domingo, 4 de fevereiro de 2024

PRIMEIRO BIMESTRE - AULA 03 DE SOCIOLOGIA DOS SEGUNDOS ANOS. POLÍTICA E ESTADO (Prof. José Antônio Brazão.)

 

SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

COMANDO DE ENSINO POLICIAL MILITAR

 CEPMG - VASCO DOS REIS

Divisão de Ensino / Coordenação Pedagógica

PRIMEIRO BIMESTRE

AULA 03 DE SOCIOLOGIA DOS SEGUNDOS ANOS:

RELAÇÕES DE PODER E MOVIMENTOS SOCIAIS – PODER, POLÍTICA E ESTADO:

POLÍTICA E ESTADO (Prof. José Antônio Brazão.)

Atentemos para o que diz o seguinte texto:

“Muitas vezes, os termos política, poder e Estado são utilizados como sinônimos [de mesmo significado]. No entanto, do ponto de vista sociológico, podemos entender o poder como a possibilidade de exercer influência sobre a conduta de outros em determinada relação social (...o poder perpassa diferentes relações sociais, mesmo as de amizade e as relações familiares). A política pode ser vista como os meios pelos quais um sujeito ou grupo se organiza, exerce o poder ou o conquista. Já o Estado é um modo específico de exercício do poder e a forma como se organiza o sistema político na maioria das sociedades modernas. Existem sociedades tradicionais nas quais o Estado não existe, do mesmo modo, o pensamento anarquista defende a autogestão sem a presença dominadora do Estado para a construção de uma sociedade justa e igualitária.” (SILVA et alii, 2017: p. 139). (O que está entre chaves e os grifos: meus.)

O que os autores do texto acima querem dizer, inicialmente, é que os conceitos de política, poder e Estado, apesar de parecerem sinônimos, têm certa diferença, ainda que se relacionem uns aos outros.

“O homem é um animal político”, diz Aristóteles (século IV a.C.) nos inícios de seu livro POLÍTICA. Ainda que Aristóteles estive se referindo a homens, não a mulheres e escravos, hoje essa frase pode ser revista e interpretada de outro modo, de um modo muito mais amplo.

Política é uma forma de exercício do poder. Política é também a PARTICIPAÇÃO de cada pessoa, de cada cidadão e cidadã nos destinos de sua cidade, de seu bairro, do Estado, do país e até mesmo do mundo. Eis o que Bertold Brecht diz:

“O texto a seguir redige sobre o analfabeto político, segundo a visão de Bertolt Brecht:

O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha,

do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha

e estufa o peito dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que da sua ignorância política

nasce a prostituta, o menor abandonado

e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista, pilantra,

corrupto e lacaio das empresas

nacionais e multinacionais.’

—O texto é atribuído a Bertolt Brecht pela primeira vez em Terra Nossa: Newsletter of Project Abraço, North Americans in Solidarity with the People of Brazil, Vols. 1-7 (1988, p. 42)[3] (Ver citação no referencial.)

Há modos simples de se participar da política, além do interesse por entender a realidade política propriamente dita:

1)    Quando quem estuda se dedica firmemente ao aprendizado, mesmo em momentos desafiadores como uma pandemia, por exemplo.

2)    Quando quem já não se encontra mais numa sala de aula está sempre aprendendo algo novo, lendo livros, interessando-se pelo conhecimento.

3)    Quando se ajuda alguém, fazendo-lhe um bem, a começar dentro de casa e em qualquer lugar possível.

4)    Quando não jogamos papel ou lixo no chão, no terreno baldio, nem no esgoto, etc., mas na lata própria para o lixo.

5)    Quando se ajuda a mãe em casa.

6)    Quando tratamos bem as pessoas, com educação.

7)    Quando não destruímos patrimônio público (patrimônio, na verdade, de todos) através do vandalismo e da pichação, por exemplo.

8)    Quando respeitamos os cuidados simples necessários a todos no combate a uma pandemia, por exemplo (evitar aglomerações, manter distância, usar máscara fora de casa, etc.).

