIPANTE [“CORREDOR(A)”] 2 (P2)

(P1) 1) Por que o socialismo foi uma das teorias de maior impacto nos últimos séculos da história humana?
(P2) 1) O que a proposta socialista tem que a tornou ou torna tão perigosa para o sistema capitalista?

(P1) 2) O que propõe, propriamente, o socialismo?
(P2) 2) O trabalho, no socialismo, é tratado de forma igual à do sistema capitalista? (Comente.)

(P1) 3) Como é a proposta platônica de uma sociedade ideal?
(P2) 3) Como era Atenas no tempo de Platão e o que aconteceu com Sócrates?

(P1) 4) Como era o Império Romano no tempo de Jesus, em relação às pessoas dominadas e aos povos subjugados?
(P2) 4) Como é a proposta cristã de uma sociedade ideal? Alguma vez foi aplicada? Comente.

(P1) 5) Teólogo e filósofo da Patrística, cristão, que escreveu A Cidade de Deus.
(P2) 5) Principal influência filosófica exercida sobre Aurélio Agostinho.

(P1) 6) A que e a quem Agostinho responde ao escrever A Cidade de Deus?
(P2) 6) Como aparece a sociedade ideal em A Cidade de Deus, de Agostinho?

(P1) 7) Como é a cidade dos homens, conforme descreve Agostinho?
(P2) 7) Nos primeiros séculos da era moderna, que pensadores europeus se destacaram quanto à proposta de sociedades ideiais?

(P1) 8) Livro escrito por Thomas More em que descreve uma sociedade ideal.
(P2) 8) Livro escrito por Tomás Campanella em que descreve uma sociedade ideal.

(P1) 9) O que as sociedades ideais de More e Campanella têm em comum?
(P2) 9) Cite alguns cuidados da sociedade, em Utopia, em relação aos seus habitantes.

(P1) 10) O que criticavam Campanella e More ao escreverem e publicarem os livros citados?
(P2) 10) Comente a seguinte afirmação de Karl Marx: “O capital nasceu jorrando sangue por todos os poros.”

Ao final da atividade, professor(a), comentá-la com a turma e discutir o conteúdo da folha de leitura. Sugere-se trabalhar essa atividade antes da apresentação do conteúdo, como uma introdução a este.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ÉTICA E ÉTICA NA POLÍTICA – UM COMENTÁRIO (Prof. José Antônio Brazão.)

A ética é constituída a partir de um conjunto de valores que norteiam ou devem nortear a vida humana, incluindo a sociedade e a vida pessoal. A vivência da ética pode possibilitar uma melhor qualidade de vida dentro da sociedade. Ela inclui o respeito à dignidade das pessoas, sua valorização e o empenho coletivo de construção de uma sociedade mais justa e humana. Junto com a ética vão também a garantia dos direitos e o cumprimento dos deveres, fundamentais à vida em sociedade.

Os valores éticos, bem vivenciados pelas pessoas, podem ajudar na garantia de uma vida melhor a todos, na busca do bem comum. A ética, de fato, visa o bem comum e sua vivência, sua aplicação vai desde o mais simples cidadão até o político cujo trabalho deve ser o serviço bem feito à coletividade.

Contudo, no Brasil e no mundo, encontram-se casos em que a ética se vê desfigurada: problemas graves no trânsito, a continuidade da miséria e da pobreza num mundo em que existe fartura, as desigualdades sociais que implicam em acessos diferentes a bens sociais, a corrupção, conflitos armados aqui e ali, a violência urbana e no campo, a destruição do meio ambiente com conseqüências graves para todo o planeta, etc.

No campo da política, casos de corrupção: desvio de verbas públicas que poderiam contribuir para um melhor atendimento à população, superfaturamento de obras públicas, nepotismo, empresas falsas prestando serviços ao estado, usos indevidos de dinheiro e bens públicos, etc. O que deveria beneficiar a toda a população passa a beneficiar a poucos, que fazem mal uso de seu trabalho e do dinheiro que têm à disposição.

Algo positivo, porém, pode-se ver de uns anos para cá: fala-se mais, na TV e em outros meios de comunicação social, da corrupção e de corruptos; a Polícia Federal, aliada ao Ministério Público, atuando para descobrir e desbaratar esquemas de corrupção; a realização de CPIs pelo Congresso Nacional e assembleias estaduais; julgamentos de casos graves de corrupção, com prisões e devolução de bens, perdas de mandatos, etc. Mas, mesmo assim, muito ainda precisa ser feito: uma maior conscientização da população a respeito da política, aliada ao acesso e à permanência no âmbito da educação formal, uma vigilância cada vez maior, por parte de todos, sobre o uso das verbas públicas municipais, estaduais e federais, a melhoria da educação em todos os seus níveis, o cumprimento de leis de forma mais rigorosa, dentre outras ações.