9)    Quando, sem que alguém nos exija ou nos obrigue, procuramos aprender coisas novas todos os dias.

10)                   Quando respeitamos as pessoas, seja em casa, no trabalho, na escola ou em qualquer lugar.

11)                   Quando procuramos conhecer nossos direitos e deveres, praticando estes e exigindo aqueles.

12)                   Quando ouvimos opiniões contrárias às nossas, buscando saber as razões e os fundamentos dessas opiniões.

13)                   Quando apresentamos nossas opiniões de forma fundamentada, bem embasada em conhecimentos e investigações, citando, inclusive, se possível, as fontes.

14)                   Quando nos empenhamos por praticar valores éticos.

15)                   Quando a gente busca conhecimentos, no intuito de não nos deixarmos enganar ou sermos ludibriados (tapeados) por outros.

16)                   Quando aplicamos na prática a frase que diz: “Quanto maior o esforço nos estudos, menores as chances de fracassos na vida.”

17)                   Quando votamos sabendo bem em quem estamos votando.

18)                   Quando respeitamos a ordem em uma fila.

19)                   Quando respeitamos as leis de trânsito, tanto como motoristas como pedestres.

20)                   Etc. Etc.

São atitudes simples, mas que podem fazer enorme diferença em prol do bem comum (o bem de toda a coletividade). Tudo isto é fazer política, além de outras ações.

REFERÊNCIAS:

CHAUÍ, Marilena. Iniciação à Filosofia. (Manual do Professor) 3.ed. São Paulo, Ática, 2017.

ROMEIRO, Julieta et alii. DIÁLOGO: Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. São Paulo, Moderna, 2020. (Seis volumes.)

SILVA, Afrânio et alii. Sociologia em Movimento. (Manual do Professor) 2.ed. São Paulo, Moderna, 2017.

WIKIPÉDIA. Verbete Analfabetismo Político. Disponível em: <  https://pt.wikipedia.org/wiki/Analfabetismo_pol%C3%ADtico#:~:text=O%20Analfabeto%20Pol%C3%ADtico%20de%20Bertolt%20Brecht,-Bertolt%20Brecht%20em&text=Ele%20n%C3%A3o%20sabe%20que%20o,rem%C3%A9dio%20dependem%20das%20decis%C3%B5es%20pol%C3%ADticas.&text=e%20estufa%20o%20peito%20dizendo%20que%20odeia%20a%20pol%C3%ADtica. > Acesso em 03 de fev. de 2024.

 

PRIMEIRO BIMESTRE - AULA 03 DE SOCIOLOGIA DOS PRIMEIROS ANOS. CONHECIMENTO DA RELIGIÃO (Prof. José Antônio Brazão.)

  

SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

COMANDO DE ENSINO POLICIAL MILITAR

 CEPMG - VASCO DOS REIS

Divisão de Ensino / Coordenação Pedagógica

PRIMEIRO BIMESTRE

AULA 03 DE SOCIOLOGIA DOS PRIMEIROS ANOS:

SOCIEDADE E CONHECIMENTO – PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO:

(Diálogo interdisciplinar com a FILOSOFIA, a História e outros componentes curriculares.)

CONHECIMENTO DA RELIGIÃO (Prof. José Antônio Brazão.)

Na aula anterior vimos e discutimos a diferença entre o conhecimento do senso comum e o da ciência. Agora iremos apresentar e discutir um outro tipo de conhecimento: o conhecimento religioso. Afrânio Silva e outros dizem o seguinte:

“O fato de a ciência ser um meio de produção de conhecimento mais amplamente aceito nas sociedades industrializadas não significa que outros meios tenham desaparecido. Quando o conhecimento sobre o sentido da vida ou sobre como proceder diante da inevitabilidade da morte é fundamentado na crença em Deus ou em um livro sagrado, ele é chamado conhecimento teológico ou religioso.” (SILVA et alii, 2017: p. 20).