O fato é que corrupção fere a ética e todo o dinheiro desviado por ela (bilhões de reais anualmente) poderia ser investido na melhoria de vida de muitas pessoas, muitas das quais poderiam ser, inclusive, tiradas da margem da pobreza e da miséria. Esse dinheiro falta à saúde, à educação, à habitação, ao saneamento, à pesquisa científica, além de outros. É muito dinheiro indo para os bolsos de pessoas e grupos particulares, trazendo prejuízos terríveis a todos os demais.

A corrupção alia-se a interesses de grupos, de grandes empresas que prestam serviços para os governos, dentre outros, pessoas já enriquecidas, aliadas a políticos, que usurpam muitos bens econômicos da coletividade. Tais grupos, inclusive, doam grandes quantias de dinheiro para as campanhas políticas, a fim de eleger políticos que sirvam a seus propósitos, garantindo a continuidade dos casos de corrupção. Infelizmente, há casos de grupos cujas atividades são ilegais que aplicam grandes quantias em políticos e pessoas ligadas à vida política, estendendo seus tentáculos até ao âmbito da polícia, aliciando policiais que passam também a servir a seus propósitos, além de colocar pessoas a seu serviço em órgãos públicos.

O conhecimento, a consciência e a conscientização a respeito da corrupção são de fundamental importância para a busca do resgate dos valores éticos, da exigência e da luta em prol do bem comum. Não são fáceis de serem obtidos, porém são possíveis e necessários. A isto devem aliar-se ações comuns (acompanhamento do trabalho dos políticos, passeatas, abaixo-assinados, uso positivo e valioso da internet e de outros meios de comunicação social, etc.), buscando lutar coletivamente contra aquele grave problema sócio-político. Não basta votar nos políticos na época das eleições. É preciso mais: o acompanhamento do trabalho de cada um deles, do uso das verbas, etc. Algo hoje muito positivo é a exigência federal da publicação das verbas e dos gastos públicos através da internet. Isto pode permitir um maior e melhor acompanhamento do uso dos bens e do dinheiro públicos.

A conscientização passa pela educação. Esta, por sua vez, ocorre no âmbito da família: ensino e vivência de valores éticos por parte de pais e filhos, acompanhamento do desenvolvimento dos filhos e filhas, dos valores por eles e elas aprendidos, de suas ações, aprendizado até mesmo de valores religiosos (que também são carregados de significância ética), etc. No âmbito da escola: a fala e a vivência de valores éticos, intervenções positivas que possam ser feitas, estudos reforçados de história, cidadania, filosofia, ética, aliás, de todos os conteúdos, sabendo-se que cada professor e professora podem transmitir, através de suas respectivas matérias, ideias e discutir temas que envolvam o mundo da ética: ética na política, na família, no que se refere ao meio ambiente, no campo da ciência, etc. Na sociedade em geral, até mesmo em empresas públicas e privadas, na transmissão, na vivência e na exigência de aplicação da ética dentro e fora. Isto demanda muito esforço por parte de todos e o compromisso sério com a vivência dos valores éticos, na busca do bem comum, indo muito além dos interesses particulares, tendo em vista que a corrupção prejudica decisivamente a todos, desde aquele miserável que vive nas ruas até o grande empresário que necessita de meios e condições para ampliar e melhorar seus serviços e, com isto, até mesmo seus ganhos.

A educação, que envolve consigo a ética, é dever de todos, não só da escola, assim como a luta em favor do bem de toda a coletividade, lembrando que, quando não há aplicação efetiva da ética, todos perdem, e que, quando ela existe, todos ganham, sem sombra de dúvida: aquele hospital cujas obras são concluídas devidamente, com o uso correto das verbas em sua construção e em sua constante manutenção material e econômica, pode permitir o atendimento de muitas pessoas, salvar muitas vidas; aquela escola concluída e bem feita pode dar atendimento a muitas crianças e jovens, que aí poderão se preparar bem para a vida social e profissional; etc.

Mas não pode haver descuido. A vigilância precisa ser constante e plenamente consciente, com o envolvimento de todos e de todas: adultos, jovens e até mesmo crianças. É preciso conhecer, agir e jamais cruzar os braços. É fácil? Não, mas sim um verdadeiro desafio a todas as pessoas que convivem em sociedade. Individualmente é difícil, porém coletivamente as ações são possíveis e imprescindíveis!

Professores e professoras de Filosofia e de todos os outros conteúdos escolares, interdisciplinarmente: ao discutir esse tema com as turmas, nas escolas, aproveitem materiais de revistas, jornais, internet (informações e imagens), que possam ser pesquisados e estudados com alunos e alunas, e tragam-nos para a sala de aula, enriquecendo, assim, debates e discussões diversas a respeito do conteúdo proposto. O texto acima pode ajudar, mas precisa ser enriquecido com informações, conseguidas através daqueles meios, além de outros textos, de autores e autoras diversos em livros e na internet.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

DO PRESENTE AO PASSADO: A ARTE DA ARGUMENTAÇÃO E A SOFÍSTICA (Professor José Antônio Brazão.)

Questões introdutórias (para debate em sala de aula):
1) De que recursos as redes de televisão fazem uso para convencer os telespectadores a comprar produtos? Cite um exemplo e o descreva.
2) E as revistas? Cite um exemplo e o descreva.
Respostas (surgidas a partir de debate em sala de aula, com anotações complementares do professor):
Questão 1:
Dentre os recursos utilizados pela televisão encontram-se os comerciais, as propagandas, a divulgação de produtos diversos durante a programação, a própria programação, efeitos especiais, imagens fantásticas, reais ou imaginárias, pessoas famosas (atores, atrizes, esportistas, apresentadores, etc.), filmes, novelas, programas de auditório, jornais, nudez e quase nudez (principalmente feminina), gente bonita, corpos quase perfeitos (malhados), dentre muitos outros recursos.
Exemplo 1: Jogadores de futebol (a maior parte das turmas apontou o jogador Neymar). Estes, geralmente, são utilizados em propagandas de refrigerantes, de roupas, de remédios comuns, de empresas de telefonia, de veículos, etc. O que eles têm que impactam tanto as pessoas? Talento, velocidade, disposição e preparo físicos, o fato de serem vencedores de grandes campeonatos nacionais e internacionais, de disporem de riqueza, dentre outras características. Boa parte deles vieram de classes mais pobres e se ergueram na vida graças ao esporte, ao futebol, outra razão para marcarem a mentalidade dos telespectadores. Isto lhes dá uma autoridade aparente para apresentar os produtos propagandeados, contribuindo, assim, para o aumento do consumo dos mesmos.
Exemplo 2: Nudez e quase nudez (destaque marcante para a feminina).
Outro recurso muito utilizado nas propagandas é o da nudez e o da quase nudez, além de imagens, cenas e temáticas eróticas sutis (refinadamente expostas, apresentadas). Muitas são propagandas que fazem uso desse recurso. Aparecem também em novelas, programas de auditório e, muitas vezes, ao longo da programação televisiva. Mas por que se faz tanto uso desse recurso?
Nudez e quase nudez despertam nas pessoas o DESEJO SEXUAL, que, em si, é natural, mas que a televisão intensifica imensamente, por meio de imagens e sons. Junto com a imagem da pessoa despida ou semi-despida vai a presença do produto, seja ele um desodorante, um carro, uma bebida (refrigerante, cerveja, etc.) ou qualquer outro. Desperta-se, deste modo, mais intensificadamente, o DESEJO PELO PRODUTO exposto, a ele aliando o desejo sexual. Essa aliança provoca, sem sombra de dúvida, um grande aumento no consumo dos produtos apresentados. Esse recurso aparece também em revistas e jornais, outdoors, dentre outras formas de comunicação.
O incentivo do desejo sexual, reforçado em propagandas, novelas, programas de auditório (dificilmente se vê um em que não haja mulheres quase despidas) e outros, juntamente com a falta de uma educação sexual adequada, também pode levar à busca de relações sexuais e contribuir para uma maior incidência da gravidez na adolescência e na juventude. Esta  traz consequentemente, dificuldades e problemas familiares e sociais,  certo sofrimento, fruto da impetuosidade (força) do desejo e do descuidos, da falta de proteção, aliados à falta de estrutura familiar, psicológica (falta de maturidade e de preparo para a vida) e financeira (falta de dinheiro e de emprego). Em resumo: as imagens eróticas das redes de televisão e de  outros meios de comunicação social, em junção com o descuido e a falta de conhecimento, despertado fortemente o desejo sexual, levado a uma prática sem cuidados e sem educação sexual  apropriada (na família, na escola, nos meios de comunicação social e na sociedade em geral), podem contribuir para a incidência maior da gravidez fora do tempo.