RELIGIÃO (Wikipédia – imagens): https://en.wikipedia.org/wiki/Religion

Em slides:

Conjunto 1:

https://en.wikipedia.org/wiki/Religion#/media/File:Sakyamuni,_Lao_Tzu,_and_Confucius_-_Google_Art_ProjectFXD.jpg

Conjunto 2:

https://es.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%B3n#/media/Archivo:Religion_collage_updated.jpg 

Mesmo com o nascimento e a expansão da filosofia e das ciências, hoje, com tantas tecnologias e descobertas feitas ao longo do tempo histórico, as religiões não tiveram um fim e, com muita probabilidade, não terão. As religiões representam um desejo humano de buscar algo mais elevado que dê sentido à vida, elevando-a a um patamar muito mais acima da realidade meramente material, apontando para a continuidade da vida na eternidade, geralmente, em outro ambiente (o Céu, o Paraíso, o Hades, etc. etc.).

No início, antes das religiões estruturadas, as pessoas, em bandos ou tribos, adoravam os deuses e as deusas ao ar livre ou em locais determinados, tidos como sagrados (separados, por conta de seu caráter divino, ligado a Deus ou aos deuses e deusas). Na Bíblia, por exemplo, fala-se dos altares feitos por Abraão, nos quais sacrificava animais a Deus (o Deus único, em sua crença). Nas tribos indígenas, ao redor de fogueiras, por exemplo, com danças e certos rituais. Na época de secas, faziam a dança da chuva, para atrair chuvas. Tribos africanas, por meio de danças, atabaques (tipo de tambores), cantos. E assim por diante.

DANÇA DA CHUVA (Wikipédia imagens):

https://de.wikipedia.org/wiki/Regentanz

Em slides:

https://de.wikipedia.org/wiki/Regentanz#/media/Datei:Harar_Dance.jpg

LITURGIA (sequência de ritos ou rituais em uma celebração):

https://en.wikipedia.org/wiki/Liturgy

Em slides:

https://en.wikipedia.org/wiki/Liturgy#/media/File:Bhikku_Upasampata.JPG

As religiões são fatores de agregação de pessoas em torno de crenças e celebrações.

O tempo das religiões é um tempo cíclico, que comemora os ciclos dos eventos passados entre os deuses e outros seres divinos: cíclico, por se fazer na forma de ciclo (círculo) – o ano litúrgico da Igreja Católica é um excelente exemplo: a cada ano, começa no Advento (tempo de preparação para a chegada [advento] de Cristo ao mundo), estende-se até a Páscoa e vai além, até o final do ano, com o fim do ano litúrgico, uma semana antes do início do novo Advento, celebrando  mundo e o julgamento final da humanidade). Em outras religiões também: os evangélicos, por exemplo, seguem os elementos presentes no ano litúrgico; os judeus e os islamitas têm, em suas respectivas crenças, festas que se celebram anualmente, ano após ano; etc. São festas e celebrações (ritos, rituais) que rememoram o passado sagrado, dos tempos primordiais.

No campo social, as religiões prestam grandes serviços às sociedades. Por conta dos valores que pregam, de suas leis (um bom exemplo são os Deus Mandamentos, da Bíblia judaico-cristã), definem, de fato, normas de condutas que devem ser seguidas pelos seus seguidores e seguidoras. Muitas dessas normas são comuns à imensa maioria das religiões, com pequenas variações em termos de interpretação, possivelmente.

DEZ MANDAMENTOS (Wikipédia – imagens):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ten_Commandments

Em slides:

https://en.wikipedia.org/wiki/Ten_Commandments#/media/File:MCC-31231_Mozes_toont_de_wetstafelen_(1).tif

Além das normas, muitas religiões prestam outros serviços assistenciais às sociedades: (1)Asilos. (2)Hospitais. (3)Escolas. (4)Etc.

O conhecimento religioso (teológico – estudo de Deus [theós, em grego], das coisas divinas) encontra-se entre as demais formas de conhecimento. No que diz respeito a conhecimento, as religiões foram e são responsáveis pela conservação de conhecimentos antigos e até mesmo pelo desenvolvimento de outros, que antecederam a filosofia e as ciências como as conhecemos hoje. Na Idade Média, por exemplo, os padres da Igreja Católica, em mosteiros e outros locais, por estarem entre os poucos alfabetizados, copiaram e recopiaram textos antigos. Graças a esse trabalho, dispomos de muitos desses textos e outras informações ainda hoje. Textos que, com a impressora de Gutenberg, chegaram a muitas pessoas.