O consumismo provocado e reforçado pelas imagens traz aparente bem estar para as pessoas, porém, na verdade, enriquece as grandes empresas e as redes de televisão, traz mais lixo, problemas ambientais. O consumismo pode gerar, ainda, violência (um pequeno exemplo: a gangue dos playboys usava o dinheiro obtido em festas, viagens, consumo de roupas caras, bebidas, etc.).
Consumo existe e deve haver, sem dúvida, pondo em movimento a economia. Porém, o consumismo exagerado traz problemas, como os apresentados.
Os meios de comunicação social usam aqueles recursos e outros como formas de persuasão (convencimento e conquista) das pessoas para aquilo que desejam os empresários e os grupos economicamente dominantes: compra de produtos (consumismo), gestos, posturas e procedimentos sociais definidos e esperados das pessoas, telespectadores, ouvintes e leitores. Os argumentos usados para convencer e conquistar são os expostos por meio de imagens variadas, frases comuns e bem estruturadas no discurso e em seu contexto, pessoas famosas, efeitos especiais, dentre muitos outros recursos.
Se os recursos áudio-visuais auxiliam, hoje, de maneira decisiva, no convencimento das pessoas pelos meios de comunicação social (televisão, revistas, jornais, cartazes, outdoors, rádio, etc.), no passado distante, no tempo dos sofistas gregos (destaque aqui para o período clássico grego: séculos V e IV a.C.), os grandes recursos eram as palavras e os gestos. Palavras bem articuladas em argumentos sutis, refinados, e gestos bem apresentados que as acompanhavam.
As imagens formadas pela astuciosa articulação da linguagem e dos raciocínios ardilosos (sofismas), serviam bem ao propósito de convencimento de muitas pessoas por políticos e representantes populares preparados pelos sofistas (filósofos-professores), que eram, de um modo geral, bem pagos, pois cobravam pelos serviços.
Os sofismas - nome dado por Aristóteles (século IV a.C.) -  eram (e são), com efeito, raciocínios enganosos, com premissas (cada parte da argumentação) que desembocavam (desembocam) em conclusões determinadas e aparentemente verdadeiras, a fim de convencer as pessoas a agirem de uma forma esperada e desejada, contando com seu apoio para certas questões e posições, como votações favoráveis nas assembleias.
Num momento em que as póleis (cidades-estados) gregas vinham se desenvolvendo e crescendo, a necessidade de homens preparados para a política era cada vez mais premente. Observando essa necessidade, os sofistas (sofista: nome que, no grego, significa sábio, como assim se denominavam aqueles homens) aproveitaram para oferecer seus serviços, como o ensino da retórica (arte de falar bem em público, eloquência) e dialética (arte do debate, da discussão).  Protágoras, de Abdera (480 - 410 a.C.), por exemplo, também preocupou-se em oferecer  um reforço em outras áreas, como o conhecimento da linguagem. Ele dizia  que  o  homem é a medida de todas as coisas.
O convencimento era fundamental naquele tempo. Hoje, como foi visto, também. Hoje, com meios bem mais sofisticados, mas também com o uso de sofismas (em propagandas em que jogadores de futebol fazem propaganda de cerveja, por exemplo, dentre outras) e recursos refinados de apresentação, de convencimento, aliando argumentação e artes áudio-visuais.
No mundo romano, ao longo dos séculos que se seguiram, escolas de oratória, algumas das quais ajudaram na preparação de grandes políticos, também fizeram o trabalho de ensino da persuasão através das palavras. Curiosamente, no período cristão, Aurélio Agostinho (Santo Agostinho) também havia sido professor de retórica!
Partir do hoje (questões atuais) para falar do passado, das ideias filosóficas do passado, pode contribuir para um entendimento maior da Filosofia e tornar seu ensino algo muito mais vivo e vital. Professoras e professores de Filosofia, bom proveito! 

terça-feira, 19 de junho de 2012

CRIOGENIA: É POSSÍVEL VIVER ETERNAMENTE NA TERRA? EM CASO DE POSSIBILIDADE, QUE PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS? (Professor José Antônio Brazão.)

Criogenia é o processo de congelamento de corpos de seres humanos e animais com a finalidade futura de ressuscitá-los, passados muitos anos, quando as técnicas científicas e medicinais tornarem isto possível.
Nas últimas semanas, uma reportagem tem aparecido com frequência nos jornais televisivos, em revistas e jornais escritos: o caso da filha que, após a morte do pai, já bem idoso, decidiu congelá-lo. Para tanto, ela tem pagado pelo serviço de se manter o corpo paterno em hibernação criogênica, até poder enviá-lo para uma empresa especializada em criogenia nos Estados Unidos da América. Levou-a a isto o amor pelo pai e o desejo de reencontrá-lo.
Mas será possível conter indefinida ou definitivamente a morte?
Sem dúvida, a contenção definitiva da morte é um desejo intenso dos seres humanos, um desejo muito antigo, cujas principais representantes são as religiões. A vida eterna é desejada, ansiada. No campo da ciência, os alquimistas antigos buscavam o elixir da vida eterna, uma substância que teria os poderes de manter viva, indefinidamente, a pessoa que a tomasse. E há séculos e décadas que cientistas e empresas de todo o mundo entram na corrida pela extensão da vida: remédios, avanços da medicina, vacinas, pesquisas biológicas e farmacêuticas, a pesquisa sobre criogenia, dentre outros estudos, são provas disto.
A própria preocupação, passada e muitíssimo atual, de cuidar do corpo e da saúde, também frequentemente presente nos meios de comunicação social e nos cuidados de muitas pessoas, é uma forma que os seres humanos têm de buscar prolongar, o máximo possível, o tempo de vida, tamanho o valor que esta tem para todos!
Há animais na natureza que, de fato, conseguem, após um longo período de hibernação, ter o funcionamento de seus corpos retomado quando o inverno passa e iniciam-se a primavera e o calor. Sementes. Porém, mesmo naquele estado letárgico em que encontram no inverno ainda há vida. Os ursos, nesse período, perdem, inclusive, peso. Há sapos que, tendo o sangue saturado de açúcar, conseguem sobreviver por um bom tempo congelados. Mas o fato é que estão vivos.
A história natural tem mostrado que a morte é algo que já vem programado no DNA (ácido desoxirribonucléico) dos seres vivos. Em debate com os estudantes de uma turma de primeiro ano do Ensino Médio sobre a questão, em junho de 2012, um aluno lembrou que "os seres vivos nascem, crescem, se reproduzem e morrem", ao que acrescentei que reciclam, ou seja, as matérias-primas, orgânicas e inorgânicas que formam os corpos retornam à natureza, servindo inclusive de alimento a outros seres vivos - bactérias, protozoários e outros seres unicelulares, plantas e outros. O solo da Amazônia, por exemplo, não se torna um deserto porque as árvores e folhas mortas das plantas, pequenos seres vivos e animais mortos se decompõem e entram no ciclo natural, possibilitando assim que outros seres vivos possam viver. A morte, portanto, como se pode ver, é parte integrante do ciclo natural.
Estrelas, que não têm vida orgânica propriamente dita, morrem e seus materiais transformam-se em matéria-prima para a constituição de outros astros do universo e até mesmo da vida. De acordo com a astronomia e outras ciências na atualidade, cada ser humano é constituído de poeira estelar. Carl Sagan, cientista já falecido, em um dos programas da série Cosmos, toca nessa questão da poeira estelar produtora da vida. Essa morte estelar é, pois, outra prova de que a morte faz parte da natureza e do universo.
No entanto, os seres humanos desejam tanto a vida que querem torná-la algo contínuo, indefinido, eterno, tanto a própria quanto a de entes queridos, sejam eles pais, mães, filhos, amigos ou até mesmo animais. Há animais mortos mantidos em sistemas criogênicos, na espera de ressurreição futura! É um fato. O amor, sem sombra de dúvida, leva pessoas a buscar isto. O valor que aquela pessoa morta ou aquele animal morto tem para a pessoa que continua viva é fundamental para a escolha da criogenia.
A morte, na natureza, tem várias funções: faz parte do ciclo natural (geração, nascimento, crescimento, reprodução, morte e reciclagem natural), como já exposto, tornando possível a reciclagem de matérias necessárias a outros seres vivos novos, que podem, assim, nascer e desenvolver-se; desocupa espaço (imaginemos quão reduzido seria o espaço, hoje, na Terra, se todos os seres vivos e pessoas do passado estivessem no mundo!), sendo que hoje se fala muito em superpopulação mundial; evita, portanto, prejuízos maiores ao meio ambiente; possibilita o nascimento e o desenvolvimento de outros seres vivos e espécies; impõe limites a coisas boas (infelizmente), mas também a coisas ruins (a permanência indefinida de ditadores no poder, por exemplo); a morte impulsiona também o processo de evolução dos seres vivos e o surgimento de novas espécies, como a morte (extinção) dos dinossauros possibilitou que mamíferos evoluíssem até o surgimento do homo sapiens; indubitavelmente, outras  funções poderiam ser colocadas.