Os islamitas, durante a Idade Média, fizeram algo similar. Muitos textos de filósofos ocidentais antigos chegaram de volta ao Ocidente através deles, inclusive.

SCRIPTORIUM [Escritório – local da escrita] (Wikipédia – imagens):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Scriptorium

Em slides:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Scriptorium#/media/Ficheiro:Scriptorium_Of_T%C3%A1bara.jpg

Budistas também puseram por escrito suas crenças.

Em outras religiões, a tradição (transmissão) se deu na forma oral. Por exemplo: entre as religiões afro-brasileiras.

REFERÊNCIAS:

EDUCA+BRASIL. Senso Comum: Um saber adquirido através de experiências. Disponível em: < https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/filosofia/senso-comum > Acesso em 26/01/2024.

ROMEIRO, Julieta et alii. DIÁLOGO: Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. São Paulo, Moderna, 2020. (Seis volumes.)

WIKIPÉDIA. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal > Acesso em 03 de fevereiro de 2024.

 

PRIMEIRO BIMESTRE - AULA 03 DE FILOSOFIA DOS PRIMEIROS ANOS. ORIGENS DA FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)

  

SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

COMANDO DE ENSINO POLICIAL MILITAR

 CEPMG - VASCO DOS REIS

Divisão de Ensino / Coordenação Pedagógica

PRIMEIRO BIMESTRE

AULA 03 DE FILOSOFIA DOS PRIMEIROS ANOS

ORIGENS DA FILOSOFIA (Prof. José Antônio Brazão.)

Diálogo interdisciplinar com a Sociologia, a História, Arte e outras.

A palavra filosofia é uma palavra grega, composta de duas outras: PHILO, termo grego que quer dizer AMIGO, de PHILIA, amizade, e SOPHIA, também grega, que quer dizer SABEDORIA. Filosofia é amizade com a sabedoria. Filósofo é o amigo da sabedoria. De acordo com Marilena Chauí: “Atribui-se ao filósofo grego Pitágoras de Samos (c.570 a.C. – c.495 a.C.) a invenção da palavra filosofia. Pitágoras teria afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas que os seres humanos podem desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos.” (CHAUÍ, 2017: p.33.)

Como foi visto anteriormente, antes de existirem a filosofia e as ciências, os fatos naturais e até mesmo da vida humana eram explicados pelos mitos e pelas religiões, que tiveram sua origem, por sua vez, na crença na existência de algo sagrado na natureza e no universo: seres divinos, por exemplo, que se transformaram em deuses, deusas, que viriam a ser adorados, inclusive, em locais determinados e, como o tempo e o desenvolvimento das sociedades, em templos, dependendo da sociedade.

O SAGRADO (Wikipédia – Imagens): https://it.wikipedia.org/wiki/Sacro

Em slides:

https://it.wikipedia.org/wiki/Sacro#/media/File:Gabillou_Sorcier.png

Sagrado é o que está separado, aquilo que pertence à ordem do divino, isto é, o que está ligado diretamente a Deus ou aos deuses e deusas e outros seres imortais. O local onde se faz oração (uma árvore, um monte, um templo, etc.) não é o mesmo onde ser realizam coisas cotidianas da vida das pessoas (por exemplo: cozinha; locais de caça, etc.).

TEMPLO (Wikipédia – imagens): https://en.wikipedia.org/wiki/Temple

Em slides: (Obs.: templos – em sociedades mais desenvolvidas.)

https://en.wikipedia.org/wiki/Temple#/media/File:G%C3%B6bekli_Tepe,_Urfa.jpg

A filosofia diverge dos mitos. Vejamos o quadro comparativo:

MITO

FILOSOFIA

Dá uma explicação sagrada, divina, para o que ocorre na natureza (exemplo: o relâmpago de Zeus).