Não se pode, simplesmente, dizer que a proposta da criogenia-ressurreição seja impossível. Voar era considerado impossível para muitas pessoas no passado mais distante. Mas, em caso de possibilidade de ressurreição por um processo científico de criogenia e ressurreição controlada, que implicações positivas e negativas isto poderia ter? Novamente, retornando ao debate feito com estudantes em sala de aula: o reencontro com pessoas amadas que foram congeladas no passado e, num dado momento futuro, ressuscitadas; a possibilidade de ver muitas coisas novas que no futuro (momento da ressurreição) existirão; a alegria de poder viver novamente; conhecer e conviver, ao vivo, com parentes e outras pessoas do passado distante; viagens; etc.
E que pontos negativos poderia apresentar?
1) Dificuldade de redução do contingente de pessoas na Terra, afetando ainda mais seriamente o meio ambiente, mesmo no caso de os seres humanos aprenderem formas e terem atitudes muito racionais de cuidado da natureza. Pois um outro fato é certo: além da extensão da vida (neste caso, indefinidamente), a reprodução da espécie continuará existindo e demandando alimentos, cuidados, etc., cujos materiais são e serão exigidos da natureza. 
2) A acessibilidade de poucas pessoas que, realmente, podem e poderão pagar pelo processo. Aquela mulher que solicitou o congelamento do pai paga mais de oitocentos reais por dia, milhares de reais por mês! A maioria das pessoas vive com salário mínimo mensal e muitas outras no mundo resistem em sobreviver com menos de um dólar por dia. É, portanto, uma questão ética intensa, quente, do embate entre o direito natural de cada ser humano (presente, inclusive, em leis internacionais) e o direito/poder econômico, entre inclusão de poucos privilegiados economicamente e a maioria excluída até mesmo de bens fundamentais à vida. 
3) O congelamento e a subsequente ressurreição de ditadores e de pessoas que praticam terríveis males à humanidade, tendo em vista o poder econômico de que dispõem e a possibilidade real de poderem pagar pelo serviço criogênico e de posterior ressurreição. Ora, as empresas de criogenia precisam de dinheiro, como quaisquer outras, independentemente de vir de pessoas comuns ou de ditadores ou outros. 
4) No caso de ressurreição de ditadores e praticantes de ações contrárias aos direitos humanos (escravizadores, por exemplo), os males que poderiam se abater sobre as sociedades são muito possíveis, ainda mais que existem seguidores, ainda hoje, de ideias radicais e perigosíssimas do passado, algumas das quais levaram a guerras e ditaduras horríveis, ao sofrimento e à morte efetiva de milhões de pessoas. Já se pensou se ressuscitassem Al Capone, Hitler, Mussolini, chefes de grupos cujas ações são contrárias aos direitos humanos, etc.? Há grupos, inclusive paramilitares, que dispõem de dinheiro suficiente para pagar pelos serviços da ciência.
5) Ciclos naturais seriam desfeitos, como os já apresentados, pondo em xeque o equilíbrio da natureza. As funções naturais da morte seriam postas abaixo.
Outros pontos podem ser postos e devem igualmente ser discutidos. Fica o convite a leitoras e leitores para que pensem nisto e ajudem a ampliar o debate.
Essas e outras possibilidades negativas, que poderiam (ou podem) se tornar reais, não podem, jamais, ser descartadas. Perderiam (ou perderão) os seres humanos, perderiam (ou perderão) a natureza e os demais seres vivos. Esses perigos precisam ser levados em conta nos debates sobre a questão. Novamente, fica o convite a que todos pensem nisto.
Aqui não há qualquer interesse de criticar pessoas que apelam para a criogenia. Elas devem ser respeitadas e seus direitos assegurados, sem sombra de dúvida.
No caso das escolas, que professoras e professores ponham em discussão essa questão e aquelas que junto com ela caminham, algumas das quais aqui apresentadas. A discussão aqui proposta não acabou. É preciso que continue. Professoras e professores de Filosofia, Ciências, História e demais áreas de conhecimento estudadas nas escolas, lancem um debate, um questionamento e uma reflexão sobre a questão.