Busca uma explicação racional que parte da própria natureza. Por exemplo: Leucipo e Demócrito de Abdera propuseram que tudo é feito de átomos. Antes deles, Tales, da água.

Apela para o divino para entender os fenômenos: o relâmpago que cai é o raio lançado por Zeus a partir do Olimpo ou dos Céus (gregos); o trabalho duro do dia a dia é fruto de uma desobediência primordial (mitos de Prometeu e Pandora e de Adão e Eva, por exemplo).

Ainda que nem sempre negue os deuses, a filosofia apela para a RAZÃO (o logos, em grego), a partir da observação atenta e reflexiva acerca dos fenômenos.

O mito é aceito pelo grupo ou povo a que pertence como uma verdade, muitas vezes, incontestável.

As descobertas e afirmações da filosofia são postas em discussão, podendo sofrer questionamentos e até mesmo virem a ser derrubadas.

Acrítico ou quase acrítico. Quem aceita o mito não faz a crítica, mas, por conta de seu caráter sagrado, aceita-o como verdade e, em religiões estruturadas, até como dogma (verdade inquestionável).

Crítica. A filosofia problematiza, questiona, “cutuca” as crenças em verdades seculares e até mesmo milenares.

Junto com o mito vão os ritos ou rituais, isto é, as celebrações aos deuses, deusas, a seres sagrados.

A filosofia, ainda que não negue os deuses, não admite o apelo explicativo da realidade a eles, nem os celebra.

O mito apela para o mágico, ou seja, para a crença de que por trás dos fenômenos naturais há forças mágicas (forças divinas) que atuam sobre eles. Por exemplo: os ventos do deus Éolo (grego).

A filosofia apela para o pensamento reflexivo, crítico (questionador, problematizador), que busca na própria natureza e nos fatos da realidade uma explicação ou conjunto de explicações a fornecer uma compreensão precisa. A isto une o debate caloroso de ideias, pela própria filosofia incentivado.

Estes são alguns pontos de diferença entre mito e filosofia. Outros poderão ser encontrados em livros didáticos e até mesmo na internet.

Mas o mito é irracional (destituído de razão, de pensamento, de reflexão)? NÃO. Os mitos, sem dúvida alguma, foram fundamentais até mesmo para o posterior nascimento da filosofia. Como assim? Os mitos fazem uso da PALAVRA (logos, em grego) para serem comunicados. A filosofia também, ainda que seja a palavra do debate caloroso e crítico. Os mitos apontam fatos que são frutos de observação, como, por exemplo (interessante exemplo): Adão é feito de barro, ou seja, feito de matéria-prima advinda da terra, junto com o sopro divino (a alma, dada por Deus) – em outras mitologias também é tirado do barro; a água, a terra e o ar, além do fogo, que aparecem em vários filósofos antigos (a água de Tales, o ar de Anaxímenes, a terra de Xenófanes de Cólofon, o fogo de Heráclito) como princípios originantes de todas as coisas, encontram-se na terra ou acima dela. A separação da explicação filosófica em relação à explicação religiosa e mítica não se deu por um rompimento abrupto (de uma vez e de uma hora para outra), foi um processo que levou tempo mas que foi sendo realizado.

O que veio primeiro: as ciências ou a filosofia?

Depende de como encararmos essa questão: se ela se referir às ciências tais como as temos hoje, a filosofia é mais antiga e é, inclusive, mãe de várias delas (p. ex.: da psicologia, da física); se entendermos ciências como conhecimentos, saberes, aí são mais antigas que a filosofia – por exemplo: a matemática é mais antiga que a filosofia, a medicina também é, a astronomia enquanto mapeamento e conhecimento dos céus para, por exemplo, se fazer calendários e para outros fins, entre outros saberes.

IMAGENS (CIÊNCIA): https://it.wikipedia.org/wiki/Scienza

Em slides:

https://it.wikipedia.org/wiki/Scienza#/media/File:Tito_Lessi_-_Galileo_and_Viviani.jpg

https://en.wikipedia.org/wiki/Technology#/media/File:Dampfturbine_Montage01.jpg

O que diferencia a filosofia das demais ciências atuais e que a marca desde o princípio, de suas origens?

De onde tudo veio? Como tudo surgiu? São perguntas que os seres humanos fazem, com certeza, desde o momento em que aprenderam a fazer uso da linguagem falada. A filosofia as fez outrora, através dos primeiros filósofos gregos, por exemplo. A Física e a Química modernas fizeram essas perguntas também. Em todos esses casos, buscaram-se respostas.

IMAGENS DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_ci%C3%AAncia

Em slides:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_ci%C3%AAncia#/media/Ficheiro:SumerianClayTablet,palm-sized422BCE.jpg

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnologia#/media/Ficheiro:Levallois_Preferencial-Animation.gif

A filosofia busca ir até mesmo além das ciências:

Onde as ciências tratam do conhecimento científico, a filosofia pergunta: Como é possível o conhecimento científico? Como o cientista descobre? A que propósitos e interesses servem os conhecimentos científicos? A ciência é neutra (isto é, destituída de qualquer interesse político-econômico)? A ciência tem ética? Além de outras tantas.

Nesse sentido, a filosofia pode se dedicar também à busca do conhecimento a respeito dos procedimentos de ciências particulares. Deste modo, nasceram: a Filosofia da Física, a Filosofia das Ciências, a Epistemologia (filosofia do conhecimento científico), a Filosofia da Matemática, a Filosofia da Educação, a Filosofia da Química, etc.

A filosofia não vê nas ciências um caráter mágico e hermético (oculto, fechado) nas ciências. Mas sabe que as ciências têm uma estrutura, sabe que cada cientista produz conhecimento e faz descobertas a partir do aprendizado que teve e de pesquisas, por exemplo, em laboratórios, com instrumentos de precisão.

IMAGENS (Laboratório):

 https://pt.wikipedia.org/wiki/Laborat%C3%B3rio

Em slides:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Laborat%C3%B3rio#/media/Ficheiro:Lab_bench.jpg

https://en.wikipedia.org/wiki/Laboratory#/media/File:CICB's_Laboratory.jpg

Assim como as ciências e os conhecimentos humanos em geral, a Filosofia, que é um desses conhecimentos, tem uma história. Ela se encontra no tempo e no espaço, ora buscando respostas para as questões que são postas em cada tempo, ora fazendo perguntas que vão além desse tempo, tanto aquelas que recuam até o passado distante quanto as que adentram no futuro.

REFERÊNCIAS:

ARANHA, Maria L. de A. e MARTINS, Maria H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. 4.ed. São Paulo, Moderna, 2009.

CHAUÍ, Marilena. Iniciação à Filosofia. 3.ed. São Paulo, Ática, 2017.

WIKIPÉDIA. Verbetes: Sagrado, Templo, Ciência, Laboratório. Disponíveis em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal > Acesso em 03 de fevereiro de 2024.

MATERIAL COMPLEMENTAR (EM POESIA):

 

FILOSOFIA EM POESIA 1: O mito e os pré-socráticos.

(Prof. José Antônio Brazão.)

Um possível bom meio ou recurso de trabalho didático no tratamento das ideias filosóficas é a transformação destas em poesias simples e, com certeza, muito úteis. Um exemplo a seguir. Pode ser escrito no quadro ou repassado em slides ou cópias fotocopiadas.

UMA BELA HISTÓRIA (Prof. José Antônio Brazão.)

Uma bela história registrar:

O nascimento da filosofia,

Em suas origens,

Eu vou narrar.

 

No início, de deuses e deusas,

Por mitos, muita gente contava

Histórias fabulosas

Que a imaginação criava.

 

Deusas e deuses, de imensos poderes,

Na natureza e no cosmos atuavam.

Para obter seus favores,

Os seres humanos oravam.

 

Poetas chamados aedos

E outros conhecidos por rapsodos,

Em seus poemas, os cantavam

E feitos divinos registravam.

 

Agricultura, comércio, guerras e escravidão,

Póleis, cidades-estados, a crescer,

Monumentos e magníficos prédios em construção,

Nesse contexto, novas ideias a florescer.

 

Por toda a Grécia antiga

Aqueles poetas se espalhavam.

De deuses e deusas até alguma intriga

Não ocultavam.

 

Muito humanos os seres divinos pareciam,

Seres poderosos eram com certeza,

Eternos e imortais os relatos os definiam

Dos poetas que os contavam com presteza.

 

Ouvindo de outros povos pessoas comuns e mercadores

De deusas e deuses as histórias que contavam,

Alguns homens argutos e observadores,

Por serem diferentes, desconfiaram.

 

Desejando melhor a natureza e o mundo entender,

Respostas mais claras e profundas queriam achar,

Observações e estudos começaram a empreender

E em princípios criam as poder encontrar.

 

Nas colônias gregas viviam

Da Ásia Menor e da Magna Grécia,

Buscando fugir das certezas a inércia

Contrapondo ao que os mitos diziam.

 

O primeiro princípio foi a água

Do filósofo Tales de Mileto:

Para além dos mitos navegava,

Certo de que por ela tudo é feito.

 

A seguir, outros princípios,

Por filósofos denodados,

Foram levantados,

Dando à filosofia seus inícios.

 

Dizia Anaxímenes que tudo do ar viera;

Anaximandro, de um tal Ápeiron,

Ou da terra de Xenófanes de Cólofon

Todo existente nascera.

 

Dos números surgiu o cosmos,

Como na música a beleza se tocava,

Segundo o filósofo de Samos,

Que Pitágoras se chamava.

 

Da filosofia o nome se originou

Do fato de que, com muita alegria,

Por crer-se amigo da sabedoria,

Pitágoras filósofo se nomeou.

 

Da música a harmonia o inspirou.

No monocórdio, de diferentes sons

Sete notas Pitágoras descobriu,

Percebendo aí o enlace de diferentes tons.

 

Parte de da Matemática o sistema,

O quadrado da hipotenusa

Da soma dos quadrados dos catetos resulta:

De Pitágoras eis o famoso teorema.

 

De fogo, o princípio, para Heráclito de Éfeso,

Todo existente se compõe

Mas algo mais viu o filósofo:

Em tudo o devir-movimento se dispõe.

 

Parmênides de Eleia a Heráclito contradiz

Movimento é ilusão

Para os olhos falsa diversão

Mas que de nada é matriz.

 

Em Eleia outro filósofo apareceu

Zenão por nome tratamento

Do mestre Parmênides o pensamento

Na forma de argumentos defendeu.

 

Um dos argumentos dizia

Que se, à frente de Aquiles, no espaço,

Numa corrida, a tartaruga desse um passo,

O grande guerreiro jamais a alcançaria.

 

Subdividido matematicamente

O espaço pode ser infinitamente

À frente de Aquiles, portanto, um pouco avançada,

A razão diz que a tartaruga não pode ser alcançada.

 

Os parmenídicos argumentos são mantidos,

Pois o movimento que mostram os sentidos

Do humano ser provou-se ser puríssima ilusão,

Porquanto muito mais certa é a humana razão.

 

Empédocles quatro princípios resolveu juntar

Ar, água, terra e fogo,

Que variados seres formam logo

Ao dar-se em precisos modos seu combinar.

 

Anaxágoras minúsculas partículas dizia

Comporem toda a pluralidade

Por disporem, em cada diverso, igualdades

Cada uma delas denominou homeomeria.

 

Leucipo e Demócrito observaram dos seres o dividir

A existência de muitas partículas indivisíveis

Aos olhos humanos, sozinhas, invisíveis

Usando a inteligência, acabaram por concluir.

 

Os átomos, indivisíveis partículas definidas,

Milênios depois, por cientistas comprovados

Postos em tabela por períodos dividida

Hoje, por fissão nuclear estilhaçados.

 

Da filosofia a grande história aí se iniciou

Com o uso do logos-palavra-razão-discurso

Nas colônias da antiga Grécia o curso

De um novo modo de pensamento se firmou.